Maringá, no interior do Paraná, mostra que a relação das árvores com a urbanização não precisa conflitar. Lá, a prefeitura implantou calçadas ecológicas e mudou seus sistemas de iluminação e de rede elétrica, iniciativas que harmonizaram o espaço e diminuíram os gastos do município.
Uma medida foi a adoção de redes compactas protegidas. Nelas, cabos elétricos encapados são mantidos separados a uma pequena distância uns dos outros por uma borracha isolante. Já na rede convencional, os fios são desencapados e ocupam muito espaço por serem dispostos lado a lado. Isso os torna vulneráveis ao tempo e acaba gerando quedas na transmissão. Para evitá-las, é preciso fazer podas frequentes e prejudiciais às plantas.
Já em 1996 Maringá tinha 100% de sua fiação de alta tensão protegida. Ao todo foram instalados 370 quilômetros de rede a um custo, na época, de R$10,9 milhões, valor que, hoje, corrigido pela inflação, corresponderia a R$24,9 milhões. Em compensação, essa troca economizou em manutenção: diminuiu em 82% os episódios de queda de energia, principalmente em dias chuvosos (consequência da queda de galhos sobre os fios) e reduziu à metade as podas de árvores, que antes sofriam cortes drásticos para impedir seu contato com os cabos de alta tensão.
A cidade também foi pioneira na implantação da iluminação rebaixada, solução para evitar que as folhas e galhos formem barreiras à passagem da luz. Em vez de colocar as lâmpadas acima das copas, como é a norma, foram posicionadas abaixo, melhorando a luminosidade nas vias públicas. A adaptação custou cerca de R$12 milhões e permitiu abarcar com o sistema algo como 85% do território maringaense. “Quando começamos o projeto, nossos gastos com energia ficavam em R$604 mil e caíram para R$479 mil depois do rebaixamento”, afirma Roberto Orlandini, gerente de iluminação pública da Prefeitura. A diferença se traduz em uma economia de R$125 mil por mês.
Não é fácil planejar a arborização de uma cidade. No meio urbano, é comum que as árvores sofram com a falta de permeabilidade do asfalto e de espaço para o crescimento das raízes. Uma arborização mal feita leva a quedas de galhos e troncos, gerando custos e riscos para os munícipes. Por isso, a criação de calçadas ecológicas também foi uma iniciativa vantajosa. Esse tipo de calçada possui áreas permeáveis de 1,20 metro de largura por 2,40 de comprimento, evita danos às raízes e permite uma vida útil maior para a árvore. Melhora também a absorção da água de chuva. A Lei Complementar Municipal 335/99 tornou esse calçamento obrigatório nos bairros residenciais de Maringá e facultativo nos eixos comerciais.
O modelo da cidade está longe de ser considerado perfeito, mas prova que é possível – e talvez mais barato – adaptar o centro urbano às árvores do que o contrário.
Fonte: O Ecocidades
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Maringá inova na arborização do espaço urbano
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
O que as empresas podem fazer para combater a pobreza
Isso tudo é importante, mas não terá efeito benéfico sobre o planeta se não vier integrado com uma forte ação pela inclusão dos bilhões de miseráveis que ainda existem. Achim Steiner, diretor do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Pnuma) sempre diz: se não resolvermos a questão da miséria, não teremos equilíbrio ambiental.
Os governos e órgãos públicos têm a maior parcela de responsabilidade pela inclusão social. Mas, as empresas, por serem o segmento mais forte e organizado da sociedade, podem ser decisivas para que as sociedades atinjam o objetivo de acabar com a miséria, distribuir renda e trabalho e garantir uma vida digna para todos.
Afinal, o que as empresas podem fazer para combater a pobreza? Não existe uma só resposta, mas várias. Um grupo de trabalho integrado por uma série de entidades da sociedade civil, inclusive o Ethos, está desenvolvendo uma destas respostas. O GT “Responsabilidade Social e Combate à Pobreza é constituído pelo Ethos, pela Fundação Avina, pela ICCO, ong intereclesiástica com sede na Holanda, pela Fundação Banco do Brasil, pela Unitrabalho e pela Universidade Solidária – Unisol. Este grupo desenvolve projetos que buscam engajar as empresas em negócios que promovam a inclusão e, com isso, o combate à pobreza.
O GT identificou algumas oportunidades que as empresas podem adotar para contribuir com a inclusão social e a diminuição da miséria, tais como:
- Agregar à cadeia produtiva das grandes e médias empresas os negócios de base social. Por exemplo: comprar produtos e serviços de cooperativas de artesãos, pequenos produtores rurais, costureiras, serviços urbanos (encanadores, eletricistas), etc.
- Outra estratégia muito interessante, trabalhada fortemente pela Avina, e que tem sido foco do planejamento de ações do grupo para 2011 são os Negócios Inclusivos. São iniciativas economicamente rentáveis e ambiental/socialmente responsáveis, que utilizam mecanismos de mercado para melhorar a qualidade de vida de pessoas de baixa renda, ao permitir: sua participação nas cadeias de valor como fornecedores de matéria-prima, agentes que agregam valor a bens e serviços, ou vendedores / distribuidores de bens ou serviços; e/ou seu acesso a serviços básicos essenciais de melhor qualidade ou a menor preço; e/ou seu acesso a produtos ou serviços que lhes permitam entrar em um círculo virtuoso de oportunidades de fazer negócios ou melhorar sua situação sócio-econômica.
- Alinhar (planejamento) do desenvolvimento do das empresas ao desenvolvimento sustentável dos territórios onde operam, assumindo agendas de compromissos voluntários e desenvolvendo planos de ação que estimulem e promovam a coordenação de ações entre empresas e de empresas com governos e/ou com organizações locais para gerar impacto na dinamização das economias sustentáveis locais. Um bom exemplo desta última estratégia é o Fórum Empresarial de Apoio à Cidade.
Este Fórum tem a responsabilidade de sensibilizar e mobilizar as empresas para ações e parcerias com outras empresas, organizações sociais, instituições de ensino e pesquisa e o poder público, visando o desenvolvimento justo e sustentável de São Paulo.
Está claro que os brasileiros e brasileiras já não consideram o desenvolvimento sustentável uma questão marginal aos problemas centrais de nossa sociedade. Os eleitores demonstraram estar à frente até mesmo das empresas mais avançadas. É hora, portanto, de os negócios deixarem a “zona de conforto” onde se encontram e se anteciparem às novas demandas e interesses que, certamente, estão vindo por aí.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Cursos Uniethos: Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial
Conduzir os negócios atendendo as exigências da competitividade ao mesmo tempo contemplando conceitos do desenvolvimento sustentável representa hoje, o principal desafio do setor empresarial comprometido com a responsabilidade social.
E a utilização de instrumentos adequados para as diversas etapas como o diagnóstico, implantação, e avaliação dos resultados das práticas de gestão pode ajudar a empresa na incorporação desses aspectos em seus processos cotidianos e estratégicos. Desde sua fundação, o Instituto Ethos vem desenvolvendo ferramentas de gestão para as empresas com o objetivo de apoiá-las e orientá-las na incorporação dos conceitos e praticas de responsabilidade social empresarial (RSE) e do desenvolvimento sustentável a seus processos de gestão de forma abrangente e consistente.
Os indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial representam o esforço do Instituto Ethos em oferecer uma ferramenta que possa fundamentar todo o processo de gestão socialmente responsável, por meio de um diagnostico abrangente.
Além dessa função, os Indicadores Ethos representam um excelente guia de aprendizado bem como de monitoramento geral da empresa.
O UniEthos realizará nos dias 28 e 29 de outubro de 2010 em São Paulo o curso Indicadores Ethos de RSE – Diagnóstico e Planejamento para a Gestão Socialmente Responsável , que tem por objetivo capacitar os gestores para que realizem a auto-avaliação das práticas de sustentabilidade e responsabilidade social das empresas (RSE).
Ele apresenta um panorama da RSE e do desenvolvimento sustentável no Brasil e no mundo, demonstra a importância do engajamento das partes interessadas e as ferramentas de gestão que auxiliam na incorporação sustentabilidade na gestão das empresas.
Para a realização do diagnóstico e planejamento da gestão socialmente responsável, o curso foca no conhecimento dos Indicadores Ethos de RSE.
Última turma de 2010! Inscreva-se já em www.uniethos.org.br.
Agende-se para os próximos cursos:
Relatório de Sustentabilidade GRI- 01 e 02 de Dezembro
Gestão Estratégica - Turma 2011
Para se inscrever ou saber mais sobre os cursos e assessorias, acesse: www.uniethos.org.br
Índia não quer desenvolvimento sujo
País se torna terceiro maior emissor
O ministro indiano do ambiente, Jairam Ramesh, disse ontem na reunião do clima da ONU em Tianjin, na China, que o país não pode ter um alto crescimento econômico aliado a um rápido aumento nas emissões de carbono - num momento em que o país se torna o terceiro maior emissor, atrás da China e dos Estados Unidos.
As emissões da Índia per capita são ainda baixas, mas a demanda por energia cresce, com a classe média comprando mais carros, TVs e casas. Grande parte desta energia ainda vem de petróleo e carvão, principais fontes de dióxido de carbono no aquecimento global.
Ramesh disse que enriquecimento do país não pode acontecer às custas do ambiente. "Nós vamos, unilateral e voluntariamente, caminhar para um padrão de baixo carbono. Não podemos ter um crescimento do PIB de 8% a 9% com emissões altas". A Índia atravessou bem a crise financeira global e mira um crescimento de 10% ao ano para os próximos anos.
"Somos hoje o terceiro maior emissor de gases estufa do mundo. A China responde por 23%, os EUA com 22% e a Índia com 5%", afirmou ele.
Na Índia, a redução é uma questão sensível, dados os altos custos envolvidos. Mas o primeiro-ministro, Manmohan Singh, convocou em janeiro um painel que aponte o caminho para uma economia mais verde, e os resultados do estudo devem ficar prontos no final do ano.
Embora a Índia esteja identificando fontes alternativas de energia viáveis, como a solar, o carvão permanece como espinha dorsal num país onde 1.1 bilhão de pessoas não têm acesso à eletricidade, informa o stv.tv.
Fonte: Planeta Sustentável
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
“Metas de governo e segundo turno”
Normalmente, os governos que assumem estabelecem limites de gastos. Por que não estabelecer também objetivos sociais de curto, médio e longo prazos?
A mesma eficiência conseguida com as metas financeiras pode ser obtida com metas sociais. As metas financeiras são anunciadas com bastante antecedência, por que não fazer o mesmo com questões como número de creches, merenda escolar, hospitais, postos de saúde, índices de criminalidade, diminuição de evasão escolar, de alfabetização, enfim?
Como se sabe, São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a aprovar uma emenda para obrigar os prefeitos a apresentarem um programa de metas quantitativas e qualitativas para cada área da administração municipal.
A lei paulistana estabelece que o Programa de Metas deve conter as ações estratégicas, os indicadores e as metas quantitativas tanto para a Administração Pública Municipal quanto para as subprefeituras e os distritos da cidade. Exige também que este programa mantenha correlação com as diretrizes apresentadas na campanha eleitoral e especifica os critérios para a elaboração e fixação dos indicadores de desempenho, como, por exemplo: promoção do desenvolvimento ambientalmente, socialmente e economicamente sustentável; inclusão social, com redução das desigualdades regionais e sociais; atendimento das funções sociais da cidade com melhoria da qualidade de vida urbana; e promoção do cumprimento da função social da propriedade, entre outros.
Até outubro de 2009, de acordo com um balanço do Movimento Nossa São Paulo, 16 cidades no Brasil já aprovaram a emenda: São Paulo, Mirassol, Barra Bonita, Taubaté, Penapólis, Araraquara, Teresópolis, Ribeirão Bonito, Ilhabela e Itapeva, todas no Estado de São Paulo, Niteroi, no estado do Rio de Janeiro, Ilhéus e Eunápolis, na Bahia, Formiga, Ouro Branco e Ipatinga, em Minas Gerais.
Seguindo o exemplo do que já está sendo feito em nível municipal, um grupo de entidades pretende encaminhar ao próximo Congresso um projeto de lei que obrigatória a apresentação, pelo governante eleito em qualquer instância, apresentar em três meses, o seu plano de metas para todas as áreas da gestão pública e, depois, prestação de contas semestral sobre o que está sendo feito.
O eleitor pode começar a cobrar estas metas e indicadores tanto dos candidatos que ainda vão ao segundo turno quanto daqueles já eleitos.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Os limites do planeta e a responsabilidade social empresarial
A humanidade chegou a este ponto pelo modo de consumir e produzir que vem adotando há pelo menos dois séculos, baseada do uso intensivo da natureza. A primeira conseqüência deste modelo é o aquecimento global. Quais são as outras? Pesquisadores, ambientalistas e futurólogos vêm dedicando muitas páginas a respeito do futuro da humanidade, estabelecendo datas-limite para o uso do petróleo, a extinção dos peixes, etc.
Para traduzir estas pesquisas em linguagem acessível à maioria das pessoas, dois jornalistas da revista Scientific American estudaram os trabalhos de diversas universidades, centros de pesquisa, ONGs, órgãos públicos e ONU, entre outros. Reunindo as informações, eles conseguiram responder com mais certeza a pergunta: se não mudarmos nosso modo de vida, até quando duram os recursos naturais?
Eis algumas respostas:
Petróleo: começa a ser encontrado apenas em grandes profundidades, muitos quilômetros abaixo do leito marinho. Os novos estudos estatísticos apontam que haverá um pico de produção até 2014 e até 2050 já teremos extraído 90% do petróleo no mundo.
Peixes: a crescente demanda tem levado muitas espécies à quase extinção, tais como: tubarão-martelo (cuja ocorrência nos oceanos diminuiu 89% desde 1986; eles são caçados para retirada de suas barbatanas); esturjões (perderam áreas de desova, devido à exploração do caviar e declinaram 90% desde 1965); badejos-amarelos e enguias.
Água: o crescimento populacional, o aumento da poluição e o aquecimento global já estão exercendo pressão sobre os estoques de água de rios caudalosos. A ONU considera 500 m3 de água potável por ano por pessoa o mínimo necessário para uma sociedade funcionar. Em muitos lugares do mundo, as reservas renováveis já estão abaixo deste patamar: Egito, Leste Europeu, Oriente Médio e Ásia. O continente americano foi o único não relacionado. Mas, não quer dizer que não tenha problemas. Em alguns lugares dos EUA, rios caudalosos já não chegam mais ao Oceano, pelo acesso das metrópoles aos seus recursos hídricos, ao longo do trajeto. No Brasil, a construção de barragens, a urbanização, a poluição e o uso descontrolado da água confinada (por exemplo, do Aquífero Guarani) também põem em risco nossas reservas. Em 2025, calcula a ONU, a luta pela água é que mobilizará as nações.
Metais: a escassez de metais pode comprometer o desenvolvimento tecnológico. Joiás, botões de roupa, celulares, televisores, computadores, equipamentos médicos, remédios, embalagens, enfim, quase tudo o que produzimos e consumimos depende de metais que estão cada vez menos disponíveis, com suas jazidas em vias de esgotamento. Celulares e computadores chegam a usar até 40 metais em variadas proporções.
A prata, que mata micróbios naturalmente e, por isso, é largamente utilizada em curativos e em revestimento de produtos de consumo, pode acabar até 2029. O índio, utilizado em TVs de tela plana, tem estoques até 2028. As reservas de fácil acesso de ouro podem se esgotar em 20 anos. O cobre, utilizado em tudo o que se faz de infraestrutura, de canos a equipamentos elétricos, tem reservas até 2044. Mas, a exploração vai exigir minerar áreas dos Andes, pondo em risco os ecossistemas e a biodiversidade locais. O único metal estratégico de que poderemos dispor com folga é o lítio, componente essencial nas baterias dos carros elétricos. As reservas terrestres conhecidas e os vastos estoques na água do mar garantem o suprimento por mais cinco séculos.
Há saída? Sim. Mas é preciso mudar. E as empresas precisam alavancar a mudança.
No que diz respeito aos recursos naturais, precisamos mudar o padrão de produção, estabelecendo processos em que o resíduo de uma indústria vire insumo em outra; em que tudo o que já foi extraído da terra seja reaproveitado, por meio da reciclagem e, mais do que isso, de um procedimento já batizado de “mineração urbana”.
No que tange à biodiversidade, é preciso “renaturalizar” a espécie humana. Não se trata de voltar às cavernas ou desistir da eletricidade, mas de integrar nosso modo de vida à natureza, usando o conhecimento tecnológico que adquirimos para regenerar os ecossistemas e a biodiversidade e aprendendo a viver integrados com eles. Esta atitude pressupõe uma nova ética, de cuidado com a vida em geral, como propõe a Carta da Terra.
As empresas têm grande responsabilidade nesta transformação, porque podem ser fortes indutoras de mudanças de hábitos e comportamentos não só nos negócios, mas nos indivíduos.
A economia verde pode dar conta da escassez de matérias-primas. Mas o cuidado com a vida exige algo mais. Exige a distribuição da riqueza e o comportamento ético, o reconhecimento de que seres humanos e seus negócios estão intimamente ligados com tudo o que ocorre no planeta. Se quisermos vida longa, temos de dar vida longa a quem nos nutre e suporta.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
As melhores em performance climática
Por Redação Ideia Socioambiental
As empresas-líderes em performance de carbono estão bem à frente de suas concorrentes - 85% das que foram pesquisadas declararam ter um executivo sênior responsável por mudança climática e perto da metade (48%) estão incorporando iniciativas em toda a estratégia do negócio e organização em resposta ao desafio do aquecimento global.
Em meio a um quadro regulatório incerto, nove entre 10 empresas pesquisadas identificaram oportunidades comerciais significativas decorrentes das mudanças climáticas, separando as organizações direcionadas por fatores de risco daquelas que estão identificando e aproveitando vantagens competitivas e de custo-benefício.
As cinco empresas-líderes do Global 500 em 2010 são: Siemens, Deutsche Post, BASF, Bayer e Samsung Electronics. Essas companhias estão no novo Índice de Performance de Carbono e Liderança (Carbon Performance Leadership Index - CPLI) e tiveram a pontuação mais alta (95 ou acima de 100) no Índice de Transparência em Carbono (Carbon Disclosure Leadership Index - CDLI).
Apesar do aumento significativo do envolvimento da diretoria ou de executivos de alto nível e de 65% das 500 companhias entrevistadas implementarem metas de redução, apenas 19% delas demonstraram uma redução significativa em suas emissões.
A América do Norte fica atrás da Europa na divulgação e performance. Apenas 6% das líderes de desempenho no Global 500 são da América do Norte, em oposição a 21% da Europa.
O relatório global apresenta duas áreas principais de foco para ação: a eficiência energética da operação, provavelmente incentivada pelo potencial de redução de custos, e o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores que permitem aos clientes reduzir as suas emissões.
Alimentada por oportunidades de redução de custos de energia, segurança no abastecimento de energia, proteção da empresa contra os riscos das alterações climáticas e os danos à reputação, geração de receitas e manutenção da competitividade, a gestão de carbono continua a crescer como uma prioridade estratégica para muitas empresas," destaca Paul Dickinson, diretor executivo da CDP. "As empresas globais estão aproveitando as oportunidades comerciais de carbono, agindo muitas vezes à frente das exigências políticas. Nunca tantas companhias relataram suas emissões pelo CDP, o que é o primeiro passo para uma economia de baixo carbono”, conclui.
"Como as empresas avaliam tendências de sustentabilidade, tais como competição por recursos naturais, globalização econômica e mudanças climáticas, o resultado provável é uma alteração fundamental na estratégia de negócios", afirma Dennis Nally, presidente da PwC Internacional. "Estamos descobrindo que os líderes nessa área definem objetivos de nível corporativo para buscar agressivamente o crescimento, ao mesmo tempo em que reduzem as emissões", ressalta.
(Envolverde/Idéia Socioambiental)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
“Auditorias e gestão sustentável”
Entre as oportunidades que as empresas pretendem privilegiar no próximo ano, para garantir melhor desempenho em relação aos desafios das mudanças climáticas, estão iniciativas de eficiência energética, desenvolvimento de novos produtos e serviços, transparência nos reportes da empresa e a adoção de programas de engajamento de funcionários.
Elas vão buscar, no âmbito governamental, regulamentação para leis que se traduzam em incentivos fiscais ou de crédito para estas e outras atividades.
Os executivos já enxergam hoje que o futuro será das empresas cujos negócios atendam ao tripé da sustentabilidade, de equilíbrio entre as demandas da sociedade, do meio ambiente e do crescimento econômico.
Tal mudança do mercado em direção à sustentabilidade está exigindo alterações profundas na maneira de fazer negócio. A empresa precisa estabelecer um plano de ação baseado não apenas nas expectativas de lucro dos acionistas, mas nas demandas dos seus vários públicos de interesse – consumidores, fornecedores, comunidade, governos e funcionários. Entender as demandas e saber transformá-las em objetivos de gestão é possível por meio da aplicação dos princípios e valores da responsabilidade social empresarial.
Proceder a essa mudança e demonstrá-la para o mercado e para a sociedade exigem também um novo tipo de auditoria, a chamada “auditoria verde”, que vai avaliar os riscos do negócio ante os efeitos das mudanças do clima e também a influência nas operações da empresa de inovação, produtos e serviços, perspectivas de novas leis, políticas públicas, e acordos internacionais.
Essa investigação verifica desde a conformidade da empresa às leis e os passivos que podem impactar no valor do negócio (terrenos contaminados e conflitos com comunidades, por exemplo), até o estágio da gestão em relação aos indicadores de responsabilidade social.
A chamada auditoria verde já se tornou o principal negócio de grandes escritórios de advocacia e caminha para ter o mesmo papel nas tradicionais consultorias do ramo, como PricewaterhouseCoopers e Ernst & Young.
No Brasil, as empresas que causam maiores impactos ambientais, como mineradoras, siderúrgicas e indústrias químicas, são as maiores clientes desses auditores. As empresas listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) também já adotam essa auditoria, pois precisam apresentar relatórios socioambientais e financeiros anualmente para garantir sua continuidade no índice.
É importante ressaltar que as auditorias demonstram que práticas socialmente responsáveis, que levem a uma sociedade sustentável, têm se mostrado economicamente viáveis em nosso país. Enquanto o índice geral da BM&F Bovespa (Ibovespa) teve rentabilidade de 29,39% no ano encerrado em 15 de maio de 2010, o ISE apresentou valorização de 36,63%, ou seja, 7,24 pontos percentuais a mais. Além disso, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) informa que os fundos de ações de empresas sustentáveis contavam com uma carteira de R$ 2,6 bilhões em maio deste ano.
Novas leis e maior pressão da sociedade devem tornar regra de mercado essa modalidade de auditoria. Com isso, a contabilidade das empresas também vai mudar, pois precisará refletir a internalização de fatores não financeiros nos custos do negócio. Aliás, espera-se que em dez anos, no máximo, surja um novo relatório anual de desempenho, integrando os dados financeiros e as informações socioambientais.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Produção e consumo sustentáveis: avanços e desafios para o Brasil
Por Izabella Teixeira, Ministra do Meio Ambiente
O Ministério do Meio Ambiente lançou para consulta pública no dia 14 deste mês de Setembro o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (2011-2013). O período de consulta é de 45 dias e espera-se que a sociedade brasileira organizada contribua com sugestões para aperfeiçoar o documento que deverá orientar nos próximos três anos - portanto no curto prazo - um conjunto de ações que pretendem mobilizar o País para uma importante mudança de cultura.
O tema da produção e consumo sustentáveis ganha a cada dia maior relevância no cenário nacional e internacional. Iniciativas consideráveis podem ser observadas nos últimos 10 anos tanto por parte do setor público quanto do setor privado que buscam praticar uma economia mais limpa, observando critérios de conservação ambiental, e de diminuição dos Gases de Efeito Estufa (GEE). Se de um lado aumenta o arcabouço legal que multiplica os mecanismos de comando e controle por parte do Estado, que levam à conformidade ambiental cada vez mais exigente, de outro proliferam os chamados mecanismos voluntários, adotados por empresas e instituições privadas, como os relatórios de sustentabilidade sob égide do Global Report Initiative (GRI) e do Greenhouse Protocol.
Sem uma produção mais limpa (com o menor impacto ambiental e social negativo possível) e um consumo mais responsável (com a consciência do impacto gerado pelas escolhas pessoais e institucionais), é impossível progredir rumo a uma economia de baixo carbono, ou rumo à uma economia mais sustentável, como é o desejo de todos que entendem a gravidade da degradação ambiental e do aquecimento global.
Sem o esforço para alterar os atuais padrões de produção e consumo também não é realista almejar uma sociedade mais justa, pois a disputa por recursos naturais estratégicos pode levar ameaças concretas à paz, a tolerância entre etnias e povos. A mídia vem mostrando o crescimento de conflitos em torno do acesso à água, bem como ao petróleo em várias partes do mundo. No Brasil verifica-se um crescente açodamento entre desenvolvimentistas e conservacionistas, mostrando que uma agenda de convergência entre desenvolvimento e conservação dos recursos naturais é extremamente importante para prevenir uma guerra ideológica que não interessa a ninguém.
O Brasil vem tomando iniciativas robustas no campo legal, criando marcos regulatórios importantes como a Lei Nacional de Recursos Hídricos (1998), do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC - 2002), da estruturação do próprio Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), da Política Nacional de Educação Ambiental, e outras, que buscam oferecer parâmetros e amparo jurídico para novos e mais ousados passos.
Mais recentemente, o Plano Nacional do Clima (PNMC) de 2008 e a Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 colocaram mais dois importantes pilares no conjunto de políticas públicas brasileiras que visam orientar cada vez mais a nossa economia e a nossa sociedade no caminho do desenvolvimento sustentável. Diminuir a emissão dos GEE e tratar adequadamente os resíduos gerados em todo o ciclo de manufatura de bens e serviços são, sem dúvida nenhuma, pontos de partida essenciais para se forjar uma “Green Economy”, ou uma economia orientada por uma modernização ecológica como querem alguns teóricos que analisam este importante momento da história humana - quando começamos a realizar a transição de um capitalismo intensivo em recursos naturais para um capitalismo intensivo em conhecimento e tecnologia.
O Plano ora colocado para a apreciação da sociedade brasileira, além de cumprir importante acordo que o Brasil assumiu junto às Nações Unidas - em 2007 (aderindo ao assim chamado processo de Marraquech), significa também uma decisiva sinalização por parte do governo brasileiro sobre a qualidade do crescimento que se deseja incrementar nos próximos anos. O promissor cenário de crescimento sustentado com taxas entre 5 e 7% ao ano pode vir a ser catastrófico se certas medidas não forem tomadas para lidar com os efeitos colaterais do desenvolvimento. Ninguém deseja que o padrão de engarrafamento do trânsito da cidade de São Paulo seja universalizado para o restante das cidades brasileiras. Ninguém deseja que o poder recém-adquirido pelas classes médias urbanas - especialmente a C, D e E - se torne uma avassaladora geração de resíduos que vão parar em rios, córregos e mares.
O Plano de Produção e Consumo Sustentáveis é uma agenda positiva, pois articula ações e idéias, muitas já em curso, absolutamente concretas e verificáveis, que buscam um melhoramento da sociedade. Também aponta para modelos de relacionamento entre os atores sociais, mais colaborativos e consensuais. Em estreita consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos - cuja regulamentação sairá em poucas semanas - o Plano conceitualmente trata da responsabilidade compartilhada e enfatiza a necessidade do engajamento dos consumidores e da estruturação de uma verdadeira cidadania ambiental.
O Plano apresenta um leque de seis prioridades, entre muitas que caberiam no escopo de um conjunto de ações direcionadas às mudanças de padrão tanto na produção quanto no consumo. São elas: aumento da reciclagem; educação para o consumo responsável; agenda ambiental na administração pública, compras públicas sustentáveis, construções sustentáveis, e varejo sustentável.
Ao selecionar tais prioridades buscamos privilegiar ações convergentes com os objetivos centrais do Plano, e que contem com responsabilidades e recursos definidos. Também consideramos o momento atual e a capacidade de implementação dos diversos atores envolvidos. Para as temáticas - igualmente importantes, mas ainda não maduras o suficiente para serem inseridas como prioridade - apontamos outros mecanismos, para incluí-las mais à frente.
Em essência, não é um plano governamental ou do Ministério do Meio Ambiente, uma vez que não se estrutura somente em ações governamentais. É um plano que abriga e agrega também ações importantes do setor produtivo e da sociedade civil, valorizando esforços que tem por base o bem público, o princípio da parceria e da responsabilidade compartilhada.
Como já mencionei, a recente sanção pelo Presidente da Política Nacional dos Resíduos Sólidos anima e fortalece o atual Plano. Ela fornecerá em muitos aspectos, as definições conceituais e os instrumentos legais, assim como o delineamento de incentivos pára que o Plano ganhe adesão e maior consistência.
O Plano de Produção e Consumo Sustentáveis, em muitas dimensões contribui para o debate das cidades sustentáveis ao tornar o tema da reciclagem e da disposição final do lixo um tema central, mas com soluções de curto e médio prazo.Também contribui com o incentivo ao retrofit (reformas ou modernização das edificações) e às construções com critérios ambientais.
A meta de aumentar significativamente a reciclagem resultará em duplo benefício para a sociedade: de um lado, diminuirá a quantidade de impactos ambientais - de resíduos a serem descartados - e de outro, instituirá um novo segmento econômico que tem tudo para crescer e para incluir; como é o caso dos catadores e das cooperativas que ganharão extraordinário impulso nesse ciclo. Mas esse movimento não será possível sem o engajamento do consumidor, portanto da população, e aí temos todo um campo de atuação para fazer avançar a informação qualificada sobre produtos, bens e serviços e ajudar os cidadãos a fazerem escolhas mais inteligentes nos seus hábitos e padrões de compra. Mas não estamos falando somente dos indivíduos, as instituições públicas e privadas também são consumidores, também compram bens e serviços e podem exercer um notável papel indutor no mercado, acelerando o processo de ampliação da oferta de bens e serviços mais sustentáveis.
Como Ministra de Estado, e em última instância responsável por mais esse esforço do MMA e de seus parceiros, só tenho a solicitar de todos os atores que desejem se somar a nós, nesta empreitada, que o façam usando seus melhores recursos de inteligência e generosidade.
As propostas que o Plano contempla, e que deverão ser aperfeiçoadas no processo de consulta, são um convite ao aproveitamento e à otimização de uma série de iniciativas, algumas voluntárias outras estimuladas, que já estão sendo praticadas e fazendo a diferença. É também uma convocação no sentido de engajar mais fortemente setores que estão apenas iniciando seus movimentos em prol da sustentabilidade. Finalmente, o Plano é, sobretudo, o descortinamento da possibilidade, aqui e agora, de darmos respostas positivas aos desafios que a dramaticidade do momento nos solicita e que o otimismo que as expectativas de desenvolvimento do nosso País requerem. Mãos à obra, portanto!
Serviço:
Consulta Pública do Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis: www.mma.gov.br/ppcs
Endereço eletrônico institucional: ppcs@mma.gov.br
*Izabella Teixeira é Ministra do Ministério do Meio Ambiente
**ECO•21 agradece a gentileza de Samyra Crespo, Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA
Fonte: Envolverde/ECO 21
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Oded Grajew comenta: “Cetesb começa a adotar padrão da OMS ainda este ano”
Por isso, não é exagero afirmar que, aqui na capital, respirar é morrer aos poucos. Como não é possível deixar de respirar, a sociedade civil, por meio do Movimento Nossa São Paulo, organizou um abaixo-assinado, pedindo a mudança já nos padrões de medição da qualidade do ar.
Na quarta-feira da semana passada, representantes do Movimento entregaram o documento ao presidente da companhia, Fernando Rey. E saíram de lá com o compromisso de ainda este ano iniciar-se a adoção dos padrões da OMS (mais rígidos), de medir a qualidade do ar. Em três anos, esta nova medição deve estar totalmente instituída.
Muitas pessoas podem se perguntar por que insistimos tanto em assuntos como este. É simples: porque poluição mata. O Laboratório de Poluição Atmosférica da USP calcula que seis pessoas morram por dia, na capital paulista, em decorrência de doenças causadas pela poluição; elas vão desde problemas respiratórios até alergias, dermatites e câncer. Outras centenas de milhares tornam-se incapacitadas de trabalhar e de ter vida ativa por estes mesmos males. Portanto, a poluição traz prejuízos às pessoas e às finanças públicas. O mesmo laboratório da USP calcula em 82 milhões de reais por ano os gastos com internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na região metropolitana de São Paulo, por problemas respiratórios.
Portanto, poluição é questão de saúde pública que só se resolve se forem adotadas medidas para diminuí-la e até zerá-la. Critérios rígidos de medição ajudam a salvar vidas.
Confira abaixo os limites máximos de concentração de poluentes no ar utilizados como padrão pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e os da Cetesb (estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente-Conama):
- Concentração anual de material particulado (poeira mais fina que penetra nos pulmões): OMS - 20 microgramas por metro cúbico; Cetesb - 50 microgramas por metro cúbico;
- Ozônio: OMS - 100 microgramas por metro cúbico; Cetesb - 160;
- Poeira: OMS - 50; Cetesb - 150;
- Fumaça: OMS - 50; Cetesb - 150;
- Poeira fina: OMS - 25; Cetesb - não tem;
- Monóxido de carbono: OMS e Cetesb - 9;
Conhecendo a situação real da qualidade do ar na cidade, os paulistanos vão entender que não é mais possível conviver com tantos milhões de carros particulares nas ruas. Pois é a fumaça dos automóveis que torna o ato de respirar quase um suicídio em nossa cidade.
Precisamos aceitar o fato de que só com menos carros nas ruas – e, mesmo assim, carros menos poluentes – é que diminuiremos a poluição em São Paulo. É urgente adotar-se transporte público de boa qualidade e acessível a todos, bem como a inspeção veicular.