Um dos problemas ambientais mais sérios de qualquer cidade, no Brasil e no mundo, é a poluição por resíduos sólidos, ou lixo. Na capital paulista, por exemplo, os caminhões de coleta recolhem 10 mil toneladas de lixo diariamente, que vão aterros já saturados e distantes do centro. Distância e quantidade de lixo a recolher vem tornando a atividade um desafio logístico para as empresas. Uma solução já adotada em algumas cidades do mundo pode ser a construção de usinas de energia elétrica gerada pela queima deste lixo.
A incineração de lixo sempre foi proibida por causa do carbono que despejava no ambiente. Hoje, graças a uma moderna técnica – o plasma térmico -, este calor não virá fumaça, pelo contrário, pode ser utilizado para movimentar turbinas de usinas de energia elétrica. A cidade de Ottawa, no Canadá, está construindo um equipamento assim. A instalação será capaz de transformar 400 toneladas de lixo em 21 megawatts de energia, suficientes para suprir uma cidade de 20 mil habitantes. Em vez de fogo, usam-se tochas de plasma ultraquente que transformam o lixo num gás que impulsiona as turbinas geradoras de eletricidade, e resíduos sólidos que são utilizados na indústria de cimento ou para pavimentar vias públicas. O investimento necessário para uma usina assim está calculado em torno de 125 milhões de dólares (ou pouco menos de 300 milhões de reais).
É um procedimento, portanto, que não tem nada a ver com o aproveitamento do gás metano, gerado pelo lixo depositado nos aterros. Por este novo sistema, não haverá mais aterros e sim usinas de eletricidade. Os resíduos coletados passarão por uma triagem para separação dos materiais recicláveis. Aqueles não-recicláveis serão incinerados para gerar energia elétrica.
A adoção deste sistema no Brasil é mais do que uma alternativa. É uma necessidade. Metrópoles como São Paulo já não têm mais áreas disponíveis para aterros sanitários. A capital paulista produz 10 mil toneladas de lixo diariamente que são levados para terrenos cada vez mais distantes, encarecendo o processo. No litoral paulista, por exemplo, durante a temporada de verão, o lixo precisa subir a serra para ser depositado em um dos aterros da região metropolitana.
O Brasil domina a tecnologia do plasma térmico para outras finalidades que não a geração de energia elétrica. O principal avanço obtido nos países onde se emprega este método é obter o gás que vai impulsionar as turbinas a temperaturas inferiores a mil graus centigrados.
Incentivos fiscais e investimentos privados podem acabar com esta defasagem tecnológica.
A adoção da incineração vai exigir, no entanto, um árduo trabalho de articulação entre as partes interessadas, incluindo a área pública. Isto porque, no papel, incinerar lixo ainda é mais caro do que recolher e dispor em aterros. Hoje, a prefeitura de São Paulo, para dar um exemplo, paga 40 reais por tonelada de lixo recolhido e disposto em aterro. Para haver a incineração, seriam necessários 200 reais por tonelada. A falta de terrenos para aterro tende a tornar viável a incineração com geração de energia.
Mas, uma conversa em as distribuidoras de energia, as empresas coletoras de lixo, a sociedade e os órgãos públicos pode resolver os impasses. Uma das primeiras medidas que as empresas de engenharia e construção – que dominam a área de resíduos sólidos –demandam a criação de um regime tributário especial para a incineração. Também pretendem agilizar a tramitação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (cujo gargalo, vale ressaltar, é a questão da co-responsabilidade da cadeia produtiva na geração e destinação do resíduo).
Comentário feito por Ricardo Young no programa CBN Total de 31 de agosto de 2009. Clique aqui para ouvir.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Incineração de lixo gera energia elétrica e negócios
Fórum de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência
Sérgio Mindlin comenta a importância da constituição de um fórum de empregabilidade da pessoa com deficiência. A proposta foi discutida em evento realizado na sede da Serasa Experian, em São Paulo, e aguarda a adesão de mais empresas.
Foi realizado hoje, num evento na Serasa Experian, o primeiro encontro entre empresas, sociedade civil e governo para criar o Fórum de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, uma iniciativa da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, da Serasa Experian e do Instituto Ethos. O objetivo é reunir num mesmo espaço de debate os três setores da sociedade – empresas, governos e ONGs – para discutir as possíveis soluções para a inclusão dos deficientes no mundo do trabalho.
A Lei 8213/91 que estabeleceu as cotas para deficientes contribuiu ao menos para pôr na pauta do empresariado a questão da inclusão das pessoas com deficiência. Mas ela ainda não produziu efeitos práticos na sociedade. Os deficientes continuam sem oportunidades no mercado de trabalho. A última versão (2007) do Perfil Social Racial e de Gênero mostra um retrocesso entre 2003 e 2007 nos cargos ocupados por deficientes.
Em 2003, havia 3,5% de deficientes em cargos de média e alta gerência. Em 2007, este número caíra para 2%. Como as soluções dependem de um esforço conjunto de toda a sociedade, o Fórum anunciado hoje pode se constituir no impulsionador desta mudança significativa no mundo do trabalho no Brasil.
Por isso, é importante participar já das próximas etapas de construção deste fórum. Para isso, basta enviar um email para programa.empregabilidade@br.experian.com
Este tema foi comentado no programa CBN Total de 11 de setembro de 2009. Clique aqui para ouvir.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Construção sustentável avança no Brasil
O Sustainable Buildings & Construction Iniciative e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com a Universidade da Europa Central (CEU) realizou um levantamento mundial de dados sobre políticas públicas, apresentando soluções ecoeficientes para o setor de construção civil, principalmente no campo da eficiência energética.
Este levantamento foi traduzido e lançado no Brasil, no último dia 24 de agosto, durante o Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, em São Paulo, sob o título Avaliação de Políticas Públicas para a Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa em Edificações.
Conheça aqui exemplos de políticas que estão sendo realizadas no Brasil e saiba mais sobre alguns de seus resultados.
O levantamento verificou que as maiores oportunidades de redução de emissões nas edificações se encontram em medidas de eficiência energética. Por isso, fez uma lista de ações, divididas em quatro grandes estratégias e vinte políticas, que devem ser adotadas na operação de edifícios. Segundo o relatório do IPCC de 2007, os edifícios são responsáveis por 30% das emissões dos gases-estufa; a indústria de cimento é responsável por 12% das emissões. Se não houver um controle de emissões das edificações, não será possível reduzir o carbono na atmosfera.
No que diz respeito ao Brasil, algumas estratégias de redução apontadas pelo relatório já são utilizadas em edifícios comerciais, de serviços e públicos, com o apoio do Estado, quando é o caso.
Por exemplo: de acordo com esta publicação, uma das estratégias para melhorar a eficiência energética é a concessão pelo governo de subsídios, subvenções e descontos para a reforma de edifícios públicos. No Brasil, o Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica concede verbas a companhias de utilidades públicas estaduais e municipais, agências governamentais, empresas privadas, universidades e institutos de pesquisa que executem reformas visando eficiência energética. Entre 1986 (ano em que o Procel foi criado e teve início o subsídio) até 1998, houve economia cumulativa de 5,3 TWh em consumo de energia e de 169ktCO2 de redução de emissões.
Entre as políticas mencionadas pelo relatório, está a criação de normas para eletrodomésticos e a regulamentação de compras. No primeiro caso, de novo o Procel tem resultados a apresentar. Desde 1993, instituiu o selo Procel de Economia de Energia que é dado a eletrodomésticos, lâmpadas, motores, reatores, aquecimento solar, ventiladores de teto e lâmpadas de vapor de sódio. O selo é um prêmio entregue aos fabricantes destes produtos que atendem as normas de eficiências estabelecidas pela Eletrobrás. Para merecer o selo, os produtos são testados em ensaios por laboratório indicados pelo próprio Procel. O resultado é anunciado numa cerimônia todo final de ano e as empresas com melhores resultados ganham o selo. Em quinze anos de existência, o selo induziu processos e produtos que permitiram economia de energia equivalente às usinas de Jirau e Santo Antônio, segundo o Ministério das Minas e Energia.
Outra política mencionada pelo relatório é a etiquetagem ou certificação voluntária das edificações. O Brasil tem o Procel Edifica, um programa que busca incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação etc.) nas edificações novas, reduzindo os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente. Até 2012, a adesão é voluntária. A partir de então, a etiqueta será obrigatória.
Há cinco edifícios com a etiqueta no Procel Edifica no Brasil: Fatenp – Faculdade de Tecnologia de Nova Palhoça (em Palhoça /SC); Cetragua – Centro de Tecnologias Sociais para a Gestão da Água (em Florianópolis /SC); sede da Caixa em Belém; Agência da Caixa em Curitiba; Centro Tecnológico do Carvão Limpo
Esta é o tema de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no dia 28 de agosto.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Dia de Ação pelo Clima 29/08
Será no próximo dia 29 a mobilização do Dia de Ação pelo Clima: 100 dias até Copenhague
Confira aqui as cidades que já tem atividades
programadas e saiba como participar!
Belo Horizonte: Praça da Savassi. Horário: 10 às 12hs – Relógio: a conferir. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Brasília: Parque da Cidade. 10 às 13hs. Organização: Greenpeace
Fortaleza: Praça Tibúrcio Cavalcante. Horário: 8hs30-13hs. Atividades: Teatro de bonecos, exibição de filmes, pintura de painéis sobre o clima e oficinas temáticas. Caminhada ecológica, saindo do Parque das Crianças (Rua Visconde de Rio Branco, s/n), às 8hs, até a Praça dos Leões. Organização: Juventude Alternativa Terrazul e Campanha TicTacTicTac
Manaus: Praça da Polícia (Praça Heliodoro Balbi / Palacete Provincial, s/n – Centro). Horário: 17 às 19hs. Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Porto Alegre: Usina do Gasômetro. Horário: 15 às 17hs – Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Recife: Pracinha da Boa Viagem. Horário: 9 às 12hs. Organização: Greenpeace.
Rio de Janeiro: Praia de Copacabana (em frente ao Copacabana Palace). Horário: 17 às 19hs – Relógio: a conferir. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Salvador: Farol da Barra. Horário. 15 às 18hs - Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
São Paulo: Parque do Ibirapuera, próx. Portão 10. Horário: 13 às 15hs – Relógio com contagem regressiva. Organização: Greenpeace e Campanha TicTacTicTac
Teresina: Av. Principal do Centro da Cidade. Horário: pela manhã. Organização: Rede Ambiental do Piauí e Campanha TicTacTicTac
Mais informações: www.tictactictac.org.br
Exigências ambientais como incentivo a inovações
Post enviado por Cristina Spera
26 de agosto de 2009
São Paulo - SP
Pode a legislação ambiental cada vez mais restritiva incentivar a criatividade e o empreendedorismo?
Sim e as grandes construtoras brasileiras, que já exportam seus serviços para muitos países, sabem disso.
No seminário realizado ontem, no WTC, “Brasil e as mudanças climáticas: oportunidades para uma economia de baixo carbono”, Otávio Marques de Azevedo, diretor-presidente da Andrade Gutierrez, comentou o exemplo da própria empresa que dirige. Responsável pela construção das grandes hidrelétricas do país e de obras de infra-estrutura aqui e lá fora, a AG foi adaptando seus métodos, processos e serviços às exigências ambientais cada vez mais restritivas. A preocupação atual com o baixo impacto é generalizada, em contraste com os anos 70, por exemplo, quando a questão era apenas crescer. Neste período, a Andrade Gutierrez participou do consórcio que ergueu a hidrelétrica de Tucuruí, cujo lago é hoje considerado uma verdadeira bomba emissora de gás metano. Em contraste, a empresa hoje está construindo, em parceria com a Carioca Christiani Nielsen, o gasoduto Coari-Anamã, um trecho de 196 km que atravessa oito municípios do estado do Amazonas, passa por floresta fechada e rios de até 60 m de profundidade, em áreas onde chove muito e, por isso, o solo é saturado, dificultando a locomoção. As obras, iniciadas em 2006, precisaram atender também ao quesito de baixo impacto ambiental. Por isso, este gasoduto – que tem outros três trechos construídos por outros consórcios – já é considerado um marco na engenharia brasileira.
Esta obra monumental vem exigindo superação e criatividade dos profissionais envolvidos. O trecho é constituído por uma linha-tronco de 196 km e 20 polegadas de diâmetro, com mais 75 km de ramais de 10 polegadas de diâmetro. Estes dutos foram construídos em áreas pantanosas de grandes inundações e dificuldades climáticas, em meio à floresta densa que precisava manter-se intocada. Em um trecho do caminho, foi preciso atravessar o rio Solimões, por baixo, com largura entre as margens de quase 2km.
Os métodos tradicionais de engenharia e de logística não dariam conta dos desafios. Por isso, a Andrade Gutierrez inovou. Usou GPS para realizar as perfurações nos lugares exatos, importou e adaptou equipamento de perfuração com baixo impacto, transportou tubos por helicópteros e levou estruturas pré-montadas em balsas para armazenar o material (de modo que, depois da obra, pudessem ser recolhidas, sem deixar resíduos na floresta).
O licenciamento ambiental foi obtido por meio de estudos elaborados pela Universidade Federal do Amazonas que, para redigir o documento final, realizou audiências públicas em todos os municípios do traçado do gasoduto, com mais de três mil participantes. Por causa do licenciamento, foram estabelecidos os ramais secundários para a entrega do gás em todos os oito municípios (não previstos no projeto original) e um programa de compensações socioambientais que está melhorando a vida de 135 comunidades e dos moradores das cidades cortadas pelo gasoduto. Por isso, este licenciamento tornou-se referência internacional para este tipo de obra.
Para aqueles que ainda vêem a legislação ambiental como “obstáculo”, este é um exemplo de que ela promove inovação.
Esta é o tema de Sério Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 26 de agosto.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Empresas brasileiras assumem compromisso de reduzir emissões
Post enviado por Cristina Spera
São Paulo - SP
24 de agosto de 2009
A pouco menos de 100 dias da reunião do COP-15 em Copenhague, empresas brasileiras lançam amanhã uma carta aberta ao Brasil na qual assumem publicamente o compromisso de reduzir suas emissões. A carta também traz uma série de sugestões para influenciar a posição do governo brasileiro na 15ª Conferência das Partes.
O documento será entregue ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e ao negociador-chefe da delegação brasileira em Copenhague, Luiz Alberto Figueiredo Machado, no seminário Brasil e as Mudanças Climáticas – Oportunidades para uma economia de baixo carbono, que será realizado amanhã pela manhã, no WTC. Entre outros pontos, o documento ressalta a importância da criação de mecanismo de incentivo para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD), incluindo a conservação e o manejo florestal sustentável. Com isso, é possível criar valor econômico para a floresta em pé, ou para o desmatamento evitado.
No entanto, mais do que manter a floresta em pé, o Brasil precisa se desenvolver e melhorar saúde, educação e emprego para todos os brasileiros. O REDD pode colaborar com estas metas? Ao assumir metas voluntárias de redução, as empresas brasileiras assumem protagonismo na construção do desenvolvimento sustentável? O que você recomendaria ao governo brasileiro para a reunião de Copenhague?
Ouça o comentário de Sérgio Mindlin às 15h, no boletim Responsabilidade Social da rádio CBN e escreva aqui o seu comentário.
Futebol e sustentabilidade
Mensagem enviada por Cristina Spera
São Paulo - SP
21 de agosto de 2009
O Coritiba completa seu centenário em 2009 e, como uma das comemorações, organizou o “jogo verde” contra o Palmeiras, no último dia 19 de agosto, no estádio Couto Pereira.
Por que verde?
Porque, com a parceria de uma consultoria ambiental, realizou um inventário das emissões da partida, levando em conta o deslocamento na cidade das torcidas, times e árbitros, hospedagem e viagens das delegações de fora, consumo de energia e água no estádio, produção de lixo orgânico e de resíduos sólidos e até queima de fogos de artifício. No total, foram 30 toneladas que foram compensadas pelo plantio de 30 árvores.
Esta atitude foi mero marketing ou alguns times de futebol no Brasil também vão puxar uma mudança cultural rumo à sustentabilidade? Aliás, a gestão responsável dos clubes pode acabar com a violência no futebol? As torcidas podem ter papel positivo na sociedade?
Esta é o tema de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 21 de agosto.
Se você quiser ouvir a íntegra deste comentário, clique aqui.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Construção civil industrializada: salto para a sustentabilidade?
Mensagem enviada por Cristina Spera
São Paulo - SP
A retomada das habitações populares no Brasil, graças ao incentivo estatal, está impulsionando a industrialização da construção civil em nosso país, baixando os custos e diminuindo a produção de resíduos. O Brasil tem um déficit de 8 milhões de moradias e precisa também de 1,5 milhão delas todo ano para dar conta da demanda vegetativa (pessoas que se casam, divorciam-se, enviúvam, saem da casa dos pais, etc). A construção e seus fornecedores empregam 15 milhões de trabalhadores (4 milhões deles diretos na construção) e são responsáveis por 18% do PIB. O macrossetor expandido demanda perto de 100 bilhões de reais / ano em minerais, metalurgia, material elétrico e madeira, entre outros itens, movimentando, assim, vários segmentos da economia.
Por outro lado, de acordo com a Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat), a informalidade é de 61% na construção e de 27% no segmento de materiais. Sem falar na geração de resíduos. A média mundial de resíduos de construção por habitante/ano, calculada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), é de 450 kg. No Brasil, isto representa um “lixo” de 80 milhões de toneladas por hab/ano, formado, basicamente, por materiais cerâmicos (52%), concreto (33%), argamassas (16%), gesso (15%) e madeira (8%).
Estamos diante de um cenário que pode levar a construção civil a um salto para a sustentabilidade? O setor tem potencial para criar centenas de milhares de empregos verdes imediatamente? Pode adotar a agenda do trabalho decente? Qual o papel do setor privado na solução dos problemas seculares delineados acima? E o Estado? Pode fazer mais?
Esta é a discussão feita por Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 19 de agosto.
Se você quiser ouvir a íntegra deste comentário, clique aqui.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Como anda a RSE?
Como avançou o engajamento das empresas brasileiras com a responsabilidade socioambiental?
A pesquisa Práticas e Perspectivas da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil 2008 realizada pelo Ibope em parceria com o Ethos e o Akatu mostra alguns resultados do movimento.
Os resultados e implicações da pesquisa foram debatidos em um seminário promovido pelo Instituto Ethos com mediação da jornalista Célia Rosemblum, do jornal Valor Econômico, e a participação do presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, do presidente do Ethos, Ricardo Young, e do vice-presidente, Paulo Itacarambi.
Clique aqui para saber mais sobre esta conversa
Confira aqui a versão virtual da pesquisa
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Comunicação e sustentabilidade, uma conversa com Miriam Vilela, do movimento Carta da Terra
Conheça um pouco das questões relacionadas ao tema comunicação e sustentabilidade que foram debatidas em um sarau realizado pela equipe do Instituto Ethos com a participação de Miriam Vilela, diretora-executiva da Secretaria da Carta da Terra, órgão que coordena o movimento em todo o mundo, e Cristina Moreno, coordenadora da iniciativa no Brasil.
Como deve ser a comunicação para a sustentabilidade?
Algumas questões foram levantadas em relação à forma como comunicamos a sustentabilidade. Como dar sentido a esse conceito para que ele atinja o maior número de pessoas? Como vincular, por exemplo, a Carta da Terra a outros programas que já tocam a sociedade brasileira, por fazerem sentido para as pessoas? É preciso mudar o processo habitual de educação, que separa tudo em diferentes “caixinhas”. O be-a-bá da sustentabilidade nos ensina a importância de conectarmos tanto as responsabilidades como as ações para resolver cada problema, considerando o princípio a ser seguido.
Qual é a importância da sensibilização nesse processo?
A Carta da Terra é um movimento que possui várias portas de entrada. Pode ser a paixão pela luta contra a desigualdade social, por exemplo, bem como causas ambientalistas ou em favor dos direitos humanos. No entanto, a principal porta de entrada é aquela que mostra para as pessoas, entidades e empresas que elas têm a capacidade e o poder de fazer algo. A Carta da Terra é, portanto, uma chamada para o protagonismo. Cada um pode ser protagonista do movimento no local em que vive ou atua. E isso se dá a partir da percepção de que somos parte do problema e podemos ser parte também da solução.
Onde saber mais sobre a Carta da Terra no Brasil?
Como parte do trabalho de descentralização do movimento, estão sendo desenvolvidos sites nacionais para relatar a experiência da Carta da Terra nos diversos países. As atividades brasileiras podem ser encontradas no site A Carta da Terra em Ação – A Iniciativa da Carta da Terra Brasil.
Deixe a sua contribuição para este debate: comunicação e sustentabilidade, como aprofundar esta questão?