Constitucionalmente falando, o lixo no Brasil é de responsabilidade das prefeituras, que oferece um serviço próprio, como o caso da Comlurb no Rio de Janeiro, ou contrata terceiros através de licitação. E isso é um problema, pois muitas vezes isso vira instrumento de barganha política, sendo alvo de corrupção descarada. Sabiam que o atual chefe da Casa Civil, quando prefeito de Ribeirão Preto, foi investigado por problemas na contratação de empresas para fazerem a coleta de lixo da cidade?
Na verdade o objetivo não é falar de questões políticas, mas uma notícia nos jornais de hoje que me causou espanto: a quantidade de lixo gerado no Carnaval. Segundo informação da Comlurb, no carnaval do Rio, apenas na Marquês de Sapucaí, a quantidade de lixo removido em quatro dias passou das 400 toneladas. Isso sem contar nas ruas repletas de blocos e de gente mal educada.
Acontece que lixo é um lixo. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Urbana (ABRELPE), em dados referentes a 2008, 45% do lixo coletado no país vão parar em aterros controlados ou lixões. Isto equivale dizer que, diariamente, mais de 100 mil toneladas de lixo não recebem tratamento minimamente adequado.
O custo dessa gestão é altíssimo. Para se ter ideia, a manutenção de um aterro sanitário pode chegar a 300 mil reais por dia. No Rio de Janeiro, o investimento anual chega a 850 milhões de reais. Em São Paulo passa de um bilhão. E esse valor poderia ser mais baixo se não fosse uma única questão: a postura das pessoas. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, 37% do que é coletado pela Comlurb, é lixo retirado das ruas.
Segundo a empresa, esse tipo de coleta custa três vezes mais do que as coletas de porta em porta.
O grande problema é que a maior parte da população brasileira não tem iniciativa para a sustentabilidade. Vai de um mero jogar papel na rua até a falta conhecimento sobre como lidar com o lixo doméstico, passando pela falta cultura de preservação do meio ambiente e, muitas vezes, pela simples falta vontade de se fazer o que é certo. Assim, juntando à escassez de projetos da iniciativa pública voltados para a coleta seletiva, é possível imaginar o tamanho da dor de cabeça que isso causa.
O irônico da história, ao menos em minha visão pragmática da vida, é que esse um problema relativamente simples de ser resolvido. Educação. Daquelas bem básicas. E isso independe de classe social, cor ou credo. Rico e pobre, branco ou preto, católico, evangélico, macumbeiro ou ateu. A prática do desenvolvimento sustentável em muito tem início em uma família que ensina cidadania, direito, deveres e respeito a suas crianças.
Fonte: blog Sustentabilidade Corporativa
quarta-feira, 9 de março de 2011
A sustentabilidade e o problema do lixo
quinta-feira, 3 de março de 2011
Lições dos 20 anos de comércio de carbono florestal
Mais de 20,8 milhões de toneladas de gases do efeito estufa deixaram de ser emitidas graças a programas de créditos florestais desde 1990, porém esse tipo de mecanismo ainda apresenta grandes problemas como a falta de regulamentação
Muitas pessoas associam as negociações de créditos de carbono florestais apenas ao mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), que ficou mais em evidência depois da Conferência do Clima de Copenhague em 2009, mas desde o começo da década de 1990 já existem programas de mitigação de emissões de gases do efeito estufa baseados na preservação florestal.
Para avaliar os avanços nestes 20 anos, o relatório "Investing in Forest Carbon: Lessons from the First 20 Years” ouviu mais de 50 participantes do mercado, entre investidores, desenvolvedores de projetos, negociadores e legisladores. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (3) e foi realizada por um grupo de especialistas das organizações: Katoomba Group, Ecosystem Marketplace e Forest Trends, com o apoio do Bio-Logical Capital.
O relatório identifica uma série de lições que servem para todos os desenvolvedores e explica as grandes dificuldades e oportunidades que os créditos florestais apresentam atualmente.
“Os projetos nunca são iguais, mas ao entrevistar mais de 50 participantes dos mercados ficou claro que alguns conselhos são universais, assim como os principais problemas”, explicou Katherine Hamilton, diretora do Ecosystem Marketplace.
Lições
Faça o melhor para jogar pelas regras, mesmo que as regras não sejam claras:
O comércio de créditos florestais é um mecanismo que ainda está em formação, portanto o principal desafio apontado pelos entrevistados é a falta de uma regulamentação apropriada. Estabilidade, transparência, comprovação científica, garantias legais, tudo isso é fundamental para os investidores e ainda precisa ser trabalhado pelas autoridades.
Além disso, é preciso melhorar as metodologias, para que cada empreendedor consiga seguir passo a passo o que é necessário para desenvolver um projeto. Isso evita prejuízos e ajuda a expansão do mecanismo.
Acostume-se com a complexidade
Projetos de carbono florestal podem ser relativamente simples ou extremamente complicados. Eles podem se resumir a apenas o plantio de árvores em uma única área ou requerer o envolvimento de diversos proprietários e jurisdições.
Lidar com todas as partes envolvidas - comunidades, fazendeiros, autoridades locais e nacionais - pode se revelar um grande problema. Reconhecer essa dificuldade e estar preparado com o conhecimento, inclusive jurídico, de como realizar as ações do projeto é fundamental.
Planeje corretamente e conte com especialistas
Devido às diversidades de cada sistema biológico, o desenvolvimento de projetos precisa ser acompanhado por pessoas com a formação técnica necessária para garantir o sucesso das atividades. É preciso também desde o início realizar estudos que analisem as especificidades da região e que garantam a viabilidade da iniciativa.
Cumprir esses pré-requisitos custa dinheiro, mas evita que o projeto venha a fracassar e cause um prejuízo muito maior do que os custos em preparação.
Seja conservador em todas as estimativas – de carbono, benefícios, tempo e custo
A sobrevivência de um projeto de carbono florestal depende de expectativas realistas de todos os participantes; proprietários de terras, governos, investidores e compradores. Muitos aspectos dos empreendimentos são caros e demandam tempo para gerar os resultados esperados.
O ciclo total de um projeto – do design até a geração de créditos – leva normalmente de três a cinco anos, podendo ser ainda mais longo se algum dos passos for feito de forma equivocada.
A comunicação entre os envolvidos é fundamental para que ninguém desista no meio do caminho, por isso é preciso que todos saibam o que realmente esperar do projeto.
Futuro
O relatório afirma que o mercado de carbono florestal continuará sendo um dos principais componentes do comércio internacional de créditos e que os investimentos em projetos do setor serão essenciais para reduzir as emissões.
“Se os governos não apoiarem o desenvolvimento desse mecanismo, estarão ignorando uma importante fonte de emissões e a estratégia contra as mudanças climáticas estará fundamentalmente errada”, explicou Sissel Waage, uma das autoras do relatório.
Apesar disso, os entrevistados não enxergam uma expansão significante no número dos projetos nos próximos anos a menos que haja alguma grande decisão na próxima Conferência do Clima (COP 17) no final do ano para apoiá-los.
Fonte: Instituto Carbono Brasil
quarta-feira, 2 de março de 2011
Quanto custa a transição para uma economia inclusiva, verde e responsável?
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançou, na semana passada, o relatório sobre economia verde, no qual aponta quanto custa fazer a transição da economia atual para a economia verde: 2% do PIB mundial, ou 1,3 trilhão de dólares, por ano. Esta quantia, segundo o Pnuma, é gasta, hoje, para pagar subsídios a petróleo, agricultura e pesca, atividades praticadas de maneira ainda insustentável, mas cujo retorno é possível “medir”, por preço.
A economia verde precisa de um “empurrão definitivo”, de modo a estimular que este investimento, em vez de ir para atividades tradicionais, seja direcionado para esta economia que nasce. É preciso, então, haver reformas políticas nacionais e internacionais, marcos regulatórios, acordos e tratados que mexem tanto na maneira de cada país lidar com sua própria economia quanto nas relações de comércio e trocas internacionais.
Na direção desta iniciativa, algumas empresas líderes e o Instituto Ethos apresentaram, no último dia 24 de fevereiro, a Plataforma por uma economia inclusiva, verde e responsável. Ela já foi comentada aqui em seus aspectos gerais. Vamos, hoje, analisá-la do ponto de vista do quanto ela pode agregar para influenciar esta mudança preconizada pelo Pnuma.
O objetivo desta plataforma é promover uma mudança no mercado e, por meio dela, ir mobilizando a sociedade e os governos para o estabelecimento de marcos legais que garantam a transição para esta nova economia, não apenas verde, mas: inclusiva, verde e responsável.
O importante a ressaltar é que esta transição precisa ser feita com progresso econômico para garantir a inclusão. A ressalva tem procedência porque, para muitos especialistas e militantes da sustentabilidade, o mundo deveria parar de crescer. Só assim seria possível diminuir a pressão do consumo sobre os recursos naturais do planeta.
O Pnuma enfatiza, no relatório, que a aplicação dos recursos nos setores adequados garantirá a transição com crescimento, redução da pobreza e preservação do meio ambiente.
Os setores apontados pelo Pnuma como estratégicos e capazes de gerar crescimento durante a transição para a nova economia são:
- agricultura;
– construção;
– pesca;
– silvicultura, referente à recuperação florestal;
– indústria;
– turismo;
– transportes;
– gestão de resíduos e
– água, com foco nas questões de saneamento.
De acordo com simulações feitas pelos pesquisadores do relatório do Pnuma, um cenário de investimento verde atingiria taxas anuais de crescimento maiores que o cenário habitual de negócios, entre cinco e dez anos.
O Pnuma ainda alerta que as medidas devem ser adotadas tanto por países desenvolvidos quanto por nações que ainda estão em desenvolvimento; e o pontapé inicial deve ser dado pelos governos, que, ao apresentar bons resultados em suas políticas públicas, incentivará o setor privado a seguir o mesmo caminho, rumo à transição para esta nova economia. No Brasil, no entanto, temos tido experiência inversa, com as empresas influenciando o governo na criação de políticas públicas, como no caso das mudanças climáticas e da biodiversidade.
Mas como os governos darão este pontapé inicial? Sob quais bases eles podem incentivar o setor privado a mudar o rumo dos negócios? As respostas a estas perguntas são fundamentais para o sucesso da iniciativa. E dependem de uma questão até agora não discutida profundamente nem pelas empresas, nem pela sociedade e nem pelos governos: a precificação dos chamados “ativos naturais”. Quanto valem os estoques de peixes dos oceanos? E as florestas nativas ainda em pé no mundo? Recuperar uma área degradada no Brasil vale mais ou menos do que outra na África ou na América do Norte? Um jequitibá de 200 anos dá mais lucro em pé na floresta ou derrubado e transformado em toras de madeira?
E ainda: como tratamos os padrões de consumo e estilo de vida? Qual padrão alimentar devemos adotar? Tem sentido utilizar um carro que gasta 90% de energia para se por em movimento e levar uma só pessoa?
Sem estas respostas, não se criarão referências que possibilitem não só os empreendedores, mas os cidadãos comuns visualizar concretamente as perspectivas do mundo novo que precisamos inventar.
Lançada a visão de futuro contida na plataforma por uma economia inclusiva, verde e responsável, a partir de agora pretendemos, aqui no Brasil, em diálogo com empresas, governos e sociedade civil, definir ações concretas para o avanço desta agenda.
terça-feira, 1 de março de 2011
Latas de aço retomam seus tempos de glória?
Aquelas latas de leite condensado, leite em pó, molho de tomate, de óleo ou de tinta que normalmente separamos junto com outros materiais recicláveis (considerando um edifício ou bairro que faz a separação do lixo) vão contar, a partir de junho deste ano, com um sistema próprio de logística reversa. E essa mudança pode mudar – para bem melhor – o valor do embalagens de aço no país.
De olho na Política Nacional de Resíduos Sólidos, a ser definida pelo governo federal até junho deste ano, o sindicato das indústrias de estamparias de metais (Siniem) e a associação da cadeia produtiva do aço (Abeaço) anunciaram a construção de um centro de 10 mil metros quadrados voltado à reciclagem das embalagens de metais. Fabricantes de latas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) serão os parceiros iniciais do projeto, localizado na região metropolitana de São Paulo.
A iniciativa será o pontapé inicial, no Brasil, para a organização de uma cadeia exclusiva de reciclagem de embalagens de metais – especialmente o aço. Cerca de 1,5% de todo o aço produzido no país é destinado a este fim. No entanto, ao menos 31% do aço é utilizado na construção civil, ou seja, não precisa ser reciclado.
Hoje, o retorno das embalagens metálicas às siderúrgicas ocorre de forma desordenada. Pode ser coletado por catadores e cooperativas, separado nos prédios residenciais e comerciais. Mas os preços pagos pelo material são muito baixos em função dos intermediários entre quem coleta e quem compra a sucata de aço.
Nesse esquema, 47% das embalagens de aço do país já são recicladas. Mas o foco, agora, é elevar o valor do material e remunerar melhor quem se dedica a separá-lo. Com o centro de recebimento concluído em junho, varejistas, indústria envasadora, consumidor final, cooperativas e catadores poderão negociar o aço diretamente no local. Todos receberão o mesmo valor pelo quilo da sucata: em torno de 25 centavos. Hoje, cooperativas de catadores não obtêm mais de 8 centavos pelo quilo do metal.
Os consumidores contarão com sacolas específicas para a coleta de metais, com capacidade para cerca de 60 latas. No início do projeto, elas devem ser distribuídas gratuitamente no varejo. Com todas estas medidas, a expectativa é elevar a reciclagem das embalagens de aço para 70% do total em cinco anos. No caso das latas de alumínio, o Brasil é recordista mundial em reciclagem, com um índice de 98% de reaproveitamento.

Sacola que será utilizada para separação de metais. (Foto: Divulgação)
Além do centro em construção, outros três devem ser concluídos nos arredores da capital paulista ainda até o final deste ano. O primeiro terá capacidade para receber embalagens de 2,5 milhões de consumidores. Com os quatro centros em operação, toda a sucata de aço separada na capital paulistana poderá ser reciclada. Mais de 60% das embalagens de aço produzidas no país destinam-se ao estado de São Paulo.
O maior reaproveitamento do aço também trará redução de custos para as empresas. “Os metais, aço ou alumínio, são os únicos dos materiais de embalagens 100% reaproveitáveis, e sem qualquer perda de suas propriedades”, diz o presidente do Siniem, Antonio Carlos Teixeira Alves. Uma tonelada de aço reciclado equivale a 1,5 tonelada de minério de ferro não-explorada. A medida poderia ainda elevar a participação do aço em embalagens de produtos para os quais já é usado ou em nichos em que perdeu espaço como, por exemplo, de latas de óleo.
O centro de recebimento pretende servir de referência para outros que venham a ser instalados, de forma independente, em outras regiões do país. Alguns já em operação, por exemplo, não contam com licenças ambientais.
Fonte: blog Empresa Verde
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
E se esta moda pega?
A empresa C&A mobiliza 40 de seus fornecedores para assinar, em conjunto com ela, o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
A C&A, uma das maiores redes de varejo de moda do Brasil, assinou, em 23 de fevereiro de 2011, o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. O fato merece destaque por pelo menos dois motivos: a rede é a primeira do setor a tornar-se signatária deste compromisso voluntário do empresariado para acabar com o trabalho escravo no país; e fez isso junto com mais 40 fornecedores, que também se comprometem a monitorar suas próprias cadeias de suprimentos para erradicar essa prática dos negócios.
A adesão da C&A e de seus 40 fornecedores representa um marco no movimento do empresariado em prol do trabalho decente e um exemplo de como as empresas em geral podem lidar com esse problema, que é recorrente em vários setores da economia brasileira.
Para a C&A, essa nova atitude diante do problema começou a ser construída em 2006. Naquele ano, a revista do Instituto Observatório Social havia publicado um estudo sobre a cadeia de valor no setor de vestuário, no qual demonstrava que a C&A vendia roupas feitas por imigrantes em malharias clandestinas. O esquema apurado era o seguinte: a C&A precisava costurar as roupas que vende. Para isso, contratava malharias legalmente instaladas na capital paulista. Essas malharias, por sua vez, repassavam o trabalho para terceiros, entre os quais alguns que utilizavam a mão de obra de imigrantes clandestinos ilegais, principalmente bolivianos. Eles trabalhavam sem registro em carteira, em condições precárias e insalubres e sem a garantia de qualquer direito social.
Na época da reportagem, a C&A não aceitou conversar com o Observatório Social para expor a sua versão dos fatos. Respondeu perguntas por escrito, nas quais afirmou zelar para que a sua cadeia de fornecedores trabalhasse na mais estrita legalidade. Uma resposta que qualquer empresa daria, se pega com problema semelhante. E a C&A poderia ter continuado a agir, ou melhor, a reagir conforme as circunstâncias. Mas o fato é que os gestores decidiram fazer diferente e encarar o problema para erradicá-lo, ao menos da sua própria cadeia.
Assim, ainda em 2006, a empresa iniciou um processo interno para erradicar o trabalho análogo à escravidão, adotando várias ações. Uma das principais foi um levantamento de toda a cadeia produtiva, com o registro de todos os contratados diretos e indiretos. Chegou a 2.000 fornecedores.
A C&A criou, ainda em 2006, a empresa independente Organização de Serviço para Gestão de Auditorias de Conformidade (Socam), com o objetivo de buscar a melhoria contínua das condições de trabalho na sua cadeia produtiva. Com a Socam, a C&A tornou-se a primeira rede de varejo do Brasil a auditar toda a sua cadeia produtiva.
A empresa realiza constantemente o monitoramento de todos os seus fornecedores e subcontratados, com o objetivo de garantir que os trabalhadores tenham condições adequadas para exercer suas funções e, por outro lado, para que seja oferecido um produto íntegro aos clientes. Para isso, são realizadas visitas periódicas, sem aviso prévio, aos fornecedores e subcontratados. Além de vistoriar os locais, a Socam também orienta e apoia os fornecedores na melhoria das condições de trabalho, por meio da realização de planos de ação.
Além disso, a companhia sempre orienta seus fornecedores e subcontratados pelo que está disposto no Código C&A de Conduta para Fornecimento de Mercadorias.
Em seguida, a rede deu um passo além. Entendendo que o problema atinge toda a cadeia do vestuário e que uma andorinha só não faz verão, buscou os concorrentes e com eles articulou a Associação Brasileira para o Varejo Têxtil (ABVTex), que, em setembro do ano passado, lançou o Programa de Qualificação de Fornecedores para o Varejo. Trata-se de uma iniciativa inédita e pioneira do setor, que vai disseminar os princípios e valores da responsabilidade social empresarial entre os fornecedores e subcontratados desses varejistas. O objetivo é estabelecer um novo ambiente de negócios na cadeia têxtil, baseado na ética, na transparência e no trabalho decente.
O programa da ABVTex promove a qualificação da cadeia têxtil e auditorias para o monitoramento das práticas, dos compromissos e da gestão das empresas fornecedoras em relação aos seguintes critérios, considerados fundamentais para um bom ambiente de negócios no setor do varejo têxtil:
• trabalho infantil;
• trabalho forçado ou análogo à escravidão;
• trabalho estrangeiro irregular;
• liberdade de associação;
• discriminação;
• abuso e assédio;
• saúde e segurança do trabalho;
• monitoramento e documentação;
• horas trabalhadas;
• benefícios;
• monitoramento da própria cadeia produtiva; e
• meio ambiente.
A trajetória da C&A, da negação ao enfrentamento sério e comprometido do trabalho análogo à escravidão, vem tornando a empresa referência internacional no tema. Mas é bom lembrar que, aqui no Brasil, o esforço da C&A faz parte de outro compromisso maior, já assumido voluntariamente por 140 empresas: o do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que a C&A acaba de assinar, junto com 40 de seus fornecedores.
Esse pacto também nasceu de ampla articulação com diversos setores da economia. Começou em 2004, quando o Observatório Social publicou em sua revista uma reportagem chamada “Escravos do Aço”, em que desvendava o uso de trabalho análogo à escravidão pelas carvoarias do norte do país, na produção do ferro-gusa que alimenta as siderúrgicas da região.
Três grandes empresas eram mencionadas na matéria. Na oportunidade, o Instituto Ethos convidou essas três empresas, entidades sindicais, o próprio Observatório Social e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) para discutir o que poderia ser feito para reverter a situação. Dessa articulação surgiu o Pacto Empresarial das Siderúrgicas do Norte do País pela Erradicação do Trabalho Análogo à Escravidão e também o Instituto Carvão Cidadão, que, entre outras atividades, realiza auditorias nas carvoarias para prevenir a ocorrência de trabalho escravo e capacita trabalhadores libertos para o mercado e o convívio social.
O sucesso desta iniciativa incentivou a OIT a mostrar ao Ethos o relatório que preparou evidenciando a existência de escravidão em outros setores econômicos. Promovendo o mesmo processo de diálogo multissetorial, o Ethos, o Observatório Social, a ONG Repórter Brasil, a OIT, o Ministério Público do Trabalho, entidades da sociedade civil e empresas firmaram, em 2006, o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. Por meio dele, os signatários se comprometem, voluntariamente, a monitorar suas cadeias de fornecimento, a alertar as autoridades a respeito de ocorrências de trabalho escravo e a cortar relações comerciais com empresas constantes na “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego.
O trabalho análogo à escravidão ainda existe no Brasil e precisa ser erradicado. O Estado tem um importante papel para que esse objetivo seja atingido. Mas as empresas podem contribuir bastante para que essa vergonha seja suprimida de vez da sociedade. A C&A, sem dúvida, mostrou um caminho para isso.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Instituto Ethos e parceiros lançam plataforma por uma nova economia
Foi lançada nesta quinta-feira, 24/2, a Plataforma por uma Economia Inclusiva, Verde e Responsável, iniciativa do Instituto Ethos, em parceria com a Alcoa, a CPFL, a Natura, a Suzano, a Vale, o Walmart e a Roland Berger.
A plataforma reúne um conjunto de idéias e propostas que o Instituto Ethos e as parceiras institucionais vêm desenvolvendo ao longo dos últimos anos com o objetivo de estimular as empresas e o Brasil a promover a transição para uma economia inclusiva, verde e responsável.
Durante o lançamento, os CEOs das empresas que contribuíram para a construção da plataforma deram depoimentos sobre a iniciativa. Em seguida ocorreu um debate sobre quais devem ser os principais elementos de uma agenda que permita o avanço para a nova economia. Os debatedores foram o sociólogo Ricardo Abramovay e o economista Sérgio Besserman Vianna, com moderação do jornalista Ricardo Arnt.
A partir desse debate, o Instituto Ethos promoverá uma consulta pública sobre a plataforma proposta.
Para conhecer a íntegra do documento, acesse:
- Versão em português;
- Version en español;
- Version in English.
Para aderir a esta plataforma, acesse www.ethos.org.br/plataforma.
Para enviar sugestões e comentários, escreva para plataforma@ethos.org.br ou pelo Facebook, LinkedIn, Twitter ou aqui mesmo, no blog do Instituto Ethos.
Para acessar a apresentação da Plataforma, feita por Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos, clique aqui.
Guia apresenta proposta para reduzir impactos socioambientais em processos de REDD+
A publicação “Desenvolvendo Salvaguardas Socioambientais de REDD+: um guia para processos de construção coletiva” apresenta uma proposta passo-a-passo para processos de elaboração de salvaguardas socioambientais de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal).
O guia foi elaborado por um grupo multissetorial de organizações e empresas brasileiras que incluiu ONGs ambientalistas, setor privado, instituições de pesquisa e movimento social, com especial protagonismo de organizações representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, através de um processo coletivo e com o envolvimento dos diversos setores da sociedade.
Esta publicação, elaborada a partir da iniciativa brasileira de Princípios e Critérios Socioambientais de REDD+, é de alta relevância para as discussões internacionais d e mudanças climáticas e florestas, pois existe uma grande preocupação de que o mercado de créditos de carbono florestais venha a causar impactos socioambientais, afetando especialmente os povos indígenas e comunidades que vivem na floresta. Apesar de haver muita discussão internacional sobre a questão, até o momento não havia sido apresentada nenhuma proposta metodológica para a elaboração destas salvaguardas.
Com o guia, as organizações envolvidas querem contribuir para o debate internacional, proporcionando um possível caminho para outros países de floresta tropical, onde a temática de REDD+ precisa ser levada para discussão com toda a sociedade civil.
A publicação foi lançada, oficialmente, durante a COP-16, realizada no México, em dezembro.
Grupo multissetorial que participou da elaboração da publicação:
Biofílica Investimentos Ambientais
COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
CNS – Conselho Nacional das Po pulações Extrativistas
CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
FUNBIO – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade
FAS – Fundação Amazonas Sustentável
GTA – Grupo de Trabalho Amazônico
IMAFLORA – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola
IMAZON – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia
ICV – Instituto Centro de Vida
IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
ISA – Instituto Socioambiental
Rede Povos da Floresta
TNC
WWF - Brasil
A publicação está disponível em Português, Inglês, Espanhol e Francês no site: www.icv.org.br
Daniela Torezzan
Fonte: Clipping Express
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
PNUMA afirma que gastos em economia sustentável devem ser de US$1,3 tri
Segundo o programa, os investimentos seriam pagos através da criação de empregos em diversos setores e trariam estabilidade à economia mundial
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a agência da ONU para o meio ambiente, divulgou nesta segunda-feira (21) uma nova estratégia para garantir um futuro sustentável para o planeta. A idéia é investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial – o que atualmente corresponde a cerca de US$1,3 trilhões – anualmente em dez setores-chave da economia para estimular o desenvolvimento de um modelo econômico sustentável.
“Os governos têm um papel central na mudança das leis e das políticas e no investimento de bens públicos para possibilitar a transição”, disse Pavan Sukhdev, economista sênior do Deutsche Bank e diretor da iniciativa Economia Verde do PNUMA. “Ao fazê-lo, podem também desbloquear os bilhões de dólares do capital privado em benefício de uma economia verde”.
De acordo com os dados, publicados em um encontro que reuniu mais de 100 ministros em Nairóbi, primeiramente a transição poderia levar à redução de postos de trabalhos em alguns setores, mas que num segundo momento o plano geraria índices de crescimento da economia iguais ou mesmo maiores que os da economia padrão.
Segundo o relatório, depois da fase de adaptação, os investimentos na economia verde passariam a se pagar através da criação de novos empregos, do desenvolvimento de novas empresas e indústrias renováveis, dos benefícios de uma atmosfera menos poluída, de economias resultantes da eficiência energética e da redução na emissão de GEEs.
Além disso, a transformação rumo a uma economia verde ajudaria a diminuir a pobreza e a reduzir à metade a ação humana no meio ambiente. O relatório também recomenda que sejam criadas políticas que desvinculem o crescimento econômico de um consumismo intenso. Segundo Sukhdev, “a aplicação inadequada de capital está no centro dos atuais dilemas do mundo e há medidas rápidas que podem ser tomadas, começando, literalmente, hoje”.
“Essas medidas englobam desde a diminuição e eliminação dos mais de US$600 bilhões de subsídios globais para combustíveis fósseis ao encaminhamento dos mais de US$20 bilhões de subsídios inadequadamente atribuídos a entidades envolvidas em atividades de pesca insustentável”, acrescentou.
A pesquisa realizada pelo PNUMA pretende confrontar o que considera os ‘mitos’ a respeito do desenvolvimento verde, começando pela idéia de que uma maior sustentabilidade significa menos progresso econômico. “Não há atualmente evidências substanciais de que a transição para uma economia verde iniba o desenvolvimento econômico ou a criação de oportunidades de emprego”, sustenta o relatório.
O relatório aconselha que os gastos totais sejam divididos da seguinte maneira: US$108 bilhões para agricultura; US$134 bilhões para tecnologias no corte de emissões; US$ 360 bilhões para energia; US$ 110 bilhões para pesca; U$15 bilhões para proteção de florestas; U$75 bilhões para a indústria; U$ 135 bilhões para o turismo; US$190 bilhões para o transporte; US$110 bilhões para resíduos e reciclagem e US$110 bilhões para água e saneamento básico.
Para Achim Steiner, subsecretário geral da ONU e diretor executivo do PNUMA, “com 2,5 bilhões de pessoas vivendo com menos de U$2 por dia e com um aumento populacional superior a dois bilhões de pessoas até 2050, é evidente que devemos continuar a desenvolver e a fazer crescer a nossa economia. No entanto, esse desenvolvimento não pode acontecer à custa dos próprios sistemas de apoio à vida na Terra, dos oceanos e da atmosfera que sustentam a nossa economia e, por conseguinte, às vidas de todos nós”.
O estudo, intitulado Toward a Green Economy: A Synthesis for Policy Makers (algo como Rumo a uma economia verde: uma síntese para responsáveis políticos), indicou que na primeira década do século 21, a intensificação das catástrofes naturais e a crise financeira mundial, levaram países e empresas a pensarem em alternativas mais sustentáveis para a economia.
“A economia verde, conforme documentado e ilustrado no relatório do PNUMA, proporciona uma avaliação centrada e pragmática de como os países, as comunidades e as empresas iniciaram uma transição para um padrão mais sustentável de consumo e produção”, ressaltou Steiner.
O PNUMA garante que o mundo vive um momento decisivo em termos de investimentos de baixo carbono. Enquanto países como a China e a Índia desenvolvem planos nacionais para a implementação de usinas e tecnologias verdes, na UE e nos EUA os investimentos em renováveis estão praticamente estagnados. De acordo com outro relatório a ser publicado hoje pelo governo alemão, a não ser que a Europa invista no desenvolvimento de projetos verdes, continuará enfrentando baixas taxas de crescimento. Já o aumento das metas de redução de imissões de 20% para 30% poderia, poder exemplo, aumentar o PIB europeu para US$842 bilhões (um crescimento de 6%) e criar cerca de seis milhões de empregos entre os estados membros.
Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Regras da logística reversa começam a ser definidas
Sucesso da implementação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos dependerá da participação de todos os setores
O governo instalou, na semana passada, o Comitê Orientador de Logística Reversa, que será responsável pela regulamentação das regras para o retorno às cadeias produtivas de materiais utilizados pelas indústrias, para os setores fabricantes de pilhas, lâmpadas, equipamentos eletroeletrônicos, pneus, óleos lubrificantes e embalagens de agrotóxicos.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos só foi aprovado no ano passado, após 20 anos de tramitação no Congresso Nacional e este ano as regras começarão a ser finalmente definidas.
A partir de agora, inicia-se um processo sem volta em que setores importantes de nossa indústria terão de se responsabilizar efetivamente por todo o material produzido e, antes da lei, descartados invariavelmente de forma errada.
E existe um longo caminho a percorrer. Até hoje, apenas alguns poucos setores contemplados no plano têm se antecipado à lei e buscado soluções de logística reversa no seu negócio. Casos como o da indústria do vidro e das latas de alumínio já se utilizam largamente de materiais recolhidos e reciclados. Inclusive, depois do anúncio do governo para a instalação do comitê, a Associação Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro, a Abividro, encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente, um plano de implementação de logística reversa para o setor, comprometendo-se a recolher, depois de usados pelo consumidor final, todo tipo de embalagem de vidro.
Para citarmos apenas esse setor, dados da Abividro indicam que hoje se recicla bem menos do que a metade do que é produzido, algo em torno de 1 milhão de toneladas por ano. São embalagens de vidro usadas para bebidas, produtos alimentícios, medicamentos, perfumes, cosméticos e outros artigos que vão parar direto no lixo, correspondendo em média a 3% dos resíduos urbanos. É bom lembrar que o vidro pode ser totalmente reutilizado. Um quilo de vidro reciclado rende exatamente 1 quilo de vidro para ser usado novamente pela indústria.
Outra indústria, o de eletroeletrônicos, disponibiliza desde o ano passado aos consumidores de todo o Brasil, um serviço online de informações sobre programas de logística reversa e orientações para o descarte correto de televisores, computadores, celulares e outros resíduos eletroeletrônicos.
Os exemplos ainda são poucos e é necessário acelerar essa adaptação. Independente do ritmo de trabalho estabelecido pelo comitê criado pelo governo, que nos próximos meses deverá apresentar o cronograma e os editais para acertar os detalhes da aplicação da lei com cada um dos setores, as empresas deveriam se antecipar e agir buscando adaptar-se o quanto antes a uma nova realidade sem volta.
E falando da realidade atual de descarte sem qualquer consciência, ela é causadora de problemas que vão das recentes inundações, as contaminações do solo e da água e do simples desperdício de materiais que ficam se deteriorando ao invés de servir para a produção de bens.
A lei é ambiciosa, pois estabelece também que todos os lixões do país deverão ser fechados até o dia 2 de agosto de 2014. A partir dessa data, apenas os resíduos que não podem ser reciclados serão enviados a aterros sanitários, onde serão estocados de forma adequada para evitar contaminação. Os municípios com mais de 200 mil habitantes terão até o 2 de agosto de 2012 para apresentar seus planos de gestão de resíduos.
O problema, ou melhor, a solução apresentada pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos não pode ser visto como uma questão de responsabilidade exclusiva das empresas, mas da sociedade como um todo. Para que as indústrias possam realizar o seu trabalho, será necessário que os consumidores também façam a sua parte, encaminhando corretamente os materiais para a reciclagem.
Nesse sentido, uma campanha maciça de alcance nacional explicando os benefícios da lei e do recolhimento e reciclagem seria fundamental para que os objetivos efetivamente venham a ser alcançados. Essa comunhão de esforços e ações do poder público, das empresas e da sociedade é a chave para o sucesso de um dos mais desafiadores projetos: a consolidação de um Brasil alinhado com o século XXI e os princípios do desenvolvimento sustentável.
Último mês para inscrições no programa de capacitação de lideranças do Instituto Ethos
Este é o último mês de inscrições para a edição 2011 do programa Gestão Estratégica para a Sustentabilidade. Realizado pelo UniEthos, entre março e dezembro, o programa tem por objetivo contribuir para a incorporação da sustentabilidade e da responsabilidade social na estratégia de negócio das organizações por meio da troca de experiências e capacitação de suas lideranças.
Participam do programa entre sete e dez empresas que indicam três colaboradores em cargos de lideranças, responsáveis pela tomada de decisões estratégicas da companhia. Essas lideranças terão acesso a dez encontros de dois dias cada com especialistas em desenvolvimento sustentável e gestão socialmente responsável nas empresas.
Um dos encontros proporcionará a vivência na ecovila do Instituto Visão Futuro para contato com a aplicação dos princípios operacionais dos sistemas biológicos da natureza, tanto na vida social quanto na econômica (Bioeconomia). O objetivo desta imersão é demonstrar um modelo que busca reverter situações de desequilíbrio econômico, social e ambiental causado pelo homem.
A empresa contará ainda com a orientação do Uniethos para o desenvolvimento de um projeto aplicativo para a incorporação da sustentabilidade em um processo de sua gestão ou disseminação do conteúdo apresentado para os demais colaboradores.
A edição de 2011 será a sexta turma do programa.
A proposta detalhada do programa pode ser encontrada em http://uniethos.tempsite.ws/programas-educacionais/gestao-estrategica-para-a-sustentabilidade
Empresas interessadas devem entrar em contato pelo número (11) 3897-2432 ou pelo e-mail margo@ethos.org.br até o dia 28 de fevereiro
Duração: de março a dezembro 2011 (10 meses - 1 encontro de 2 dias a cada mês)
Horário: das 9h às 18h
Local: São Paulo, SP
Investimento e Descontos: Consultar página do programa no site do Uniethos Leia Mais?

