Está aberto o período de indicações para o Prêmio Sasakawa 2011 do PNUMA, com o tema “Florestas para as pessoas, florestas para o crescimento verde”, em referência à designação do ano de 2011 como o Ano Internacional das Florestas.
O concurso premiará a mais inovadora iniciativa ambiental pelo desenvolvimento sustentável de países emergentes e em desenvolvimento. O vencedor receberá um prêmio de 200.000 dólares durante uma cerimônia especial que se realizará em fevereiro de 2011, em Nairóbi, Quênia.
O prêmio visa a reconhecer projetos que apresentam impacto socio-ambiental significativo de acordo com a temática do ano, como por exemplo, aqueles que:
-Promovem a conservação e o manejo sustentável das florestas;
-Contribuem para uma redução significativa das emissões de carbono causadas pelo desmatamento e pela degradação florestal;
-Preservam os ecossistemas florestais para melhorar a resiliência às mudanças climáticas;
-Ajudam a aliviar a pobreza, especialmente das comunidades dependentes de florestas;
-Conservam a biodiversidade e garantem os serviços dos ecossistemas.
O PNUMA está em busca de projetos que apresentem casos promissores de economia verde posta em prática.
As indicações serão recebidas até o dia 30 de setembro. Para maiores informações (em inglês), visite a nossa página web www.unep.org/sasakawa ou entre em contato com lucita.jasmin@unep.org.
Faça aqui sua indicação!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Prêmio Sasakawa do PNUMA: 200.000 dólares para projeto verde inovador
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Biodiversidade começa a aparecer na agenda empresarial, diz estudo
Mais de 50% dos CEOs pesquisados na América Latina e 45% na África estão preocupados com o declínio da biodiversidade, enquanto menos de 20% dos CEOs entrevistados nos países da Europa ocidental partilham da mesma preocupação. O estudo indica que os executivos que falharem em incluir o manejo sustentável da biodiversidade em seus planos de negócios, podem acabar ficando fora de sintonia com o mercado.
Segundo Pavan Sukhdev, economista da TEEB e chefe da Green Economy Initiative, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a "importância econômica da biodiversidade e dos ecossistemas está começando a aparecer. Alguns empresários, de determinados setores e em alguns continentes, já estão agindo para construir empresas sustentáveis, do século 21".
Recentes estudos apresentados no relatório da TEEB indicam que 60% dos consumidores entrevistados na América e Europa, e mais de 90% no Brasil, estão conscientes da perda da biodiversidade. Mais de 80% desses consumidores deixariam de comprar produtos de companhias que não incorporam questões éticas em suas práticas.
Além disso, de acordo com a TEEB, a consultoria britânica TruCost deve lançar um estudo que lista as atividades de 3 mil companhias ao redor do mundo, estimando o impacto dessas empresas, ou "externalidades ambientais", em um total de US$ 2,2 trilhões por ano.
"Estamos entrando em uma nova era em que as perdas de vários trilhões de dólares de recursos naturais estão começando a moldar os mercados e as preocupações dos consumidores", explica o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner.
O documento cita casos bem sucedidos de políticas empresarias para a biodiversidade e ecossistemas, como o caso da mineradora Rio Tinto, que se comprometeu a atingir impacto positivo (Net Positive Impact) na biodiversidade; e outras iniciativas, como a do Walmart, Coca Cola e BC Hydro.
Leia aqui o relatório "The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB) for Business", na íntegra.
Fonte: Eco-Finanças
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Lei de restrição ao uso das sacolas plásticas entra em vigor no Rio
Os supermercados que não distribuírem gratuitamente as sacolas retornáveis devem oferecer descontos para quem trouxer de casa bolsas para carregar as compras. O desconto será de três centavos a cada cinco itens comprados. Além disso, a cada 50 sacolas de plástico devolvidas limpas, o consumidor ganhará um quilo de alimento.
Os estabelecimentos terão até dois anos para se adaptar às novas regras. A partir de hoje, fiscais da Secretaria Estadual do Ambiente estarão nas grandes lojas orientando os funcionários quanto ao funcionamento da nova lei. A multa pelo não cumprimento da lei pode chegar a R$ 20 mil.
Em quase um ano da campanha Saco É um Saco, do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Secretaria do Ambiente do Estado, foram recolhidos mais de 600 milhões de sacolas plásticas no Rio de Janeiro. Com a nova lei a campanha será intensificada.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Desapego e Sustentabilidade
Por Zé Bueno
Em agosto deste ano, preso em um destes congestionamentos insuportáveis em São Paulo, senti uma estranha vergonha. Uma vergonha ao me perceber como mais um cidadão usando o carro como transporte, achando que os outros é que atrapalham o trânsito. Em outras palavras percebi que eu não era mais uma vítima do caos. Subitamente me percebi vilão da história. É claro que o meu carro não causa 200 km de engarrafamento. Mas outros milhões de pessoas pensando exatamente como eu, que o problema são os outros, isso sim causa um inferno.
Num surto de consciência cívico/ambiental decidi abandonar o carro na
garagem durante o mês de setembro e experimentar todos os outros meios de
transporte disponíveis: ônibus, metro, caminhada, taxi, carona, bicicleta e
trem. Hmmm. Ficar sem carro não quer dizer ficar a pé nem sinônimo de
imobilidade. Depois de 30 anos usando carro, praticamente uma adicção,
mergulhei nesta aventura. E gostei. Não virei xiita, nem xaato, e não estou
querendo pregar nada. Mas descobri coisas interessantes neste processo todo.
Entre elas que construir um mundo melhor passa por deixar coisas do mundo
pior. Isso envolve desapego de idéias, de hábitos, de padrões e de coisas. E
minha sensação é que - de modo geral - somos bem ruinzinhos neste quesito
desapego. A maioria quer mudança, mas não quer mudar. Tem muita gente
querendo mudar o mundo lá fora e deixando as pequenas coisas por perto para
outro dia. Ouço três vezes por dia ao menos a palavra sustentabilidade, mas
não ouço com essa mesma freqüência a palavra desapego. Para mim hoje, depois
da aventura de brincar de não ter carro, saber morrer é tão importante como
saber viver. O melhor: isso pode ser divertido e contagiante.
Conheça mais sobre o Zé Bueno no seu blog: http://zerobueno.blogspot.com/
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Construção sustentável avança no Brasil
O Sustainable Buildings & Construction Iniciative e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com a Universidade da Europa Central (CEU) realizou um levantamento mundial de dados sobre políticas públicas, apresentando soluções ecoeficientes para o setor de construção civil, principalmente no campo da eficiência energética.
Este levantamento foi traduzido e lançado no Brasil, no último dia 24 de agosto, durante o Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, em São Paulo, sob o título Avaliação de Políticas Públicas para a Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa em Edificações.
Conheça aqui exemplos de políticas que estão sendo realizadas no Brasil e saiba mais sobre alguns de seus resultados.
O levantamento verificou que as maiores oportunidades de redução de emissões nas edificações se encontram em medidas de eficiência energética. Por isso, fez uma lista de ações, divididas em quatro grandes estratégias e vinte políticas, que devem ser adotadas na operação de edifícios. Segundo o relatório do IPCC de 2007, os edifícios são responsáveis por 30% das emissões dos gases-estufa; a indústria de cimento é responsável por 12% das emissões. Se não houver um controle de emissões das edificações, não será possível reduzir o carbono na atmosfera.
No que diz respeito ao Brasil, algumas estratégias de redução apontadas pelo relatório já são utilizadas em edifícios comerciais, de serviços e públicos, com o apoio do Estado, quando é o caso.
Por exemplo: de acordo com esta publicação, uma das estratégias para melhorar a eficiência energética é a concessão pelo governo de subsídios, subvenções e descontos para a reforma de edifícios públicos. No Brasil, o Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica concede verbas a companhias de utilidades públicas estaduais e municipais, agências governamentais, empresas privadas, universidades e institutos de pesquisa que executem reformas visando eficiência energética. Entre 1986 (ano em que o Procel foi criado e teve início o subsídio) até 1998, houve economia cumulativa de 5,3 TWh em consumo de energia e de 169ktCO2 de redução de emissões.
Entre as políticas mencionadas pelo relatório, está a criação de normas para eletrodomésticos e a regulamentação de compras. No primeiro caso, de novo o Procel tem resultados a apresentar. Desde 1993, instituiu o selo Procel de Economia de Energia que é dado a eletrodomésticos, lâmpadas, motores, reatores, aquecimento solar, ventiladores de teto e lâmpadas de vapor de sódio. O selo é um prêmio entregue aos fabricantes destes produtos que atendem as normas de eficiências estabelecidas pela Eletrobrás. Para merecer o selo, os produtos são testados em ensaios por laboratório indicados pelo próprio Procel. O resultado é anunciado numa cerimônia todo final de ano e as empresas com melhores resultados ganham o selo. Em quinze anos de existência, o selo induziu processos e produtos que permitiram economia de energia equivalente às usinas de Jirau e Santo Antônio, segundo o Ministério das Minas e Energia.
Outra política mencionada pelo relatório é a etiquetagem ou certificação voluntária das edificações. O Brasil tem o Procel Edifica, um programa que busca incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação etc.) nas edificações novas, reduzindo os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente. Até 2012, a adesão é voluntária. A partir de então, a etiqueta será obrigatória.
Há cinco edifícios com a etiqueta no Procel Edifica no Brasil: Fatenp – Faculdade de Tecnologia de Nova Palhoça (em Palhoça /SC); Cetragua – Centro de Tecnologias Sociais para a Gestão da Água (em Florianópolis /SC); sede da Caixa em Belém; Agência da Caixa em Curitiba; Centro Tecnológico do Carvão Limpo
Esta é o tema de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no dia 28 de agosto.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Dia de Ação pelo Clima 29/08
Será no próximo dia 29 a mobilização do Dia de Ação pelo Clima: 100 dias até Copenhague
Confira aqui as cidades que já tem atividades
programadas e saiba como participar!
Belo Horizonte: Praça da Savassi. Horário: 10 às 12hs – Relógio: a conferir. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Brasília: Parque da Cidade. 10 às 13hs. Organização: Greenpeace
Fortaleza: Praça Tibúrcio Cavalcante. Horário: 8hs30-13hs. Atividades: Teatro de bonecos, exibição de filmes, pintura de painéis sobre o clima e oficinas temáticas. Caminhada ecológica, saindo do Parque das Crianças (Rua Visconde de Rio Branco, s/n), às 8hs, até a Praça dos Leões. Organização: Juventude Alternativa Terrazul e Campanha TicTacTicTac
Manaus: Praça da Polícia (Praça Heliodoro Balbi / Palacete Provincial, s/n – Centro). Horário: 17 às 19hs. Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Porto Alegre: Usina do Gasômetro. Horário: 15 às 17hs – Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Recife: Pracinha da Boa Viagem. Horário: 9 às 12hs. Organização: Greenpeace.
Rio de Janeiro: Praia de Copacabana (em frente ao Copacabana Palace). Horário: 17 às 19hs – Relógio: a conferir. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Salvador: Farol da Barra. Horário. 15 às 18hs - Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
São Paulo: Parque do Ibirapuera, próx. Portão 10. Horário: 13 às 15hs – Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Teresina: Av. Principal do Centro da Cidade. Horário: pela manhã. Organização: Rede Ambiental do Piauí e Campanha TicTacTicTac
Mais informações: www.tictactictac.org.br
Exigências ambientais como incentivo a inovações
Post enviado por Cristina Spera
26 de agosto de 2009
São Paulo - SP
Pode a legislação ambiental cada vez mais restritiva incentivar a criatividade e o empreendedorismo?
Sim e as grandes construtoras brasileiras, que já exportam seus serviços para muitos países, sabem disso.
No seminário realizado ontem, no WTC, “Brasil e as mudanças climáticas: oportunidades para uma economia de baixo carbono”, Otávio Marques de Azevedo, diretor-presidente da Andrade Gutierrez, comentou o exemplo da própria empresa que dirige. Responsável pela construção das grandes hidrelétricas do país e de obras de infra-estrutura aqui e lá fora, a AG foi adaptando seus métodos, processos e serviços às exigências ambientais cada vez mais restritivas. A preocupação atual com o baixo impacto é generalizada, em contraste com os anos 70, por exemplo, quando a questão era apenas crescer. Neste período, a Andrade Gutierrez participou do consórcio que ergueu a hidrelétrica de Tucuruí, cujo lago é hoje considerado uma verdadeira bomba emissora de gás metano. Em contraste, a empresa hoje está construindo, em parceria com a Carioca Christiani Nielsen, o gasoduto Coari-Anamã, um trecho de 196 km que atravessa oito municípios do estado do Amazonas, passa por floresta fechada e rios de até 60 m de profundidade, em áreas onde chove muito e, por isso, o solo é saturado, dificultando a locomoção. As obras, iniciadas em 2006, precisaram atender também ao quesito de baixo impacto ambiental. Por isso, este gasoduto – que tem outros três trechos construídos por outros consórcios – já é considerado um marco na engenharia brasileira.
Esta obra monumental vem exigindo superação e criatividade dos profissionais envolvidos. O trecho é constituído por uma linha-tronco de 196 km e 20 polegadas de diâmetro, com mais 75 km de ramais de 10 polegadas de diâmetro. Estes dutos foram construídos em áreas pantanosas de grandes inundações e dificuldades climáticas, em meio à floresta densa que precisava manter-se intocada. Em um trecho do caminho, foi preciso atravessar o rio Solimões, por baixo, com largura entre as margens de quase 2km.
Os métodos tradicionais de engenharia e de logística não dariam conta dos desafios. Por isso, a Andrade Gutierrez inovou. Usou GPS para realizar as perfurações nos lugares exatos, importou e adaptou equipamento de perfuração com baixo impacto, transportou tubos por helicópteros e levou estruturas pré-montadas em balsas para armazenar o material (de modo que, depois da obra, pudessem ser recolhidas, sem deixar resíduos na floresta).
O licenciamento ambiental foi obtido por meio de estudos elaborados pela Universidade Federal do Amazonas que, para redigir o documento final, realizou audiências públicas em todos os municípios do traçado do gasoduto, com mais de três mil participantes. Por causa do licenciamento, foram estabelecidos os ramais secundários para a entrega do gás em todos os oito municípios (não previstos no projeto original) e um programa de compensações socioambientais que está melhorando a vida de 135 comunidades e dos moradores das cidades cortadas pelo gasoduto. Por isso, este licenciamento tornou-se referência internacional para este tipo de obra.
Para aqueles que ainda vêem a legislação ambiental como “obstáculo”, este é um exemplo de que ela promove inovação.
Esta é o tema de Sério Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 26 de agosto.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Futebol e sustentabilidade
Mensagem enviada por Cristina Spera
São Paulo - SP
21 de agosto de 2009
O Coritiba completa seu centenário em 2009 e, como uma das comemorações, organizou o “jogo verde” contra o Palmeiras, no último dia 19 de agosto, no estádio Couto Pereira.
Por que verde?
Porque, com a parceria de uma consultoria ambiental, realizou um inventário das emissões da partida, levando em conta o deslocamento na cidade das torcidas, times e árbitros, hospedagem e viagens das delegações de fora, consumo de energia e água no estádio, produção de lixo orgânico e de resíduos sólidos e até queima de fogos de artifício. No total, foram 30 toneladas que foram compensadas pelo plantio de 30 árvores.
Esta atitude foi mero marketing ou alguns times de futebol no Brasil também vão puxar uma mudança cultural rumo à sustentabilidade? Aliás, a gestão responsável dos clubes pode acabar com a violência no futebol? As torcidas podem ter papel positivo na sociedade?
Esta é o tema de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 21 de agosto.
Se você quiser ouvir a íntegra deste comentário, clique aqui.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Construção civil industrializada: salto para a sustentabilidade?
Mensagem enviada por Cristina Spera
São Paulo - SP
A retomada das habitações populares no Brasil, graças ao incentivo estatal, está impulsionando a industrialização da construção civil em nosso país, baixando os custos e diminuindo a produção de resíduos. O Brasil tem um déficit de 8 milhões de moradias e precisa também de 1,5 milhão delas todo ano para dar conta da demanda vegetativa (pessoas que se casam, divorciam-se, enviúvam, saem da casa dos pais, etc). A construção e seus fornecedores empregam 15 milhões de trabalhadores (4 milhões deles diretos na construção) e são responsáveis por 18% do PIB. O macrossetor expandido demanda perto de 100 bilhões de reais / ano em minerais, metalurgia, material elétrico e madeira, entre outros itens, movimentando, assim, vários segmentos da economia.
Por outro lado, de acordo com a Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat), a informalidade é de 61% na construção e de 27% no segmento de materiais. Sem falar na geração de resíduos. A média mundial de resíduos de construção por habitante/ano, calculada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), é de 450 kg. No Brasil, isto representa um “lixo” de 80 milhões de toneladas por hab/ano, formado, basicamente, por materiais cerâmicos (52%), concreto (33%), argamassas (16%), gesso (15%) e madeira (8%).
Estamos diante de um cenário que pode levar a construção civil a um salto para a sustentabilidade? O setor tem potencial para criar centenas de milhares de empregos verdes imediatamente? Pode adotar a agenda do trabalho decente? Qual o papel do setor privado na solução dos problemas seculares delineados acima? E o Estado? Pode fazer mais?
Esta é a discussão feita por Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 19 de agosto.
Se você quiser ouvir a íntegra deste comentário, clique aqui.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Comunicação e sustentabilidade, uma conversa com Miriam Vilela, do movimento Carta da Terra
Conheça um pouco das questões relacionadas ao tema comunicação e sustentabilidade que foram debatidas em um sarau realizado pela equipe do Instituto Ethos com a participação de Miriam Vilela, diretora-executiva da Secretaria da Carta da Terra, órgão que coordena o movimento em todo o mundo, e Cristina Moreno, coordenadora da iniciativa no Brasil.
Como deve ser a comunicação para a sustentabilidade?
Algumas questões foram levantadas em relação à forma como comunicamos a sustentabilidade. Como dar sentido a esse conceito para que ele atinja o maior número de pessoas? Como vincular, por exemplo, a Carta da Terra a outros programas que já tocam a sociedade brasileira, por fazerem sentido para as pessoas? É preciso mudar o processo habitual de educação, que separa tudo em diferentes “caixinhas”. O be-a-bá da sustentabilidade nos ensina a importância de conectarmos tanto as responsabilidades como as ações para resolver cada problema, considerando o princípio a ser seguido.
Qual é a importância da sensibilização nesse processo?
A Carta da Terra é um movimento que possui várias portas de entrada. Pode ser a paixão pela luta contra a desigualdade social, por exemplo, bem como causas ambientalistas ou em favor dos direitos humanos. No entanto, a principal porta de entrada é aquela que mostra para as pessoas, entidades e empresas que elas têm a capacidade e o poder de fazer algo. A Carta da Terra é, portanto, uma chamada para o protagonismo. Cada um pode ser protagonista do movimento no local em que vive ou atua. E isso se dá a partir da percepção de que somos parte do problema e podemos ser parte também da solução.
Onde saber mais sobre a Carta da Terra no Brasil?
Como parte do trabalho de descentralização do movimento, estão sendo desenvolvidos sites nacionais para relatar a experiência da Carta da Terra nos diversos países. As atividades brasileiras podem ser encontradas no site A Carta da Terra em Ação – A Iniciativa da Carta da Terra Brasil.
Deixe a sua contribuição para este debate: comunicação e sustentabilidade, como aprofundar esta questão?
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Os "empregos verdes" e as relações de trabalho em uma sociedade "aspirante" a sustentável
Mensagem enviada por Leonard Almeida
Estudante de jornalismo
São Paulo - SP
No debate de ideias sobre as alternativas para um mundo sustentável, as grandes empresas tem uma importância fundamental. E um dos papéis que lhes cabe sociedade foi tema na mesa redonda 2 de discussão: RELAÇÃO CAPITAL–TRABALHO, A CRISE COMO OPORTUNIDADE PARA AVANÇOS E INOVAÇÕES NA AGENDA DO TRABALHO DECENTE. Um dos pontos tocados foi a necessidade de se manter a população empregada para o combate à crise econômica no Brasil.
Os palestrantes foram Artur Henrique da Silva Santos, presidente nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Sandrine Lage, fundadora da Sperantia, empresa portuguesa que realiza pesquisas de opinião em RSE (Responsabilidade Social Empresarial), e Janine Berg especialista em emprego da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Ficou clara a importância da criação de "empregos verdes", para um desenvolvimento sustentável conjunto entre cidadão e empresa, e a conscientização sobre a sustentabilidade no ambiente interno dessas organizações.
Representantes de instituições e órgãos de vários setores da sociedade estavam presentes na platéia. Moneide Arai, da Cavo Serviços de Saneamento, empresa de gestão ambiental do Grupo Camargo Corrêa, explica como eles trabalham esse processo de mudança. "Tentamos ensinar a complexidade do problema em toda sua estrutura, desde o faxineiro aos presidentes, através de ações, palestras, oficinas, sempre explicando o conceito do "Tripé da Sustentabilidade".
Sobre os projetos desenvolvidos e a geração de empregos verdes na Camargo Corrêa, Arai admite que ainda não existem objetivos concretos a respeito, mas um monitoramento das ações da empresa está sendo feito. "Ainda não temos metas específicas, mas estamos evoluindo aos poucos. Estamos mapeando todos os setores da empresa, identificando e informando os excessos e o que pode ser mudado, usando cerca de 25 indicadores de consumo, como o GRI Ethos", afirma Arai. Segundo ela, foi criada até uma diretoria de Sustentabilidade, o que explicita a preocupação da empresa com o tema.
Para Darci Bertholdo, funcionário da área de Políticas Sociais do Ministério do Planejamento, o Brasil "não tem experiência na área", mas devem ser construídas maneiras de se fazer sustentável sem abalar sua economia. Para ele, "o trabalhador também terá que se adequar".
Em relação à crise, com o problema das demissões em massa e as demandas sindicalistas por melhoria nas condições do trabalho, Arthur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT, apontou as dificuldades para que empresas, sindicatos e Estado negociem reformas nas leis trabalhistas.
Bertholdo afirma que a posição do governo deve ser a de mediador nesse debate, mas também lutar pelos direitos do trabalhador. "O Estado deve ser o mediador, mas também deve assegurar condições e direitos mínimos aos trabalhadores. Com a crise, percebe-se que o Estado é ainda relevante para manter o pacto antes estabelecido".
Berg relatou que a OIT estima que 3 milhões de pessoas ficarão desempregadas nos próximos meses na América Latina. Segundo ela, os empregos verdes podem ajudar a evitar esse problema, e ao mesmo tempo acelerar o desenvolvimento sustentável do país e a responsabilidade social da população.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Relatório do Greenpeace responsabiliza pecuária e o governo pelo desmatamento da Amazônia
Texto de Benjamin S. Gonçalves
Editor de publicações do Instituto Ethos
São Paulo, 5 de junho de 2009
De acordo com o estudo, marcas de produtos conhecidos, redes de supermercados e frigoríficos estão contribuindo involuntariamente para o agravamento do problema na região, com a colaboração do governo.
Após colher informações durante três anos, a organização não-governamental Greenpeace lançou nesta segunda-feira o relatório Farra do Boi na Amazônia. O levantamento conclui que a indústria pecuária nacional é a maior responsável pelo desmatamento da Amazônia. Invasão de terras protegidas e trabalho escravo também foram observados pelo relatório em fazendas que fornecem gado para o mundo todo.
Nos três anos de investigação, o Greenpeace rastreou o fornecimento de carne, couro e outros produtos bovinos para o mercado global por fazendas da região, estabelecendo pela primeira vez uma relação entre os danos da pecuária sobre a Floresta Amazônica e marcas famosas em todo o mundo, como Adidas/Reebok, Carrefour, Clarks, Gucci, Honda, Ikea, Kraft, Louis Vuitton, Nike, Prada, Tesco, Timberland e Wal-Mart.
O relatório acrescenta que o governo federal, responsável pela preservação da Amazônia, é um dos principais colaboradores para a destruição da floresta, ao conceder financiamentos a empresas do setor por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “No momento em que a empresa financiada pelo governo investe na região e monta uma unidade com capacidade para abater milhares de animais por dia, está sinalizando para os produtores que eles podem desmatar e ampliar a produção, porque os animais serão comprados”, comenta André Muggiati, coordenador da campanha de pecuária do Greenpeace.
De acordo com Muggiati, entre os frigoríficos implicados no desmatamento da Amazônia estão o Bertin, o JBS e o Marfrig, que receberam a maior parte dos US$ 2,65 bilhões investidos pelo BNDES em troca de ações para o governo federal, entre 2007 e 2009, em cinco grandes empresas, responsáveis por 50% das exportações de carne e couro brasileiros.
O levantamento informa ainda que a expansão da pecuária brasileira se concentra na Amazônia, onde 80% das áreas desmatadas são dedicadas à atividade. Observe-se que o país é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa em todo o mundo, sobretudo pela destruição da floresta.
Logo após a divulgação do relatório, os frigoríficos Bertin e JBS lançaram notas oficiais rebatendo as informações e afirmando que adotam critérios sustentáveis para a compra de matéria-prima. Ambos disseram que antes de contratar os produtores consultam a lista de propriedades embargadas pelo Ibama e a "lista suja" do Ministério do Trabalho. O Bertin informou que já excluiu pelo menos 165 fornecedores que estavam em uma das duas listas. O JBS, por sua vez, citou sua adesão ao Pacto Empresarial da Pecuária estabelecido em 2008 pela iniciativa Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia.Vale esclarecer que esse pacto estabelece compromissos que deverão ser acompanhados de ações concretas a serem relatadas pelos signatários. Até o momento o Comitê de Acompanhamento dos Pactos do Conexões Sustentáveis ainda não recebeu o relato de ações do JBS.
Já o Wal-Mart foi mais além e publicou seu posicionamento Repúdio à Pecuária Bovina Irregular na Amazônia, no qual informa que, em resposta aos fatos apresentados pelo relatório do Greenpeace, “já está em contato com seus fornecedores para obter explicações em relação às denúncias e, desta forma, tomar atitudes no curto prazo que sejam efetivas e sustentáveis”.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
5 de junho - DIA DO MEIO AMBIENTE
Texto de Benjamin S. Gonçalves
Editor de publicações do Instituto Ethos
São Paulo, 5 de junho de 2009
“MP da Grilagem” não pode virar lei
A aprovação da MP 458 pelo Senado, sob forma de projeto de lei, deixa indignados os defensores da Amazônia e da legalidade no país.
A Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária de terras da União na Amazônia Legal e acaba de ser aprovada pelo Senado, tem sido chamada de “MP da Grilagem” pelos defensores da Amazônia e da legalidade no país. O texto aprovado permitirá a legalização de 67,4 milhões de hectares de terras públicas na região, as quais poderão ser vendidas ou doadas sem licitação, até o limite de 1.500 hectares.
Também as empresas que ocuparam terras públicas até 2004 poderão legalizar essas ações, passando a ter direito sobre as propriedades. Os imóveis poderão ser revendidos após a concessão dos títulos – os médios e grandes depois de três anos e os pequenos após dez anos.
A senadora Marina Silva, uma das principais opositoras da MP, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vete pelo menos três artigos que, se mantidos, trarão prejuízos à floresta. “Um dos artigos amplia extraordinariamente as possibilidades de legalização de terras griladas”, diz a senadora. “O maior problema da MP 458 são as brechas que ela abre para anistiar os que cometeram crime de apropriação de grandes extensões de terras públicas, que agora vão se beneficiar de políticas pensadas originalmente para atender apenas a posseiros de boa-fé”, completa.
Outro propósito dos vetos solicitados pela senadora é impedir que aqueles que colocaram laranjas para cuidar de terras griladas possam agora regularizá-las. Além disso, é preciso limitar a regularização de terras por pessoas jurídicas que sejam proprietárias de outras propriedades rurais.
Também o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pedirá ao presidente que vete pontos da MP. Sua expectativa é de que o presidente Lula se reúna com os ministros responsáveis pela regularização de terras na Amazônia para discutir os vetos. Minc deve reunir-se com o ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, e com parlamentares para discutir os pontos que não podem ser aceitos pelo governo.
Nesta quinta-feira, 4/6, Minc se juntou a artistas do Movimento Amazônia para Sempre, que entregaram ao presidente da República um documento com mais de 1 milhão de assinaturas pedindo o fim do desmatamento. “Somos o único país que detém uma floresta tropical do tamanho da nossa. Então, a responsabilidade é nossa de continuar protegendo”, argumentou o ator Vitor Fasano, um dos líderes do movimento.
A atriz Christiane Torloni, também presente ao encontro, referiu-se diretamente à MP 458, dizendo que ela não pode virar lei: “Não podemos dar terras a quem não é legal. Não se pode dar terras a grileiros e laranjas”.
Para Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, a MP 458 tornou-se uma alforria para os que pilharam terras públicas na Amazônia. “Esperamos que o presidente Lula tenha a lucidez e a clareza de vetar os pontos que a sociedade civil organizada e lideranças – em especial, a senadora Marina Silva, em carta aberta – apontam como extremamente prejudiciais para o futuro da Amazônia e do país.”
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Direto de Copenhague, Ricardo Young comenta a Cúpula Empresarial de Mudanças Climáticas
Texto enviado por Ricardo Young
Presidente do Instituto Ethos
Copenhague, 25 de maio de 2009
Pelo menos 700 CEOs de todo mundo estão reunidos em Copenhague, capital da Dinamarca, na Cúpula Empresarial de Mudanças Climáticas, para debaterem o papel das empresas na redução das emissões de carbono. O encontro é uma tentativa de unir a agenda da crise financeira com a da crise climática para levar à mesma Copenhague, no final do ano, uma agenda do mundo corporativo para a reunião COP 15 (Conferência Mundial sobre Clima das Nações Unidas).
O objetivo é que ela possa contribuir para aproximar governos em divergências ainda importantes para que a COP 15 em Copenhagen surja como a Conferência que fundamentará as bases de um novo ciclo de desenvolvimento pautado pela baixa emissão de carbono. Foi neste encontro e com este espírito que Al Gore iniciou a sua fala, logo após a abertura do Secretário Geral da ONU, Ban-Ki Moon.
Gore pontuou a tripla crise - a climática, a econômica e a de segurança energética - como resultantes de uma mesma causa: a profunda dependência que a humanidade tem de energia fóssil ( não disse, mas deveria, daquela parte da humanidade que tem acesso a ela...). Disse que o grande imperativo é sair da dependência de energias fósseis para as infinitas fontes de energia limpa e renovável do Sol, dos ventos e da energia geotérmica. Falou dos muitos exemplos nesta mesma direção como a da Dinamarca que já tem 25% de sua energia em base éolica ou mesmo das recentes medidas do Presidente Obama que estabeleceu metas de redução de emissões para a indústria automobilística e o cancelamento literal da construção de plantas termoelétricas movidas a carvão. Disse ainda que é indispensável que se crie valor para a mitigação de CO2, pois um gás invisível e inodoro dificilmente será reduzido sem compensação econômica. Gore também pontuou a crescente coragem e determinação do governo Obama de transformar os Estados Unidos independente de energia fóssil até 2020. Comparou a recente fala de Obama quando das metas de redução das emissões a de Kennedy no início da década de 60 sobre colocar o homem na Lua até o final da década. Reiterou a necessidade de ousar e sonhar para que o desafio da energia sustentável toque o imaginário das pessoas, sem o qual, não haverá o esforço necessário.
A fala de Gore foi enfática e determinada. Também aproveitou para reiterar um dos principais temas defendidos pelos EUA para Dezembro, ou seja, mecanismos de mercado como parte da nova regulação de serviços ambientais. Mas o mercado que ele se refere, seria um novo mercado, eivado de valores éticos e humanos. Como? Finalizou dizendo que esta geração será julgada pelas próximas e se elas nos acusarem de não termos tomado as ações que nosso tempo nos convoca, teremos falhado lamentavelmente.
Neste aspecto tanto Ban Ki-moon como Al Gore deram o tom: Copenhagen terá que ser o marco zero de uma nova economia e visão de desenvolvimento. Estabelecerá as bases para as regras de mercado e de regulação governamental e multilateral para os próximos 20 anos e isso tem que ser feito este ano sob pena da coesão política conseguida até aqui fragilizar-se e tornar tudo muito mais complicado. De fato, as mudanças climáticas não tem esperado em sua perigosa escalada.
Apesar do bom início, as lideranças empresariais presentes não pareciam estar a altura do debate. Limitaram-se a expressar concordância com o imperativo da economia verde mas não conseguiam dizer qual era a agenda do mundo dos negócios. Qualidade sofrível o debate dos CEOs. Considerando-os parte da poderosa elite mundial que será determinante para a mudança, é preocupante.
Por: Ricardo Young
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Comunicação e sustentabilidade: um assunto para se pensar
Mensagem enviada por Betina Sarue
São Paulo - SP - 11/5/2009
Terminou ontem o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade.
A proposta apresentada pelo Fórum sustenta que a comunicação é uma arma poderosa que deve ser usada em prol da sustentabilidade. "As resvoluções se ganham e se perdem de acordo com seu poder de fogo, mas também pela força de suas mensagens, seu poder de convencimento e a garra de seus defensores."
Neste sentido, Vincent Defourny, representante da UNESCO no Brasil ressaltou: a comunicação e a informação equivalem ao sistema respiratório de uma sociedade. Ele falou também sobre os quatro pliares da educação que são defendidos pela Unesco - aprender a conhecer, a fazer, a ser e a viver juntos. Parece mesmo que sem a solidificação deles na sociedade contemporanea, em sua totalidade, o desafio da sustentabilidade e da comunicação ficarão cada vez mais distantes.O desenvolvimento sustentável é o desafio que marca o laço intergeracional da humanidade. O que cada geração deixa para as suas sucessoras? Qual será a nossa obra?
Este desafio precisa ser abraçado pela comunicação.
Fica a pergunta: como comunicar a sustentabiliade?
Leia Mais?
terça-feira, 28 de abril de 2009
Uma experiência que vale a pena divulgar!
Mensagem enviada por Ana Fisch
Movimento Nossa São Paulo - São Paulo - SP - 28/4/2009
O mundo em transição - "Planeta Sustentável"
O movimento inglês Transition Towns, criado e disseminado pelo inglês Rob Hopkins, transforma cidades em modelos sustentáveis e independentes de crises externas
Imagine cidades inteiras sustentáveis, baseadas no comércio local, independentes do petróleo e de importações de alimentos. Pois elas já existem graças à visão e ação de Rob Hopkins, criador do movimento Transition Towns (Cidades em Transição). Assustado com a dependência exterior do Reino Unido em combustível e alimentação e sabendo que esse cenário de mudança climática e escassez de petróleo só irá piorar nos próximos anos, Rob decidiu que apenas suas ações individuais como permaculturista não iriam bastar.
Com a sua vasta experiência em ecovilas e como professor de universidade, construiu um plano de mudança com o objetivo de alcançar a resiliência que, neste caso, significava a capacidade de sobreviver a choques externos como a escassez do petróleo, crises na produção de alimentos, falta de água e energia. Incluiu, nesse plano, todos os setores da sociedade - governo, setor privado e cidadãos - e todos os aspectos da vida cotidiana - saúde, educação, transporte, economia, agricultura e energia.
Sua primeira vitória foi em 2005, em Kinsale, na Irlanda, onde ensinava na universidade local, com a histórica decisão que levou o município todo a adotar o movimento como seu plano de gestão. Hopkins mudou-se então para Totnes, na Inglaterra, e transformou-a em vitrine do movimento. Devagar, a cidade de 8 mil mil habitantes pretende chegar em 2030 totalmente
transformada e independente. Hoje já são mais de 110 cidades, bairros e até ilhas em 14 países do mundo convertidas na Transição.
O conceito é simples - apesar de trabalhoso - e flexível. Segundo Hopkins, cada comunidade adapta os doze passos iniciais do movimento à sua realidade e capacidade. Esses itens são apenas guias de como começar a quebrar a nossa dependência do petróleo, revendo os modelos de economia, comida, habitação e energia. Assim, essas cidades funcionam tanto no Japão quanto nos Estados Unidos ou no Chile. A idéia é parar de depender - ou depender minimamente - da tecnologia e voltar ao tempo onde não precisávamos de geladeiras, carros, tratores e aviões. Técnicas e conhecimentos dos nossos avós e ancestrais são valorizados e resgatados.
Uma das frentes do movimento reeduca a população e estudantes em aptidões como costura, gastronomia, agricultura familiar, pequenos concertos e artes manuais como marcenaria. Iniciativas incluem a criação de jardins comunitários para plantio de comida, troca de resíduo entre indústrias ou simplesmente o reparo de itens velhos, ao invés de jogá-los no lixo. O investimento em transporte público e a troca do carro pela bicicleta é inevitável para a redução das emissões de carbono. Em Totnes até uma nova moeda - a libra de Totnes - foi criada para incentivar e facilitar transações com produtores locais.
Diferente dos fatalistas que prevêem o fim do mundo em 2012 ou quadros horríveis de fome, seca e morte, os adeptos do Transition Towns têm uma visão realista, mas positiva, do futuro. Acreditam na ação transformadora de comunidades e no trabalho pesado para mudar as estatísticas. Em entrevista exclusiva ao Planeta Sustentável, Rob Hopkins fala sobre a
origem permaculturista do movimento e de seu futuro.
Como surgiu a idéia do Transition Towns?
Toda a idéia do movimento surgiu através do meu trabalho como permacultor e professor de permacultura nos últimos dez anos. Quando comecei a me aprofundar sobre a crise de combustível e mudança climática, as ferramentas de resposta sobre o assunto eram as de permacultura. Mas o que eu percebi é que, apesar de a permacultura ser o sistema de design ideal para isso, o movimento é ainda muito pouco conhecido e tem quase uma aversão embutida ao mainstream. Por isso, o que quis fazer através do Transition foi criar um modelo em que a permacultura fosse implícita ao invés de explícita, que ela estivesse escondida dentro do processo para que as pessoas a descobrissem se assim a desejassem.
Como você definiria o movimento?
Ele ainda está numa fase inicial de implementação, ainda é muito novo, mas é muito simples. É um modelo de doze passos que leva ao processo de quebra da dependência de combustível. E, assim, abrange tudo: comida, economia, moradia e por aí vai. É aplicar os princípios de permacultura para esse objetivo de independência, mas com a esperança de abranger muito mais pessoas, em todos os setores, não somente os que originalmente se interessariam pelo assunto. O movimento quer ser positivo e focado, mas também muito inclusivo. Ele tenta apelar para todos igualmente. E acho que aí está a chave de seu sucesso.
Você conseguiu um fato inédito de incluir governo, comércio, todos os setores nos planos das cidades. Como isso foi feito?
Com muito trabalho de persuasão e organização. É muito difícil, mas precisava acontecer. A permacultura precisava avançar muitos passos e rapidamente porque segura peças importantes do quebra-cabeças que vão ser os próximos dez anos. Não temos muito tempo a perder.
Já são mais de 110 comunidades engajadas no movimento, mas apenas uma na América Latina: no Chile. Você acha mais difícil os países em desenvolvimento se engajarem?
No Brasil, existem algumas pessoas interessadas no movimento, mas esse interesse ainda está no nível do contato e não da participação ativa. Acho que os desafios são diferentes porque o que focamos é a idéia de ser resiliente, ou seja, a necessidade de reconstruir o modelo de sociedade. Aqui no Reino Unido, por exemplo, nós desmontamos tudo e acabamos com a possibilidade de nos mantermos de forma independente. Nós nos tornamos dependentes do comércio internacional e compramos o que queremos pelo menor preço possível de outros países. Com isso, nos isolamos e nos colocamos no lugar mais perigoso que existe.
Nos países em desenvolvimento ainda há mais independência, mas isso começa a ser desvalorizado, a se perder e a ser destruído. Acho que, nesse caso, a primeira coisa a fazer é colocar o valor de volta na produção de alimentos e nos conhecimentos tradicionais, porque, quando perdemos o valor nessas áreas, é muito difícil recuperar. Mas o movimento se traduz para todos os tipos de sociedade e casos. Não é rigoroso, é apenas um conjunto de princípios que pode ser adaptado a cada realidade, a cada cultura e contexto. É mais um convite do que um modelo rápido e duro.
Quais são os novos desafios do Transition Towns?
Estamos desenvolvendo um modelo de treinamento, um curso de dois dias em que as pessoas aprendem tudo o que precisam para começar a transformar suas comunidades. Esse treinamento é uma organização que está formando grupos de treinadores em todo o Reino Unido e começa a atuar, também, nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Também estamos começando a dar consultoria para empresas em como elas podem ser mais
independentes de combustível e mais sustentáveis. Trabalhamos também com o governo local para encontrar soluções. Assim, enfrentamos todas as frentes: sociedade, comércio e governo. Além disso, o "The Transition Handbook - from oil dependency to local resilience" (Ed. Green Books) está sendo traduzido em várias línguas e pode ser comprado através do nosso
site.
Por: Thais Oliveira - Edição: Mônica Nunes
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A participação brasileira na COP15, em Copenhague
Realizou-se nesta terça-feira, 31 de março, na sede do Instituto Ethos, em São Paulo, a primeira reunião do Grupo de Trabalho Copenhague, criado com o propósito de fortalecer a posição oficial brasileira na COP 15, reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima que ocorrerá em Copenhague, capital da Dinamarca, em dezembro deste ano. Formado por empresas associadas e coordenado pelo Instituto Ethos, o novo GT vai articular-se com outros setores da sociedade, no âmbito do Fórum Amazônia Sustentável.
O que o Brasil deve levar para a COP15? Saiba mais sobre o cenário atual das discussões.
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No encontro de Copenhague, representantes dos países-membros da ONU aprovarão uma nova agenda global sobre o clima, em substituição ao Protocolo de Kyoto. Essa nova agenda deverá estabelecer metas para a redução de emissões para todos os países, inclusive os chamados emergentes. No caso brasileiro, o foco será o fim do desmatamento da floresta tropical. A maior novidade esperada no COP 15 é a instituição de mecanismos de compensação para manter os serviços da natureza, entre os quais a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), que visa criar valores financeiros para que sejam mantidas em pé as florestas tropicais, evitando-se o desmatamento. A semelhança com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), estabelecido em Kyoto, é que um poluidor poderá comprar créditos de quem mantém e protege uma área florestal. A diferença é que o REDD propõe remunerar o proprietário de matas naturais que se proponha a protegê-las por, no mínimo, 60 anos. O mecanismo permite, assim, evitar a emissão de carbono e, embora seja atinente à Convenção do Clima, pode representar um dos mais promissores caminhos para a proteção da biodiversidade. O REDD pode levar de cinco a dez anos para se consolidar no âmbito da ONU, mas a estimativa é de que os mercados norte-americanos serão mais rápidos, podendo iniciar transações num período de três a cinco anos. Todavia, é importante chamar a atenção para o fato de o mercado mundial voluntário já ter começado. A Noruega, por exemplo, criou um fundo de US$ 500 milhões por ano para ser investido no desmatamento evitado. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu na semana passada a primeira parcela de recursos doados pelo governo da Noruega para o Fundo Amazônia, que vai financiar ações de combate ao desmatamento e de recuperação da Floresta Amazônica. Os US$ 110 milhões repassados são a primeira parte da doação norueguesa, que deve chegar a US$ 1 bilhão até 2015.O dinheiro vai financiar, com empréstimos não-reembolsáveis, iniciativas como manejo florestal, gestão de florestas, ações de controle e fiscalização ambiental, recuperação de áreas desmatadas e pagamento por serviços ambientais. Organizações não-governamentais, empresas, comunidades tradicionais e órgãos do governo poderão pleitear os recursos.Outros países e investidores poderão aportar mais recursos. Mas, para isso, o Brasil precisará definir critérios para sua distribuição e levá-los à reunião de Copenhague. Metas para o desmatamento já existem. No fim do ano passado, com o lançamento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o Brasil se comprometeu a reduzir o desmatamento em 70% até 2017 e a chegar ao desmatamento zero até 2040. Um estudo da consultoria McKinsey mostra que o Brasil é o país que mais tem a ganhar com a redução das emissões, pois as ações para esse fim custariam aqui menos de 10 euros por tonelada de CO2, enquanto a média mundial é de 18 euros. Essa vantagem financeira decorre do fato de a maior parte dos gases de efeito estufa no Brasil ser originária do desmatamento da Amazônia. Em outros países, os fatores urbanos têm um peso maior, o que implica mudanças mais radicais no modo de vida das populações. Basicamente, é mais barato deixar de desmatar do que substituir uma usina nuclear, por exemplo.O Brasil pode assumir a liderança das iniciativas mundiais de combate ao aquecimento global porque possui a maior área de floresta tropical do planeta (a Amazônia) e a matriz energética mais limpa. Para liderar, no entanto, o país precisa conquistar a credibilidade da comunidade internacional, por meio de ações que demonstrem claramente que sabemos lidar com nosso principal patrimônio natural: a Floresta Amazônica.Iniciativas com o Fórum Amazônia Sustentável e o Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia são exemplos de caminhos que o empresariado engajado no movimento de responsabilidade social pode oferecer para o modelo de sustentabilidade que o país precisa construir.Nesse sentido, o GT Copenhague coordenado pelo Instituto Ethos representa um canal para a iniciativa privada contribuir com as propostas do Brasil no COP 15, tanto para a criação do REDD como para o estabelecimento de critérios para a distribuição dos recursos desse mecanismo, promovendo o fim do desmatamento e a recuperação de florestas. A primeira reunião do GT Copenhague contou com a presença das seguintes organizações: Agropalma, Amata Brasil, Banco do Brasil, Cargill, EDP Energias do Brasil, Grupo Santander-Real, Instituto Ares, Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Instituto Envolverde, Itaú-Unibanco, Planeta Sustentável (Grupo Abril), Suzano, Vale e Wal-Mart. Contou também com a participação de Tasso Rezende de Azevedo, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, órgão do Ministério do Meio Ambiente.
segunda-feira, 23 de março de 2009
VOCÊ SABE O QUE É REDD?
Entenda este importante assunto que esta sendo discutido como uma das ferramentas para se combater as mudanças climáticas.
O QUE É REDD?
REDD é a sigla em inglês para Reducing Emissions from Deflorestation and Degradation – ou numa tradução livre: reduzindo emissões provenientes de desflorestamento e degradação. A idéia básica por trás de REDD é simples: os países que estão dispostos e são capazes de reduzir as emissões provenientes do desflorestamento deveriam ser compensados financeiramente
por isto.
QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DO REDD?
REDD trata primordialmente da redução de emissões. O conceito está sendo discutindo dentro da Conferencia das Partes (COP) da Convenção-Quadro sobre mudanças climáticas da ONU. Durante a COP-13, que ocorreu em 2007, foi definido que uma abordagem ampla para combater as mudanças climáticas deveria incluir:
"Políticas e incentivos em questões relacionadas à redução de emissões provenientes de desmatamento e degradação de florestas em países em desenvolvimento."
Entretanto, um futuro mecanismo de REDD tem um potencial muito maior. Poderia simultaneamente adereçar a redução de emissões e combater a pobreza rural, enquanto conserva a biodiversidade e mantém serviços ambientais essenciais.
O ESTÁGIO DA DISCUSSÃO
Após a COP-11, em 2005, inúmeras propostas e recomendações sobre REDD foram enviadas. Atualmente existem diversas propostas sendo debatidas e, para que REDD seja incluído numa futura agenda global de combate às mudanças climáticas, uma decisão acerca de como um mecanismo de REDD funcionará deve ser acordada durante a COP-15, que ocorrerá em Copenhagen no final deste ano.
SOBRE A COP
Há mais de uma década, a maioria dos países que integram o sistema das nações unidas aderiu a um acordo internacional chamado: United Nations Framework Convention on Climate Change – ou Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O objetivo do tratado era considerar que ações poderiam ser tomadas para reduzir o aquecimento global e como lidar
com os aumentos de temperatura que fossem inevitáveis. Desde então diversas iniciativas surgiram como decorrência do trabalho que foi realizado sob o guarda-chuva deste tratado, uma das iniciativas mais famosas é o Protocolo de Kyoto. As reuniões internacionais onde os membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas se reúnem são conhecidas como COP – Convenção das Partes.
A próxima COP será a de número 15 e ocorrerá em dezembro deste ano, na cidade de Copenhagen. Esta reunião será um marco para o processo pois espera-se que decisões sejam tomadas acerca de metas de emissões e mecanismos de cooperação para 2012 em diante.
O PAPEL DAS FLORESTAS
COMBATENDO AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
As florestas cobrem aproximadamente 15% da superfície terrestre e contém aproximadamente 25% do carbono da biosfera terrestre. A degradação e o desmatamento resultam em grandes emissões de dióxido de carbono na atmosfera, contribuindo com o efeito estufa. O desmatamento contribui com 1/5 do total de emissões de carbono do planeta por ano, sendo o maior
contribuinte "individual" ao aquecimento global.
COMUNIDADES E COMBATE À POBREZA
As florestas possibilitam de maneira direta a sobrevivência de 90% das pessoas que vivem em condições de extrema pobreza no mundo, aproximadamente 1 bilhão de pessoas. As comunidades locais e populações tradicionais dependem das florestas e seus recursos para sobrevivência, e o desmatamento agrava as condições de pobreza.
ALÉM DO CARBONO
Tanto em escala global como local, as florestas provem importantes serviços ambientais que vão além do seqüestro de carbono – alguns exemplos são: proteção das bacias hidrográficas e nascentes, regulação do fluxo hídrico, reciclagem de nutrientes, geração de chuvas e controle de
doenças. As florestas tropicais contribuem para manter a temperatura do planeta de duas maneiras, reduzindo as emissões de carbono e gerando evaporação.
DESMATAMENTO
As causas do desmatamento são múltiplas e podem variar de um país para outro. Podem ser desde grandes empresas exploradoras de recursos naturais até pequenas comunidades que utilizam as florestas como base para sua sobrevivência. Entre as principais causas em nosso país estão o agronegócio, principalmente criação de gado e plantação de soja, e a exploração ilegal de madeiras nobres.
FONTE: "The Little REDD Book - A guide to governmental and non-governmental proposals for reducing emissions from deforestation and degradation". Global Canopy Programme, dezembro 2008.
quarta-feira, 18 de março de 2009
BEM-VINDOS!
Este é um canal aberto a todos os públicos interessados no movimento de responsabilidade social empresarial (RSE), para se comunicarem com o Instituto Ethos e entre si, possibilitando uma troca de informações aberta, livre e disponível a todos. Contamos com sua ajuda na construção desta ferramenta, que é um instrumento nosso para auxiliar na construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Blog da Amazônia
O jornalista Altino Machado, que já atuou como correspondente de grandes jornais e revistas do Sul/Sudeste, tem sua base no Estado do Acre, de onde lança um olhar comprometido sobre toda a Região Amazônica.
Vale a pena conhecer e acompanhar esse trabalho, no Blog da Amazônia: http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/.
Publicado em: Notícias da Semana, do Instituto Ethos.
