sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Desafios da transição para uma sociedade social e ambientalmente democrática

Por Jorge Abrahão
Um novo ano se inicia com a posse da primeira mulher presidente de nosso país e as expectativas são positivas para que possamos avançar no rumo de uma sociedade mais justa e sustentável. E para que isso se torne possível precisaremos enfrentar alguns desafios para continuar o processo de amadurecimento das empresas, dos governos e da sociedade como um todo para a consolidação das questões ligadas a responsabilidade social e ambiental.

Para efetivamente chegarmos a uma sociedade sustentável será preciso atuar em diversas dimensões.

A dimensão política com o aprimoramento da democracia representativa, pois é por meio dela que são tomadas decisões importantes que impactam a vida de todos, portanto, será fundamental não mais se postergar a reforma política. Precisaremos também aprimorar os mecanismos de democracia participativa com o fortalecimento dos conselhos comunitários em seus diversos campos de atuação, tais como, os de segurança, educação e ambiental. Também destaco a importância da participação direta do cidadão utilizando mais e melhor as leis de iniciativa popular e os referendos.

Já na dimensão econômica, existem grandes desafios para as empresas, podemos citar a melhoria de processos, como a substituição de matriz energética com investimento em energias limpas, a ampliação no tratamento de resíduos ou mudanças na logística como a substituição do transporte rodoviário pelo ferroviário, entre outros exemplos. Além é claro, das práticas da inovação e da visão de longo prazo com critérios de desenvolvimento sustentável, fundamentais para a consolidação das atividades empresariais.

Na dimensão cultural cabe refletir sobre a necessária mudança de comportamento de todos nós cidadãos, nos espaços públicos, no trabalho, em casa e que sejam reavaliados para se tornarem mais sustentáveis em nosso cotidiano. Como eu uso a água, como trato o lixo ou como eu utilizo as fontes de energia que estão a minha disposição. Aspectos como o da educação cidadã e do consumo consciente devem fazer parte de nossa vida de maneira definitiva. Ao tomarmos as decisões de consumo devemos considerar os impactos sociais e ambientais dessas ações.

A união de todas essas dimensões tem como objetivo maior garantir a erradicação da pobreza, a redução das desigualdades sociais e a melhor distribuição de renda no país. Em resumo, a urgente e inadiável busca pela melhor qualidade de vida para toda a sociedade.

Por todas essas razões, o Instituto Ethos está criando uma agenda, para os próximos 10 anos, ou seja, pensando 10 anos à frente, com o estabelecimento de ações concretas sobre o papel dos governos, das empresas, das organizações e dos cidadãos para que se faça uma perene e definitiva transição para uma sociedade mais sustentável.

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Brasil sai na frente no combate às mudanças climáticas

Ao ser assinado pelo presidente Lula no final do ano passado, o decreto nº. 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), transformou o Brasil no primeiro país em desenvolvimento a anunciar formalmente suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Segundo o Protocolo de Kyoto, o Brasil, como país em desenvolvimento, não estava obrigado a estabelecer metas de redução de gases. Mas tornou-se pioneiro ao prever suas metas voluntariamente, por meio da lei nº. 12.187/2009, que estabeleceu a PNMC, agora regulamentada. Tasso Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente (MMA), ressaltou a importância do comprometimento do Brasil em atingir as metas a que se propôs, afirmando que tal medida pode estimular outros países a seguirem seu exemplo.

De acordo com o decreto de regulamentação da PNMC, o país deverá chegar a 2020 emitindo no máximo 2,07 bilhões de ton CO2 eq (toneladas de dióxido de carbono ou equivalente) por ano, o que representa uma redução absoluta de 6% em relação às 2,19 bilhões de toneladas que o país emitiu em 2005, último levantamento apresentado pelo Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa divulgado em outubro de 2010.

Esse inventário quantificou as emissões brasileiras entre 1990 e 2005 e previu que, em 2020, o país poderá atingir a marca de 3,24 bilhões de ton CO2 eq, caso nada seja feito. O decreto estipula que sejam implementadas ações para que se reduzam entre 1,17 bilhões e 1,26 bilhões do total estimado. Essas ações são as seguintes:
• redução de 80% dos índices anuais de desmatamento na Amazônia Legal em relação à média verificada entre 1996 e 2005;
• redução de 40% dos índices anuais de desmatamento no bioma Cerrado em relação à média verificada entre 1999 e 2008;
• expansão da oferta de energia hidroelétrica, da oferta de fontes alternativas renováveis, notadamente centrais eólicas, pequenas centrais hidroelétricas e bioeletricidade, da oferta de biocombustíveis e incremento da eficiência energética;
• recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas;
• ampliação do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em 4 milhões de hectares;
• expansão da prática de plantio direto na palha em 8 milhões de hectares;
• expansão da fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares de áreas de cultivo, em substituição ao uso de fertilizantes nitrogenados;
• expansão do plantio de florestas em 3 milhões de hectares;
• ampliação do uso de tecnologias para tratamento de 4,4 milhões de m3 de dejetos de animais; e
• incremento da utilização na siderurgia de carvão vegetal originário de florestas plantadas e melhoria na eficiência do processo de carbonização.

A coordenação geral dessas ações será feita pelo Comitê Interministerial sobre Mudança Climática e sua implementação será acompanhada pelos representantes dos setores que compõem o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Planos de ação e setoriais

O decreto indica ainda que o PNMC será integrado pelos “planos de ação para a prevenção e controle do desmatamento nos biomas e por planos setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas”. Entre os primeiros, o decreto destaca o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal e o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado, não mencionando planos para outros biomas do país.

Com relação aos planos setoriais de mitigação e de adaptação, foram previstas reduções apenas para os setores de energia, por meio do Plano Decenal de Expansão de Energia, agrícola, pelo Plano para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, e siderúrgico, pelo Plano de Redução de Emissões da Siderurgia.

Outros sete setores econômicos – transportes; indústria de transformação e de bens de consumo duráveis; indústria química fina e de base; indústria de papel e celulose; mineração; construção civil; e serviços de saúde –, deverão elaborar seus planos de mitigação até 15 de dezembro de 2011, com o seguinte conteúdo mínimo:
• meta de redução de emissões até 2020, incluindo metas gradativas com intervalo máximo de três anos;
• ações a serem implementadas;
• definição de indicadores para monitoramento e avaliação de sua efetividade;
• proposta de instrumentos de regulação e incentivo para a implementação do plano; e
• estudos setoriais de competitividade, com estimativa de custos e impactos.

O decreto determina ainda que esses planos sejam construídos por meio de um amplo processo de consulta pública às partes interessadas, sobretudo aos representantes das atividades econômicas diretamente afetadas. Tais planos serão revisados a cada dois anos e poderão servir de base para um mercado nacional de crédito de carbono. Assim, os setores que emitirem menos que a meta estipulada em seu plano poderão vender créditos para os que ultrapassaram o limite de emissão.

Fórum Clima

Os avanços verificados com o lançamento e posterior regulamentação da Política Nacional sobre Mudança do Clima se devem, sem dúvida, ao diálogo estabelecido entre o governo e a sociedade sobre o tema. Entre os participantes mais ativos desse diálogo estão as organizações que compõem o Fórum Clima – Ação Empresarial sobre Mudanças Climáticas. Trata-se de um grupo de trabalho coordenado pelo Instituto Ethos e criado para acompanhar as ações das empresas que em agosto de 2009 assinaram a Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas, pela qual assumiram compromissos voluntários para reduzir seus impactos sobre as mudanças climáticas e propuseram ações ao poder público.

Para Branca Bastos Americano, secretária nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente, a carta aberta, lançada quatro meses antes da Conferência de Copenhague e da assinatura da lei que instituiu a PNMC, “ajudou enormemente o governo e a sociedade a apresentar o Brasil com uma posição avançada nas negociações gerais sobre o clima”.

Outra importante contribuição do Fórum Clima foi a realização, em abril de 2010, de um seminário para refletir e debater sobre a regulamentação da PNMC. Para Tasso Azevedo, essa foi a mais importante e profunda discussão efetuada sobre a questão. Realizado na sede da CPFL Energia, em Campinas (SP), o encontro produziu o documento Recomendações do Fórum Clima para a Regulamentação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, que em agosto de 2010 foi entregue, durante audiência na Casa Civil, a Tereza Campelo, responsável, no ministério, pelas questões relacionadas a mudanças climáticas.

O mais relevante, no entanto, são as ações desenvolvidas pelas empresas do Fórum Clima para o enfrentamento das mudanças climáticas, que podem ser conferidas na publicação Fórum Clima – Ação Empresarial sobre Mudanças Climáticas – Balanço de Ações 2009/2010, lançada em novembro de 2010. Por meio delas, é possível comprovar a decisiva contribuição que o setor empresarial pode dar para o necessário estabelecimento de uma economia de baixo carbono em todo o mundo.

Por Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Meta de corte de emissões sai em abril

Novo secretário estadual da área, Bruno Covas toma posse e anuncia que cada setor da economia de São Paulo terá de cumprir objetivos diferentes para atender à lei de mudanças climáticas; Estado quer reduzir 28,6 milhões de toneladas de poluentes

Até abril serão anunciadas as metas que cada setor da economia terá de cumprir para atender à lei estadual de mudanças climáticas. A lei, inédita entre os Estados brasileiros, prevê que o Estado de São Paulo reduza em 20% as emissões de gases de efeito estufa até 2020. Cada segmento econômico - agricultura, transportes, indústria - terá metas próprias, segundo o secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas, que tomou posse ontem.


Bruno Covas assume sem perfil técnico para o cargo
"O Estado de São Paulo já finalizou o inventário de emissões de gases de efeito estufa, lançado no mês passado, e agora estamos conversando com as demais secretarias para definir as metas setoriais", disse Bruno Covas. Ele adiantou que os principais meios para a redução de poluentes deverão ocorrer no setor de transportes. "Podemos estimular, por exemplo, o uso de ônibus a hidrogênio e bicicletas." No total, o Estado terá de reduzir em torno de 28,6 milhões de toneladas de gases que provocam o efeito estufa nos próximos dez anos.

Aos 30 anos, Covas foi o deputado estadual mais bem votado de São Paulo nas últimas eleições, quando recebeu 239 mil votos. Ele assume a Secretaria de Meio Ambiente sem ter um perfil técnico na área - Covas é formado em direito pela USP e em economia pela PUC-SP. Em seu primeiro mandato como deputado estadual, não apresentou projetos ligados ao meio ambiente.

Posse. Em seu discurso de posse, o neto do ex-governador Mário Covas acenou com uma proposta de continuidade na gestão ambiental do Estado e reiterou que está preparado para assumir o cargo. "Creio na justiça, na palavra, na democracia, no parlamento, na liberdade, na honra e, acima de tudo, no povo, e por essa última razão, só posso acreditar em desenvolvimento econômico que seja pensado a serviço das próximas gerações, o que só pode ser obtido de modo ambientalmente sustentável", disse ao auditório lotado.

O secretário terá um orçamento da ordem de R$ 850 milhões e deverá dar prioridade a projetos como o zoneamento econômico e ecológico (ZEE) da Baixada Santista.

"Tenho a responsabilidade de me desdobrar para ser tão bom quanto aqueles que me antecederam", disse Covas. Na plateia, estavam ex-secretários da pasta, como Xico Graziano e Fábio Feldmann, além da avó e viúva de Mário Covas, Lila Covas, cuja presença foi muito aplaudida.

Expectativa. A indicação de Bruno Covas ao cargo de secretário do Meio Ambiente pegou ambientalistas de surpresa. Na avaliação de Mário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, Covas tem um desafio pela frente. "Os demais secretários tinham perfil técnico e foram responsáveis pela construção do arcabouço de leis ambientais que hoje São Paulo possui", diz. Segundo ele, Covas terá pela frente a missão de não deixar que o Estado se acomode com os avanços já obtidos na área ambiental. "A secretaria tem um bom orçamento e um quadro técnico fantástico. É um ótimo começo."

Fonte: http://www.estadao.com.br/planeta/

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O poder de influência da mídia

Por Washington Araújo em 4/1/2011


A cultura de massa que temos está umbilicalmente conectada com a pauta apresentada instante a instante em algum dos veículos de comunicação em massa. Nada lhe escapa e, por isso mesmo, enorme é sua responsabilidade na criação da geração-consumo que temos "em nós" e também "diante de nós". Tendo como cenário as mudanças climáticas, a degradação ambiental e os extremos corrosivos da riqueza e da pobreza, a transformação de uma cultura de consumismo irrestrito para uma cultura de sustentabilidade ganhou força em grande parte graças aos esforços das organizações da sociedade civil e agências governamentais no mundo inteiro. A par com essas forças, e mesmo permeando-as, temos o poder de influência e onipresença da mídia. Existem situações-limite em que não é lícito ser espectador de espetáculo nefasto que nós mesmos produzimos. Alardear a desgraceira toda, desnudar os mecanismos de poder envolvidos no debate para se criar políticas públicas de alcance mundial e, acima de tudo, alertar que o futuro é hoje, são tarefas que os meios de comunicação não podem e não têm a quem delegar.

O estágio de "aldeamento"

Além das políticas de informação e tecnologias "verdes", a transformação que precisamos realizar vai exigir um exame sério da nossa compreensão acerca da natureza humana e dos "esquemas culturais" seguidos por instituições do governo, por empresários da área de educação e dos meios de comunicação ao redor do mundo. Perguntas sobre o que é natural precisam ser reexaminadas criticamente. A questão do consumo e da produção sustentável deverá ser considerada no contexto mais amplo de uma ordem social cambaleante que se caracteriza pela competição, violência, conflito e insegurança da qual ela própria é parte.

Os meios de comunicação poderiam considerar promover tais mudanças visando a um consumo e produção sustentáveis, algo que implicitamente nos levará a desafiar normas e valores culturais que têm promovido o consumismo a todo o custo. Concepções subjacentes deverão ser examinadas. Estas questões incluem concepções da natureza humana, do desenvolvimento (e da natureza do progresso e da prosperidade); das causas das recentes crises econômicas, dos processos de desenvolvimento tecnológico, dos meios e dos fins dos processos educativos. Uma tarefa gigantesca? Sim, mas não maior que o poder de mobilização e influência que os meios de comunicação em massa detêm, na medida em que o planeta chegou ao estágio atual de "aldeamento", ou seja, o planeta mostrou ser pequeno, ao alcance de uns poucos cliques na internet, ao alcance de imagens replicadas por satélites estrategicamente localizados.

Tempo de avançar

O alargamento das fronteiras da informação alargou também nossas visões do mundo e vestiu velhas palavras com novos e desafiados significados. A palavra "estrangeiro", quando utilizada nos anos 1950 – portanto, há bem pouco tempo –, trazia consigo sentidos de reserva, suspeita, medo e tudo porque nossos sentidos não estavam acostumados a ver nossos semelhantes residentes em outros continentes com aquelas nossas características humanas, plausíveis, reais. Hoje, a palavra "estrangeiro" perdeu as garras, depôs pretensos tentáculos venenosos e assim do nada deixou de nos causar emoções negativas. "Estrangeiro" passa a ser apenas mais uma palavra desdentada que não mais aponta para os demais como nossos dessemelhantes. E não ouviremos mais nos telejornais que tal evento "aconteceu no estrangeiro". É tudo Terra, é tudo azul, é tudo aquele pálido ponto azul perdido na imensidão do espaço. Há décadas "no estrangeiro" deixou de compor manchete em jornais. Isso se deu graças ao avanço dos meios de comunicação.

Estará a mídia, a grande mídia, preparada para promover novos conceitos de cidadania mundial, de paz internacional, de apreço e defesa dos nossos esgotáveis recursos naturais? Estarão os profissionais da comunicação desarmados o suficiente para municiar o inevitável debate sobre temas que afetam a todos, como a segurança mundial, os meios para a produção de melhores condições de vida a populações historicamente massacradas, massas anônimas da humanidade que somente entram no futuro pela porta dos fundos?

É vital que os meios de comunicação revejam sua missão, seus objetivos e se pautem por cima. Que não vejam apenas os dias que correm, mas que lancem o olhar sobre os próximos 20, 30, 50 anos. É tempo de aprendermos uns com os outros, de expressarmos perspectivas e experiências e avançarmos coletivamente rumo à construção de uma sociedade justa e sustentável. Isso tudo transcende esquerda e direita. Isso tudo abomina a partidarização política dos meios de comunicação.

Contradição paralisante

A questão da natureza humana tem um lugar importante no discurso sobre o consumo e produção sustentáveis, uma vez que nos leva a reexaminar, em níveis mais profundos, quem somos e qual nosso propósito na vida. A experiência humana é essencialmente de natureza espiritual: ela está enraizada na realidade interna, ou o que alguns chamam de "alma", que todos nós partilhamos em comum. A cultura do consumismo, no entanto, tende a reduzir os seres humanos a meros concorrentes, em consumidores insaciáveis de mercadorias e objetos freneticamente alvos de manipulação do mercado.

É comum aceitarmos como se certa fosse a noção de que deparamos com um conflito insolúvel entre o que as pessoas realmente querem (ou seja, para consumir mais) e o que a humanidade precisa (ou seja, um acesso equitativo aos recursos).

Como, então, poderemos resolver a contradição paralisante que, por um lado, desejamos um mundo de paz e prosperidade, enquanto, por outro lado, grande parte da teoria econômica e psicológica retrata seres humanos como meros escravos de seus desejos egoísticos?

"Sonhos impossíveis"

As faculdades necessárias para construir um mundo mais justo e uma ordem social sustentável são aquelas de sempre, estas mesmas que podem atribuir nobreza ao caráter humano: moderação, justiça, amor, motivos sinceros, serviço ao bem comum. Ora, tão antigas quanto elas, essas palavras vêm sendo julgadas ao longo dos séculos como ideais ingênuos. Sim, pensar grande, abarcar a espécie humana em um pensamento maior de fraternidade vem sendo rotulado como perda de tempo, ingenuidade rematada. Como se devesse merecer nossa atenção, ocupar nossos milhões de neurônios apenas aquelas questões mais comezinhas e que falem diretamente ao nosso bem-estar individual, à nossa "felicidade" pessoal. E, nada mais ridículo que isso, uma visão castradora do muito de bom e de belo e de justo que poderia ser nosso. E de todos nós.

Mas sei que devo insistir em um ponto: justiça, moderação, serviço altruístico à nossa espécie são algumas das qualidades necessárias para superar os traços de egoísmo, ganância, apatia e violência que no mais das vezes são fomentadas pelo mercado com as bênçãos de forças políticas que asseguram a vigência dos atuais padrões insustentáveis de consumo e produção.

A vida, não nos iludamos, é muito mais que arenga política, que escaramuças entre PT e PSDB. É tempo de entendermos a brisa que sopra nesta frase de Clarice Lispector: "O que alarga a vida de uma pessoa são os sonhos impossíveis."
Fonte: Observatório da Imprensa

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Por que ainda acredito em Papai Noel

Maurício Gomide Martins*

Durante toda a minha vida acreditei e continuo acreditando na existência de Papai Noel, o bom velhinho. Aquele que vive numa casinha acolhedora assentada em meio às neves dos países nórdicos. Emprega seu tempo todo fabricando, com a maior boa vontade e prazer, brinquedos para as crianças do mundo. Sabe de suas responsabilidades para o final de cada ano e as cumpre com rigor. Nessa época, sai em seu majestático trenó, arrastado pelas sempre fortes, fieis e dedicadas renas na sua viagem pelo globo, semeando alegria e felicidade para os infantes.

Muitas pessoas me perguntam como sou capaz de ser simplório durante tão longo tempo. Respondo que o bom velhinho existe mesmo, pois não há motivo para não existir alguém inteiramente dedicado a fazer brotar a felicidade na alma das cândidas crianças, sejam elas americanas, iraquianas ou afegãs, todas iguais. Já notaram o quanto é sincero e transparente um bebê nas suas expressões faciais? E segue assim enquanto estiver ligado ao círculo familiar. Merece, por isso, ser protegido com afeto e amor pelos pais, até que a força da correnteza social individualista o arranque dali para engrossar seu caudal coletivo, padronizado nos moldes desejados pelo sistema do ganha-ganha.

Todos nós deveríamos acreditar nas boas virtudes do Papai Noel e fazê-las prosperar contra as violências incrustadas na sociedade. As pessoas, em geral, desconhecem o prazer e conforto que me proporciona a fé inabalável na existência do Papai Noel. É de admirar a presteza e satisfação com que o bom velhinho exerce sua função inteiramente gratuita. Conta ele com apenas aquele antigo trenó e indômitas renas que nunca se cansam. Nunca fez acordos espúrios com políticos, sistemas econômicos e jamais praticou a corrupção ou utilizou sua imagem imaculada para outros fins que não fosse o bem. Ele é o baluarte de esperança de todas as futuras gerações.

Eu tenho que acreditar naquela valorosa e perfeita obra celeste, pois a criança que ainda habita meu ser tem todas as condições necessárias para viver num mundo de bondade, solidariedade, honestidade, sinceridade, amor, pureza, autenticidade de sentimentos e senso de justiça e gratidão, principalmente para com nossa mãe Terra que nos fornece todos os recursos necessários à vida; a minha e a de toda a biodiversidade.

Hoje aquele fantástico sonho infantil, que se tornou um ideal, está inteiramente transformado e descaracterizado pelos danosos interesses religiosos e comerciais. As renas foram substituídas por imensos aviões cargueiros; apareceram milhares de falsos Papais Noéis que nada têm a oferecer, senão o estímulo ao consumo. Papai Noel, nesta atual civilização, é uma imagem utilizada como instrumento para arrancar da alma dos incautos todas as formas de desejos de bens materiais. Os brinquedos de outrora, inocentes mas poderosos, que mexiam com a imaginação

infantil, foram expulsos de suas mentes e substituídos por outros modernos, monstruosos, que geram e exigem sentimentos de posse, poder, ganância e violência.

Essa onda insensível e arrasadora que varre, por igual, as mentes das crianças e adultos e que descaracteriza os autênticos valores da racionalidade humana, encontra no verdadeiro Papal Noel a resistência indômita e o abrigo seguro para os que não se conformam com a escravidão mental.

Não obstante o desvirtuamento e exploração mercantil que fazem desse heróico ancião, eu insisto em continuar acreditando no bom velhinho porque nele está a boa e justa causa, sintetizada na honestidade, sinceridade e justiça e que um dia há de suplantar as atuais adversidades.

Neste mundo de tanta hipocrisia, falsidade e destruição de valores, alguém tem que se opor a essa avalanche.

E esse alguém só pode ser o bom e suave velhinho, o verdadeiro Papai Noel da reminiscência de todos nós.

* Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

Nota: o livro “Agora ou Nunca Mais“, está disponível para acesso integral, gratuito e no formato PDF, clicando aqui.

Fonte: Mercado Ético

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Rio se espelha em Londres para promover olimpíada sustentável

Londres será a cidade sede da próxima olimpíada e os organizadores estão levando a sustentabilidade a sério em toda a estrutura do evento esportivo. Como o Rio de Janeiro em breve passará pela mesma experiência dos londrinos, as duas metrópoles aproveitaram para trocar experiências e estudar projetos de desenvolvimento sustentável. Além do esporte, as duas cidades têm outra coisa em comum, os problemas com a urbanização. A capital inglesa sofreu com a revolução industrial e os cariocas sofrem com a intensa densidade populacional. Diante desses obstáculos é preciso pensar em estruturas esportivas, mas também considerar os benefícios e melhorias que elas poderão trazer para a população local em longo prazo.

Dan Epstein, chefe inglês de Desenvolvimento Sustentável e Regeneração, explicou que os estádios e demais lugares de competição construídos em Londres poderão ser reciclados após a olimpíada. Exemplo disso é o ginásio que receberá os jogos de basquete, que foi projetado para receber dez mil pessoas, porém sua estrutura pode ser desmontada e reerguida em qualquer
outro lugar.
Outras construções foram projetadas com a possibilidade de redução na capacidade de lugares. Para que sejam adaptados a competições menores. No entanto, mesmo com todo o planejamento que vem sendo feito há anos, os altos valores gastos com as obras britânicas ainda geram muitas críticas.

O custo estimado para as construções é de R$ 26 bilhões. Considerando o fato de que o país ainda passa por uma crise econômica, os críticos aproveitaram para recriminar os valores absurdos que serão gastos para adaptar as estruturas no período pós-olímpico, que podem chegar a 90% do custo de toda a construção.
Os investimentos londrinos, no entanto, não serão usados apenas para a construção das arenas. Os britânicos planejam melhorar a estrutura de energia e transporte na região da vila olímpica. Além disso, os prédios que abrigarão os atletas durante o evento foram construídos no leste de Londres, uma região pouco habitada e com estrutura deficitária, com o intuito de revitalizar e valorizar a área.

A região será equipada com infraestrutura, que vai desde cabos elétricos até pontes e passarelas. A parte boa dessa reestruturação é que após a olimpíada parte da vila será transformada em moradia popular. A área recebeu um centro de energia e 16 quilômetros de tubulação para prover calefação emitindo metade do carbono em relação aos padrões tradicionais.

Os intercâmbios Londres-Rio serviram para que a cidade brasileira definisse metas sustentáveis desde o planejamento das estruturas. O embaixador britânico em Brasília, Alan Charlton, explicou que é importante considerar a sustentabilidade desde o primeiro minuto, pois não é possível adicioná-la depois. “Por isso é importante fazer isso agora no Rio de Janeiro, antes de construir mais para os jogos de 2016”, finalizou o embaixador.

Fonte: Movimento Nossa São Paulo, com informações da Folha

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

2010 foi bom para o desenvolvimento sustentável?

Por Paulo Itacarambi

Lendo as manchetes dos principais jornais, neste final de ano, temos a impressão de que nada mudou de fato. No entanto, fazendo uma avaliação mais profunda e menos apressada, podemos verificar que há, sim, o que comemorar em alguns temas muito importantes para a sociedade sustentável que queremos construir.


No que se refere ao meio ambiente, por exemplo, um dos fatos mais relevantes deste final de ano foi a entrada em vigor, em 10 de dezembro último, do decreto 7390/2010, que regulamenta a Política Nacional de Mudanças do Clima. O decreto estabelece que o Brasil deve chegar a 2020 emitindo, no máximo, 2,06 bilhões de toneladas de carbono por ano e informando o estágio de cumprimento dessa meta, por meio do relatório anual de emissões do país. Com a regulamentação dessa política, o Brasil se torna o primeiro país em desenvolvimento a estabelecer um limite para os seus níveis de emissões.

Vale lembrar que a meta estabelecida em lei e regulamentada por esse decreto é voluntária. Cada setor da economia terá que apresentar um plano de ações até o final de 2011. Os planos serão revisados a cada três anos e poderão servir de base para um mercado nacional de crédito de carbono. Dessa forma, os setores que conseguirem emitir abaixo da meta estipulada poderão vender créditos para os que tiverem mais dificuldade em reduzir suas emissões.

A meta voluntária assumida pelo governo brasileiro representa uma vitória para as empresas reunidas no Fórum Clima, as quais, em 2009, lançaram a Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas. Neste documento, elas assumiram voluntariamente o compromisso de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e incentivaram o governo brasileiro a fazer o mesmo. Um pouco antes da COP 15, em Copenhague, o presidente Lula anunciou as metas de redução para o país: entre 36 e 38% das emissões previstas até 2020.

No fim de 2009, o presidente sancionou a Política Nacional de Mudanças do Clima, que estabelece não só as metas de redução, mas uma agenda de redução para os diversos setores da economia. Este ano, foi a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, quem anunciou, em Cancún, durante a COP 16, a regulamentação dessa política, por meio do decreto 7390/2010.

Com o sucesso da iniciativa sobre a redução de carbono, as empresas resolveram agir, também voluntariamente, em outro tema estratégico para o desenvolvimento sustentável: a proteção da biodiversidade no país. Assim, em 23 de setembro, pouco antes da 10ª. Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP 10), as empresas Alcoa, CPFL, Natura, Philips, Vale e WalMart lançaram o Movimento Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade (MEB), com apoio de várias entidades – o Ethos, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (GVCes), a Conservação Internacional (CI), o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o Instituto Akatu, o Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), a União para o Biocomércio Ético (UEBT) e a WWF-Brasil.

O MEB publicou a Carta Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade, na qual os signatários se comprometem, entre outras ações, a adotar, em suas estratégias e nas das respectivas cadeias de valor, os princípios e objetivos definidos na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas e a contribuir para o estabelecimento de metas nacionais de preservação e uso sustentável da biodiversidade.

Na luta anticorrupção, a participação das empresas também foi decisiva para os avanços que a sociedade obteve em 2010. Foi um ano eleitoral e a sociedade brasileira mobilizou-se pelas candidaturas “ficha limpa”. Primeiro, com a aprovação da Lei da Ficha Limpa, projeto que surgiu principalmente da iniciativa do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e da Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci), que recolheram 1,3 milhão de assinaturas em favor do projeto de lei encaminhado ao Congresso. Como se sabe, a Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de políticos condenados pela Justiça em decisão colegiada. Em que pesem as decisões judiciais em favor de alguns políticos, essa lei “pegou” e deve incentivar o cidadão a escolher melhor os seus representantes no Congresso Nacional.

Graças também à mobilização, o MCCE e a Abracci criaram o portal Ficha Limpa, que funcionou durante toda a campanha eleitoral do primeiro turno, no qual os candidatos à presidência da República, Senado e Câmara dos Deputados puderam voluntariamente se cadastrar e informar as doações e os gastos de campanha. Apenas 77 candidatos (um à presidência, oito ao Senado e 68 a deputado federal) se inscreveram e atualizaram as informações semanalmente, como pedia o regulamento do portal. No entanto, em 65 dias de funcionamento, até 1º. de outubro, dia das eleições do primeiro turno, foram recebidas 470.775 visitas e 2.846.000 page views. A média diária de acessos ao site, na última semana antes do primeiro turno, ultrapassou 15 mil acessos por dia, mostrando aos candidatos que a sociedade está atenta ao financiamento de campanha. Pode ser um bom indício de que pretende acompanhar melhor a atuação dos parlamentares no Congresso.

A luta anticorrupção ainda teve alguns marcos importantes neste final de ano. Em 9 de dezembro, Dia Internacional de Combate à Corrupção, foi lançada uma iniciativa de e para empresas que fará avançar a integridade e a luta anticorrupção no mercado e nas relações com o setor público. É o Cadastro Empresa Pró-Ética, que avalia e divulga as empresas voluntariamente engajadas na construção de um ambiente de integridade e confiança nas relações comerciais, inclusive naquelas que envolvem o setor público.

Enfim, 2010 foi um ano de estabelecimento de alguns marcos importantes que vão servir de referência para a mobilização das empresas e da sociedade em 2011. Por isso, desejamos a todos um Natal de muita paz, pois a cidadania avançou.

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Consumo, responsabilidade social empresarial e direitos humanos

Os resultados de algumas pesquisas sobre desenvolvimento sustentável, consumo consciente e direitos humanos divulgadas durante o ano permitem desenhar um cenário interessante a respeito do comportamento das empresas e dos cidadãos brasileiros.

Uma pesquisa feita pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Walmart constatou que o cidadão brasileiro quer conhecer mais sobre sustentabilidade, mas ainda está pouco disponível para mudar o comportamento. Preocupa-se com questões como o desperdício de água e outros recursos naturais, mas ainda não consegue relacioná-las com os problemas do bairro ou da cidade onde mora. Este mesmo estudo informa, no entanto, que para 59% das pessoas ouvidas, a preservação dos recursos naturais deve estar acima das preocupações com a economia.

No último dia 14, foi lançada a pesquisa Ethos-Akatu sobre “Responsabilidade Social Empresarial: Percepção do Consumidor Brasileiro – 2010” confirma alguns dados do estudo do Ministério do Meio Ambiente.

Os comportamentos considerados sustentáveis que têm mais adesão do consumidor são aqueles que mexem diretamente no orçamento doméstico: apagar a luz em ambientes vazios, fechar a torneira enquanto escova os dentes e o chuveiro, enquanto toma banho, e assim por diante. Este consumidor tem alta expectativa na ação do Estado e também na atuação das empresas. Ele quer que o Estado obrigue as empresas a atuar de maneira a ajudar a construir uma sociedade melhor e que as empresas adotem ações responsáveis que beneficiem a sociedade, mesmo que elas não estejam previstas em lei.

A pesquisa Ethos-Akatu mostrou também que existe uma diferença entre as prioridades dos consumidores e as práticas das empresas. Por exemplo: 80% dos consumidores valorizam as práticas relativas às relações do trabalho, principalmente àquelas que promovam a diversidade de gênero e raça, bem como a igualdade de oportunidades e de salários. Estas práticas são prioritárias para 44% das empresas ouvidas no levantamento Ethos-Akatu. Há, neste ponto, uma falta de sintonia entre o consumidor e a empresa que pode ser mais profunda do que mostram os números citados. O consumo ainda não se integrou à cidadania. Ou seja, a empresa tem uma estratégia para “vender” seus produtos, que tem mudado para ir ao encontro da “nova classe média”. Para este consumidor é também cidadão e trabalhador que não se sente “identificado” com os valores e princípios da empresa.

Por quê?

Citando outra pesquisa, poderíamos tentar esboçar uma explicação para esta falta de sintonia entre consumidor e empresa. O “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil – 2010”, mostra que a inclusão de negros, mulheres e pessoas com deficiência no quadro funcional das empresas progride lentamente. O cenário ainda é de desigualdade nas grandes empresas do país que, teoricamente, detêm os melhores empregos.

A proporção de negros nas companhias aumentou de 25%, em 2007, para 31%. Os funcionários brancos passaram de 73% para 67%. No cargos de direção, 5,3% dos executivos são negros, diante de 3,5% verificados em 2007. No entanto, os diretores brancos ainda são 93,3%. Nos cargos de gerência e de supervisão, a proporção de negros é de 13,2% e de 25,6%, respectivamente.

A desigualdade aumenta quando se trata da mulher negra. 9,3% no quadro funcional, 5,6% na supervisão, 2,1% na gerência e 0,5% no quadro executivo mostram uma disparidade abissal entre a participação delas na composição da população brasileira: elas são 50,1% do total de mulheres presentes na população brasileira, ou 25,6% de toda a população do país.

Em outra categoria, apenas 1,5% do quadro de funcionários das empresas é compostos por pessoas com deficiência

Em relação às mulheres, a presença feminina aumentou nos cargos de diretoria, passando de 11,5% para 13,7%, mas diminuiu no quadro funcional geral, de 35% para 33,1%.

De acordo com o Instituto Norberto Bobbio, entidade promotora dos direitos humanos nas empresas, atos de racismo e de discriminação contra mulheres e pessoas com deficiência ainda fazem parte do cotidiano de muitas empresas. Num levantamento realizado pela entidade, 31% de funcionários de médias e grandes empresas do Rio e de São Paulo declararam que há chefes de que tratam os funcionários de maneira desrespeitosa; 11% sabem de casos de preconceito contra negros, mulheres, homossexuais e idosos no ambiente de trabalho. O desrespeito ocorre mais com funcionários de menor remuneração, justamente aqueles que compõem a “nova classe média” emergente, que está dominando o consumo no Brasil, atualmente. Estas atitudes também mostram que a desigualdade da sociedade é reproduzida no ambiente de trabalho.

A gestão socialmente responsável não pode mais separar consumo de cidadania, se quiser realmente contribuir para o desenvolvimento sustentável.

Adotar a diversidade como fator crítico de sucesso é questão de vontade política. Quem já fez ensina: estabeleça metas para cada segmento. Não se distraia. Em cinco anos, as disparidades diminuirão muito e até podem acabar.

O Brasil caminha para ser a quinta economia global. Não pode permanecer como uma das sociedades mais desiguais do mundo. A promoção da diversidade nas empresas é um passo decisivo para o desenvolvimento econômico andar junto com o progresso social.

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Excesso de iluminação das cidades agrava poluição do ar, diz estudo

Uma pesquisa divulgada na última semana pela Administração Oceanográfica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) mostra que a poluição luminosa das grandes cidades pode aumentar os níveis de poluentes na atmosfera. As informações são da BBC Brasil.

O estudo foi apresentado durante a reunião da União Geofísica Americana, em São Francisco, e mostrou que a claridade que é lançada para o céu interfere em reações químicas que ocorrem durante a noite e ajudam a limpar o ar da fumaça dos carros e fábricas.

Essas substâncias poluentes jogadas na atmosfera formam uma mistura de moléculas que a natureza tenta eliminar. Para isso, ela utiliza o óxido de nitrogênio, que quebra esses elementos químicos.

Caso não sejam destruídas, essas substâncias formam poluição e ozônio, que transformam o ar da cidade em algo irritante para as vias respiratórias.

O problema, segundo os estudiosos, é que essa “limpeza” acontece durante a noite, já que o óxido de nitrogênio é destruído pela luz do Sol.

A nova pesquisa aponta que a energia de luzes que ficam acesas durante toda a noite nos grandes centros urbanos está eliminando a substância da atmosfera.
Apesar de serem até 10 mil vezes mais fracas do que o Sol, as luzes artificiais podem causar sérios danos à atmosfera, afirmam os pesquisadores.

“Nossos primeiros resultados indicam que as luzes podem desacelerar a limpeza noturna em até 7% e elas também podem aumentar em até 5% os (elementos) químicos iniciais para poluição por ozônio no dia seguinte”, afirmou Harald Stark, do NOAA, à BBC.

Ele informou ainda que serão necessários novos estudos para quantificar os índices de ozônio que poderão estar no ar no dia seguinte. “Este trabalho será importante, pois muitas cidades estão perto de seus limites regulatórios em termos de níveis de ozônio. Então, até mesmo uma mudança pequena pode ser importante”, afirmou o cientista.

Soluções
Para limitar os impactos do efeito, Stark recomenda a substituição das lâmpadas utilizadas na iluminação pública das grandes cidades. A maioria utilizar lâmpadas de vapor de sódio ou halógenas.

A tecnologia mais indicada são luzes vermelhas, que afetam menos o óxido de nitrogênio. O problema, segundo Stark, é que poucas autoridades aceitariam utilizar esse modelos de lâmpadas na iluminação das cidades.

Uma alternativa mais simples e viável seria adequar a iluminação pública para mantê-la voltada para o chão. A prática é indicada por ativistas, que defendem que assim é possível evitar que o brilho das lâmpadas apague a luz das estrelas.

“Este efeito é mais grave no alto, no ar, do que diretamente no chão. Então, se você conseguir manter a luz apontada para baixo e não a quer refletida nos céus, para partes mais altas da atmosfera, então você certamente terá um efeito muito menor”, disse Stark.

Perigos da poluição luminosa
Essa não é a primeira vez que a poluição causada pelo excesso de luz é apontada como vilã do meio ambiente. Outros estudos já revelaram que o fenômeno pode trazer diversos problemas para a saúde dos seres humanos e ainda causar um desequilíbrio da flora a fauna local.

Estudos apontam que a exposição à luz durante a noite pode aumentar o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o de mama, além de prejudicar a qualidade do sono das pessoas, levando ao estresse, insônia e outros transtornos. Motoristas podem ter sua capacidade visual reduzida por alterações bruscas de ambientes claros para escuros e vice-versa.

O excesso de iluminação noturna também pode afetar a reprodução, migração e comunicação de espécies, como aves e répteis diurnos, que caçam somente durante a noite. A iluminação artificial nas praias também pode ocasionar a desorientação de filhotes de tartarugas marinhas ao saírem dos ninhos.

Até as plantas sofrem com o fenômeno. Pesquisas mostram que algumas espécies não florescem se a duração da noite é mais curta do que o período normal, enquanto outras florescem prematuramente.

Fonte: EcoD, via Mercado Ético

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O que o consumidor pensa sobre Responsabilidade Social Empresarial?

Foi lançada ontem em São Paulo a pesquisa nacional “Responsabilidade Social das Empresas: percepção do consumidor brasileiro”, um levantamento nacional que traz dados sobre valores e comportamentos do consumidor frente ao Consumo Consciente, além de percepções e expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial. Esta pesquisa foi realizada por iniciativa dos institutos Akatu e Ethos, com patrocínio de Bradesco, Faber Castell, Santander e Walmart e executada pela GfK.

A pesquisa ouviu 1.100 pessoas no Brasil e apresenta números comentados sobre comportamento e expectativas do consumidor. Desde 2003, o Akatu tem monitorado a evolução do comportamento dos consumidores, dividindo-os em quatro categorias de acordo com o maior ou menor grau de consciência em seu consumo. As quatro categorias são: indiferentes, iniciantes, engajados e conscientes. A distribuição por categoria é feita a partir da análise de 13 comportamentos de consumo que também são divididos em quatro segmentos: economia, planejamento, compras sustentáveis e reciclagem.

Entre outras conclusões, o novo estudo aponta que:

Quanto à segmentação dos consumidores pelo grau de adesão ao consumo consciente:

- O percentual de consumidores conscientes manteve-se estável em 5% do total. No entanto, com o crescimento populacional dos últimos 4 anos, a manutenção da porcentagem significou um acréscimo de 500 mil novos “consumidores conscientes” no mercado.

- O percentual dos consumidores “indiferentes”, que adotam até 4 comportamentos conscientes, aumentou entre 2006 (ano da última pesquisa) e 2010, indo de 25% para 37%.

- Somando os percentuais dos “engajados” e dos “conscientes”, temos que 3 em cada 10 consumidores já adotam mais de 8 comportamentos de consumo consciente.

Quanto à adesão aos comportamentos de consumo consciente:

- Os comportamentos ligados à Economia ainda são aqueles com mais altas porcentagens de adesão, passando dos 60%, em média. No entanto, a pesquisa registrou queda na adesão a eles, entre 2006 e 2010. Por exemplo: em 2006, 77% dos consumidores afirmavam que evitavam deixar luz acesa em ambientes desocupados; em 2010, 69% disseram praticar este comportamento.

- Os comportamentos ligados à Planejamento conseguem adesão de 40% dos consumidores, em média. Todavia, diminuiu a adesão a alguns comportamentos, entre as duas pesquisas. “Planejar compra de alimentos”, por exemplo, caiu de 55% para 48% entre 2006 e 2010.

- Os comportamentos de Reciclagem e Compras Sustentáveis que, em tese, exigem nível maior de reflexão e, portanto, mudança de hábitos, estão na faixa dos 30% de adesão. No entanto, são os grupos que mantiveram a estabilidade nos dois períodos.

- Não diferenças significativas de comportamento entre homens e mulheres nem entre regiões do país.

- Há diferenças de comportamento entre classes sociais, idade e escolaridade. Os consumidores menos conscientes tendem a ser mais jovens, com menos escolaridade e das classes C e D. Os mais conscientes, por sua vez, têm mais de 45 anos, instrução universitária e pertencem às classes A e B.

- Outro dado interessante: 70% dos que buscam informação sobre responsabilidade social têm acesso à internet.

Pelas informações acima, temos um perfil de consumo no Brasil que é o seguinte: o consumidor “médio” é ainda “indiferente” ao consumo consciente, de classe C e jovem. Quais as expectativas que ele tem em relação ao papel das empresas?

Este consumidor tem altas expectativas sobre o papel no Estado como regulador das atitudes das empresas:

- Nove em cada dez consumidores acreditam que as empresas devem desenvolver ações além do que está estabelecido na legislação.

- 63% acham que o governo deveria obrigar as empresas a tornar a sociedade um lugar melhor para todos.

- 62% pensam que os cidadãos deveriam pressionar os políticos pela criação de leis que obriguem as empresas a fornecer instruções claras sobre uso e descarte dos produtos.

Mas, este consumidor também acredita na força da sua mobilização

- 62% pensam ser importante que cada consumidor pressione as empresas para evitar danos ao meio ambiente.

Entre os pontos importantes para que o consumidor considere a empresa como sendo socialmente responsável estão:

- Relações do Trabalho (com 80% de respostas), destacando-se políticas de valorização da diversidade e promoção da equidade, como por exemplo, contratação e capacitação de mulheres, negros, pessoas com deficiência; dar igualdade de oportunidades; acabar com as diferenças de salários e benefícios, não utilizar trabalho infantil ou análogo à escravidão, etc).

- Relações com o consumidor ( 69% das respostas), com destaque para a proteção e saúde doconsumidor ou cliente.

Também são consideradas importantes pelo consumidor as práticas anti-corrupção e a manutenção de programas de alfabetização.

Quase metade não acredita nas informações prestadas pelas empresas. Por quê?

A verdade é que o consumidor sente falta de referências e indicadores confiáveis que “comprovem” para o consumo ( não para órgãos fiscalizadores ou auditores) o comportamento socialmente responsável das empresas. Por enquanto, este consumidor não consegue separar o que é mera declaração ou “marketing” verde de comportamento socialmente responsável de fato, internalizado na gestão e no planejamento estratégico do negócio.

Como a empresa pode então tornar-se mais confiável aos olho do consumidor?

Uma das maneiras é estabelecer compromissos claros, com metas, objetivos e prazos bem definidos, e prestação de contas periódicas. Isto vai exigir da gestão um pensamento de longo prazo e de vanguarda, com investimento em práticas que produzam resultados que sejam percebidos e avaliados positivamente pela sociedade. Ao agir assim, a empresa estará sendo protagonista na construção construir o mercado e a economia do futuro, contribuindo para também elevar o patamar do mercado.

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