Um estudo elaborado pela Eletrobrás pode contribuir decisivamente para impulsionar o uso de energia eólica no Brasil. Sua aplicação sempre foi considerada “cara”, mas o levantamento prova o contrário: a energia eólica é mais barata que as usinas térmicas a gás e a diesel.
O investimento inicial é alto, mas bastam dez dias para ele começar a ser mais compensador do que o investimento feito em energia térmica. E o estudo ainda demonstra que a geração de energia eólica precisa de dois meses para ficar mais barata do que aquela gerada por outras fontes.
Será que esta constatação feita pela própria Eletrobrás vai finalmente incentivar a elaboração de um plano de longo prazo para utilização em larga escala da energia eólica?
Atualmente, ela representa menos de 1% da matriz energética nacional, com potência instalada de 547 megawatts / ano. As usinas localizam-se principalmente no Nordeste e no sul do país, locais onde o regime de ventos é mais propício a este tipo de atividade. Até o final de 2010, estima-se que o potencial instalado chega a 1300 megawatts /ano. A capacidade instalada no Brasil hoje é de pouco mais de 100 mil megawatts e vai chegar a 130 mil megawatts em 2013.
A hidreletricidade representa, hoje, com 80% da matriz energética. Os restantes 20% estão divididos entre usinas térmicas a carvão, diesel e gás, (12%), pequenas centrais e fontes alternativas (8%).
Antes da divulgação deste estudo, previa-se para 2013, o crescimento das térmicas tradicionais de 12 para 21% na participação da matriz; e de 4,5% das pequenas centrais – cuja geração virá da biomassa. As hidrelétricas tradicionais deverão recuar sua participação para 69% e a energia eólica deverá manter seu percentual de participação em torno de 1%.
Estes dados são preocupantes porque mostra uma tendência de “sujar” a matriz energética, justamente num momento em que é preciso investir alto em fontes que nos levem a uma economia de baixo carbono. Se as usinas têm baixo custo de instalação, sua manutenção é cara e tende a se tornar cada vez mais cara, porque será preciso controlar as emissões de poluentes. Por sua vez, como mostra o estudo da Eletrobrás, a energia eólica é uma alternativa competitiva e que, até o momento, não está sendo considerada com o devido cuidado.
Se todo o potencial eólico brasileiro fosse convertido em energia, teríamos a geração de 272 terawatts / hora por ano (1 terawatt = 1 trilhão de watts), ou a metade do nosso consumo anual.
E mais (como somos um país de sorte!): nossos períodos de seca, quando os reservatórios estão baixos, coincidem com as épocas que os melhores ventos sopram por aqui. Assim, se tivéssemos usinas eólicas instaladas, poderíamos usá-las, em vez de queimar combustível e sujar o meio ambiente, com as térmicas (a opção disponível para estas ocasiões).
Agora que já se sabe que o custo não é impeditivo, tomara que os governos adotem programas de incentivo à ampliação da capacidade instalada da energia eólica, visando desde a pesquisa tecnológica até a formação de profissionais e o engajamento de empreendedores no setor.
Comentário feito por Ricardo Young em 9 de setembro de 2009, no programa CBN Total, transmitido pela rádio CBN FM às segundas, quartas e sextas-feiras, às 15 horas. Clique aqui para ouvir.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Estará chegando o tempo da energia eólica no Brasil?
Empresa informal e sustentabilidade
Para cada empresa formal no país, existem duas informais, de acordo com o SEBRAE Nacional. Este dado não revela totalmente a extensão de um problema que perdura e de cuja solução depende, inclusive, a sustentabilidade dos negócios, da economia e da sociedade. A informalidade precisa acabar se quisermos um país mais justo e solidário de fato.
O poder público pode acabar com a informalidade – e, ao fazê-lo, aumentar a arrecadação para, quem sabe, diminuir a carga tributária individual neste país. E as empresas formais também, principalmente aquelas engajadas no movimento da responsabilidade social empresarial. Mas o problema é maior do que a economia de países como o Egito e a Colômbia. Vamos por partes.
Empresa informal é a quase totalidade das micro e pequenas empresas brasileiras. De acordo com o levantamento do IBGE denominado Ecinf – Economia Informal Urbana), existem 10,5 milhões de PMEs no Brasil, das quais 98% (ou 10,3 milhões) encontram-se na informalidade. O SEBRAE considera informal a empresa que não tem contabilidade própria. Pode até possuir CNPJ, mas se as contas do negócio não estão separadas das contas da família, não é empresa formal.
Os setores onde mais atuam são comércio e reparação (33%), construção civil (17%) e indústria de transformação e extrativa (16%). Trata-se de um universo composto por vendedores, costureiras, pintores, encanadores e todos os tipos de profissionais sem definição específica que geram 25% das contratações urbanas e uma produção cujo valor, em 2006, de acordo com a FGV, atingiu 600 bilhões de reais. Este montante gerou riquezas equivalentes a um PIB de 248 bilhões de dólares. Pelo dólar médio de 2006, isto equivale a um PIB de 102 bilhões de dólares, maior do que toda a economia do Egito e da Colômbia. A renda média do empresário informal é de R$ 1042,00 reais.
Esta economia precisa deixar a sombra e entrar nas estatísticas oficiais.
A formalidade incentiva a modernização da gestão, a transparência nos negócios e o trabalho decente em toda a cadeia produtiva. As grandes empresas podem contribuir para que isto ocorra com mais agilidade. Durante o Programa Tear, por exemplo, uma das maneiras encontradas por empresas da cadeia produtiva da Vale, por exemplo, foi comprar antecipadamente serviços de fornecedores informais para garantir os recursos necessários às despesas da formalização. Com isso, estas empresas, antes informais, puderam ampliar seus negócios. Ainda existem entraves burocráticos, mas a Lei Complementar 123/06, que criou o Empreendedor Individual, vem ampliando a adesão dos microeempreendedores aos negócios formais. Por esta medida, trabalhadores com renda média anual até 36 mil reais / ano que atuam em pequenos negócios informais - como pipoqueiros, cabeleireiros, manicures e camelôs - podem se filiar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contribuindo com uma alíquota de 11% sobre o salário mínimo. Em troca da contribuição, esses trabalhadores terão direito aos benefícios previdenciários - como auxílios, pensão por morte, salário-maternidade e aposentadoria por idade ou por invalidez - excetuando a aposentadoria por tempo de contribuição. A lei também permite aos microempreendedores com atividades ligadas à indústria e comércio ter isenção dos impostos federais e, a título de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), haverá também uma cobrança reduzida. Para os microempreendedores prestadores de serviço, também haverá isenção dos tributos federais, mas caberá a cada prefeitura decidir sobre a isenção do ISS.
Comentário feito por Sérgio Mindlin, em 4 de setembro de 2009, no boletim Responsabilidade Social do programa CBN Total, transmitido pela rádio CBN FM às segundas, quartas e sextas-feiras, às 15 horas. Clique aqui para ouvir.
Desmatamento na Amazônia diminuiu em julho?
As manchetes dos principais jornais de hoje trazem a notícia de que o desmate da floresta amazônica caiu ao menor nível desde o início de sua medição, em 2004, pelo método mais rápido, em áreas acima de 6.5 hectares, via satélite em tempo real. Mesmo assim, o abate de árvores registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE equivale à extensão da cidade de Campinas. Há o que comemorar e o que criticar.
A comemoração vai para os compromissos públicos assumidos pelas empresas para deter o desmatamento. Como destaque, vale mencionar os pactos da soja e da carne, na iniciativa Conexões Sustentáveis, nos quais as empresas-âncora dessas cadeias produtivas não compram produtos oriundos de áreas de desmate.
Outras iniciativas que também estão surtindo efeito positivo são a Moratória da Soja, em que os grandes compradores mundiais de grãos comprometem-se a não comprar o grão cujo plantio seja feito em zonas do arco do desmatamento, e o Grupo de Trabalho pela Pecuária Sustentável, uma mesa-redonda que reúne todos os integrantes da cadeia da carne para discutir como adaptar o negócio da pecuária ao parâmetros da sustentabilidade.
Ao contrário da maioria, no entanto, encaminho minhas críticas não às obras dos governos federal e estaduais – que têm seu papel no desastre, claro – mas ao Executivo e ao Parlamento que aprovaram a MP 458 (“da Grilagem”).
Pelo relatório do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon, as cidades críticas na derrubada da floresta são justamente aquelas que integram o chamado “arco do desmatamento” e que, até a aprovação da MP 458, tinham suas atividades estritamente vigiadas pelos fiscais do IBAMA, por agentes da Polícia Federal e até de unidades do Exército. Com a entrada em vigência da lei, houve afrouxamento do controle estatal e um surto de grilagem para obter a regularização fundiária.
Se o mecanismo de REDD – Redução de Emissões pelo Desmatamento e Degradação já estivesse operando, é bem possível que a Amazônia e nós todos já estivéssemos livres da motosserra. Por este mecanismo, que será discutido em Copenhague, na reunião do clima, no final do ano, os países com largas extensões de florestas tropicais poderão receber um fluxo contínuo de recursos de mais de 30 bilhões de dólares para preservá-las. Os recursos podem, por exemplo, virar um tipo de “bolsa-floresta” pago às comunidades que não desmatarem. Porque, é preciso dizer, as árvores são cortadas por quem mais precisa delas – as comunidades locais. E elas realizam esta atividade por necessidade extrema de sobrevivência. Interessante notar que as áreas recém-desmatadas apresentam frenética atividade econômica. A partir do momento que a madeira se esgota, a miséria de sempre volta. O desmatamento produz uma falsa noção de riqueza para os moradores locais, que vai embora bem rápido, junto com os verdadeiros agentes que lucram com a atividade.
O futuro da floresta está ameaçado, a menos que a sociedade brasileira conscientize-se e lance mobilização por um projeto consistente de desenvolvimento sustentável que inclua o desmatamento zero não como utopia, mas como motor do crescimento econômico com equilíbrio ambiental e justiça social.
Comentário feito por Ricardo Young em 2 de setembro de 2009, no boletim Responsabilidade Social, que vai ao ar no programa CBN Total, transmitido pela rádio CBN FM às segundas, quartas e sextas, às 15hs. Clique aqui para ouvir.
Incineração de lixo gera energia elétrica e negócios
Um dos problemas ambientais mais sérios de qualquer cidade, no Brasil e no mundo, é a poluição por resíduos sólidos, ou lixo. Na capital paulista, por exemplo, os caminhões de coleta recolhem 10 mil toneladas de lixo diariamente, que vão aterros já saturados e distantes do centro. Distância e quantidade de lixo a recolher vem tornando a atividade um desafio logístico para as empresas. Uma solução já adotada em algumas cidades do mundo pode ser a construção de usinas de energia elétrica gerada pela queima deste lixo.
A incineração de lixo sempre foi proibida por causa do carbono que despejava no ambiente. Hoje, graças a uma moderna técnica – o plasma térmico -, este calor não virá fumaça, pelo contrário, pode ser utilizado para movimentar turbinas de usinas de energia elétrica. A cidade de Ottawa, no Canadá, está construindo um equipamento assim. A instalação será capaz de transformar 400 toneladas de lixo em 21 megawatts de energia, suficientes para suprir uma cidade de 20 mil habitantes. Em vez de fogo, usam-se tochas de plasma ultraquente que transformam o lixo num gás que impulsiona as turbinas geradoras de eletricidade, e resíduos sólidos que são utilizados na indústria de cimento ou para pavimentar vias públicas. O investimento necessário para uma usina assim está calculado em torno de 125 milhões de dólares (ou pouco menos de 300 milhões de reais).
É um procedimento, portanto, que não tem nada a ver com o aproveitamento do gás metano, gerado pelo lixo depositado nos aterros. Por este novo sistema, não haverá mais aterros e sim usinas de eletricidade. Os resíduos coletados passarão por uma triagem para separação dos materiais recicláveis. Aqueles não-recicláveis serão incinerados para gerar energia elétrica.
A adoção deste sistema no Brasil é mais do que uma alternativa. É uma necessidade. Metrópoles como São Paulo já não têm mais áreas disponíveis para aterros sanitários. A capital paulista produz 10 mil toneladas de lixo diariamente que são levados para terrenos cada vez mais distantes, encarecendo o processo. No litoral paulista, por exemplo, durante a temporada de verão, o lixo precisa subir a serra para ser depositado em um dos aterros da região metropolitana.
O Brasil domina a tecnologia do plasma térmico para outras finalidades que não a geração de energia elétrica. O principal avanço obtido nos países onde se emprega este método é obter o gás que vai impulsionar as turbinas a temperaturas inferiores a mil graus centigrados.
Incentivos fiscais e investimentos privados podem acabar com esta defasagem tecnológica.
A adoção da incineração vai exigir, no entanto, um árduo trabalho de articulação entre as partes interessadas, incluindo a área pública. Isto porque, no papel, incinerar lixo ainda é mais caro do que recolher e dispor em aterros. Hoje, a prefeitura de São Paulo, para dar um exemplo, paga 40 reais por tonelada de lixo recolhido e disposto em aterro. Para haver a incineração, seriam necessários 200 reais por tonelada. A falta de terrenos para aterro tende a tornar viável a incineração com geração de energia.
Mas, uma conversa em as distribuidoras de energia, as empresas coletoras de lixo, a sociedade e os órgãos públicos pode resolver os impasses. Uma das primeiras medidas que as empresas de engenharia e construção – que dominam a área de resíduos sólidos –demandam a criação de um regime tributário especial para a incineração. Também pretendem agilizar a tramitação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (cujo gargalo, vale ressaltar, é a questão da co-responsabilidade da cadeia produtiva na geração e destinação do resíduo).
Comentário feito por Ricardo Young no programa CBN Total de 31 de agosto de 2009. Clique aqui para ouvir.
Fórum de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência
Sérgio Mindlin comenta a importância da constituição de um fórum de empregabilidade da pessoa com deficiência. A proposta foi discutida em evento realizado na sede da Serasa Experian, em São Paulo, e aguarda a adesão de mais empresas.
Foi realizado hoje, num evento na Serasa Experian, o primeiro encontro entre empresas, sociedade civil e governo para criar o Fórum de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, uma iniciativa da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, da Serasa Experian e do Instituto Ethos. O objetivo é reunir num mesmo espaço de debate os três setores da sociedade – empresas, governos e ONGs – para discutir as possíveis soluções para a inclusão dos deficientes no mundo do trabalho.
A Lei 8213/91 que estabeleceu as cotas para deficientes contribuiu ao menos para pôr na pauta do empresariado a questão da inclusão das pessoas com deficiência. Mas ela ainda não produziu efeitos práticos na sociedade. Os deficientes continuam sem oportunidades no mercado de trabalho. A última versão (2007) do Perfil Social Racial e de Gênero mostra um retrocesso entre 2003 e 2007 nos cargos ocupados por deficientes.
Em 2003, havia 3,5% de deficientes em cargos de média e alta gerência. Em 2007, este número caíra para 2%. Como as soluções dependem de um esforço conjunto de toda a sociedade, o Fórum anunciado hoje pode se constituir no impulsionador desta mudança significativa no mundo do trabalho no Brasil.
Por isso, é importante participar já das próximas etapas de construção deste fórum. Para isso, basta enviar um email para programa.empregabilidade@br.experian.com
Este tema foi comentado no programa CBN Total de 11 de setembro de 2009. Clique aqui para ouvir.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Construção sustentável avança no Brasil
O Sustainable Buildings & Construction Iniciative e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com a Universidade da Europa Central (CEU) realizou um levantamento mundial de dados sobre políticas públicas, apresentando soluções ecoeficientes para o setor de construção civil, principalmente no campo da eficiência energética.
Este levantamento foi traduzido e lançado no Brasil, no último dia 24 de agosto, durante o Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, em São Paulo, sob o título Avaliação de Políticas Públicas para a Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa em Edificações.
Conheça aqui exemplos de políticas que estão sendo realizadas no Brasil e saiba mais sobre alguns de seus resultados.
O levantamento verificou que as maiores oportunidades de redução de emissões nas edificações se encontram em medidas de eficiência energética. Por isso, fez uma lista de ações, divididas em quatro grandes estratégias e vinte políticas, que devem ser adotadas na operação de edifícios. Segundo o relatório do IPCC de 2007, os edifícios são responsáveis por 30% das emissões dos gases-estufa; a indústria de cimento é responsável por 12% das emissões. Se não houver um controle de emissões das edificações, não será possível reduzir o carbono na atmosfera.
No que diz respeito ao Brasil, algumas estratégias de redução apontadas pelo relatório já são utilizadas em edifícios comerciais, de serviços e públicos, com o apoio do Estado, quando é o caso.
Por exemplo: de acordo com esta publicação, uma das estratégias para melhorar a eficiência energética é a concessão pelo governo de subsídios, subvenções e descontos para a reforma de edifícios públicos. No Brasil, o Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica concede verbas a companhias de utilidades públicas estaduais e municipais, agências governamentais, empresas privadas, universidades e institutos de pesquisa que executem reformas visando eficiência energética. Entre 1986 (ano em que o Procel foi criado e teve início o subsídio) até 1998, houve economia cumulativa de 5,3 TWh em consumo de energia e de 169ktCO2 de redução de emissões.
Entre as políticas mencionadas pelo relatório, está a criação de normas para eletrodomésticos e a regulamentação de compras. No primeiro caso, de novo o Procel tem resultados a apresentar. Desde 1993, instituiu o selo Procel de Economia de Energia que é dado a eletrodomésticos, lâmpadas, motores, reatores, aquecimento solar, ventiladores de teto e lâmpadas de vapor de sódio. O selo é um prêmio entregue aos fabricantes destes produtos que atendem as normas de eficiências estabelecidas pela Eletrobrás. Para merecer o selo, os produtos são testados em ensaios por laboratório indicados pelo próprio Procel. O resultado é anunciado numa cerimônia todo final de ano e as empresas com melhores resultados ganham o selo. Em quinze anos de existência, o selo induziu processos e produtos que permitiram economia de energia equivalente às usinas de Jirau e Santo Antônio, segundo o Ministério das Minas e Energia.
Outra política mencionada pelo relatório é a etiquetagem ou certificação voluntária das edificações. O Brasil tem o Procel Edifica, um programa que busca incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação etc.) nas edificações novas, reduzindo os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente. Até 2012, a adesão é voluntária. A partir de então, a etiqueta será obrigatória.
Há cinco edifícios com a etiqueta no Procel Edifica no Brasil: Fatenp – Faculdade de Tecnologia de Nova Palhoça (em Palhoça /SC); Cetragua – Centro de Tecnologias Sociais para a Gestão da Água (em Florianópolis /SC); sede da Caixa em Belém; Agência da Caixa em Curitiba; Centro Tecnológico do Carvão Limpo
Esta é o tema de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no dia 28 de agosto.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Dia de Ação pelo Clima 29/08
Será no próximo dia 29 a mobilização do Dia de Ação pelo Clima: 100 dias até Copenhague
Confira aqui as cidades que já tem atividades
programadas e saiba como participar!
Belo Horizonte: Praça da Savassi. Horário: 10 às 12hs – Relógio: a conferir. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Brasília: Parque da Cidade. 10 às 13hs. Organização: Greenpeace
Fortaleza: Praça Tibúrcio Cavalcante. Horário: 8hs30-13hs. Atividades: Teatro de bonecos, exibição de filmes, pintura de painéis sobre o clima e oficinas temáticas. Caminhada ecológica, saindo do Parque das Crianças (Rua Visconde de Rio Branco, s/n), às 8hs, até a Praça dos Leões. Organização: Juventude Alternativa Terrazul e Campanha TicTacTicTac
Manaus: Praça da Polícia (Praça Heliodoro Balbi / Palacete Provincial, s/n – Centro). Horário: 17 às 19hs. Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Porto Alegre: Usina do Gasômetro. Horário: 15 às 17hs – Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Recife: Pracinha da Boa Viagem. Horário: 9 às 12hs. Organização: Greenpeace.
Rio de Janeiro: Praia de Copacabana (em frente ao Copacabana Palace). Horário: 17 às 19hs – Relógio: a conferir. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Salvador: Farol da Barra. Horário. 15 às 18hs - Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
São Paulo: Parque do Ibirapuera, próx. Portão 10. Horário: 13 às 15hs – Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Teresina: Av. Principal do Centro da Cidade. Horário: pela manhã. Organização: Rede Ambiental do Piauí e Campanha TicTacTicTac
Mais informações: www.tictactictac.org.br
Exigências ambientais como incentivo a inovações
Post enviado por Cristina Spera
26 de agosto de 2009
São Paulo - SP
Pode a legislação ambiental cada vez mais restritiva incentivar a criatividade e o empreendedorismo?
Sim e as grandes construtoras brasileiras, que já exportam seus serviços para muitos países, sabem disso.
No seminário realizado ontem, no WTC, “Brasil e as mudanças climáticas: oportunidades para uma economia de baixo carbono”, Otávio Marques de Azevedo, diretor-presidente da Andrade Gutierrez, comentou o exemplo da própria empresa que dirige. Responsável pela construção das grandes hidrelétricas do país e de obras de infra-estrutura aqui e lá fora, a AG foi adaptando seus métodos, processos e serviços às exigências ambientais cada vez mais restritivas. A preocupação atual com o baixo impacto é generalizada, em contraste com os anos 70, por exemplo, quando a questão era apenas crescer. Neste período, a Andrade Gutierrez participou do consórcio que ergueu a hidrelétrica de Tucuruí, cujo lago é hoje considerado uma verdadeira bomba emissora de gás metano. Em contraste, a empresa hoje está construindo, em parceria com a Carioca Christiani Nielsen, o gasoduto Coari-Anamã, um trecho de 196 km que atravessa oito municípios do estado do Amazonas, passa por floresta fechada e rios de até 60 m de profundidade, em áreas onde chove muito e, por isso, o solo é saturado, dificultando a locomoção. As obras, iniciadas em 2006, precisaram atender também ao quesito de baixo impacto ambiental. Por isso, este gasoduto – que tem outros três trechos construídos por outros consórcios – já é considerado um marco na engenharia brasileira.
Esta obra monumental vem exigindo superação e criatividade dos profissionais envolvidos. O trecho é constituído por uma linha-tronco de 196 km e 20 polegadas de diâmetro, com mais 75 km de ramais de 10 polegadas de diâmetro. Estes dutos foram construídos em áreas pantanosas de grandes inundações e dificuldades climáticas, em meio à floresta densa que precisava manter-se intocada. Em um trecho do caminho, foi preciso atravessar o rio Solimões, por baixo, com largura entre as margens de quase 2km.
Os métodos tradicionais de engenharia e de logística não dariam conta dos desafios. Por isso, a Andrade Gutierrez inovou. Usou GPS para realizar as perfurações nos lugares exatos, importou e adaptou equipamento de perfuração com baixo impacto, transportou tubos por helicópteros e levou estruturas pré-montadas em balsas para armazenar o material (de modo que, depois da obra, pudessem ser recolhidas, sem deixar resíduos na floresta).
O licenciamento ambiental foi obtido por meio de estudos elaborados pela Universidade Federal do Amazonas que, para redigir o documento final, realizou audiências públicas em todos os municípios do traçado do gasoduto, com mais de três mil participantes. Por causa do licenciamento, foram estabelecidos os ramais secundários para a entrega do gás em todos os oito municípios (não previstos no projeto original) e um programa de compensações socioambientais que está melhorando a vida de 135 comunidades e dos moradores das cidades cortadas pelo gasoduto. Por isso, este licenciamento tornou-se referência internacional para este tipo de obra.
Para aqueles que ainda vêem a legislação ambiental como “obstáculo”, este é um exemplo de que ela promove inovação.
Esta é o tema de Sério Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 26 de agosto.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Empresas brasileiras assumem compromisso de reduzir emissões
Post enviado por Cristina Spera
São Paulo - SP
24 de agosto de 2009
A pouco menos de 100 dias da reunião do COP-15 em Copenhague, empresas brasileiras lançam amanhã uma carta aberta ao Brasil na qual assumem publicamente o compromisso de reduzir suas emissões. A carta também traz uma série de sugestões para influenciar a posição do governo brasileiro na 15ª Conferência das Partes.
O documento será entregue ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e ao negociador-chefe da delegação brasileira em Copenhague, Luiz Alberto Figueiredo Machado, no seminário Brasil e as Mudanças Climáticas – Oportunidades para uma economia de baixo carbono, que será realizado amanhã pela manhã, no WTC. Entre outros pontos, o documento ressalta a importância da criação de mecanismo de incentivo para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD), incluindo a conservação e o manejo florestal sustentável. Com isso, é possível criar valor econômico para a floresta em pé, ou para o desmatamento evitado.
No entanto, mais do que manter a floresta em pé, o Brasil precisa se desenvolver e melhorar saúde, educação e emprego para todos os brasileiros. O REDD pode colaborar com estas metas? Ao assumir metas voluntárias de redução, as empresas brasileiras assumem protagonismo na construção do desenvolvimento sustentável? O que você recomendaria ao governo brasileiro para a reunião de Copenhague?
Ouça o comentário de Sérgio Mindlin às 15h, no boletim Responsabilidade Social da rádio CBN e escreva aqui o seu comentário.
Futebol e sustentabilidade
Mensagem enviada por Cristina Spera
São Paulo - SP
21 de agosto de 2009
O Coritiba completa seu centenário em 2009 e, como uma das comemorações, organizou o “jogo verde” contra o Palmeiras, no último dia 19 de agosto, no estádio Couto Pereira.
Por que verde?
Porque, com a parceria de uma consultoria ambiental, realizou um inventário das emissões da partida, levando em conta o deslocamento na cidade das torcidas, times e árbitros, hospedagem e viagens das delegações de fora, consumo de energia e água no estádio, produção de lixo orgânico e de resíduos sólidos e até queima de fogos de artifício. No total, foram 30 toneladas que foram compensadas pelo plantio de 30 árvores.
Esta atitude foi mero marketing ou alguns times de futebol no Brasil também vão puxar uma mudança cultural rumo à sustentabilidade? Aliás, a gestão responsável dos clubes pode acabar com a violência no futebol? As torcidas podem ter papel positivo na sociedade?
Esta é o tema de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 21 de agosto.
Se você quiser ouvir a íntegra deste comentário, clique aqui.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.