quinta-feira, 11 de junho de 2009

E por que isto é tão importante?

Mensagem enviada por Maria Zulmira de Souza
Planetária Soluções Sustentáveis
São Paulo

O Congresso Internacional está chegando. E um dos temas que prometem
esquentar o público neste ano é comunicação e sustentabilidade. Ele
estará presente em diversas rodas do evento, como na Oficina de
Comunicação e Marketing Socialmente Responsáveis, dia 16.

E por que isto é tão importante?

Longe de, na prática, ser incorporada às ações individuais e
corporativas, o que vemos é o mal uso da dita cuja, com raras exceções. E
pensar que é condição vital na construção do mundo que queremos. Ou não
é?

Leia Mais?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Entre o lucro e a sustentabilidade

Texto comentado por Ricardo Young na Rádio CBN.

De acordo com pesquisa realizada pela Grant Thornton International, os empresários brasileiros estão divididos entre o lucro e a sustentabilidade.

O estudo ouviu 7.200 empresas privadas de capital fechado em 36 países (Privately held business – PHS) em 36 países e os resultados mostram que 43% dos brasileiros estão dispostos a diminuir rentabilidade nos negócios para preservar o ambiente. Esta porcentagem põe o Brasil em 6º. Lugar entre os países pesquisados. Em nosso país, foram ouvidos 150 empresas, sendo 100 em SP, 25 no RJ e 25 na Bahia.

A pergunta feita foi: A sua empresa adotaria práticas de preservação ambiental se elas tivessem impacto negativo no lucro?


A Tailândia foi o país com maior percentual de SIM entre os executivos entrevistados: 99%.

Antes do Brasil ainda vêm Argentina, com 80%; México, com 60%, Japão, com 50%; EUA, com 46%; e Índia, com 44%.

Em termos continentais, a Ásia oriental (sem a China e os países árabes) concentra o maior número de empresários dispostos a defender o ambiente (61%). A América Latina vem em seguida, com 56%.

Na média, sem levar em conta a nacionalidade dos executivos entrevistados, 51% deles afirmam que adotariam práticas ambientalmente corretas em detrimento dos lucros. 36% disseram que preferem se importar com os negócios e 13% não souberam responder.

Em outra pergunta da pesquisa, na qual os entrevistados deveriam considerar se a comunidade empresarial do país se preocupa com o meio ambiente, foi feita uma ponderação entre SIM e NÃO. A média mundial de SIM foi de 30% . No Brasil, 34% dos entrevistados acreditam que a comunidade empresarial se preocupa com o meio ambiente. A média mais alta foi obtida nos países nórdicos, com 61% de respostas afirmativas (sim, o empresariado se preocupa com o meio ambiente). A média mais baixa ficou com a América Latina, 14%. A Argentina foi o país onde a percepção positiva sobre a preocupação ambiental do empresariado teve o percentual mais baixo da pesquisa Menos 34%. E é justamente neste país onde os empresários estão mais dispostos a abrir mão do lucro para melhorar as práticas ambientais.

A pesquisa mostra que, mesmo longe do ideal, o empresariado começa a evoluir na abordagem das questões ambientais. As pressões dos consumidores e a consciência de que os recursos naturais estão mesmo se tornando escassos podem ser apontados para esta mudança de consciência.

Tomara que esteja perto o dia em que todo o empresário, independente do tamanho de seu negócio, perceba que práticas socioambientais trazem vantagens para a sociedade, para a empresa e para a marca. E que, em tempos de turbulência, acabam sendo uma boa garantia para a sobrevivência do próprio negócio.

Leia Mais?

Relatório do Greenpeace responsabiliza pecuária e o governo pelo desmatamento da Amazônia

Texto de Benjamin S. Gonçalves
Editor de publicações do Instituto Ethos
São Paulo, 5 de junho de 2009

De acordo com o estudo, marcas de produtos conhecidos, redes de supermercados e frigoríficos estão contribuindo involuntariamente para o agravamento do problema na região, com a colaboração do governo.

Após colher informações durante três anos, a organização não-governamental Greenpeace lançou nesta segunda-feira o relatório Farra do Boi na Amazônia. O levantamento conclui que a indústria pecuária nacional é a maior responsável pelo desmatamento da Amazônia. Invasão de terras protegidas e trabalho escravo também foram observados pelo relatório em fazendas que fornecem gado para o mundo todo.



Nos três anos de investigação, o Greenpeace rastreou o fornecimento de carne, couro e outros produtos bovinos para o mercado global por fazendas da região, estabelecendo pela primeira vez uma relação entre os danos da pecuária sobre a Floresta Amazônica e marcas famosas em todo o mundo, como Adidas/Reebok, Carrefour, Clarks, Gucci, Honda, Ikea, Kraft, Louis Vuitton, Nike, Prada, Tesco, Timberland e Wal-Mart.

O relatório acrescenta que o governo federal, responsável pela preservação da Amazônia, é um dos principais colaboradores para a destruição da floresta, ao conceder financiamentos a empresas do setor por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “No momento em que a empresa financiada pelo governo investe na região e monta uma unidade com capacidade para abater milhares de animais por dia, está sinalizando para os produtores que eles podem desmatar e ampliar a produção, porque os animais serão comprados”, comenta André Muggiati, coordenador da campanha de pecuária do Greenpeace.

De acordo com Muggiati, entre os frigoríficos implicados no desmatamento da Amazônia estão o Bertin, o JBS e o Marfrig, que receberam a maior parte dos US$ 2,65 bilhões investidos pelo BNDES em troca de ações para o governo federal, entre 2007 e 2009, em cinco grandes empresas, responsáveis por 50% das exportações de carne e couro brasileiros.

O levantamento informa ainda que a expansão da pecuária brasileira se concentra na Amazônia, onde 80% das áreas desmatadas são dedicadas à atividade. Observe-se que o país é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa em todo o mundo, sobretudo pela destruição da floresta.

Logo após a divulgação do relatório, os frigoríficos Bertin e JBS lançaram notas oficiais rebatendo as informações e afirmando que adotam critérios sustentáveis para a compra de matéria-prima. Ambos disseram que antes de contratar os produtores consultam a lista de propriedades embargadas pelo Ibama e a "lista suja" do Ministério do Trabalho. O Bertin informou que já excluiu pelo menos 165 fornecedores que estavam em uma das duas listas. O JBS, por sua vez, citou sua adesão ao Pacto Empresarial da Pecuária estabelecido em 2008 pela iniciativa Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia.Vale esclarecer que esse pacto estabelece compromissos que deverão ser acompanhados de ações concretas a serem relatadas pelos signatários. Até o momento o Comitê de Acompanhamento dos Pactos do Conexões Sustentáveis ainda não recebeu o relato de ações do JBS.

Já o Wal-Mart foi mais além e publicou seu posicionamento Repúdio à Pecuária Bovina Irregular na Amazônia, no qual informa que, em resposta aos fatos apresentados pelo relatório do Greenpeace, “já está em contato com seus fornecedores para obter explicações em relação às denúncias e, desta forma, tomar atitudes no curto prazo que sejam efetivas e sustentáveis”.

Leia Mais?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

5 de junho - DIA DO MEIO AMBIENTE

Texto de Benjamin S. Gonçalves
Editor de publicações do Instituto Ethos
São Paulo, 5 de junho de 2009

“MP da Grilagem” não pode virar lei

A aprovação da MP 458 pelo Senado, sob forma de projeto de lei, deixa indignados os defensores da Amazônia e da legalidade no país.

A Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária de terras da União na Amazônia Legal e acaba de ser aprovada pelo Senado, tem sido chamada de “MP da Grilagem” pelos defensores da Amazônia e da legalidade no país. O texto aprovado permitirá a legalização de 67,4 milhões de hectares de terras públicas na região, as quais poderão ser vendidas ou doadas sem licitação, até o limite de 1.500 hectares.



Também as empresas que ocuparam terras públicas até 2004 poderão legalizar essas ações, passando a ter direito sobre as propriedades. Os imóveis poderão ser revendidos após a concessão dos títulos – os médios e grandes depois de três anos e os pequenos após dez anos.

A senadora Marina Silva, uma das principais opositoras da MP, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vete pelo menos três artigos que, se mantidos, trarão prejuízos à floresta. “Um dos artigos amplia extraordinariamente as possibilidades de legalização de terras griladas”, diz a senadora. “O maior problema da MP 458 são as brechas que ela abre para anistiar os que cometeram crime de apropriação de grandes extensões de terras públicas, que agora vão se beneficiar de políticas pensadas originalmente para atender apenas a posseiros de boa-fé”, completa.

Outro propósito dos vetos solicitados pela senadora é impedir que aqueles que colocaram laranjas para cuidar de terras griladas possam agora regularizá-las. Além disso, é preciso limitar a regularização de terras por pessoas jurídicas que sejam proprietárias de outras propriedades rurais.

Também o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pedirá ao presidente que vete pontos da MP. Sua expectativa é de que o presidente Lula se reúna com os ministros responsáveis pela regularização de terras na Amazônia para discutir os vetos. Minc deve reunir-se com o ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, e com parlamentares para discutir os pontos que não podem ser aceitos pelo governo.

Nesta quinta-feira, 4/6, Minc se juntou a artistas do Movimento Amazônia para Sempre, que entregaram ao presidente da República um documento com mais de 1 milhão de assinaturas pedindo o fim do desmatamento. “Somos o único país que detém uma floresta tropical do tamanho da nossa. Então, a responsabilidade é nossa de continuar protegendo”, argumentou o ator Vitor Fasano, um dos líderes do movimento.

A atriz Christiane Torloni, também presente ao encontro, referiu-se diretamente à MP 458, dizendo que ela não pode virar lei: “Não podemos dar terras a quem não é legal. Não se pode dar terras a grileiros e laranjas”.

Para Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, a MP 458 tornou-se uma alforria para os que pilharam terras públicas na Amazônia. “Esperamos que o presidente Lula tenha a lucidez e a clareza de vetar os pontos que a sociedade civil organizada e lideranças – em especial, a senadora Marina Silva, em carta aberta – apontam como extremamente prejudiciais para o futuro da Amazônia e do país.”


Leia Mais?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Timão na rota da sustentabilidade

Texto comentado por Paulo Itacarambi, na Rádio CBN
27/05/2009 - São Paulo



Na última segunda-feira, dia 25 de maio, a diretoria do Sport Club Corinthians Paulista reuniu-se em grande estilo para um evento inusitado no mundo do futebol: o lançamento do Relatório de Sustentabilidade 2008 do clube. Trata-se de uma publicação única no segmento esportivo mundial, elaborada com base nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), organização internacional com sede em Amsterdã, Holanda, que tem como objetivo desenvolver e disseminar diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade, adotados voluntariamente pelas principais empresas do mundo.

Com a elaboração deste relatório, o Timão dá o primeiro passo na estrada da sustentabilidade.

Dividido em 12 capítulos, o relatório abrange temas como gestão, governança, torcida, desempenho econômico, investimentos e ativos, futebol de base, ações de marketing e públicos estratégicos, além de trazer as demonstrações financeiras do exercício de 2008.
O conteúdo completo pode ser acessado pelo site www.corinthians.com.br.


Os jornalistas esportivos não deram destaque ao evento. E a iniciativa merece apoio e reconhecimento, pois engajar diretoria e partes interessadas para pensar uma organização sob o prisma da sustentabilidade é difícil numa empresa, imagine num time de futebol e no contexto esportivo brasileiro.

O lançamento desse relatório representa um momento histórico para o futebol brasileiro, porque mostra o caminho que, se adotado por todos os clubes, dará uma robusta contribuição ao principal desafio do movimento da sustentabilidade no Brasil, que é a construção da cultura da sustentabilidade.

O presidente Andrés Sanchez destaca um dos objetivos da sua gestão, na mensagem que abre o relatório: fazer o Timão ser reconhecido como o clube com a administração mais ética e profissional do futebol brasileiro. Para atingir esse alvo, o Corinthians precisa de todos os times e de todas as torcidas, porque, parafraseando Vinícius de Moraes, não há ética sozinha.

Assim, esse objetivo de gestão põe vários desafios ao Corinthians. Um deles é contribuir para a construção de uma “cultura de sustentabilidade” a partir do esporte. No âmbito doméstico, ampliar o diálogo com as partes interessadas e aprofundar as práticas de boa governança são duas tarefas titânicas. No âmbito externo, a diretoria poderia incentivar que outros times e mesmo as entidades que dirigem o futebol brasileiro adotassem práticas como ouvidoria e código de ética, bem como franquear instalações do clube para escolas públicas e realizar campanhas de cidadania.

Estamos num momento em que o Timão poderia atuar em cooperação com os demais clubes numa mobilização nacional em prol da vitória brasileira em duas Copas: a de 2014, no campo, e a de 2015, que é a dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). É que em 2015 a ONU vai reunir os países em assembléia geral para um balanço do que foi feito em relação aos oito ODM, lembram-se?

- Acabar com a fome e a miséria
- Educação básica de qualidade para todos
- Igualdade entre sexos e valorização da mulher
- Reduzir a mortalidade infantil
- Melhorar a saúde das gestantes
- Combater a aids, a malária e outras doenças
- Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente
- Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento

Que tal se o Corinthians e sua imensa Fiel entrassem na “briga” para o Brasil atingir os ODM até 2015? Uma das maneiras é incentivar as cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo a realizar as obras pensando nas demandas desses objetivos socioambientais. Se o Timão entrar em campo e os outros times também, fica mais fácil. E poderemos ter o orgulho de sermos campeões dentro e fora dos gramados.




Leia Mais?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Direto de Copenhague, Ricardo Young comenta a Cúpula Empresarial de Mudanças Climáticas

Texto enviado por Ricardo Young
Presidente do Instituto Ethos
Copenhague, 25 de maio de 2009


Pelo menos 700 CEOs de todo mundo estão reunidos em Copenhague, capital da Dinamarca, na Cúpula Empresarial de Mudanças Climáticas, para debaterem o papel das empresas na redução das emissões de carbono. O encontro é uma tentativa de unir a agenda da crise financeira com a da crise climática para levar à mesma Copenhague, no final do ano, uma agenda do mundo corporativo para a reunião COP 15 (Conferência Mundial sobre Clima das Nações Unidas).

O objetivo é que ela possa contribuir para aproximar governos em divergências ainda importantes para que a COP 15 em Copenhagen surja como a Conferência que fundamentará as bases de um novo ciclo de desenvolvimento pautado pela baixa emissão de carbono. Foi neste encontro e com este espírito que Al Gore iniciou a sua fala, logo após a abertura do Secretário Geral da ONU, Ban-Ki Moon.

Gore pontuou a tripla crise - a climática, a econômica e a de segurança energética - como resultantes de uma mesma causa: a profunda dependência que a humanidade tem de energia fóssil ( não disse, mas deveria, daquela parte da humanidade que tem acesso a ela...). Disse que o grande imperativo é sair da dependência de energias fósseis para as infinitas fontes de energia limpa e renovável do Sol, dos ventos e da energia geotérmica. Falou dos muitos exemplos nesta mesma direção como a da Dinamarca que já tem 25% de sua energia em base éolica ou mesmo das recentes medidas do Presidente Obama que estabeleceu metas de redução de emissões para a indústria automobilística e o cancelamento literal da construção de plantas termoelétricas movidas a carvão. Disse ainda que é indispensável que se crie valor para a mitigação de CO2, pois um gás invisível e inodoro dificilmente será reduzido sem compensação econômica. Gore também pontuou a crescente coragem e determinação do governo Obama de transformar os Estados Unidos independente de energia fóssil até 2020. Comparou a recente fala de Obama quando das metas de redução das emissões a de Kennedy no início da década de 60 sobre colocar o homem na Lua até o final da década. Reiterou a necessidade de ousar e sonhar para que o desafio da energia sustentável toque o imaginário das pessoas, sem o qual, não haverá o esforço necessário.

A fala de Gore foi enfática e determinada. Também aproveitou para reiterar um dos principais temas defendidos pelos EUA para Dezembro, ou seja, mecanismos de mercado como parte da nova regulação de serviços ambientais. Mas o mercado que ele se refere, seria um novo mercado, eivado de valores éticos e humanos. Como? Finalizou dizendo que esta geração será julgada pelas próximas e se elas nos acusarem de não termos tomado as ações que nosso tempo nos convoca, teremos falhado lamentavelmente.

Neste aspecto tanto Ban Ki-moon como Al Gore deram o tom: Copenhagen terá que ser o marco zero de uma nova economia e visão de desenvolvimento. Estabelecerá as bases para as regras de mercado e de regulação governamental e multilateral para os próximos 20 anos e isso tem que ser feito este ano sob pena da coesão política conseguida até aqui fragilizar-se e tornar tudo muito mais complicado. De fato, as mudanças climáticas não tem esperado em sua perigosa escalada.

Apesar do bom início, as lideranças empresariais presentes não pareciam estar a altura do debate. Limitaram-se a expressar concordância com o imperativo da economia verde mas não conseguiam dizer qual era a agenda do mundo dos negócios. Qualidade sofrível o debate dos CEOs. Considerando-os parte da poderosa elite mundial que será determinante para a mudança, é preocupante.

Por: Ricardo Young

Leia Mais?

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ursula Burns e a importância da diversidade na cultura organizacional

Texto comentado por Paulo Itacarambi*, na Rádio CBN

O que faz uma empresa gigante no setor, mas à beira da falência por crise e mudança de mercado, reagir e voltar ao topo? Estrita política de restrição de custos, demissões, enxugamento, novos produtos, marketing agressivo...Dificilmente, nesta lista, aparece o fator “diversidade” como impulsionador da virada. Será que não teve mesmo nada a ver?

A gigante que quase caiu que citamos acima é a Xerox. Em 2001, Anne Mulcahy assumiu o posto de executiva-chefe com a tarefa de reverter os sucessivos prejuízos e queda nas vendas. Na época, era uma das dez mulheres a ocupar um cargo semelhante. A diferença com as outra nove é a que Xerox encontrava-se numa encruzilhada, com seus produtos tornados repentinamente obsoletos pelo estouro da internet.

Para superar a crise, Mulcahy aplicou algumas receitas amargas tradicionais das cartilhas de negócios. Mas também investiu na mudança cultural. E agora, em 2009, passa o bastão para Úrsula Burns, como Anne funcionária de carreira da empresa e negra. É o primeiro caso, no mundo corporativo americano – e talvez mundial – em que uma mulher transfere o comando de uma das 50 maiores corporações do mundo para outra mulher. Não é o primeiro caso de mulher não-branca a ocupar posto tão elevado. Antes de Úrsula Burns, em 2006, Indra Nooyi, nascida na Índia, chegou ao posto mais alto na Pepsico e hoje é apontada como a executiva mais poderosa do mundo, homens incluídos. Mais importante, Indra foi a primeira mulher não americana a chegar ao posto de CEO numa múlti tão tipicamente americana como a Pepsico.

Tanto Indra quanto Úrsula são parte de um fenômeno global que está redefinindo o papel das empresas e, ao fazer isso, transfere poder para parcelas dos funcionários que antes se viam alijados desta possibilidade de ascensão.

Por que ainda não vemos este movimento ocorrer em grande escala no Brasil, se nos orgulhamos tanto de nossa diversidade? Por que nossas empresas, mesmos as nacionais, mesmo as estatais, ainda não conseguem dar voz e decisão aos representantes de todas as etnias que ajudam a construir o nosso país? Por que estamos dilapidando esta nossa riqueza, em vez de usá-la para alavancar nosso desenvolvimento ?

A sociodiversidade e biodiversidade brasileiras são duas grandes riquezas que a nossa sociedade vem dilapidando de forma irresponsável, em prejuízo para as futuras gerações. Em vez de as utilizarmos como âncoras do desenvolvimento de nossa sociedade, estamos destruindo-as em nome de um falso tipo de desenvolvimento que, no fundo, representa a expansão de um modo de vida insustentável, baseado na cultura do individualismo, da ganância, do consumismo, da mercantilização de todas as relações e da apropriação privada de tudo e de todos.

As nações indígenas, os quilombolas, o caboclo, o ribeirinho, o pantaneiro, enfim as populações que vivem nas florestas, cerrados e campos, cujas culturas acumulam conhecimentos de convívio humano em equilíbrio com os ecossistemas na natureza, estão sendo dizimadas sob o olhar complacente do restante da sociedade brasileira. Essas culturas têm um valor inestimável diante do maior desafio que a humanidade está enfrentando atualmente, o desafio de evitar sua própria extinção.

Além de prestarem um importante serviço à nossa sociedade e ao planeta de preservação da biodiversidade e de cuidados com a manutenção dos serviços ambientais, os conhecimentos desenvolvidos e reproduzidos durante séculos por aquelas culturas podem ser fontes de inspiração e aprendizagem para a grande tarefa da humanidade, que é a construção de um novo padrão civilizatório sem o qual nunca seremos uma sociedade sustentável e justa.

Entendo que este nosso diálogo sobre a cultura de convivência com o diverso é, sem dúvida, uma forma adequada de apontar caminhos para mudar a situação comentada acima. Para aprofundar nossa reflexão, devemos então nos perguntar: o que queremos em uma cultura de convivência do diverso? O que é preciso mudar? Onde? Como?

O que queremos em uma cultura diversa

Falo do meu próprio desejo, porque acredito que ele é convergente com o desejo da maioria das pessoas que querem uma sociedade com essa cultura diversa. Quero uma sociedade em que as pessoas, de forma individual e coletiva, valorizam a vida em todas as suas dimensões e por isso cuidam para que as relações entre os seres vivos, em especial entre as pessoas, se realizem em condições de igualdade, com ampla liberdade e total solidariedade.

A liberdade é condição indispensável para que cada um de nós possa escolher o modo de produzir a sua própria existência, realizando todo o seu potencial humano. E a igualdade é condição fundamental para a liberdade. Cada um de nós só é livre se o outro também for, porque o outro somos nós todos. Liberdade pressupõe igualdade e vice-versa. Dessa conjugação entre liberdade e igualdade, nasce a solidariedade. A existência de ambas depende de sermos solidários entre nós na responsabilidade em cultivá-las. Não temos, portanto, como escapar da solidariedade. Esta é uma condição de partida para vivermos em sociedade. Mais do que uma condição para vida em sociedade, é uma condição para a existência da vida. A vida é, ela própria, uma manifestação da interdependência entre os seres vivos. Não há como ser vivo fora dessa interdependência.

Quando dissemos “uma sociedade em que as pessoas, de forma individual e coletiva, cuidam para que as relações se realizem com igualdade, liberdade e solidariedade”, queremos dizer, com o termo “cuidam”, que as pessoas criam as condições necessárias para que o fato ocorra. Ele não ocorrerá naturalmente. Basta ver a história da humanidade, ou então nos reportarmos à nossa própria insatisfação que motiva esse diálogo.

A questão de fundo passa a ser a definição de quais são as condições que precisamos criar para vivermos com liberdade, igualdade e solidariedade. Passemos então às questões sobre o que, onde e como mudar.

Caminhos para a mudança

Para avançarmos rumo a uma sociedade sustentável, precisamos, antes de tudo, conceber-nos como parte integrante da natureza; como parte dessa relação interdependente entre os seres vivos que Fritjof Capra chama de “teia da vida”. Quando falo “conceber-nos”, estou querendo dizer “nascermos de novo”. Transformarmos a nós mesmos em novos sujeitos. Criarmos uma nova visão sobre nós mesmos, sobre a nossa relação com o mundo, com a natureza, com o outro e conosco. Com uma visão holística do mundo poderemos refundar nossos juízos mestres que orientam nossas estratégias de convivência com o outro e nossas ações para satisfazer nossos desejos mais profundos. Aqui entram nossos princípios e valores. O que é que de fato importa? O que nos é caro e do qual não abrimos mão?

Ao concebermos nossa inserção no mundo como parte de um todo dinâmico, em que a mudança de uma parte afeta a outra, passaremos a valorizar o bem-estar do outro e do coletivo como condição para nosso próprio bem-estar. Enxergaremos os limites das estratégias individualistas e consumistas como forma de melhorar nossa própria qualidade de vida. Mudaremos nosso conceito de sucesso, medido atualmente por nossa capacidade de adquirir produtos e serviços no mercado, para um conceito que considera nossa capacidade de conviver e cooperar. Veremos que nem tudo pode ser comprado (apropriado privadamente) e que, se for comprado, perde seu valor. Perceberemos que a mercantilização de todas as relações é causa e consequência da nossa dificuldade de conviver com o diverso.

Veremos que aquilo que no fundo nos move é a mesma força que também impulsiona o outro. E que, o que de fato interessa é o amor que podemos sentir em nossa relação com o outro; é podermos imprimir nos corações e mentes dos que nos cercam as emoções e os registros de quem somos e o que fazemos para transcender nosso curto período de vida. Afinal, o querem aquelas pessoas que se dedicam a ser o melhor naquilo que fazem? Basta-lhes sentir a satisfação da sua própria potência? Basta-lhes saber que são capazes de realizar seus desejos ou eles querem também nosso reconhecimento pelo seu “feito”? Sem o reconhecimento do outro ninguém constrói sua própria identidade.

Assim, outra condição que precisamos criar é o reinado da ética. Ética aqui entendida como as leis internas que nos impomos, fruto do diálogo interno que fazemos com o outro que está em nós, necessária para a nossa existência enquanto indivíduo e coletivo. Sem o outro não há individualidade. Também não há ética. Ou, como diz Humberto Eco, a ética nasce quando o outro entra em cena.

Mas de que ética estamos falando? Estamos falando da ética fundada nos valores de respeito a todas as formas de manifestação da vida, à integridade física e moral das pessoas e à dignidade humana. Estamos, portanto, falando da ética que se fundamenta em princípios de cuidado, solidariedade e responsabilidade na relação com o diverso.

Os cuidados individuais e as mudanças pessoais comentadas até aqui são centrais, mas não são suficientes para nos levar à sociedade que queremos. São necessários cuidados coletivos e mudanças no ambiente de convívio desse coletivo. Aliás, as mudanças de visão e comportamento das pessoas só se estabelecem como cultura se houver mudança no ambiente social em que elas convivem. Uma mudança realimenta a outra, estabelecendo um novo padrão coletivo para os indivíduos, o qual denominamos cultura. Uma cultura de convivência do diverso com liberdade, igualdade e solidariedade requer um ambiente social em que a cidadania seja plena e a confiança entre as pessoas seja o padrão predominante.

Estamos falando de uma sociedade em que as diferenças entre as pessoas e a riqueza cultural daí derivada são valorizadas como um bem da humanidade. Deixam de ser fontes de injustiça e passam a ser desejadas e celebradas como fontes de alegria e de desenvolvimento humano.
A travessia entre a sociedade atual e a sociedade que queremos ser representa um grande desafio coletivo. Além dos problemas já comentados no inicio, tomemos a situação das mulheres e dos negros no mercado de trabalho urbano, retratada nas pesquisas realizadas pelo Instituto Ethos sobre o perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas no Brasil, e teremos uma pequena medida da dimensão desse desafio.

De fato, a pesquisa nos revela a existência de dois grandes funis dificultando o acesso dos negros e das mulheres aos melhores empregos e cargos das empresas. O primeiro funil se verifica no acesso aos empregos e o segundo, que é interno, ocorre no acesso aos cargos. Na pesquisa realizada em 2007, por exemplo, as mulheres, cujas participações na população brasileira e na população economicamente ativa eram, respectivamente, de 51,3% e de 43,5%, alcançavam apenas 35% de participação no quadro de funcionários das 500 maiores empresas. E internamente, na ocupação dos cargos de chefia, sua participação reduzia-se gradualmente, até atingir apenas 11,5% nos cargos do quadro executivo.

Os dois funis são ainda mais estreitos para os negros. Representando 49,5% da população brasileira e tendo uma participação de 46,6% na população economicamente ativa, eles conseguem uma participação de apenas 25,1% no quadro funcional das 500 maiores empresas. No acesso aos cargos de direção, a queda de participação dos negros é radical, chegando a 3,5% nos cargos do quadro executivo.

Esses dados revelam como a desigualdade é mantida e reproduzida em nossa sociedade. Mas revelam também que, nas cidades, a atuação mais promissora para a mudança deveria se dar no mercado de trabalho. É lá que devemos colocar nossa melhor energia para construir essa nova cultura.

A estratégia de promover a diversidade com equidade nas organizações aparece como um caminho promissor. Primeiro, porque muitas empresas e outras organizações da sociedade já mostraram sensibilidade para essa questão. É assunto complexo, mas está ao alcance dessas organizações promover mudanças efetivas no quadro de desigualdade interna. Segundo, porque as mudanças de cultura implementadas no âmbito das organizações poderão ter um grande efeito indutor na cultura da sociedade. Mas tais mudanças não ocorrerão se ficarmos esperando que alguém faça alguma coisa. Nós é que temos de agir. Somos parte do problema e também podemos e devemos ser parte da solução.

*Paulo Itacarambi é vice-presidente-executivo do Instituto Ethos.

Leia Mais?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Dragão mostra suas garras

Mensagem enviada por Gustavo Ferroni
Coordenador do projeto GT Ethos – ISO 26000
São Paulo, 20/05/2008


A norma ISO 26000 e os interesses econômicos


O processo de construção da norma ISO 26000 se apresentou muito mais complexo do que o esperado. Após o inicio dos trabalhos, em 2005, quando ocorreu a primeira reunião internacional em Salvador na Bahia; os participantes do Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO se organizaram por país e pelos seguintes grupos de stakeholder: Empresas, Consumidores, ONGs, Governo, Trabalhadores e Suporte, Pesquisa, Serviços e Outros.

Em um primeiro momento, houve uma sensação geral de boa vontade e todos estavam felizes por participar de um processo tão importante e com tanto potencial. Porém esta sensação logo foi substituída por posições defensivas e antagonistas, isto é, de uma intenção de construção coletiva e participativa logo os trabalhos se traduziram em uma negociação de interesses e expectativas das diversas partes envolvidas.

Uma “negociação de interesses” parece ser algo mesquinho e obscuro, mas na verdade é ago legitimo e comum. A unanimidade não é algo saudável e mesmo em questões como bem estar social, desenvolvimento sustentável e responsabilidade social diferentes visões podem existir. Grandes processos com engajamento de diversos setores tendem naturalmente a uma negociação de interesses, tanto no âmbito internacional quanto no âmbito nacional. Ainda assim, é claro que interesses mesquinhos e obscuros existem, e no caso da norma ISO 26000 isto também é verdade.



Desde o ano passado os representantes de alguns países passaram a agir de maneira mais agressiva no processo. Isto não é a toa, a norma esta chegando perto de sua publicação e a chance de excluir ou incluir itens esta diminuindo. Na reunião de Santiago, ocorrida em setembro de 2008, os representantes da China se posicionaram de maneira contundente contra alguns conceitos que a norma traz. Na época eles foram contrários ao avanço da norma e se opunham a diversos pontos específicos do texto, um dos focos principais de sua oposição foi o principio que a norma apresenta sobre normas internacionais de comportamento (veja a tradução deste trecho no final). Sua ação não foi bem sucedida e a norma avançou para o próximo estágio de construção sem que os pontos criticados pelos chineses fossem alterados.

Entre a reunião de Santiago e a reunião de Quebec (que esta ocorrendo agora durante os dias 16 e 22 de maio) representantes chineses enviaram cartas aos governos envolvidos e viajaram o globo para advogar que os organismos de normalização participantes (as ABNTs de cada país) votassem contra o avanço da norma. Não podemos afirmar com certeza que eles visitaram todos os países envolvidos na construção da norma, mas este parece ser o caso (estiveram inclusive no Brasil com o Itamaraty e outros ministérios, e também com a ABNT). Alguns países asiáticos parecem ter sido especialmente suscetíveis as pressões chinesas, inclusive alterando seu voto com relação à norma.

Aqui em Quebec o dragão já mostrou suas garras. Desta vez o discurso foi remodelado, ao invés de uma posição apenas negativa e de oposição a alguns trechos da norma, eles adotaram um discurso de preocupação solidária. Um dos principais motes, por enquanto, é a preocupação com os consumidores dos países em desenvolvimento. Em seu discurso dizem que se a norma trouxer expectativas muito altas isto poderia gerar uma elevação dos custos de produção e, como conseqüência, uma exclusão das camadas mais pobres de consumidores em países em desenvolvimento.

Ao escutar isto a primeira vez alguém pode até se sentir compelido a concordar, afinal o argumento parece mostrar uma preocupação genuína com as camadas mais pobres da população. Mas será que é isso mesmo?

Posso afirmar, com certeza, que não é. Este tipo de argumento nos coloca sobre uma falsa escolha e nega a própria natureza dos conceitos de responsabilidade social, desenvolvimento sustentável e sustentabilidade.

A falsa escolha colocada pelo argumento é a escolha entre preço e condições de produção. A responsabilidade social representa exatamente a mudança de paradigma que marca o fim da busca pelo maior lucro possível e o início de uma abordagem sistêmica onde se busca o equilíbrio entre as questões econômicas, ambientais e sociais. Se partirmos de um ponto de visto onde o preço baixo é o mais importante (mesmo que seja para garantir o acesso das pessoas) como ficam então as condições de produção com relação ao trabalho, ao meio ambiente, aos fornecedores e etc?

Partir do ponto de visto do preço nos colocaria em um circulo vicioso, onde mudanças estruturais na sociedade não poderiam ocorrer, pois ameaçariam o preço baixo.

Porém, se partirmos do ponto de visto onde o acesso a produtos é importante (e não o preço baixo para garantir este acesso) outras questões vêm a nossa mente. Por exemplo, salário mínimo, jornada de trabalho, descanso obrigatório, educação, saúde etc. Na nossa sociedade, além dos recursos financeiros precisamos de outros fatores para exercer o nosso papel de cidadão e de consumidor. Precisamos ter lazer, liberdade, educação, saúde, segurança, garantia de direitos e qualidade de vida em geral. Se tivéssemos todas estas questões asseguradas seria razoável presumirmos que o poder de compra da população aumentaria, haveria taxas baixas de desemprego e com isso os salários seriam mais altos. Ou seja, mudanças estruturais são interdependentes e permitem que o circulo vicioso seja rompido, permitindo um melhor qualidade de vida para a população em geral.

Outra maneira de percebermos a falsidade deste argumento é ampliarmos ainda mais abordagem. Acima discutimos a questão de um ponto de vista do desenvolvimento econômico e social. Devemos também levar em consideração que quando falamos em desenvolvimento sustentável estamos nos referindo a uma mudança de paradigma muito maior, estamos falando de uma mudança nos nossos valores e de nossos padrões de vida. Hoje já é claro, e inclusive cientificamente comprovado, que se continuarmos produzindo e consumindo da maneira que fazemos agora e na quantidade que fazemos agora, o resultado será apenas um: o da catástrofe. Não agora, talvez não amanhã, mas no futuro com certeza.

O planeta não consegue repor os recursos que retiramos e não suporta a quantidade de itens que despejamos (seja emissão de gases ou lixo sólido). Quando falamos de desenvolvimento sustentável, responsabilidade social e sustentabilidade estamos falando, então, de uma mudança grande na nossa sociedade. Estamos falando de não consumir na mesma quantidade e de não produzir da mesma maneira que fizemos até aqui. De não valorizar bens materiais como fazemos hoje, de não valorizar o luxo e a opulência como fazemos hoje. De abrir mão do acumulo, do “ter mais” individual pelo “ter mais” como grupo, como sociedade.

Quando os delegados chineses falaram no aumento do preço de produtos como um problema, em nenhum momento falaram em produtos e itens essenciais ou em qualidade de vida. A verdadeira preocupação mostrada por eles não é com o acesso a produtos que permitam melhorar o bem estar da população, mas sim com o consumo desenfreado e a vantagem competitiva chinesa de mão de obra barata. É a mesma valorização do crescimento econômico em si que estamos acostumados a ver e criticar, é a velha postura de não se considerar como igualmente relevantes as questões relacionadas ao meio ambiente e justiça social.

Sim, definitivamente o dragão mostrou as suas garras. Economistas e especialistas em comércio exterior gostam de utilizar a china como um exemplo de força e eficiência, e a figura do dragão é quase sempre utilizada para simbolizar isto. Porém, em uma discussão sobre responsabilidade social a China não é um exemplo, muito pelo contrário. Por enquanto os representantes chineses estão confirmaram isto nesta reunião de Quebec, mas esperamos que neste fórum o peso político e econômico chinês não tenha a mesma repercussão que em fóruns econômicos tradicionais.

------------------------------------------------------------------------------------------------
Este trecho foi extraído da tradução livre feita pela ABNT do documento ISO/TMB WG SR N 157, sujeita a erros ou imprecisões. (Versão 02 – 11.02.2009)

4.7 Respeito por normas internacionais de comportamento

O princípio é: uma organização deveria respeitar as normas internacionais de comportamento, ao mesmo tempo em que adere ao princípio do respeito ao estado de direito.

- Nos países onde a lei nacional ou sua regulamentação não prevêem proteções ambientais ou sociais mínimas, uma organização deveria esforçar-se para respeitar normas internacionais do comportamento.

- Onde a lei nacional ou sua regulamentação proíbem organizações de respeitar normas internacionais do comportamento, uma organização deveria esforçar-se para respeitar tais normas na maior extensão possível

- Nas situações de conflito com normas internacionais do comportamento, e onde não seguir estas normas traria conseqüências significativas, uma organização deveria, se possível e apropriado, rever a natureza de seus atividades e relacionamentos dentro dessa jurisdição.

Uma organização deveria considerar oportunidades e os canais legítimos para procurar influenciar organizações e autoridades relevantes para remediar tais conflitos na lei nacional e na sua execução.

Uma organização deveria evitar cumplicidade nas atividades de uma outra organização que não atenda normas internacionais de comportamento.

Em caso de dúvida ou discordância, recomendamos antes consultar a versão original, em inglês

Caixa 2 Entendendo 928 cumplicidade

Cumplicidade tem significados legais e não legais.

No contexto legal cumplicidade foi definida em algumas jurisdições como o fornecimento consciente de auxílio substancial ao cometimento de um ato ilegal, tal como um crime.

No contexto não-legal, cumplicidade deriva das expectativas sociais amplas do comportamento. Neste contexto, uma organização pode ser considerada cúmplice quando ajuda no cometimento de atos indevidos por outros que a organização, através do exercício da devida diligência, sabia ou deveria saber que conduziria a impactos negativos substanciais no ambiente ou na sociedade. Uma organização pode também ser considerada cúmplice sepermanecer silenciosa ou tirar proveito de tais atos indevidos.

Leia Mais?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Comunicação e sustentabilidade: um assunto para se pensar

Mensagem enviada por Betina Sarue
São Paulo - SP - 11/5/2009

Terminou ontem o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade.

A proposta apresentada pelo Fórum sustenta que a comunicação é uma arma poderosa que deve ser usada em prol da sustentabilidade. "As resvoluções se ganham e se perdem de acordo com seu poder de fogo, mas também pela força de suas mensagens, seu poder de convencimento e a garra de seus defensores."

Neste sentido, Vincent Defourny, representante da UNESCO no Brasil ressaltou: a comunicação e a informação equivalem ao sistema respiratório de uma sociedade. Ele falou também sobre os quatro pliares da educação que são defendidos pela Unesco - aprender a conhecer, a fazer, a ser e a viver juntos. Parece mesmo que sem a solidificação deles na sociedade contemporanea, em sua totalidade, o desafio da sustentabilidade e da comunicação ficarão cada vez mais distantes.

O desenvolvimento sustentável é o desafio que marca o laço intergeracional da humanidade. O que cada geração deixa para as suas sucessoras? Qual será a nossa obra?

Este desafio precisa ser abraçado pela comunicação.

Fica a pergunta: como comunicar a sustentabiliade?


Leia Mais?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Uma experiência que vale a pena divulgar!

Mensagem enviada por Ana Fisch
Movimento Nossa São Paulo - São Paulo - SP - 28/4/2009

O mundo em transição - "Planeta Sustentável"

O movimento inglês Transition Towns, criado e disseminado pelo inglês Rob Hopkins, transforma cidades em modelos sustentáveis e independentes de crises externas

Imagine cidades inteiras sustentáveis, baseadas no comércio local, independentes do petróleo e de importações de alimentos. Pois elas já existem graças à visão e ação de Rob Hopkins, criador do movimento Transition Towns (Cidades em Transição). Assustado com a dependência exterior do Reino Unido em combustível e alimentação e sabendo que esse cenário de mudança climática e escassez de petróleo só irá piorar nos próximos anos, Rob decidiu que apenas suas ações individuais como permaculturista não iriam bastar.

Com a sua vasta experiência em ecovilas e como professor de universidade, construiu um plano de mudança com o objetivo de alcançar a resiliência que, neste caso, significava a capacidade de sobreviver a choques externos como a escassez do petróleo, crises na produção de alimentos, falta de água e energia. Incluiu, nesse plano, todos os setores da sociedade - governo, setor privado e cidadãos - e todos os aspectos da vida cotidiana - saúde, educação, transporte, economia, agricultura e energia.

Sua primeira vitória foi em 2005, em Kinsale, na Irlanda, onde ensinava na universidade local, com a histórica decisão que levou o município todo a adotar o movimento como seu plano de gestão. Hopkins mudou-se então para Totnes, na Inglaterra, e transformou-a em vitrine do movimento. Devagar, a cidade de 8 mil mil habitantes pretende chegar em 2030 totalmente
transformada e independente. Hoje já são mais de 110 cidades, bairros e até ilhas em 14 países do mundo convertidas na Transição.

O conceito é simples - apesar de trabalhoso - e flexível. Segundo Hopkins, cada comunidade adapta os doze passos iniciais do movimento à sua realidade e capacidade. Esses itens são apenas guias de como começar a quebrar a nossa dependência do petróleo, revendo os modelos de economia, comida, habitação e energia. Assim, essas cidades funcionam tanto no Japão quanto nos Estados Unidos ou no Chile. A idéia é parar de depender - ou depender minimamente - da tecnologia e voltar ao tempo onde não precisávamos de geladeiras, carros, tratores e aviões. Técnicas e conhecimentos dos nossos avós e ancestrais são valorizados e resgatados.

Uma das frentes do movimento reeduca a população e estudantes em aptidões como costura, gastronomia, agricultura familiar, pequenos concertos e artes manuais como marcenaria. Iniciativas incluem a criação de jardins comunitários para plantio de comida, troca de resíduo entre indústrias ou simplesmente o reparo de itens velhos, ao invés de jogá-los no lixo. O investimento em transporte público e a troca do carro pela bicicleta é inevitável para a redução das emissões de carbono. Em Totnes até uma nova moeda - a libra de Totnes - foi criada para incentivar e facilitar transações com produtores locais.

Diferente dos fatalistas que prevêem o fim do mundo em 2012 ou quadros horríveis de fome, seca e morte, os adeptos do Transition Towns têm uma visão realista, mas positiva, do futuro. Acreditam na ação transformadora de comunidades e no trabalho pesado para mudar as estatísticas. Em entrevista exclusiva ao Planeta Sustentável, Rob Hopkins fala sobre a
origem permaculturista do movimento e de seu futuro.

Como surgiu a idéia do Transition Towns?

Toda a idéia do movimento surgiu através do meu trabalho como permacultor e professor de permacultura nos últimos dez anos. Quando comecei a me aprofundar sobre a crise de combustível e mudança climática, as ferramentas de resposta sobre o assunto eram as de permacultura. Mas o que eu percebi é que, apesar de a permacultura ser o sistema de design ideal para isso, o movimento é ainda muito pouco conhecido e tem quase uma aversão embutida ao mainstream. Por isso, o que quis fazer através do Transition foi criar um modelo em que a permacultura fosse implícita ao invés de explícita, que ela estivesse escondida dentro do processo para que as pessoas a descobrissem se assim a desejassem.

Como você definiria o movimento?

Ele ainda está numa fase inicial de implementação, ainda é muito novo, mas é muito simples. É um modelo de doze passos que leva ao processo de quebra da dependência de combustível. E, assim, abrange tudo: comida, economia, moradia e por aí vai. É aplicar os princípios de permacultura para esse objetivo de independência, mas com a esperança de abranger muito mais pessoas, em todos os setores, não somente os que originalmente se interessariam pelo assunto. O movimento quer ser positivo e focado, mas também muito inclusivo. Ele tenta apelar para todos igualmente. E acho que aí está a chave de seu sucesso.

Você conseguiu um fato inédito de incluir governo, comércio, todos os setores nos planos das cidades. Como isso foi feito?

Com muito trabalho de persuasão e organização. É muito difícil, mas precisava acontecer. A permacultura precisava avançar muitos passos e rapidamente porque segura peças importantes do quebra-cabeças que vão ser os próximos dez anos. Não temos muito tempo a perder.

Já são mais de 110 comunidades engajadas no movimento, mas apenas uma na América Latina: no Chile. Você acha mais difícil os países em desenvolvimento se engajarem?

No Brasil, existem algumas pessoas interessadas no movimento, mas esse interesse ainda está no nível do contato e não da participação ativa. Acho que os desafios são diferentes porque o que focamos é a idéia de ser resiliente, ou seja, a necessidade de reconstruir o modelo de sociedade. Aqui no Reino Unido, por exemplo, nós desmontamos tudo e acabamos com a possibilidade de nos mantermos de forma independente. Nós nos tornamos dependentes do comércio internacional e compramos o que queremos pelo menor preço possível de outros países. Com isso, nos isolamos e nos colocamos no lugar mais perigoso que existe.

Nos países em desenvolvimento ainda há mais independência, mas isso começa a ser desvalorizado, a se perder e a ser destruído. Acho que, nesse caso, a primeira coisa a fazer é colocar o valor de volta na produção de alimentos e nos conhecimentos tradicionais, porque, quando perdemos o valor nessas áreas, é muito difícil recuperar. Mas o movimento se traduz para todos os tipos de sociedade e casos. Não é rigoroso, é apenas um conjunto de princípios que pode ser adaptado a cada realidade, a cada cultura e contexto. É mais um convite do que um modelo rápido e duro.

Quais são os novos desafios do Transition Towns?

Estamos desenvolvendo um modelo de treinamento, um curso de dois dias em que as pessoas aprendem tudo o que precisam para começar a transformar suas comunidades. Esse treinamento é uma organização que está formando grupos de treinadores em todo o Reino Unido e começa a atuar, também, nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Também estamos começando a dar consultoria para empresas em como elas podem ser mais
independentes de combustível e mais sustentáveis. Trabalhamos também com o governo local para encontrar soluções. Assim, enfrentamos todas as frentes: sociedade, comércio e governo. Além disso, o "The Transition Handbook - from oil dependency to local resilience" (Ed. Green Books) está sendo traduzido em várias línguas e pode ser comprado através do nosso
site.
Por: Thais Oliveira - Edição: Mônica Nunes

Leia Mais?