A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (GVces) vão realizar na próxima quinta-feira, dia 6 de maio, um evento em São Paulo para apresentar a versão preliminar da matriz de indicadores de sustentabilidade para instituições financeira. Estarão presentes representantes do Banco Central, do Ministério do Meio Ambiente, de organizações não governamentais e de diversos bancos. Na ocasião, os participantes vão poder dar sugestões e contribuir para a versão final desta ferramenta.
O objetivo é construir e implementar uma agenda comum de sustentabilidade na indústria financeira, alinhada aos princípios e diretrizes do Protocolo Verde.
Este “Protocolo Verde” é uma carta de compromissos socioambientais assinada originalmente pelos bancos públicos em 2008. Em abril de 2009, a FEBRABAN e o Ministério do Meio Ambiente assinaram este Protocolo que aborda, entre outros temas, o estímulo a práticas de sustentabilidade ambiental por meio de financiamentos; e os impactos e custos socioambientais na gestão dos ativos dos bancos.
Um dos compromissos estabelecidos pelos bancos signatários desse acordo é engajar seus stakeholders nas políticas e práticas de sustentabilidade e estimular a cooperação e integração de esforços. O encontro dá a partida a este processo.
Os indicadores que serão estabelecidos identificarão o status atual e a evolução da aderência e da implementação de ações pelo setor financeiro, tendo em vista os compromissos assumidos no âmbito do protocolo.
Esta iniciativa do setor financeiro do Brasil é pioneira no mundo e muito importante. Mostra que, com a regulação do sistema financeiro (feita, em nosso país, ainda nos anos 1990), criam-se condições favoráveis à auto-regulação. E esta auto-regulação que está nascendo a partir da matriz de indicadores e da agenda comum ao segmento sinaliza um possível caminho para a tão adiada reforma do sistema financeiro internacional. O processo de engajamento dos bancos brasileiros com a gestão socialmente responsável traz à cena fatos concretos que devem ser incorporados ao debate mundial sobre desenvolvimento sustentável.
A FEBRABAN tem um passo à frente a dar: estabelecer ferramentas que contribuam com o debate sobre a maior transparência e informação sobre o pagamento dos bônus.
Os princípios gerais do Protocolo Verde são:
1 - Financiar o desenvolvimento com sustentabilidade, por meio de linhas de crédito e programas que promovam a qualidade de vida da população, o uso sustentável dos recursos naturais e a proteção ambiental.
2 - Considerar os impactos e custos socioambientais na gestão de ativos (próprios e de terceiros) e nas análises de risco de clientes e de projetos de investimento, tendo por base a Política Nacional de Meio Ambiente.
3 - Promover o consumo sustentável de recursos naturais e de materiais deles derivados nos processos internos.
4- Informar, sensibilizar e engajar continuamente as partes interessadas nas políticas e práticas de sustentabilidade da instituição.
5 - Promover a harmonização de procedimentos, cooperação e integração de esforços entre as organizações signatárias na implementação destes Princípios.
Cada princípio geral é desdobrado em dois ou três critérios indicativos de ações que podem ser adotadas.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Matriz de indicadores de sustentabilidade para o setor financeiro
terça-feira, 27 de abril de 2010
Recomenda-se não respirar
O que pode fazer um cidadão paulistano para não morrer de doenças respiratórias por causa do ar da capital? Parar de respirar. Como isso não é possível, será preciso mudar de cidade ou morrer aos poucos. A manchete da Folha de São Paulo do último sábado não deixa dúvidas sobre a qualidade do ar que os milhões de moradores da capital e da grande SP inalam: ela piorou no primeiro trimestre de 2010, por causa do ozônio, gerado na queima do combustível dos milhões de veículos que transitam por nossas vias.
A presença deste gás na atmosfera vinha diminuindo desde 2006, mas voltou a aumentar nos primeiros três meses deste ano. De acordo com a medição da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), divulgada pela Folha no sábado, a qualidade do ar só foi boa em São Paulo em 17 dos 90 dias do trimestre. Nos outros 73, oscilou entre má, inadequada e regular, classificações que põem em risco a saúde da população.
Na opinião dos especialistas, o aumento do ozônio ocorreu por dois fatores principais: o crescimento da frota automotiva, principalmente de motos e veículos de passeio, e de variação climática natural. Dois eufemismos para amenizar a omissão dos poderes públicos e das empresas em relação à saúde pública.
Talvez mais do que outra cidade do mundo, São Paulo vive no limite de seus recursos. No que tange ao transporte, a situação é trágica. São Paulo e região metropolitana não têm vias suficientes para comportar os mais de seis milhões de veículos, quase um veículo para cada dois habitantes. O trânsito ainda flui porque apenas 30% da frota de carros de passeio circulam por dia. Se todos os proprietários de carros, motos, vans, caminhões e camionetes resolvessem sair de casa no mesmo dia, a cidade pararia num imenso congestionamento. E se neste dia ocorresse o fenômeno da inversão térmica, poderíamos morrer sufocados pelos gases poluentes que não se dissiparam na atmosfera.
Da parte do poder público, adotar soluções rápidas que incentivem o transporte coletivo é uma saída para a situação – gratuidade das passagens, ônibus mais confortáveis e em maior número são exemplos destas soluções.
Outro ponto fundamental para enfrentar a poluição é intensificar a inspeção veicular. De acordo com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, em 2009, a inspeção veicular teve adesão geral de 78%. Mas esta “média” esconde um fato relevante para a saúde pública: entre a frota que circula pela sociedade, só a de carros de passeio aderiu em 100% à inspeção veicular; nos outros segmentos, passaram pela inspeção apenas 35% das motos, 50% dos veículos leves a diesel e dos caminhões, bem como 75% dos ônibus. E estes são os veículos que mais poluem, seja porque não possuem os dispositivos antipoluição já encontrados nos carros de passeio, seja porque usam o diesel ainda “sujo”. São estes, também, os veículos que mais poluem, porque a circulação mais aumenta.
Enfrentar o problema exige a parceria entre a sociedade, as empresas e o poder público. As montadoras podem adotar tecnologias antipoluição nos veículos de qualquer tipo. As empresas de petróleo e gás podem fabricar um combustível mais limpo com urgência. Estas são questões centrais de responsabilidade social da empresa.
Os governos precisam intensificar o esforço de inspeção veicular e de regulação para impedir que aumente a poluição atmosférica.
A sociedade precisa mobilizar-se para proteger a saúde dos cidadãos. Que tal manifestar-se contra o projeto de lei do Senado 665/2007 que permite a venda de carros a diesel? Atualmente, o uso do combustível apenas em veículos pesados e utilitários é suficiente para matar 6 pessoas por dia, somente na capital paulista, e gerar custos de R$ 82,6 milhões com internações hospitalares pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na Região Metropolitana de São Paulo. Não se trata simplesmente de uma manifestação contrária ao carro a diesel, mas, a favor da preservação ambiental e da saúde pública.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Poste de iluminação com energia gerada por vento ou sol
Um empresário cearense desenvolveu uma alternativa de custo bastante baixo para iluminar as vias públicas. Um poste de iluminação movido a energia eólica ou solar.
O Ceará é um dos melhores locais, neste planeta, para geração de energia limpa, pelos ventos ou pelo sol. Por isso, um empresário cearense, Fernando Ximenes, proprietário da Gram Eolic, desenvolveu uma solução barata e acessível para iluminação pública: um poste cuja lâmpada acende com energia vinda do vento ou do sol. O nome técnico da invenção é Produtor Independente de Energia (PIE). Na verdade, trata-se de um poste feito de aço, com altura variando entre 12 e 18 metros, cujo topo abriga um avião de três metros de comprimento e uma bateria. O avião, fabricado em fibra de carbono e alumínio especial (mesmo material dos aviões comerciais), tem células solares de silício nas suas asas, que captam os raios ultravioletas e infravermelhos, transformando-os em até 400 watts de energia elétrica. Esta energia fica armazenada na bateria instalada logo abaixo do avião. As hélices funcionam como as pás dos moinhos de energia eólica. Quando começam a girar, impulsionadas pelo vento, elas também produzem até 1000 watts de energia que também vai para a bateria.
Quando escurece e o sistema de iluminação é acionado, a energia armazenada é utilizada, diminuindo a demanda sobre as centrais de distribuição via hidrelétricas ou térmicas.
Vantagens: cada poste com gerador pode fornecer energia para outros dois postes sem o equipamento, com seis lâmpadas LED cada um.
As fontes de captação eólica e solar funcionam em paralelo. Se houver sol, as asas captam a luz. Se houver vento, é a vez de as hélices trabalharem. Se ocorrerem sol e vento ao mesmo tempo, os dois sistemas trabalham sem prejuízo de um ou de outro. A bateria que armazena a energia destes captadores tem autonomia para 70 horas. Ou seja, se uma cidade ficar sem sol e sem vento, o poste ainda assim vai conseguir iluminar por até sete dias.
Outras vantagens:
- O poste eólico-solar gera uma economia de 21 mil reais por quilômetro/mês na conta da iluminação pública.
- A instalação do equipamento fica 10% menor que a do poste comum, porque não são necessários cabeamento, subestação e transmissão.
- Com isso, não há perigo de choques ou curtos-circuitos.
- Economia no consumo de energia em iluminação pública. De modo geral, ela representa entre 7 e 10% do consumo de uma cidade. Com os postes a conta pode cair pela metade.
Os estados de Goiás, Paraíba e Tocantins foram os primeiros a usar postes de iluminação pública a energia solar. Em maio do ano passado, foram instalados 500 postes em Patos (PB), 300 em Goiânia e 800 em Palmas (TO).
segunda-feira, 19 de abril de 2010
As tecnologias sustentáveis no dia a dia
A economia de baixo carbono que promove inclusão social, equilíbrio ambiental e resultado econômico com responsabilidade precisa de novas tecnologias para emergir. Estas tecnologias já estão sendo usadas em escala por muitos países. No Brasil, elas ainda não são tão populares quanto deveriam. No entanto, muitos inventores estão criando soluções diferentes para enfrentar problemas novos. E algumas destas soluções já estão sendo aplicadas pelas empresas. Elas poderão ser vistas na Mostra de Tecnologias Sustentáveis que vai se realizar entre 12 e 14 de maio, no Hotel Transamérica. A entrada é gratuita, mas é preciso se cadastrar antes no site www.ethos.org.br/mostra2010
Hoje, vou comentar duas delas que, de maneira simples, lidam com um dos grandes problemas da civilização industrial: o lixo urbano, reciclável ou não, promovendo, também, inclusão social e resultado econômico para quem a replica.
A primeira delas é a transformação dos resíduos de couro da indústria em blocos , lajotas e revestimento de parede para casas.
A idéia foi desenvolvida pela empresa CouroEcol, localizada em Franca, maior pólo calçadista do estado de São Paulo.
A CouroEcol desenvolve produtos derivados de resíduos de couro para a construção civil, para decoração de interiores, para brindes comerciais, etc.
Os blocos que serão apresentados na Mostra de Tecnologias Sustentáveis são fabricados a partir das aparas e resíduos de couro gerados pela produção de calçados. Estes resíduos são moídos e, depois, recebem a adição de um aglutinante à base de água (não poluente). Esta massa é transferida para moldes, prensada e encaminhada para secagem natural (ao ar livre), ao contrário dos tijolos tradicionais, cuja secagem é feita em fornos, a alta temperatura, com emissão de gás carbônico. Este produto tem baixo custo e traz vantagens econômicas para as empresas de calçados e curtumes e para os consumidores também. Para as empresas do setor calçadista, é bom porque, em vez de pagar para manter e levar os resíduos aos aterros sanitários especiais, encaminham-no para a Couro Ecol. O processo de fabricação da massa que dá origem aos blocos e revestimentos não gera resíduo. Para o consumidor é bom porque tem acesso a um produto de alta performance a um preço mais baixo que os tijolos e revestimentos tradicionais.
A outra tecnologia dá conta de literalmente acabar com o lixo urbano não reciclável, transformando-o em combustível para geração de energia, em vez de mandá-lo para o aterro.
A empresa Usina Verde S.A desenvolveu junto com a COPPE / RJ uma tecnologia de tratamento térmico do lixo não reciclável em sistema fechado de combustão a mais de 900ºC, e de purificação dos gases resultantes, adequando as emissões atmosféricas aos limites internacionais. Antes da queima é feita a separação dos resíduos sólidos recicláveis, tarefa executada por cooperativas de catadores que, depois, revendem os materiais para as recicladoras. Na queima, os gases da combustão têm seu calor recuperado numa caldeira na qual é produzido vapor com temperatura e pressão suficientes para movimentar um gerador de energia elétrica com capacidade para produzir 600 kWt de energia por tonelada de lixo queimado. Os gases resultantes desta segunda queima são filtrados para retirada das partículas poluentes e só depois liberados na atmosfera, dentro dos padrões exigidos pela legislação ambiental. A escória e as cinzas restantes do processo podem ser utilizados como material de pavimentação de ruas e estradas ou como base para a produção de tijolos e pisos.
Esta Usina Verde é, na verdade, um módulo de equipamentos que podem incinerar até 150 toneladas de lixo por dia ocupa área de cerca 12000 m², gerando 2,8 MW de energia elétrica para comercialização. Para se ter uma idéia, pelos padrões brasileiros, esse número atende cerca de 180 mil pessoas, e fornece energia elétrica para mais de 14 mil residências.
Para os municípios médios e para as Regiões Metropolitanas há soluções baseadas em módulos de 300 ton/dia ou Usinas integradas por dois ou mais módulos. Pela ausência de odores e ruídos, as usinas podem ser implantadas no perímetro urbano, o que reduz os custos de logística com o lixo.
No Brasil, das 150 mil toneladas de lixo urbano coletado diariamente, 40% são depositadas em aterros sanitários e controlados (sem tratamento do chorume), e as 60% restantes são dispostas em lixões ou lançadas a céu aberto em encostas, rios e lagos com conseqüências irreversíveis para a qualidade das águas, do solo e do ar.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O futuro está chegando a São Paulo?
Diversos meios de comunicação noticiaram hoje que a Prefeitura de São Paulo encomendou a Nissan Renault 50 carros elétricos que um modelo cujo lançamento mundial está previsto para o final do ano. Num primeiro momento, os veículos serão importados do Japão e irão para a frota da Companhia de Engenharia de Tráfego.
Este modelo tem autonomia de 160 quilômetros e o custo da recarga da bateria fica em torno de 3 dólares (mais ou menos 6 reais).
O carro elétrico é projeto antigo de muitos fabricantes. A maioria dos países com indústria automobilística já tentou desenvolver um modelo próprio, inclusive o Brasil. No entanto, eles nunca ultrapassaram a fase de protótipo.
Agora que problemas como poluição e qualidade de vida ganham outra dimensão na sociedade, em face das conseqüências das mudanças climáticas, o carro elétrico ganha as linhas de produção e, em breve, as ruas das cidades de todo o mundo.
A combustão dos veículos movidos a combustível fóssil não só eleva o nível dos gases de efeito estufa na atmosfera, como mata. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), treze mil pessoas morrem por ano, no Brasil, em conseqüência da poluição do ar. A mesma entidade alerta que a poluição mata nove pessoas por dia só na cidade de São Paulo.
O limite, para a qualidade do ar, de material poluidor inalável preconizado pela OMS é de 20 microgramas por m3. Em São Paulo, este índice é de 40 microgramas por m3; e no RJ, de 60 microgramas por m3, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). Estudos da Universidade de São Paulo revelam que 70% deste material é proveniente das emissões dos veículos, principalmente dos carros de passeio. Esta frota não para de crescer. Nos últimos dez anos, a população cresceu 16% e o número de veículos, 67%.
Com isso, circulam pela capital paulista, mais de seis milhões de veículos e mil novos modelos são incluídos a este contingente todos os dias.
Carlos Ghosn, CEO da montadora, ressalta que o carro elétrico precisa de incentivos, diretos ou indiretos, ao menos até a produção atingir entre 500 mil e um milhão de veículos anualmente. Sem isso, o preço da unidade fica muito acima do bolso do consumidor. O executivo também explica que para trazer uma linha de montagem de carros elétricos ao Brasil, é preciso haver mercado para no mínimo 50 mil unidades por ano. Hoje, estes modelos são fabricados apenas nos EUA, no Japão e na França.
Uma das maneiras de reduzir a poluição do ar é o carro elétrico. A prefeitura paulistana deu um primeiro passo, mas é bom lembrar que, entre as metas que assumiu até 2012, constam a redução de 30% das emissões de GEE; a substituição de 70% do troleibus por veículos mais novos e 25% da frota de ônibus por modelos menos poluidores; atingir 100% da frota com inspeção veicular; financiar 18 projetos com recursos da venda de créditos de carbono; e reduzir, a cada ano, 10% das ocorrências por infecção respiratória aguda.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
A tragédia de Niterói, a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Responsabilidade Social Empresarial
Quando o morro do Bumba veio abaixo, soterrando centenas de vidas, deixando outras centenas ao desabrigo e destruindo famílias e sonhos, alguém pensou que esta tragédia também tem a ver com o nosso modo de vida consumista? E que as empresas, além do poder público, também falharam em seu papel social?
A omissão do poder público é sempre mais fácil de detectar. O Morro do Bumba foi um lixão de 1970 a 1986. Com o saturamento da área, a prefeitura de Niterói passou a levar o lixo da cidade para um aterro em Duque de Caxias e proibiu a ocupação do local. Mas, como ocorre em toda a cidade brasileira, logo surgiram algumas casinhas de alvenaria que não foram retiradas. Com isso, outras casinhas foram sendo construídas e, num prazo muito curto, estava formada uma nova comunidade que começou a reivindicar melhorias urbanas, que foram chegando. Nada disso impediu o deslizamento, pela topografia do terreno. Outro lixão de Niterói, o São Lourenço, hoje é um bairro totalmente urbanizado e regularmente ocupado.
Não quero aqui comentar os desmandos dos diversos governos que permitiram a ocupação de uma área totalmente inadequada para a construção de residências. Este aspecto vem sendo tratado pela imprensa. Quero, sim, ressaltar que as empresas e a sociedade também têm sua parcela de culpa, pela maneira com que se lidava e se lida com o lixo. Niterói chegou num ponto que não tem mais onde pôr seu lixo, situação idêntica a de muitos municípios brasileiros.
Outro dado sobre o Estado do Rio de Janeiro: o despejo de lixo (resíduos sólidos recicláveis) nos rios fluminenses é um dos maiores problemas da poluição do Estado. Segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente do RJ, são retirados anualmente das lagoas, rios e canais do Estado, aproximadamente dois milhões de metros cúbicos de detritos. Entre o material recolhido, há móveis, pneus, toneladas de pet e embalagens longa vida e até mesmo carrocerias de automóveis.
Mais difícil do que retirar estes resíduos do meio ambiente é deixar que eles não cheguem até lá. Para tanto, a coleta seletiva e a reciclagem dos materiais são imprescindíveis.
O Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos, realizado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) revela que são recolhidos aproximadamente 50 milhões de toneladas / ano de resíduos pelos serviços de limpeza pública nos 5.564 municípios brasileiros. A Abrelpe calcula que 56% deste total vão para aterros sanitários e 44% vão para lixões ou aterros controlados.
O Brasil se destaca na reciclagem de alguns resíduos, como papel e papelão; alumínio e vidro. No entanto, algumas regiões do país ainda não possuem sequer serviço de limpeza urbana diário. É preciso corrigir estas defasagens, ampliando os pontos de coleta de reciclados e, com isso, avançar no tratamento dos resíduos e na reciclagem
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, recentemente aprovada no Congresso, depois de 19 anos de tramitação, deve ser o impulso decisivo para a consolidação da reciclagem de resíduos sólidos como atividade econômica e como atitude de cidadania também, uma vez que estabelece o princípio da co-responsabilidade na geração do resíduo.
Iniciativas empresariais já existem desde o início dos anos 2000. Ações entre grandes redes de supermercados, fabricantes de embalagens e indústrias vêm buscando reforçar a participação da sociedade no processo e também promover a inclusão dos catadores na cadeia produtiva.
A mais recente ação foi lançada hoje pela Coca Cola, o Carrefour e a Tetra Pak. Dez lojas da rede, localizadas na capital e em Campinas vão receber embalagens de suco Del Valle trazidos pelos clientes. Para cada embalagem entregue, o consumidor terá 30 centavos de desconto na compra de outra embalagem de suco da marca.
Wal Mart e Pão de Açúcar também possuem iniciativas parecidas, não envolvendo desconto, mas visando educar o público para a importância da reciclagem e incluir os catadores na cadeia de valor das empresas, gerando renda e trabalho para as cooperativas e seus cooperados. E, lógico, diminuindo a pressão sobre os aterros. Só a Wal Mart recebe perto de 2 toneladas por mês de recicláveis em cada loja onda há ponto de coleta seletiva. A empresa possui 308 estações de reciclagem no Brasil, beneficiando 96 cooperativas e 2800 catadores cooperados. Em convênio com a Fundação Nestlé, tem um promoção em duas lojas Bom Preço, de Recife e Salvador. A cada cinco embalagens Nestlé entregues no quiosque da empresa, o cliente ganha uma revistinha de receitas.
O Pão de Açúcar possui:
110 Estações de Reciclagem em 31 municípios - 8 Estados + Distrito Federal
33 cooperativas beneficiadas
Volume: desde 2001 a fev/2010: 34 mil toneladas de materiais
Volume 2009: 7 mil toneladas
Volume de óleo coletado desde 2001: 309 mil litros
Volume 2009: 140 mil litros
Extra
78 Estações de Reciclagem em 27 municípios - 15 Estados + Distrito Federal
17 cooperativas beneficiadas
Volume: desde 2007 a fev/2010: mais de 1 mil toneladas de materiais
Volume 2009: 595 toneladas
Volume de óleo coletado desde 2008: 80 mil litros
Volume 2009: 24 mil litros
As três redes também comercializam sacolas retornáveis, para substituir as sacolas plásticas no acondicionamento das compras.
Isto prova que empresas, sociedade e governos trabalhando juntos podem zerar os resíduos despejados no meio ambiente e evitar tragédias como a do Morro do Bumba.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
As indústrias fluminenses e a gestão ambiental
O Rio de Janeiro parou por causa das chuvas, assim como ocorreu com São Paulo, no início do ano. Está certo, caiu muita água, mas parece que, infelizmente, só este fato não explica o tamanho da catástrofe ocorrida. Os habitantes do Rio, de São Paulo e de outras grandes cidades no Brasil e no mundo estão sujeitos a sofrer muito mais, por conta de erros como a ocupação indiscriminada do solo, a falta de cobertura vegetal e o impacto das atividades econômicas que sobrecarregam ainda mais a já frágil infraestrutura urbana.
São tragédias anunciadas que continuarão a ocorrer se a sociedade, os governos e as empresas não reagirem a tempo. Principalmente as empresas, por se constituírem em uma das forças mais organizadas da sociedade, precisam assumir um papel protagonista na virada que precisamos dar em direção a uma economia verde, inclusiva e responsável.
Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – Firjan – divulgou recentemente dá uma idéia de como anda a “consciência ambiental” das empresas fluminenses. Há avanços importantes a destacar e pontos de melhoria.
A pesquisa de gestão ambiental vem sendo realizada desde 2005 e tornou-se um instrumento importante de responsabilidade socioambiental das empresas associada, bem como um compromisso da Firjan. Em 2009, responderam o questionário 399 empresas, distribuídas de maneira equânime por porte e natureza da atividade.
O resultado mais significativo que esta pesquisa põe em evidência é que as empresas fluminenses têm consciência do impacto ambiental de suas atividades, porque todas elas souberam apontar quais os principais problemas que enfrentam na gestão ambiental. As respostas praticamente unânimes destacam: resíduos sólidos, uso intenso de energia elétrica ou combustível, ruídos e efluentes líquidos.
As empresas consultadas na pesquisa também foram unânimes em ressaltar que a dificuldade para a melhoria socioambiental não é a falta de recursos financeiros. As causas mais citadas foram: falta de consciência dos funcionários e da sociedade, bem como dificuldade para dar destino certo aos resíduos sólidos.
Outro aspecto interessante da pesquisa: as empresas estão preocupadas com a preservação ambiental por causa da imagem delas junto ao público e a responsabilidade social da companhia para com a sociedade. A adequação a legislação, motivo mais citado nas pesquisas anteriores, ficou como última das preocupações empresarias no que tange ao meio ambiente.
De acordo com esta pesquisa, 66% das empresas consultadas investiram na área ambiental em 2009 e 80% esperam investir em 2010, principalmente em fontes alternativas de energia e em eficiência no uso da água. Para tanto, elas estão estabelecendo metas de redução no uso de recursos naturais (e de combustíveis fósseis) e monitoramento destas metas. No entanto, somente 6,3 das empresas usam energia renovável, um percentual menor que em 2008, na casa dos 10%. Por que este recuo? Uma das explicações pode ser a oferta de energia mais barata vinda de usinas térmicas. Com a crise do ano passado, as empresas optaram por este recurso.
Esta pesquisa foi feita antes de o presidente Lula ter sancionado a Lei 12187 que institui o Programa Nacional de Mudanças do Clima. A lei estabelece as metas nacionais para redução das emissões de carbono, entre 36 e 39% até 2020; e, também, especifica uma série de tarefas, que precisam ser regulamentadas por decreto, para os diversos setores da economia.
Outra legislação recentemente aprovada é a que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, impondo responsabilidades para a toda a cadeia produtiva – inclusive os cidadãos – no gerenciamento e redução dos resíduos sólidos.
As empresas que atuam no Brasil, não apenas as do Estado do Rio de Janeiro, já têm uma agenda ambiental a seguir. Podem contribuir mobilizando a sociedade para a regulamentação da lei. Podem também avançar em alguns pontos, já adotando medidas que reduzam emissões e diminuam os resíduos sólidos.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
O que fazer com resíduos sólidos? A Fiat tem uma solução criativa e rentável.
Como afirma uma propaganda atualmente em cartaz, o que move o mundo são as perguntas. E, ao fazer esta pergunta à equipe de funcionários, ainda em 1998 – o que fazer com nossos resíduos sólidos? – a Fiat brasileira encontrou uma solução que, ao longo da década seguinte, provou ser um exemplo de prática de gestão sustentável que vem sendo adotada em outras unidades da própria empresa. Ela deveria ser copiada por outras indústrias. Como toda idéia genial, ela é bem simples.
Trata-se da Ilha Ecológica. Na verdade, um lugar definido na planta de Betim, Minas Gerais, para centralizar o encaminhamento de todos os resíduos gerados pelo processo produtivo. E não é pouca coisa. Por mês, são perto de 20 mil toneladas de madeira, papel e papelão, chapas de aço, cavaco de ferro fundido, plástico, isopor, lâmpadas fluorescentes e outros materiais que sobram da montagem dos carros. Na Ilha Ecológica, trinta funcionários separam estes resíduos recicláveis por categoria. Alguns itens são vendidos diretamente pela fábrica para a indústria recicladora. Outros, como papel e papelão, são entregues para cooperativas de catadores. A venda dos materiais rende para a Fiat cerca de 200 mil reais todo mês. Não é muito comparado ao total de vendas dos carros. Mas é um dado importante para mostrar que uma solução socioambiental também traz dinheiro.
Desde sua implantação, em 1998, a Ilha Ecológica já possibilitou a reciclagem de 16 mil toneladas de papel e papelão, evitando a derrubada de uma floresta com 320 mil árvores. Foram recolhidas e encaminhadas para reciclagem 5.480 toneladas de plásticos diversos e 1.625 toneladas de isopor, quantidades equivalentes à utilização de 71 toneladas de petróleo como matéria-prima. A Ilha ainda recolhe e encaminha para reciclagem 2,5 mil lâmpadas fluorescentes por mês.
Antes de introduzir este conceito na área de produção, a fábrica de Betim não sabia mais onde armazenar tantos resíduos. Assim, da necessidade nasceu a pergunta e a resposta. Hoje, a Ilha é tão importante para o planejamento estratégico que está recebendo melhorias, dentro do plano de expansão da planta de Betim, com ganhos no fluxo de materiais para reciclagem e maior capacidade de armazenagem.
A iniciativa da Ilha Ecológica é inovadora por também encontrar uma solução para o isopor. O que fazer com este material imprescindível para embalar os motores que vêm da Argentina? Se fosse armazenado, o isopor somaria, todo mês, dois e meio milhões de metros quadrados, quase a área total da fábrica de Betim. Ele não é um produto que interessa para a reciclagem, a menos que...seja desfeito em seus elementos. Aí, cada um deles, separado, encontra um nicho de mercado. Foi, então, o que a Fiat fez. Desenvolveu e instalou um equipamento que condensa o poliestireno, tornando-o 50 vezes menor do que o tamanho original. Com isso, ele se torna de novo matéria-prima para a indústria e a Fiat, então, pode comercializá-lo. O material entra na composição de caixas de CDs, saltos de sapatos, canaletas para fiação, réguas, canetas, juntas de dilatação para pisos, chaveiros e uma porção de outros itens.
A Ilha Ecológica é uma parte importante de um sistema maior, o Sistema de Gestão Ambiental da Fiat (SGA) que busca não apenas preservar o meio ambiente, mas diminuir as emissões do processo produtivo.
Com a instalação de estações de tratamento, há cinco anos, a Fiat também logrou reutilizar 92% dos efluentes do processo produtivo, economizando, no período, sete e meio bilhões de litros de água, suficientes para abastecer uma cidade de 100 mil habitantes. A montadora também é pioneira, no Brasil, em eliminar as emissões de solventes dos fornos de pintura, por meio de um processo de queima dos gases com solventes orgânicos que os transforma em gases inertes ao meio ambiente.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Inovação e desenvolvimento sustentável
A economia de baixo carbono que está surgindo no horizonte tem um ponto em comum em todos os países: Quem sai na frente em inovação possivelmente vai ditar os caminhos da nova economia que está nascendo.
Qual a situação do Brasil nesta conjuntura?
O país tem vantagens competitivas importantes expressas no seu patrimônio natural e na sua riqueza social. Somos um povo criativo que sabe usar os recursos disponíveis para solucionar problemas. Faltam investimentos que transformem estas soluções em negócios que mudem o mundo.
Até pouco tempo, nem governos nem empresários davam a devida prioridade ao tema. Sempre vivemos de adaptar tecnologias “de fora”.
Só recentemente o governo destinou mais recursos às pesquisas, mas o investimento privado ainda não fez a sua parte que é aplicar recursos no desenvolvimento das inovações, replicando-as em nível de mercado.
Os desafios iminentes do aquecimento global põem na ordem do dia o investimento maciço no desenvolvimento de inovações não só tecnológicas, como também de processos, de relações sociais. Não é uma tarefa simples.
É importante que ganhe prioridade na sociedade brasileira a discussão de uma questão-chave: queremos continuar exportando commodities com sucesso, ou também nosso conhecimento e nossas inovações?
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), inovação é, em última instância, a promotora do crescimento de longo prazo da economia e a garantia de sua competitividade em nível global. Por isso, deve estar no primeiro bloco de preocupações da sociedade, quando se fala em desenvolvimento e, principalmente, desenvolvimento sustentável.
Na última década, os governos ampliaram os incentivos à pesquisa de inovações, a ponto de hoje, já termos o mesmo patamar de investimento dos países ricos, ou seja, entre 0,6 e 0,7% do PIB. O gargalo começa quando se trata de desenvolvimento destas inovações. As empresas brasileiras não investem no desenvolvimento de inovações. Por isso, boa parte das pesquisas descansa nas gavetas dos pesquisadores.
Sem o apoio da iniciativa privada, não há inovação.
Um dos melhores exemplos de inovação brasileira que precisou de incentivo de governos e investimento privado é o etanol.
Ele surgiu como substituto da gasolina ainda na década de 1980, com o Proálcool. Ressurgiu no início do século 21 sem os problemas apontados no passado, tornando-se internacionalmente reconhecido como solução viável para substituir a gasolina, atraindo investidores e parceiros interessados em melhorar ainda mais o produto.
Um exemplo recente que pode ser a solução para o lixo urbano é o da biorrefinaria. Trata-se de um conceito desenvolvido por Daltro Pinatti, utilizado como sucesso na cidade de Lorena, no interior de São Paulo. A biorrefinaria ou refinaria de biomassa segue a mesma lógica de uma refinaria de petróleo. Só que, em vez de petróleo, as máquinas são alimentadas com lodo de esgoto, bagaço de cana, lixo urbano, casca de arroz e até pneus. Depois de “refinados” por processos termoquímicos, estes resíduos viram biogás, biocombustível e uma gama extensa de matérias-primas que vão de fertilizantes a insumos industriais.
A RM Materiais Refratários, em Lorena, usa a biorrefinaria, com resultados tão bons que a Senergen Energia Renovável, de São Paulo, investiu na empresa para ajudar a desenvolver e a comercializar a biorrefinaria.
Outra empresa que também adota o conceito é a Cetrel, fornecedora do Pólo Petroquímico de Camaçari. Esta empresa também está testando outra inovação: uma membrana que retém o dióxido de enxofre e o óxido de nitrogênio, dois gases do efeito estufa. Além de reduzir as emissões, as membranas vão permitir que se recupere o enxofre e o nitrogênio para outras aplicações.
O momento é de transição para uma nova economia de baixo carbono, mas que seja também inclusiva e responsável. Se o Brasil quiser ser protagonista, precisa de inovação e precisa das empresas, para não perder o bonde da história.
Há um “mar” de oportunidades escondido nos institutos de pesquisa, nas fundações que tratam de tecnologias sociais, nas universidades. Soluções criativas que vão alavancar negócios inclusivos, verdes e responsáveis.
segunda-feira, 29 de março de 2010
A responsabilidade social nas universidades
Em 1998, quando o Instituto Ethos foi fundado, nem a expressão “responsabilidade social empresarial” existia. Pouco mais de uma década depois, a RSE já faz parte do vocabulário do cidadão comum, integra grades curriculares em universidades e é referência também para investidores, na hora de decidir sobre onde destinar seus recursos. No entanto, ainda há muito a avançar. A responsabilidade social empresarial não está, por exemplo, na gestão das universidades brasileiras, principalmente naquelas mantidas pela iniciativa privada. Por mais que estas entidades educacionais ofereçam até mesmo cursos avançados de gestão socialmente responsável, elas não internalizam estes princípios em suas próprias organizações.
Uma das conseqüências da dissonância entre discurso e prática é o trote violento. Todo início de ano letivo, somos brindados com um verdadeiro festival de horrores e de impunidade perpetrado contra jovens por outros jovens que já estão prestes a entrar na vida profissional. As reitorias e mesmo os conselhos destas universidades afirmam não “ter controle” sobre os estudantes. Assim, atentados à dignidades humana são perpetrados como se fossem simples brincadeiras inocentes. Um professor na Escola Superior de Agronomia Luís de Queiroz (ESALQ) da USP chegou a afirmar que muitas faculdades não tomam atitudes para abolir o trote violento porque consideram que ele “dá prestígio”. Ele ainda relata que, apesar das sindicâncias abertas nos casos que vazam para a imprensa, dificilmente alguém é punido.
Os gestores universitários deveriam perguntar-se: estamos formando um ser humano capaz de dar conta dos desafios do século 21? O jovem profissional que sai desta universidade tem valores positivos firmes? Sabe que suas decisões terão impactos profundos nas vidas de milhões de outras pessoas? Hoje, não basta ao jovem ter diploma universitário. É preciso ser uma pessoa ética, comprometida com o futuro do país e da humanidade.
Atingir resultados, hoje, não é mais passar um trator pela concorrência e pela comunidade. Lucro não é um fim em si, mas o objetivo que se atinge por meio do diálogo com as partes afetadas pelas ações das empresas.
Começar a gestão responsável é bem simples e gratuito. Basta responder os Indicadores Ethos que estão disponíveis no site www.ethos.org.br. A partir do diagnóstico, a universidade pode iniciar uma consulta a todos os públicos impactados por suas ações e, com eles, construir um planejamento estratégico em que haja, por exemplo, fomento de ações comunitárias desenvolvidas pelos próprios estudantes; incentivo à cultura da paz e da tolerância; respeito à diversidade e ao meio ambiente.
Hoje, o jovem vai à universidade para receber um pedaço de papel que, em tese, garante-lhe o ingresso nos melhores empregos do mercado. Nem sempre acredita nas habilidades e competências desenvolvidas nos anos de banco escolar. Com isso, não consegue avançar no mundo do trabalho, encarando desde muito cedo frustração e falta de horizontes.
O Brasil precisa crescer, mas não de qualquer jeito. Precisa de desenvolvimento sustentável e este depende tanto de formação técnica quanto de conduta ética.
As universidades precisam ser parte da solução, formando o ser humano do século 21. Mas precisam dar o exemplo. Adianta “ensinar” sem praticar a responsabilidade social empresarial?