A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que, pela primeira vez em 15 anos, o número de pessoas subnutridas no mundo diminuiu: de 1,023 bilhão, no último ano, passou para 925 milhões, em 2010. Ainda que os dados do relatório divulgado nesta terça-feira pareçam satisfatórios, a FAO alerta que este número ainda é "inaceitável".
No total, houve uma redução de 98 milhões de pessoas, ou 9,6% entre os subnutridos. De acordo com a organização, a queda é consequência, em grande parte, da expectativa de retomada do crescimento da economia, particularmente em países em desenvolvimento, e da queda no preço de alimentos desde meados de 2008.
“Ainda que tenha ocorrido um esperado declínio, quase 1 bilhão de subnutridos no mundo continua sendo um número alto demais. Está acima do objetivo estabelecido pelas metas do milênio, que era de reduzir pela metade o número de vítimas da fome no mundo até 2015”, diz o relatório. A ONU estabeleceu no fim do século passado as “metas do milênio”, que previam que a proporção de pessoas subnutridas caísse dos 20%, do período entre 1990 e 1992, para 10% em 2015, não superando 400 milhões de pessoas.
PROGRESSOS
Apesar de não terem alcançado as expectativas, as últimas estatísticas disponíveis destacam progressos no sentido de alcançar as metas. De um percentual de 20% de desnutridos entre 1990 e 1992, passou-se para 16% em 2010, conforme a FAO. A partir de 2005-2007, vários países alcançaram ou estão prestes a alcançar o objetivo de reduzir a fome pela metade, entre eles o Brasil.
Segundo a FAO, para combater as causas da fome, os governos devem investir mais na agricultura, expandir redes de segurança e programas de assistência social, reforçar atividades que geram renda para as áreas rurais e urbanas mais pobres e criar mecanismos adequados para lidar com situações de crise e proteger as populações mais vulneráveis.
CONCENTRAÇÃO
De acordo com as estimativas da organização, 98% das pessoas subnutridas vivem em países em desenvolvimento, representando cerca 16% da população. Dois terços estão concentradas em apenas sete países: Bangladesh, China, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão - mais de 40% são chineses ou indianos.
As regiões com a maioria das pessoas desnutridas são a Ásia e o Pacífico, com 578 milhões. Essas regiões também registraram o maior declínio da desnutrição em 2010: 80 milhões. Na América Latina e no Caribe, a FAO estima o número de subnutridos em 53 milhões. A África subsaariana foi a região com a maior prevalência de desnutrição, registrando 30% e um declínio, em 2010, de 12 milhões.
Fonte: Planeta Sustentável
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Em 15 anos, fome no mundo diminui pela primeira vez
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Debate “RSE na Mídia” tem edição em Brasília
O debate será moderado por Veet Vivarta, secretário executivo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), e terá a participação de Alon Feuerwerker, colunista do jornal Correio Braziliense, Luciano Martins, apresentador do programa Observatório da Imprensa no Rádio, e Tereza Cruvinel, diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
SERVIÇO
O quê: Debate RSE na Mídia, com o tema “Transparência na Cobertura das Eleições”;
Quando: 18 de agosto de 2010;
Horário: Das 9h30 às 12h30;
Local: Auditório do Confea;
Endereço: SEPN 508, Bloco B, Térreo, Asa Norte – Brasília (DF);
Informações: Para obter mais informações, ligue para (11) 3897-2416 ou envie uma mensagem para redejornalistas@ethos.org.br;
Inscrições: O evento é gratuito. Para inscrever-se, clique aqui.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Desapego e Sustentabilidade
Por Zé Bueno
Em agosto deste ano, preso em um destes congestionamentos insuportáveis em São Paulo, senti uma estranha vergonha. Uma vergonha ao me perceber como mais um cidadão usando o carro como transporte, achando que os outros é que atrapalham o trânsito. Em outras palavras percebi que eu não era mais uma vítima do caos. Subitamente me percebi vilão da história. É claro que o meu carro não causa 200 km de engarrafamento. Mas outros milhões de pessoas pensando exatamente como eu, que o problema são os outros, isso sim causa um inferno.
Num surto de consciência cívico/ambiental decidi abandonar o carro na
garagem durante o mês de setembro e experimentar todos os outros meios de
transporte disponíveis: ônibus, metro, caminhada, taxi, carona, bicicleta e
trem. Hmmm. Ficar sem carro não quer dizer ficar a pé nem sinônimo de
imobilidade. Depois de 30 anos usando carro, praticamente uma adicção,
mergulhei nesta aventura. E gostei. Não virei xiita, nem xaato, e não estou
querendo pregar nada. Mas descobri coisas interessantes neste processo todo.
Entre elas que construir um mundo melhor passa por deixar coisas do mundo
pior. Isso envolve desapego de idéias, de hábitos, de padrões e de coisas. E
minha sensação é que - de modo geral - somos bem ruinzinhos neste quesito
desapego. A maioria quer mudança, mas não quer mudar. Tem muita gente
querendo mudar o mundo lá fora e deixando as pequenas coisas por perto para
outro dia. Ouço três vezes por dia ao menos a palavra sustentabilidade, mas
não ouço com essa mesma freqüência a palavra desapego. Para mim hoje, depois
da aventura de brincar de não ter carro, saber morrer é tão importante como
saber viver. O melhor: isso pode ser divertido e contagiante.
Conheça mais sobre o Zé Bueno no seu blog: http://zerobueno.blogspot.com/
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Construção sustentável avança no Brasil
O Sustainable Buildings & Construction Iniciative e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com a Universidade da Europa Central (CEU) realizou um levantamento mundial de dados sobre políticas públicas, apresentando soluções ecoeficientes para o setor de construção civil, principalmente no campo da eficiência energética.
Este levantamento foi traduzido e lançado no Brasil, no último dia 24 de agosto, durante o Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, em São Paulo, sob o título Avaliação de Políticas Públicas para a Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa em Edificações.
Conheça aqui exemplos de políticas que estão sendo realizadas no Brasil e saiba mais sobre alguns de seus resultados.
O levantamento verificou que as maiores oportunidades de redução de emissões nas edificações se encontram em medidas de eficiência energética. Por isso, fez uma lista de ações, divididas em quatro grandes estratégias e vinte políticas, que devem ser adotadas na operação de edifícios. Segundo o relatório do IPCC de 2007, os edifícios são responsáveis por 30% das emissões dos gases-estufa; a indústria de cimento é responsável por 12% das emissões. Se não houver um controle de emissões das edificações, não será possível reduzir o carbono na atmosfera.
No que diz respeito ao Brasil, algumas estratégias de redução apontadas pelo relatório já são utilizadas em edifícios comerciais, de serviços e públicos, com o apoio do Estado, quando é o caso.
Por exemplo: de acordo com esta publicação, uma das estratégias para melhorar a eficiência energética é a concessão pelo governo de subsídios, subvenções e descontos para a reforma de edifícios públicos. No Brasil, o Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica concede verbas a companhias de utilidades públicas estaduais e municipais, agências governamentais, empresas privadas, universidades e institutos de pesquisa que executem reformas visando eficiência energética. Entre 1986 (ano em que o Procel foi criado e teve início o subsídio) até 1998, houve economia cumulativa de 5,3 TWh em consumo de energia e de 169ktCO2 de redução de emissões.
Entre as políticas mencionadas pelo relatório, está a criação de normas para eletrodomésticos e a regulamentação de compras. No primeiro caso, de novo o Procel tem resultados a apresentar. Desde 1993, instituiu o selo Procel de Economia de Energia que é dado a eletrodomésticos, lâmpadas, motores, reatores, aquecimento solar, ventiladores de teto e lâmpadas de vapor de sódio. O selo é um prêmio entregue aos fabricantes destes produtos que atendem as normas de eficiências estabelecidas pela Eletrobrás. Para merecer o selo, os produtos são testados em ensaios por laboratório indicados pelo próprio Procel. O resultado é anunciado numa cerimônia todo final de ano e as empresas com melhores resultados ganham o selo. Em quinze anos de existência, o selo induziu processos e produtos que permitiram economia de energia equivalente às usinas de Jirau e Santo Antônio, segundo o Ministério das Minas e Energia.
Outra política mencionada pelo relatório é a etiquetagem ou certificação voluntária das edificações. O Brasil tem o Procel Edifica, um programa que busca incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação etc.) nas edificações novas, reduzindo os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente. Até 2012, a adesão é voluntária. A partir de então, a etiqueta será obrigatória.
Há cinco edifícios com a etiqueta no Procel Edifica no Brasil: Fatenp – Faculdade de Tecnologia de Nova Palhoça (em Palhoça /SC); Cetragua – Centro de Tecnologias Sociais para a Gestão da Água (em Florianópolis /SC); sede da Caixa em Belém; Agência da Caixa em Curitiba; Centro Tecnológico do Carvão Limpo
Esta é o tema de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no dia 28 de agosto.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Futebol e sustentabilidade
Mensagem enviada por Cristina Spera
São Paulo - SP
21 de agosto de 2009
O Coritiba completa seu centenário em 2009 e, como uma das comemorações, organizou o “jogo verde” contra o Palmeiras, no último dia 19 de agosto, no estádio Couto Pereira.
Por que verde?
Porque, com a parceria de uma consultoria ambiental, realizou um inventário das emissões da partida, levando em conta o deslocamento na cidade das torcidas, times e árbitros, hospedagem e viagens das delegações de fora, consumo de energia e água no estádio, produção de lixo orgânico e de resíduos sólidos e até queima de fogos de artifício. No total, foram 30 toneladas que foram compensadas pelo plantio de 30 árvores.
Esta atitude foi mero marketing ou alguns times de futebol no Brasil também vão puxar uma mudança cultural rumo à sustentabilidade? Aliás, a gestão responsável dos clubes pode acabar com a violência no futebol? As torcidas podem ter papel positivo na sociedade?
Esta é o tema de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 21 de agosto.
Se você quiser ouvir a íntegra deste comentário, clique aqui.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Construção civil industrializada: salto para a sustentabilidade?
Mensagem enviada por Cristina Spera
São Paulo - SP
A retomada das habitações populares no Brasil, graças ao incentivo estatal, está impulsionando a industrialização da construção civil em nosso país, baixando os custos e diminuindo a produção de resíduos. O Brasil tem um déficit de 8 milhões de moradias e precisa também de 1,5 milhão delas todo ano para dar conta da demanda vegetativa (pessoas que se casam, divorciam-se, enviúvam, saem da casa dos pais, etc). A construção e seus fornecedores empregam 15 milhões de trabalhadores (4 milhões deles diretos na construção) e são responsáveis por 18% do PIB. O macrossetor expandido demanda perto de 100 bilhões de reais / ano em minerais, metalurgia, material elétrico e madeira, entre outros itens, movimentando, assim, vários segmentos da economia.
Por outro lado, de acordo com a Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat), a informalidade é de 61% na construção e de 27% no segmento de materiais. Sem falar na geração de resíduos. A média mundial de resíduos de construção por habitante/ano, calculada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), é de 450 kg. No Brasil, isto representa um “lixo” de 80 milhões de toneladas por hab/ano, formado, basicamente, por materiais cerâmicos (52%), concreto (33%), argamassas (16%), gesso (15%) e madeira (8%).
Estamos diante de um cenário que pode levar a construção civil a um salto para a sustentabilidade? O setor tem potencial para criar centenas de milhares de empregos verdes imediatamente? Pode adotar a agenda do trabalho decente? Qual o papel do setor privado na solução dos problemas seculares delineados acima? E o Estado? Pode fazer mais?
Esta é a discussão feita por Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, no boletim Responsabilidade Social, da rádio CBN, no último dia 19 de agosto.
Se você quiser ouvir a íntegra deste comentário, clique aqui.
O boletim Responsabilidade Social vai ao ar pela rádio CBN FM, todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 15h. O boletim faz parte do programa CBN Total, apresentado por Adalberto Piotto.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Comunicação e sustentabilidade, uma conversa com Miriam Vilela, do movimento Carta da Terra
Conheça um pouco das questões relacionadas ao tema comunicação e sustentabilidade que foram debatidas em um sarau realizado pela equipe do Instituto Ethos com a participação de Miriam Vilela, diretora-executiva da Secretaria da Carta da Terra, órgão que coordena o movimento em todo o mundo, e Cristina Moreno, coordenadora da iniciativa no Brasil.
Como deve ser a comunicação para a sustentabilidade?
Algumas questões foram levantadas em relação à forma como comunicamos a sustentabilidade. Como dar sentido a esse conceito para que ele atinja o maior número de pessoas? Como vincular, por exemplo, a Carta da Terra a outros programas que já tocam a sociedade brasileira, por fazerem sentido para as pessoas? É preciso mudar o processo habitual de educação, que separa tudo em diferentes “caixinhas”. O be-a-bá da sustentabilidade nos ensina a importância de conectarmos tanto as responsabilidades como as ações para resolver cada problema, considerando o princípio a ser seguido.
Qual é a importância da sensibilização nesse processo?
A Carta da Terra é um movimento que possui várias portas de entrada. Pode ser a paixão pela luta contra a desigualdade social, por exemplo, bem como causas ambientalistas ou em favor dos direitos humanos. No entanto, a principal porta de entrada é aquela que mostra para as pessoas, entidades e empresas que elas têm a capacidade e o poder de fazer algo. A Carta da Terra é, portanto, uma chamada para o protagonismo. Cada um pode ser protagonista do movimento no local em que vive ou atua. E isso se dá a partir da percepção de que somos parte do problema e podemos ser parte também da solução.
Onde saber mais sobre a Carta da Terra no Brasil?
Como parte do trabalho de descentralização do movimento, estão sendo desenvolvidos sites nacionais para relatar a experiência da Carta da Terra nos diversos países. As atividades brasileiras podem ser encontradas no site A Carta da Terra em Ação – A Iniciativa da Carta da Terra Brasil.
Deixe a sua contribuição para este debate: comunicação e sustentabilidade, como aprofundar esta questão?
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Os "empregos verdes" e as relações de trabalho em uma sociedade "aspirante" a sustentável
Mensagem enviada por Leonard Almeida
Estudante de jornalismo
São Paulo - SP
No debate de ideias sobre as alternativas para um mundo sustentável, as grandes empresas tem uma importância fundamental. E um dos papéis que lhes cabe sociedade foi tema na mesa redonda 2 de discussão: RELAÇÃO CAPITAL–TRABALHO, A CRISE COMO OPORTUNIDADE PARA AVANÇOS E INOVAÇÕES NA AGENDA DO TRABALHO DECENTE. Um dos pontos tocados foi a necessidade de se manter a população empregada para o combate à crise econômica no Brasil.
Os palestrantes foram Artur Henrique da Silva Santos, presidente nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Sandrine Lage, fundadora da Sperantia, empresa portuguesa que realiza pesquisas de opinião em RSE (Responsabilidade Social Empresarial), e Janine Berg especialista em emprego da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Ficou clara a importância da criação de "empregos verdes", para um desenvolvimento sustentável conjunto entre cidadão e empresa, e a conscientização sobre a sustentabilidade no ambiente interno dessas organizações.
Representantes de instituições e órgãos de vários setores da sociedade estavam presentes na platéia. Moneide Arai, da Cavo Serviços de Saneamento, empresa de gestão ambiental do Grupo Camargo Corrêa, explica como eles trabalham esse processo de mudança. "Tentamos ensinar a complexidade do problema em toda sua estrutura, desde o faxineiro aos presidentes, através de ações, palestras, oficinas, sempre explicando o conceito do "Tripé da Sustentabilidade".
Sobre os projetos desenvolvidos e a geração de empregos verdes na Camargo Corrêa, Arai admite que ainda não existem objetivos concretos a respeito, mas um monitoramento das ações da empresa está sendo feito. "Ainda não temos metas específicas, mas estamos evoluindo aos poucos. Estamos mapeando todos os setores da empresa, identificando e informando os excessos e o que pode ser mudado, usando cerca de 25 indicadores de consumo, como o GRI Ethos", afirma Arai. Segundo ela, foi criada até uma diretoria de Sustentabilidade, o que explicita a preocupação da empresa com o tema.
Para Darci Bertholdo, funcionário da área de Políticas Sociais do Ministério do Planejamento, o Brasil "não tem experiência na área", mas devem ser construídas maneiras de se fazer sustentável sem abalar sua economia. Para ele, "o trabalhador também terá que se adequar".
Em relação à crise, com o problema das demissões em massa e as demandas sindicalistas por melhoria nas condições do trabalho, Arthur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT, apontou as dificuldades para que empresas, sindicatos e Estado negociem reformas nas leis trabalhistas.
Bertholdo afirma que a posição do governo deve ser a de mediador nesse debate, mas também lutar pelos direitos do trabalhador. "O Estado deve ser o mediador, mas também deve assegurar condições e direitos mínimos aos trabalhadores. Com a crise, percebe-se que o Estado é ainda relevante para manter o pacto antes estabelecido".
Berg relatou que a OIT estima que 3 milhões de pessoas ficarão desempregadas nos próximos meses na América Latina. Segundo ela, os empregos verdes podem ajudar a evitar esse problema, e ao mesmo tempo acelerar o desenvolvimento sustentável do país e a responsabilidade social da população.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Relatório do Greenpeace responsabiliza pecuária e o governo pelo desmatamento da Amazônia
Texto de Benjamin S. Gonçalves
Editor de publicações do Instituto Ethos
São Paulo, 5 de junho de 2009
De acordo com o estudo, marcas de produtos conhecidos, redes de supermercados e frigoríficos estão contribuindo involuntariamente para o agravamento do problema na região, com a colaboração do governo.
Após colher informações durante três anos, a organização não-governamental Greenpeace lançou nesta segunda-feira o relatório Farra do Boi na Amazônia. O levantamento conclui que a indústria pecuária nacional é a maior responsável pelo desmatamento da Amazônia. Invasão de terras protegidas e trabalho escravo também foram observados pelo relatório em fazendas que fornecem gado para o mundo todo.
Nos três anos de investigação, o Greenpeace rastreou o fornecimento de carne, couro e outros produtos bovinos para o mercado global por fazendas da região, estabelecendo pela primeira vez uma relação entre os danos da pecuária sobre a Floresta Amazônica e marcas famosas em todo o mundo, como Adidas/Reebok, Carrefour, Clarks, Gucci, Honda, Ikea, Kraft, Louis Vuitton, Nike, Prada, Tesco, Timberland e Wal-Mart.
O relatório acrescenta que o governo federal, responsável pela preservação da Amazônia, é um dos principais colaboradores para a destruição da floresta, ao conceder financiamentos a empresas do setor por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “No momento em que a empresa financiada pelo governo investe na região e monta uma unidade com capacidade para abater milhares de animais por dia, está sinalizando para os produtores que eles podem desmatar e ampliar a produção, porque os animais serão comprados”, comenta André Muggiati, coordenador da campanha de pecuária do Greenpeace.
De acordo com Muggiati, entre os frigoríficos implicados no desmatamento da Amazônia estão o Bertin, o JBS e o Marfrig, que receberam a maior parte dos US$ 2,65 bilhões investidos pelo BNDES em troca de ações para o governo federal, entre 2007 e 2009, em cinco grandes empresas, responsáveis por 50% das exportações de carne e couro brasileiros.
O levantamento informa ainda que a expansão da pecuária brasileira se concentra na Amazônia, onde 80% das áreas desmatadas são dedicadas à atividade. Observe-se que o país é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa em todo o mundo, sobretudo pela destruição da floresta.
Logo após a divulgação do relatório, os frigoríficos Bertin e JBS lançaram notas oficiais rebatendo as informações e afirmando que adotam critérios sustentáveis para a compra de matéria-prima. Ambos disseram que antes de contratar os produtores consultam a lista de propriedades embargadas pelo Ibama e a "lista suja" do Ministério do Trabalho. O Bertin informou que já excluiu pelo menos 165 fornecedores que estavam em uma das duas listas. O JBS, por sua vez, citou sua adesão ao Pacto Empresarial da Pecuária estabelecido em 2008 pela iniciativa Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia.Vale esclarecer que esse pacto estabelece compromissos que deverão ser acompanhados de ações concretas a serem relatadas pelos signatários. Até o momento o Comitê de Acompanhamento dos Pactos do Conexões Sustentáveis ainda não recebeu o relato de ações do JBS.
Já o Wal-Mart foi mais além e publicou seu posicionamento Repúdio à Pecuária Bovina Irregular na Amazônia, no qual informa que, em resposta aos fatos apresentados pelo relatório do Greenpeace, “já está em contato com seus fornecedores para obter explicações em relação às denúncias e, desta forma, tomar atitudes no curto prazo que sejam efetivas e sustentáveis”.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
5 de junho - DIA DO MEIO AMBIENTE
Texto de Benjamin S. Gonçalves
Editor de publicações do Instituto Ethos
São Paulo, 5 de junho de 2009
“MP da Grilagem” não pode virar lei
A aprovação da MP 458 pelo Senado, sob forma de projeto de lei, deixa indignados os defensores da Amazônia e da legalidade no país.
A Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária de terras da União na Amazônia Legal e acaba de ser aprovada pelo Senado, tem sido chamada de “MP da Grilagem” pelos defensores da Amazônia e da legalidade no país. O texto aprovado permitirá a legalização de 67,4 milhões de hectares de terras públicas na região, as quais poderão ser vendidas ou doadas sem licitação, até o limite de 1.500 hectares.
Também as empresas que ocuparam terras públicas até 2004 poderão legalizar essas ações, passando a ter direito sobre as propriedades. Os imóveis poderão ser revendidos após a concessão dos títulos – os médios e grandes depois de três anos e os pequenos após dez anos.
A senadora Marina Silva, uma das principais opositoras da MP, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vete pelo menos três artigos que, se mantidos, trarão prejuízos à floresta. “Um dos artigos amplia extraordinariamente as possibilidades de legalização de terras griladas”, diz a senadora. “O maior problema da MP 458 são as brechas que ela abre para anistiar os que cometeram crime de apropriação de grandes extensões de terras públicas, que agora vão se beneficiar de políticas pensadas originalmente para atender apenas a posseiros de boa-fé”, completa.
Outro propósito dos vetos solicitados pela senadora é impedir que aqueles que colocaram laranjas para cuidar de terras griladas possam agora regularizá-las. Além disso, é preciso limitar a regularização de terras por pessoas jurídicas que sejam proprietárias de outras propriedades rurais.
Também o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pedirá ao presidente que vete pontos da MP. Sua expectativa é de que o presidente Lula se reúna com os ministros responsáveis pela regularização de terras na Amazônia para discutir os vetos. Minc deve reunir-se com o ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, e com parlamentares para discutir os pontos que não podem ser aceitos pelo governo.
Nesta quinta-feira, 4/6, Minc se juntou a artistas do Movimento Amazônia para Sempre, que entregaram ao presidente da República um documento com mais de 1 milhão de assinaturas pedindo o fim do desmatamento. “Somos o único país que detém uma floresta tropical do tamanho da nossa. Então, a responsabilidade é nossa de continuar protegendo”, argumentou o ator Vitor Fasano, um dos líderes do movimento.
A atriz Christiane Torloni, também presente ao encontro, referiu-se diretamente à MP 458, dizendo que ela não pode virar lei: “Não podemos dar terras a quem não é legal. Não se pode dar terras a grileiros e laranjas”.
Para Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, a MP 458 tornou-se uma alforria para os que pilharam terras públicas na Amazônia. “Esperamos que o presidente Lula tenha a lucidez e a clareza de vetar os pontos que a sociedade civil organizada e lideranças – em especial, a senadora Marina Silva, em carta aberta – apontam como extremamente prejudiciais para o futuro da Amazônia e do país.”
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Timão na rota da sustentabilidade
Texto comentado por Paulo Itacarambi, na Rádio CBN
27/05/2009 - São Paulo
Na última segunda-feira, dia 25 de maio, a diretoria do Sport Club Corinthians Paulista reuniu-se em grande estilo para um evento inusitado no mundo do futebol: o lançamento do Relatório de Sustentabilidade 2008 do clube. Trata-se de uma publicação única no segmento esportivo mundial, elaborada com base nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), organização internacional com sede em Amsterdã, Holanda, que tem como objetivo desenvolver e disseminar diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade, adotados voluntariamente pelas principais empresas do mundo.
Com a elaboração deste relatório, o Timão dá o primeiro passo na estrada da sustentabilidade.
Dividido em 12 capítulos, o relatório abrange temas como gestão, governança, torcida, desempenho econômico, investimentos e ativos, futebol de base, ações de marketing e públicos estratégicos, além de trazer as demonstrações financeiras do exercício de 2008.
O conteúdo completo pode ser acessado pelo site www.corinthians.com.br.
Os jornalistas esportivos não deram destaque ao evento. E a iniciativa merece apoio e reconhecimento, pois engajar diretoria e partes interessadas para pensar uma organização sob o prisma da sustentabilidade é difícil numa empresa, imagine num time de futebol e no contexto esportivo brasileiro.
O lançamento desse relatório representa um momento histórico para o futebol brasileiro, porque mostra o caminho que, se adotado por todos os clubes, dará uma robusta contribuição ao principal desafio do movimento da sustentabilidade no Brasil, que é a construção da cultura da sustentabilidade.
O presidente Andrés Sanchez destaca um dos objetivos da sua gestão, na mensagem que abre o relatório: fazer o Timão ser reconhecido como o clube com a administração mais ética e profissional do futebol brasileiro. Para atingir esse alvo, o Corinthians precisa de todos os times e de todas as torcidas, porque, parafraseando Vinícius de Moraes, não há ética sozinha.
Assim, esse objetivo de gestão põe vários desafios ao Corinthians. Um deles é contribuir para a construção de uma “cultura de sustentabilidade” a partir do esporte. No âmbito doméstico, ampliar o diálogo com as partes interessadas e aprofundar as práticas de boa governança são duas tarefas titânicas. No âmbito externo, a diretoria poderia incentivar que outros times e mesmo as entidades que dirigem o futebol brasileiro adotassem práticas como ouvidoria e código de ética, bem como franquear instalações do clube para escolas públicas e realizar campanhas de cidadania.
Estamos num momento em que o Timão poderia atuar em cooperação com os demais clubes numa mobilização nacional em prol da vitória brasileira em duas Copas: a de 2014, no campo, e a de 2015, que é a dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). É que em 2015 a ONU vai reunir os países em assembléia geral para um balanço do que foi feito em relação aos oito ODM, lembram-se?
- Acabar com a fome e a miséria
- Educação básica de qualidade para todos
- Igualdade entre sexos e valorização da mulher
- Reduzir a mortalidade infantil
- Melhorar a saúde das gestantes
- Combater a aids, a malária e outras doenças
- Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente
- Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento
Que tal se o Corinthians e sua imensa Fiel entrassem na “briga” para o Brasil atingir os ODM até 2015? Uma das maneiras é incentivar as cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo a realizar as obras pensando nas demandas desses objetivos socioambientais. Se o Timão entrar em campo e os outros times também, fica mais fácil. E poderemos ter o orgulho de sermos campeões dentro e fora dos gramados.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Direto de Copenhague, Ricardo Young comenta a Cúpula Empresarial de Mudanças Climáticas
Texto enviado por Ricardo Young
Presidente do Instituto Ethos
Copenhague, 25 de maio de 2009
Pelo menos 700 CEOs de todo mundo estão reunidos em Copenhague, capital da Dinamarca, na Cúpula Empresarial de Mudanças Climáticas, para debaterem o papel das empresas na redução das emissões de carbono. O encontro é uma tentativa de unir a agenda da crise financeira com a da crise climática para levar à mesma Copenhague, no final do ano, uma agenda do mundo corporativo para a reunião COP 15 (Conferência Mundial sobre Clima das Nações Unidas).
O objetivo é que ela possa contribuir para aproximar governos em divergências ainda importantes para que a COP 15 em Copenhagen surja como a Conferência que fundamentará as bases de um novo ciclo de desenvolvimento pautado pela baixa emissão de carbono. Foi neste encontro e com este espírito que Al Gore iniciou a sua fala, logo após a abertura do Secretário Geral da ONU, Ban-Ki Moon.
Gore pontuou a tripla crise - a climática, a econômica e a de segurança energética - como resultantes de uma mesma causa: a profunda dependência que a humanidade tem de energia fóssil ( não disse, mas deveria, daquela parte da humanidade que tem acesso a ela...). Disse que o grande imperativo é sair da dependência de energias fósseis para as infinitas fontes de energia limpa e renovável do Sol, dos ventos e da energia geotérmica. Falou dos muitos exemplos nesta mesma direção como a da Dinamarca que já tem 25% de sua energia em base éolica ou mesmo das recentes medidas do Presidente Obama que estabeleceu metas de redução de emissões para a indústria automobilística e o cancelamento literal da construção de plantas termoelétricas movidas a carvão. Disse ainda que é indispensável que se crie valor para a mitigação de CO2, pois um gás invisível e inodoro dificilmente será reduzido sem compensação econômica. Gore também pontuou a crescente coragem e determinação do governo Obama de transformar os Estados Unidos independente de energia fóssil até 2020. Comparou a recente fala de Obama quando das metas de redução das emissões a de Kennedy no início da década de 60 sobre colocar o homem na Lua até o final da década. Reiterou a necessidade de ousar e sonhar para que o desafio da energia sustentável toque o imaginário das pessoas, sem o qual, não haverá o esforço necessário.
A fala de Gore foi enfática e determinada. Também aproveitou para reiterar um dos principais temas defendidos pelos EUA para Dezembro, ou seja, mecanismos de mercado como parte da nova regulação de serviços ambientais. Mas o mercado que ele se refere, seria um novo mercado, eivado de valores éticos e humanos. Como? Finalizou dizendo que esta geração será julgada pelas próximas e se elas nos acusarem de não termos tomado as ações que nosso tempo nos convoca, teremos falhado lamentavelmente.
Neste aspecto tanto Ban Ki-moon como Al Gore deram o tom: Copenhagen terá que ser o marco zero de uma nova economia e visão de desenvolvimento. Estabelecerá as bases para as regras de mercado e de regulação governamental e multilateral para os próximos 20 anos e isso tem que ser feito este ano sob pena da coesão política conseguida até aqui fragilizar-se e tornar tudo muito mais complicado. De fato, as mudanças climáticas não tem esperado em sua perigosa escalada.
Apesar do bom início, as lideranças empresariais presentes não pareciam estar a altura do debate. Limitaram-se a expressar concordância com o imperativo da economia verde mas não conseguiam dizer qual era a agenda do mundo dos negócios. Qualidade sofrível o debate dos CEOs. Considerando-os parte da poderosa elite mundial que será determinante para a mudança, é preocupante.
Por: Ricardo Young
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Ursula Burns e a importância da diversidade na cultura organizacional
Texto comentado por Paulo Itacarambi*, na Rádio CBN Para superar a crise, Mulcahy aplicou algumas receitas amargas tradicionais das cartilhas de negócios. Mas também investiu na mudança cultural. E agora, em 2009, passa o bastão para Úrsula Burns, como Anne funcionária de carreira da empresa e negra. É o primeiro caso, no mundo corporativo americano – e talvez mundial – em que uma mulher transfere o comando de uma das 50 maiores corporações do mundo para outra mulher. Não é o primeiro caso de mulher não-branca a ocupar posto tão elevado. Antes de Úrsula Burns, em 2006, Indra Nooyi, nascida na Índia, chegou ao posto mais alto na Pepsico e hoje é apontada como a executiva mais poderosa do mundo, homens incluídos. Mais importante, Indra foi a primeira mulher não americana a chegar ao posto de CEO numa múlti tão tipicamente americana como a Pepsico.
O que faz uma empresa gigante no setor, mas à beira da falência por crise e mudança de mercado, reagir e voltar ao topo? Estrita política de restrição de custos, demissões, enxugamento, novos produtos, marketing agressivo...Dificilmente, nesta lista, aparece o fator “diversidade” como impulsionador da virada. Será que não teve mesmo nada a ver?
A gigante que quase caiu que citamos acima é a Xerox. Em 2001, Anne Mulcahy assumiu o posto de executiva-chefe com a tarefa de reverter os sucessivos prejuízos e queda nas vendas. Na época, era uma das dez mulheres a ocupar um cargo semelhante. A diferença com as outra nove é a que Xerox encontrava-se numa encruzilhada, com seus produtos tornados repentinamente obsoletos pelo estouro da internet.
Tanto Indra quanto Úrsula são parte de um fenômeno global que está redefinindo o papel das empresas e, ao fazer isso, transfere poder para parcelas dos funcionários que antes se viam alijados desta possibilidade de ascensão.
Por que ainda não vemos este movimento ocorrer em grande escala no Brasil, se nos orgulhamos tanto de nossa diversidade? Por que nossas empresas, mesmos as nacionais, mesmo as estatais, ainda não conseguem dar voz e decisão aos representantes de todas as etnias que ajudam a construir o nosso país? Por que estamos dilapidando esta nossa riqueza, em vez de usá-la para alavancar nosso desenvolvimento ?
A sociodiversidade e biodiversidade brasileiras são duas grandes riquezas que a nossa sociedade vem dilapidando de forma irresponsável, em prejuízo para as futuras gerações. Em vez de as utilizarmos como âncoras do desenvolvimento de nossa sociedade, estamos destruindo-as em nome de um falso tipo de desenvolvimento que, no fundo, representa a expansão de um modo de vida insustentável, baseado na cultura do individualismo, da ganância, do consumismo, da mercantilização de todas as relações e da apropriação privada de tudo e de todos.
As nações indígenas, os quilombolas, o caboclo, o ribeirinho, o pantaneiro, enfim as populações que vivem nas florestas, cerrados e campos, cujas culturas acumulam conhecimentos de convívio humano em equilíbrio com os ecossistemas na natureza, estão sendo dizimadas sob o olhar complacente do restante da sociedade brasileira. Essas culturas têm um valor inestimável diante do maior desafio que a humanidade está enfrentando atualmente, o desafio de evitar sua própria extinção.
Além de prestarem um importante serviço à nossa sociedade e ao planeta de preservação da biodiversidade e de cuidados com a manutenção dos serviços ambientais, os conhecimentos desenvolvidos e reproduzidos durante séculos por aquelas culturas podem ser fontes de inspiração e aprendizagem para a grande tarefa da humanidade, que é a construção de um novo padrão civilizatório sem o qual nunca seremos uma sociedade sustentável e justa.
Entendo que este nosso diálogo sobre a cultura de convivência com o diverso é, sem dúvida, uma forma adequada de apontar caminhos para mudar a situação comentada acima. Para aprofundar nossa reflexão, devemos então nos perguntar: o que queremos em uma cultura de convivência do diverso? O que é preciso mudar? Onde? Como?
O que queremos em uma cultura diversa
Falo do meu próprio desejo, porque acredito que ele é convergente com o desejo da maioria das pessoas que querem uma sociedade com essa cultura diversa. Quero uma sociedade em que as pessoas, de forma individual e coletiva, valorizam a vida em todas as suas dimensões e por isso cuidam para que as relações entre os seres vivos, em especial entre as pessoas, se realizem em condições de igualdade, com ampla liberdade e total solidariedade.
A liberdade é condição indispensável para que cada um de nós possa escolher o modo de produzir a sua própria existência, realizando todo o seu potencial humano. E a igualdade é condição fundamental para a liberdade. Cada um de nós só é livre se o outro também for, porque o outro somos nós todos. Liberdade pressupõe igualdade e vice-versa. Dessa conjugação entre liberdade e igualdade, nasce a solidariedade. A existência de ambas depende de sermos solidários entre nós na responsabilidade em cultivá-las. Não temos, portanto, como escapar da solidariedade. Esta é uma condição de partida para vivermos em sociedade. Mais do que uma condição para vida em sociedade, é uma condição para a existência da vida. A vida é, ela própria, uma manifestação da interdependência entre os seres vivos. Não há como ser vivo fora dessa interdependência.
Quando dissemos “uma sociedade em que as pessoas, de forma individual e coletiva, cuidam para que as relações se realizem com igualdade, liberdade e solidariedade”, queremos dizer, com o termo “cuidam”, que as pessoas criam as condições necessárias para que o fato ocorra. Ele não ocorrerá naturalmente. Basta ver a história da humanidade, ou então nos reportarmos à nossa própria insatisfação que motiva esse diálogo.
A questão de fundo passa a ser a definição de quais são as condições que precisamos criar para vivermos com liberdade, igualdade e solidariedade. Passemos então às questões sobre o que, onde e como mudar.
Caminhos para a mudança
Para avançarmos rumo a uma sociedade sustentável, precisamos, antes de tudo, conceber-nos como parte integrante da natureza; como parte dessa relação interdependente entre os seres vivos que Fritjof Capra chama de “teia da vida”. Quando falo “conceber-nos”, estou querendo dizer “nascermos de novo”. Transformarmos a nós mesmos em novos sujeitos. Criarmos uma nova visão sobre nós mesmos, sobre a nossa relação com o mundo, com a natureza, com o outro e conosco. Com uma visão holística do mundo poderemos refundar nossos juízos mestres que orientam nossas estratégias de convivência com o outro e nossas ações para satisfazer nossos desejos mais profundos. Aqui entram nossos princípios e valores. O que é que de fato importa? O que nos é caro e do qual não abrimos mão?
Ao concebermos nossa inserção no mundo como parte de um todo dinâmico, em que a mudança de uma parte afeta a outra, passaremos a valorizar o bem-estar do outro e do coletivo como condição para nosso próprio bem-estar. Enxergaremos os limites das estratégias individualistas e consumistas como forma de melhorar nossa própria qualidade de vida. Mudaremos nosso conceito de sucesso, medido atualmente por nossa capacidade de adquirir produtos e serviços no mercado, para um conceito que considera nossa capacidade de conviver e cooperar. Veremos que nem tudo pode ser comprado (apropriado privadamente) e que, se for comprado, perde seu valor. Perceberemos que a mercantilização de todas as relações é causa e consequência da nossa dificuldade de conviver com o diverso.
Veremos que aquilo que no fundo nos move é a mesma força que também impulsiona o outro. E que, o que de fato interessa é o amor que podemos sentir em nossa relação com o outro; é podermos imprimir nos corações e mentes dos que nos cercam as emoções e os registros de quem somos e o que fazemos para transcender nosso curto período de vida. Afinal, o querem aquelas pessoas que se dedicam a ser o melhor naquilo que fazem? Basta-lhes sentir a satisfação da sua própria potência? Basta-lhes saber que são capazes de realizar seus desejos ou eles querem também nosso reconhecimento pelo seu “feito”? Sem o reconhecimento do outro ninguém constrói sua própria identidade.
Assim, outra condição que precisamos criar é o reinado da ética. Ética aqui entendida como as leis internas que nos impomos, fruto do diálogo interno que fazemos com o outro que está em nós, necessária para a nossa existência enquanto indivíduo e coletivo. Sem o outro não há individualidade. Também não há ética. Ou, como diz Humberto Eco, a ética nasce quando o outro entra em cena.
Mas de que ética estamos falando? Estamos falando da ética fundada nos valores de respeito a todas as formas de manifestação da vida, à integridade física e moral das pessoas e à dignidade humana. Estamos, portanto, falando da ética que se fundamenta em princípios de cuidado, solidariedade e responsabilidade na relação com o diverso.
Os cuidados individuais e as mudanças pessoais comentadas até aqui são centrais, mas não são suficientes para nos levar à sociedade que queremos. São necessários cuidados coletivos e mudanças no ambiente de convívio desse coletivo. Aliás, as mudanças de visão e comportamento das pessoas só se estabelecem como cultura se houver mudança no ambiente social em que elas convivem. Uma mudança realimenta a outra, estabelecendo um novo padrão coletivo para os indivíduos, o qual denominamos cultura. Uma cultura de convivência do diverso com liberdade, igualdade e solidariedade requer um ambiente social em que a cidadania seja plena e a confiança entre as pessoas seja o padrão predominante.
Estamos falando de uma sociedade em que as diferenças entre as pessoas e a riqueza cultural daí derivada são valorizadas como um bem da humanidade. Deixam de ser fontes de injustiça e passam a ser desejadas e celebradas como fontes de alegria e de desenvolvimento humano.
A travessia entre a sociedade atual e a sociedade que queremos ser representa um grande desafio coletivo. Além dos problemas já comentados no inicio, tomemos a situação das mulheres e dos negros no mercado de trabalho urbano, retratada nas pesquisas realizadas pelo Instituto Ethos sobre o perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas no Brasil, e teremos uma pequena medida da dimensão desse desafio.
De fato, a pesquisa nos revela a existência de dois grandes funis dificultando o acesso dos negros e das mulheres aos melhores empregos e cargos das empresas. O primeiro funil se verifica no acesso aos empregos e o segundo, que é interno, ocorre no acesso aos cargos. Na pesquisa realizada em 2007, por exemplo, as mulheres, cujas participações na população brasileira e na população economicamente ativa eram, respectivamente, de 51,3% e de 43,5%, alcançavam apenas 35% de participação no quadro de funcionários das 500 maiores empresas. E internamente, na ocupação dos cargos de chefia, sua participação reduzia-se gradualmente, até atingir apenas 11,5% nos cargos do quadro executivo.
Os dois funis são ainda mais estreitos para os negros. Representando 49,5% da população brasileira e tendo uma participação de 46,6% na população economicamente ativa, eles conseguem uma participação de apenas 25,1% no quadro funcional das 500 maiores empresas. No acesso aos cargos de direção, a queda de participação dos negros é radical, chegando a 3,5% nos cargos do quadro executivo.
Esses dados revelam como a desigualdade é mantida e reproduzida em nossa sociedade. Mas revelam também que, nas cidades, a atuação mais promissora para a mudança deveria se dar no mercado de trabalho. É lá que devemos colocar nossa melhor energia para construir essa nova cultura.
A estratégia de promover a diversidade com equidade nas organizações aparece como um caminho promissor. Primeiro, porque muitas empresas e outras organizações da sociedade já mostraram sensibilidade para essa questão. É assunto complexo, mas está ao alcance dessas organizações promover mudanças efetivas no quadro de desigualdade interna. Segundo, porque as mudanças de cultura implementadas no âmbito das organizações poderão ter um grande efeito indutor na cultura da sociedade. Mas tais mudanças não ocorrerão se ficarmos esperando que alguém faça alguma coisa. Nós é que temos de agir. Somos parte do problema e também podemos e devemos ser parte da solução.
*Paulo Itacarambi é vice-presidente-executivo do Instituto Ethos.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Comunicação e sustentabilidade: um assunto para se pensar
Mensagem enviada por Betina Sarue
São Paulo - SP - 11/5/2009
Terminou ontem o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade.
A proposta apresentada pelo Fórum sustenta que a comunicação é uma arma poderosa que deve ser usada em prol da sustentabilidade. "As resvoluções se ganham e se perdem de acordo com seu poder de fogo, mas também pela força de suas mensagens, seu poder de convencimento e a garra de seus defensores."
Neste sentido, Vincent Defourny, representante da UNESCO no Brasil ressaltou: a comunicação e a informação equivalem ao sistema respiratório de uma sociedade. Ele falou também sobre os quatro pliares da educação que são defendidos pela Unesco - aprender a conhecer, a fazer, a ser e a viver juntos. Parece mesmo que sem a solidificação deles na sociedade contemporanea, em sua totalidade, o desafio da sustentabilidade e da comunicação ficarão cada vez mais distantes.O desenvolvimento sustentável é o desafio que marca o laço intergeracional da humanidade. O que cada geração deixa para as suas sucessoras? Qual será a nossa obra?
Este desafio precisa ser abraçado pela comunicação.
Fica a pergunta: como comunicar a sustentabiliade?
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terça-feira, 28 de abril de 2009
Uma experiência que vale a pena divulgar!
Mensagem enviada por Ana Fisch
Movimento Nossa São Paulo - São Paulo - SP - 28/4/2009
O mundo em transição - "Planeta Sustentável"
O movimento inglês Transition Towns, criado e disseminado pelo inglês Rob Hopkins, transforma cidades em modelos sustentáveis e independentes de crises externas
Imagine cidades inteiras sustentáveis, baseadas no comércio local, independentes do petróleo e de importações de alimentos. Pois elas já existem graças à visão e ação de Rob Hopkins, criador do movimento Transition Towns (Cidades em Transição). Assustado com a dependência exterior do Reino Unido em combustível e alimentação e sabendo que esse cenário de mudança climática e escassez de petróleo só irá piorar nos próximos anos, Rob decidiu que apenas suas ações individuais como permaculturista não iriam bastar.
Com a sua vasta experiência em ecovilas e como professor de universidade, construiu um plano de mudança com o objetivo de alcançar a resiliência que, neste caso, significava a capacidade de sobreviver a choques externos como a escassez do petróleo, crises na produção de alimentos, falta de água e energia. Incluiu, nesse plano, todos os setores da sociedade - governo, setor privado e cidadãos - e todos os aspectos da vida cotidiana - saúde, educação, transporte, economia, agricultura e energia.
Sua primeira vitória foi em 2005, em Kinsale, na Irlanda, onde ensinava na universidade local, com a histórica decisão que levou o município todo a adotar o movimento como seu plano de gestão. Hopkins mudou-se então para Totnes, na Inglaterra, e transformou-a em vitrine do movimento. Devagar, a cidade de 8 mil mil habitantes pretende chegar em 2030 totalmente
transformada e independente. Hoje já são mais de 110 cidades, bairros e até ilhas em 14 países do mundo convertidas na Transição.
O conceito é simples - apesar de trabalhoso - e flexível. Segundo Hopkins, cada comunidade adapta os doze passos iniciais do movimento à sua realidade e capacidade. Esses itens são apenas guias de como começar a quebrar a nossa dependência do petróleo, revendo os modelos de economia, comida, habitação e energia. Assim, essas cidades funcionam tanto no Japão quanto nos Estados Unidos ou no Chile. A idéia é parar de depender - ou depender minimamente - da tecnologia e voltar ao tempo onde não precisávamos de geladeiras, carros, tratores e aviões. Técnicas e conhecimentos dos nossos avós e ancestrais são valorizados e resgatados.
Uma das frentes do movimento reeduca a população e estudantes em aptidões como costura, gastronomia, agricultura familiar, pequenos concertos e artes manuais como marcenaria. Iniciativas incluem a criação de jardins comunitários para plantio de comida, troca de resíduo entre indústrias ou simplesmente o reparo de itens velhos, ao invés de jogá-los no lixo. O investimento em transporte público e a troca do carro pela bicicleta é inevitável para a redução das emissões de carbono. Em Totnes até uma nova moeda - a libra de Totnes - foi criada para incentivar e facilitar transações com produtores locais.
Diferente dos fatalistas que prevêem o fim do mundo em 2012 ou quadros horríveis de fome, seca e morte, os adeptos do Transition Towns têm uma visão realista, mas positiva, do futuro. Acreditam na ação transformadora de comunidades e no trabalho pesado para mudar as estatísticas. Em entrevista exclusiva ao Planeta Sustentável, Rob Hopkins fala sobre a
origem permaculturista do movimento e de seu futuro.
Como surgiu a idéia do Transition Towns?
Toda a idéia do movimento surgiu através do meu trabalho como permacultor e professor de permacultura nos últimos dez anos. Quando comecei a me aprofundar sobre a crise de combustível e mudança climática, as ferramentas de resposta sobre o assunto eram as de permacultura. Mas o que eu percebi é que, apesar de a permacultura ser o sistema de design ideal para isso, o movimento é ainda muito pouco conhecido e tem quase uma aversão embutida ao mainstream. Por isso, o que quis fazer através do Transition foi criar um modelo em que a permacultura fosse implícita ao invés de explícita, que ela estivesse escondida dentro do processo para que as pessoas a descobrissem se assim a desejassem.
Como você definiria o movimento?
Ele ainda está numa fase inicial de implementação, ainda é muito novo, mas é muito simples. É um modelo de doze passos que leva ao processo de quebra da dependência de combustível. E, assim, abrange tudo: comida, economia, moradia e por aí vai. É aplicar os princípios de permacultura para esse objetivo de independência, mas com a esperança de abranger muito mais pessoas, em todos os setores, não somente os que originalmente se interessariam pelo assunto. O movimento quer ser positivo e focado, mas também muito inclusivo. Ele tenta apelar para todos igualmente. E acho que aí está a chave de seu sucesso.
Você conseguiu um fato inédito de incluir governo, comércio, todos os setores nos planos das cidades. Como isso foi feito?
Com muito trabalho de persuasão e organização. É muito difícil, mas precisava acontecer. A permacultura precisava avançar muitos passos e rapidamente porque segura peças importantes do quebra-cabeças que vão ser os próximos dez anos. Não temos muito tempo a perder.
Já são mais de 110 comunidades engajadas no movimento, mas apenas uma na América Latina: no Chile. Você acha mais difícil os países em desenvolvimento se engajarem?
No Brasil, existem algumas pessoas interessadas no movimento, mas esse interesse ainda está no nível do contato e não da participação ativa. Acho que os desafios são diferentes porque o que focamos é a idéia de ser resiliente, ou seja, a necessidade de reconstruir o modelo de sociedade. Aqui no Reino Unido, por exemplo, nós desmontamos tudo e acabamos com a possibilidade de nos mantermos de forma independente. Nós nos tornamos dependentes do comércio internacional e compramos o que queremos pelo menor preço possível de outros países. Com isso, nos isolamos e nos colocamos no lugar mais perigoso que existe.
Nos países em desenvolvimento ainda há mais independência, mas isso começa a ser desvalorizado, a se perder e a ser destruído. Acho que, nesse caso, a primeira coisa a fazer é colocar o valor de volta na produção de alimentos e nos conhecimentos tradicionais, porque, quando perdemos o valor nessas áreas, é muito difícil recuperar. Mas o movimento se traduz para todos os tipos de sociedade e casos. Não é rigoroso, é apenas um conjunto de princípios que pode ser adaptado a cada realidade, a cada cultura e contexto. É mais um convite do que um modelo rápido e duro.
Quais são os novos desafios do Transition Towns?
Estamos desenvolvendo um modelo de treinamento, um curso de dois dias em que as pessoas aprendem tudo o que precisam para começar a transformar suas comunidades. Esse treinamento é uma organização que está formando grupos de treinadores em todo o Reino Unido e começa a atuar, também, nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Também estamos começando a dar consultoria para empresas em como elas podem ser mais
independentes de combustível e mais sustentáveis. Trabalhamos também com o governo local para encontrar soluções. Assim, enfrentamos todas as frentes: sociedade, comércio e governo. Além disso, o "The Transition Handbook - from oil dependency to local resilience" (Ed. Green Books) está sendo traduzido em várias línguas e pode ser comprado através do nosso
site.
Por: Thais Oliveira - Edição: Mônica Nunes
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A participação brasileira na COP15, em Copenhague
Realizou-se nesta terça-feira, 31 de março, na sede do Instituto Ethos, em São Paulo, a primeira reunião do Grupo de Trabalho Copenhague, criado com o propósito de fortalecer a posição oficial brasileira na COP 15, reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima que ocorrerá em Copenhague, capital da Dinamarca, em dezembro deste ano. Formado por empresas associadas e coordenado pelo Instituto Ethos, o novo GT vai articular-se com outros setores da sociedade, no âmbito do Fórum Amazônia Sustentável.
O que o Brasil deve levar para a COP15? Saiba mais sobre o cenário atual das discussões.
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No encontro de Copenhague, representantes dos países-membros da ONU aprovarão uma nova agenda global sobre o clima, em substituição ao Protocolo de Kyoto. Essa nova agenda deverá estabelecer metas para a redução de emissões para todos os países, inclusive os chamados emergentes. No caso brasileiro, o foco será o fim do desmatamento da floresta tropical. A maior novidade esperada no COP 15 é a instituição de mecanismos de compensação para manter os serviços da natureza, entre os quais a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), que visa criar valores financeiros para que sejam mantidas em pé as florestas tropicais, evitando-se o desmatamento. A semelhança com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), estabelecido em Kyoto, é que um poluidor poderá comprar créditos de quem mantém e protege uma área florestal. A diferença é que o REDD propõe remunerar o proprietário de matas naturais que se proponha a protegê-las por, no mínimo, 60 anos. O mecanismo permite, assim, evitar a emissão de carbono e, embora seja atinente à Convenção do Clima, pode representar um dos mais promissores caminhos para a proteção da biodiversidade. O REDD pode levar de cinco a dez anos para se consolidar no âmbito da ONU, mas a estimativa é de que os mercados norte-americanos serão mais rápidos, podendo iniciar transações num período de três a cinco anos. Todavia, é importante chamar a atenção para o fato de o mercado mundial voluntário já ter começado. A Noruega, por exemplo, criou um fundo de US$ 500 milhões por ano para ser investido no desmatamento evitado. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu na semana passada a primeira parcela de recursos doados pelo governo da Noruega para o Fundo Amazônia, que vai financiar ações de combate ao desmatamento e de recuperação da Floresta Amazônica. Os US$ 110 milhões repassados são a primeira parte da doação norueguesa, que deve chegar a US$ 1 bilhão até 2015.O dinheiro vai financiar, com empréstimos não-reembolsáveis, iniciativas como manejo florestal, gestão de florestas, ações de controle e fiscalização ambiental, recuperação de áreas desmatadas e pagamento por serviços ambientais. Organizações não-governamentais, empresas, comunidades tradicionais e órgãos do governo poderão pleitear os recursos.Outros países e investidores poderão aportar mais recursos. Mas, para isso, o Brasil precisará definir critérios para sua distribuição e levá-los à reunião de Copenhague. Metas para o desmatamento já existem. No fim do ano passado, com o lançamento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o Brasil se comprometeu a reduzir o desmatamento em 70% até 2017 e a chegar ao desmatamento zero até 2040. Um estudo da consultoria McKinsey mostra que o Brasil é o país que mais tem a ganhar com a redução das emissões, pois as ações para esse fim custariam aqui menos de 10 euros por tonelada de CO2, enquanto a média mundial é de 18 euros. Essa vantagem financeira decorre do fato de a maior parte dos gases de efeito estufa no Brasil ser originária do desmatamento da Amazônia. Em outros países, os fatores urbanos têm um peso maior, o que implica mudanças mais radicais no modo de vida das populações. Basicamente, é mais barato deixar de desmatar do que substituir uma usina nuclear, por exemplo.O Brasil pode assumir a liderança das iniciativas mundiais de combate ao aquecimento global porque possui a maior área de floresta tropical do planeta (a Amazônia) e a matriz energética mais limpa. Para liderar, no entanto, o país precisa conquistar a credibilidade da comunidade internacional, por meio de ações que demonstrem claramente que sabemos lidar com nosso principal patrimônio natural: a Floresta Amazônica.Iniciativas com o Fórum Amazônia Sustentável e o Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia são exemplos de caminhos que o empresariado engajado no movimento de responsabilidade social pode oferecer para o modelo de sustentabilidade que o país precisa construir.Nesse sentido, o GT Copenhague coordenado pelo Instituto Ethos representa um canal para a iniciativa privada contribuir com as propostas do Brasil no COP 15, tanto para a criação do REDD como para o estabelecimento de critérios para a distribuição dos recursos desse mecanismo, promovendo o fim do desmatamento e a recuperação de florestas. A primeira reunião do GT Copenhague contou com a presença das seguintes organizações: Agropalma, Amata Brasil, Banco do Brasil, Cargill, EDP Energias do Brasil, Grupo Santander-Real, Instituto Ares, Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Instituto Envolverde, Itaú-Unibanco, Planeta Sustentável (Grupo Abril), Suzano, Vale e Wal-Mart. Contou também com a participação de Tasso Rezende de Azevedo, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, órgão do Ministério do Meio Ambiente.
quarta-feira, 18 de março de 2009
BEM-VINDOS!
Este é um canal aberto a todos os públicos interessados no movimento de responsabilidade social empresarial (RSE), para se comunicarem com o Instituto Ethos e entre si, possibilitando uma troca de informações aberta, livre e disponível a todos. Contamos com sua ajuda na construção desta ferramenta, que é um instrumento nosso para auxiliar na construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
Publique o seu post!
Ethos faz parceria com a SPM
O Instituto Ethos será parceiro da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) no desenvolvimento do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, cooperando na formulação de indicadores e fornecendo informações sobre a situação das mulheres nas empresas brasileiras.
A ferramenta foi lançada nesta terça-feira, no Memorial JK, em Brasília, durante a abertura do seminário Mais Mulheres no Poder: uma Questão de Democracia, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, participou do evento, que contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e da ministra da SPM, Nilcéa Freire, entre outras autoridades.
O Observatório Brasil da Igualdade de Gênero foi criado para acompanhar a presença das mulheres em atividades públicas e na iniciativa privada, com o objetivo de formular e aperfeiçoar políticas públicas voltadas para gênero nas esferas federal, estadual e municipal. Seu foco temático no primeiro ano de funcionamento será “Mulheres, Poder e Decisão”.
A ferramenta terá um site na internet e deverá funcionar por meio de grupos de trabalho compostos por representantes da sociedade civil, do governo, de organizações não-governamentais, de universidades e de agências internacionais.
Esses grupos farão o monitoramento e produzirão análises e conteúdos sobre indicadores, políticas públicas, comunicação e mídia e legislação.
No encontro, o presidente Lula afirmou que pretende enviar ao Congresso um projeto com o propósito de transformar a SPM em ministério. Para o presidente, o status de ministério dará ao órgão a liberdade orçamentária de que ele precisa, agilizando a elaboração e execução de políticas públicas.
Ricardo Young comentou que investir em políticas públicas que valorizem as mulheres colabora para o desenvolvimento do país. “Cada 10% do investimento nas mulheres em educação, saúde, trabalho e renda resulta em até 3% no crescimento nacional”, afirma. Pesquisas apontam que 90% da renda auferida pelas mulheres são investidos nos cuidados com a família, enquanto apenas 35% da renda dos homens têm o mesmo destino.
Publicado em: Notícias da Semana, do Instituto Ethos
