quinta-feira, 2 de abril de 2009

A participação brasileira na COP15, em Copenhague

Realizou-se nesta terça-feira, 31 de março, na sede do Instituto Ethos, em São Paulo, a primeira reunião do Grupo de Trabalho Copenhague, criado com o propósito de fortalecer a posição oficial brasileira na COP 15, reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima que ocorrerá em Copenhague, capital da Dinamarca, em dezembro deste ano. Formado por empresas associadas e coordenado pelo Instituto Ethos, o novo GT vai articular-se com outros setores da sociedade, no âmbito do Fórum Amazônia Sustentável.

O que o Brasil deve levar para a COP15? Saiba mais sobre o cenário atual das discussões.
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No encontro de Copenhague, representantes dos países-membros da ONU aprovarão uma nova agenda global sobre o clima, em substituição ao Protocolo de Kyoto. Essa nova agenda deverá estabelecer metas para a redução de emissões para todos os países, inclusive os chamados emergentes. No caso brasileiro, o foco será o fim do desmatamento da floresta tropical. A maior novidade esperada no COP 15 é a instituição de mecanismos de compensação para manter os serviços da natureza, entre os quais a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), que visa criar valores financeiros para que sejam mantidas em pé as florestas tropicais, evitando-se o desmatamento. A semelhança com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), estabelecido em Kyoto, é que um poluidor poderá comprar créditos de quem mantém e protege uma área florestal. A diferença é que o REDD propõe remunerar o proprietário de matas naturais que se proponha a protegê-las por, no mínimo, 60 anos. O mecanismo permite, assim, evitar a emissão de carbono e, embora seja atinente à Convenção do Clima, pode representar um dos mais promissores caminhos para a proteção da biodiversidade. O REDD pode levar de cinco a dez anos para se consolidar no âmbito da ONU, mas a estimativa é de que os mercados norte-americanos serão mais rápidos, podendo iniciar transações num período de três a cinco anos. Todavia, é importante chamar a atenção para o fato de o mercado mundial voluntário já ter começado. A Noruega, por exemplo, criou um fundo de US$ 500 milhões por ano para ser investido no desmatamento evitado. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu na semana passada a primeira parcela de recursos doados pelo governo da Noruega para o Fundo Amazônia, que vai financiar ações de combate ao desmatamento e de recuperação da Floresta Amazônica. Os US$ 110 milhões repassados são a primeira parte da doação norueguesa, que deve chegar a US$ 1 bilhão até 2015.O dinheiro vai financiar, com empréstimos não-reembolsáveis, iniciativas como manejo florestal, gestão de florestas, ações de controle e fiscalização ambiental, recuperação de áreas desmatadas e pagamento por serviços ambientais. Organizações não-governamentais, empresas, comunidades tradicionais e órgãos do governo poderão pleitear os recursos.Outros países e investidores poderão aportar mais recursos. Mas, para isso, o Brasil precisará definir critérios para sua distribuição e levá-los à reunião de Copenhague. Metas para o desmatamento já existem. No fim do ano passado, com o lançamento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o Brasil se comprometeu a reduzir o desmatamento em 70% até 2017 e a chegar ao desmatamento zero até 2040. Um estudo da consultoria McKinsey mostra que o Brasil é o país que mais tem a ganhar com a redução das emissões, pois as ações para esse fim custariam aqui menos de 10 euros por tonelada de CO2, enquanto a média mundial é de 18 euros. Essa vantagem financeira decorre do fato de a maior parte dos gases de efeito estufa no Brasil ser originária do desmatamento da Amazônia. Em outros países, os fatores urbanos têm um peso maior, o que implica mudanças mais radicais no modo de vida das populações. Basicamente, é mais barato deixar de desmatar do que substituir uma usina nuclear, por exemplo.O Brasil pode assumir a liderança das iniciativas mundiais de combate ao aquecimento global porque possui a maior área de floresta tropical do planeta (a Amazônia) e a matriz energética mais limpa. Para liderar, no entanto, o país precisa conquistar a credibilidade da comunidade internacional, por meio de ações que demonstrem claramente que sabemos lidar com nosso principal patrimônio natural: a Floresta Amazônica.Iniciativas com o Fórum Amazônia Sustentável e o Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia são exemplos de caminhos que o empresariado engajado no movimento de responsabilidade social pode oferecer para o modelo de sustentabilidade que o país precisa construir.Nesse sentido, o GT Copenhague coordenado pelo Instituto Ethos representa um canal para a iniciativa privada contribuir com as propostas do Brasil no COP 15, tanto para a criação do REDD como para o estabelecimento de critérios para a distribuição dos recursos desse mecanismo, promovendo o fim do desmatamento e a recuperação de florestas. A primeira reunião do GT Copenhague contou com a presença das seguintes organizações: Agropalma, Amata Brasil, Banco do Brasil, Cargill, EDP Energias do Brasil, Grupo Santander-Real, Instituto Ares, Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Instituto Envolverde, Itaú-Unibanco, Planeta Sustentável (Grupo Abril), Suzano, Vale e Wal-Mart. Contou também com a participação de Tasso Rezende de Azevedo, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, órgão do Ministério do Meio Ambiente.

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Já estão abertas as incrições para o curso Relatório de Sustentabilidade GRI

O relatório de sustentabilidade é a principal ferramenta de comunicação do desempenho social, ambiental e econômico das organizações. O modelo de relatório da Global Reporting Initiative (GRI) é atualmente o mais completo e mundialmente difundido.

Seu processo de elaboração contribui para o engajamento das partes interessadas da organização, a reflexão dos principais impactos, a definição dos indicadores e a comunicação com os públicos de interesse.

O curso será realizado pelo UniEthos nos dias 4 e 5 de maio, em São Paulo. Para participar é só fazer a inscrição através do site www.ethos.org.br/cursos .

Participe!!

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segunda-feira, 23 de março de 2009

VOCÊ SABE O QUE É REDD?

Entenda este importante assunto que esta sendo discutido como uma das ferramentas para se combater as mudanças climáticas.

O QUE É REDD?
REDD é a sigla em inglês para Reducing Emissions from Deflorestation and Degradation – ou numa tradução livre: reduzindo emissões provenientes de desflorestamento e degradação. A idéia básica por trás de REDD é simples: os países que estão dispostos e são capazes de reduzir as emissões provenientes do desflorestamento deveriam ser compensados financeiramente
por isto.

QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DO REDD?
REDD trata primordialmente da redução de emissões. O conceito está sendo discutindo dentro da Conferencia das Partes (COP) da Convenção-Quadro sobre mudanças climáticas da ONU. Durante a COP-13, que ocorreu em 2007, foi definido que uma abordagem ampla para combater as mudanças climáticas deveria incluir:

"Políticas e incentivos em questões relacionadas à redução de emissões provenientes de desmatamento e degradação de florestas em países em desenvolvimento."

Entretanto, um futuro mecanismo de REDD tem um potencial muito maior. Poderia simultaneamente adereçar a redução de emissões e combater a pobreza rural, enquanto conserva a biodiversidade e mantém serviços ambientais essenciais.

O ESTÁGIO DA DISCUSSÃO
Após a COP-11, em 2005, inúmeras propostas e recomendações sobre REDD foram enviadas. Atualmente existem diversas propostas sendo debatidas e, para que REDD seja incluído numa futura agenda global de combate às mudanças climáticas, uma decisão acerca de como um mecanismo de REDD funcionará deve ser acordada durante a COP-15, que ocorrerá em Copenhagen no final deste ano.

SOBRE A COP
Há mais de uma década, a maioria dos países que integram o sistema das nações unidas aderiu a um acordo internacional chamado: United Nations Framework Convention on Climate Change – ou Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O objetivo do tratado era considerar que ações poderiam ser tomadas para reduzir o aquecimento global e como lidar
com os aumentos de temperatura que fossem inevitáveis. Desde então diversas iniciativas surgiram como decorrência do trabalho que foi realizado sob o guarda-chuva deste tratado, uma das iniciativas mais famosas é o Protocolo de Kyoto. As reuniões internacionais onde os membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas se reúnem são conhecidas como COP – Convenção das Partes.

A próxima COP será a de número 15 e ocorrerá em dezembro deste ano, na cidade de Copenhagen. Esta reunião será um marco para o processo pois espera-se que decisões sejam tomadas acerca de metas de emissões e mecanismos de cooperação para 2012 em diante.

O PAPEL DAS FLORESTAS

COMBATENDO AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
As florestas cobrem aproximadamente 15% da superfície terrestre e contém aproximadamente 25% do carbono da biosfera terrestre. A degradação e o desmatamento resultam em grandes emissões de dióxido de carbono na atmosfera, contribuindo com o efeito estufa. O desmatamento contribui com 1/5 do total de emissões de carbono do planeta por ano, sendo o maior
contribuinte "individual" ao aquecimento global.


COMUNIDADES E COMBATE À POBREZA
As florestas possibilitam de maneira direta a sobrevivência de 90% das pessoas que vivem em condições de extrema pobreza no mundo, aproximadamente 1 bilhão de pessoas. As comunidades locais e populações tradicionais dependem das florestas e seus recursos para sobrevivência, e o desmatamento agrava as condições de pobreza.

ALÉM DO CARBONO
Tanto em escala global como local, as florestas provem importantes serviços ambientais que vão além do seqüestro de carbono – alguns exemplos são: proteção das bacias hidrográficas e nascentes, regulação do fluxo hídrico, reciclagem de nutrientes, geração de chuvas e controle de
doenças. As florestas tropicais contribuem para manter a temperatura do planeta de duas maneiras, reduzindo as emissões de carbono e gerando evaporação.

DESMATAMENTO
As causas do desmatamento são múltiplas e podem variar de um país para outro. Podem ser desde grandes empresas exploradoras de recursos naturais até pequenas comunidades que utilizam as florestas como base para sua sobrevivência. Entre as principais causas em nosso país estão o agronegócio, principalmente criação de gado e plantação de soja, e a exploração ilegal de madeiras nobres.

FONTE: "The Little REDD Book - A guide to governmental and non-governmental proposals for reducing emissions from deforestation and degradation". Global Canopy Programme, dezembro 2008.

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Inscreva-se no Prêmio Ethos-Valor, 9ª ed!!

O prêmio é voltado a Professores e Estudantes Universitários sobre Responsabilidade Social Empresarial e Desenvolvimento Sustentável. Tem por objetivo incentivar e aprofundar o debate destes temas entre a comunidade acadêmica, envolvendo professores e alunos de todas as áreas de conhecimento, nos cursos de graduação e pós-graduação, em todo o
território nacional.

Para participar é só inscrever seu trabalho acadêmico através do site http://www.premioethosvalor.org.br/ e enviá-lo de acordo com as instruções que também estão no site. Se você conhece alguém que tem um trabalho sobre responsabilidade social empresarial e/ou desenvolvimento sustentável aplicado às empresas, indique o concurso!

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quarta-feira, 18 de março de 2009

BEM-VINDOS!
Este é um canal aberto a todos os públicos interessados no movimento de responsabilidade social empresarial (RSE), para se comunicarem com o Instituto Ethos e entre si, possibilitando uma troca de informações aberta, livre e disponível a todos. Contamos com sua ajuda na construção desta ferramenta, que é um instrumento nosso para auxiliar na construção de uma sociedade mais justa e sustentável.

Publique o seu post!

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Ethos faz parceria com a SPM

O Instituto Ethos será parceiro da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) no desenvolvimento do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, cooperando na formulação de indicadores e fornecendo informações sobre a situação das mulheres nas empresas brasileiras.

A ferramenta foi lançada nesta terça-feira, no Memorial JK, em Brasília, durante a abertura do seminário Mais Mulheres no Poder: uma Questão de Democracia, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, participou do evento, que contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e da ministra da SPM, Nilcéa Freire, entre outras autoridades.

O Observatório Brasil da Igualdade de Gênero foi criado para acompanhar a presença das mulheres em atividades públicas e na iniciativa privada, com o objetivo de formular e aperfeiçoar políticas públicas voltadas para gênero nas esferas federal, estadual e municipal. Seu foco temático no primeiro ano de funcionamento será “Mulheres, Poder e Decisão”.

A ferramenta terá um site na internet e deverá funcionar por meio de grupos de trabalho compostos por representantes da sociedade civil, do governo, de organizações não-governamentais, de universidades e de agências internacionais.

Esses grupos farão o monitoramento e produzirão análises e conteúdos sobre indicadores, políticas públicas, comunicação e mídia e legislação.
No encontro, o presidente Lula afirmou que pretende enviar ao Congresso um projeto com o propósito de transformar a SPM em ministério. Para o presidente, o status de ministério dará ao órgão a liberdade orçamentária de que ele precisa, agilizando a elaboração e execução de políticas públicas.

Ricardo Young comentou que investir em políticas públicas que valorizem as mulheres colabora para o desenvolvimento do país. “Cada 10% do investimento nas mulheres em educação, saúde, trabalho e renda resulta em até 3% no crescimento nacional”, afirma. Pesquisas apontam que 90% da renda auferida pelas mulheres são investidos nos cuidados com a família, enquanto apenas 35% da renda dos homens têm o mesmo destino.
Publicado em: Notícias da Semana, do Instituto Ethos

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Blog da Amazônia

O jornalista Altino Machado, que já atuou como correspondente de grandes jornais e revistas do Sul/Sudeste, tem sua base no Estado do Acre, de onde lança um olhar comprometido sobre toda a Região Amazônica.

Vale a pena conhecer e acompanhar esse trabalho, no Blog da Amazônia: http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/.

Publicado em: Notícias da Semana, do Instituto Ethos.

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Rumo a uma Nova Economia Global

A Conferência Internacional do Ethos já é a maior referência latino-americana do movimento de Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Não é à toa, pois depois de 10 edições, este evento se configura junto às pautas do movimento. A Conferência acompanha tendências e promove o relacionamento entre interessados e envolvidos neste universo que se mobiliza rumo a um mercado socialmente responsável.

Em 2009 não será diferente. O Instituto Ethos assume a sua posição junto às empresas neste período delicado da economia global. Entende-o como um momento crucial para as diretrizes da RSE, sendo um período fértil em oportunidades àqueles que querem firmar a sua participação no novo modelo econômico que começa a ser construído.

Rumo a uma Nova Economia Global: a Transformação das Pessoas, das Empresas, e da Sociedade.

A crise financeira que atingiu as maiores economias do planeta expôs a instabilidade do atual modelo de sistema financeiro e dos padrões de produção e consumo do nosso mundo globalizado. As conseqüências perversas desse sistema econômico estão se tornando cada vez mais visíveis, e nosso planeta também está sofrendo. É preciso repensar as nossas atuações enquanto seus habitantes. E o mundo já começa a discutir um outro tipo de mercado, baseado em novas formas de relacionamento. O movimento de RSE está no centro desta discussão, e com a Conferência Internacional do Ethos não poderia ser diferente. O tema deste ano comporta a forma socialmente responsável de sair da crise, a criação de uma nova economia global e as transformações implicadas neste processo. Participe.

Clique aqui e acesse o site da CI2009!

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Ricardo Young comenta: "A ajuda às empresas e as contrapartidas sociais"

A ajuda às empresas e as contrapartidas sociais

Em recente visita a indústrias localizadas na cidade de Manaus, o ministro do Trabalho Carlos Lupi se comprometeu a ajudar as fábricas da capital amazonense, sem explicar se vai ou não exigir contrapartida de emprego. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, desde o início da crise, em setembro, até o final de 2008, o pólo industrial de Manaus havia efetuado 17 mil demissões.

Desde o início desta turbulência, as diversas instâncias de governos, no Brasil e no mundo, abriram os cofres para garantir capital de giro. E não foi pouco dinheiro.

No Brasil, só a União dispôs aos empresários, por meio de isenções fiscais, quase 8 bilhões de reais entre setembro e dezembro de 2008. A nova tabela do IR vai deixar quase 5 bilhões de reais nas mãos dos contribuintes, este ano. E o governo de São Paulo anunciou, na semana passada, a isenção de ICMS para as empresas do setor produtivo que exportem, como também um programa de reformas de escolas e delegacias. Ao longo de 2009, este investimento de combate à crise deve chegar a 20 bilhões de reais. Do outro lado, o das despesas com programas sociais, as contas são mais modestas. O Governo Federal anunciou em janeiro um orçamento de 12 bilhões e 600 milhões de reais para o Bolsa Família, o maior da história deste programa que, de fato, vem mudando a cara deste país. São pouco mais de 12 bilhões de reais que serão distribuídos em 12 meses para 40 milhões de brasileiros.

Mesmo com toda ajuda a empresas, maior do que o orçamento do Bolsa Família, as demissões continuam. As manchetes de hoje dão conta de que este foi o pior janeiro para o emprego formal desde 2001, com a taxa de desocupação chegando a 8,2%.

Por que o desemprego aumenta? Em parte, porque os efeitos desta ajuda fiscal só vai se manifestar nas contas das empresas em dois ou três meses. Em parte, porque, não havendo contrapartida solicitada, os empresários não se consideram comprometidos a manter estável o número de empregados.

Então nós, contribuintes, estamos pagando impostos que são devolvidos para uma parte dos brasileiros como Bolsa Família e para outra parte como não pagamento de taxas. Os beneficiários do Bolsa Família precisam manter as vacinas em dia e os filhos da escola para continuar a receber o benefício (com algumas exceções que ocorrem por falta de monitoramento). Já os empresários não precisam se comprometer com nenhuma contrapartida “explícita”, contratual, para merecer a ajuda. Alguns não demitem (mas a maioria o faz, já que não há punição prevista).

A ajuda está errada? Não. Mas, para funcionar, precisa ser de mão dupla. Ou seja, quem recebe deve retribuir de algum jeito. Manter empregos, reduzir juros aos consumidores, ampliar crédito para o setor produtivo são medidas que precisam vir de “compromissos interessetoriais” e de um novo tipo de contrato social, como o que comentamos na última quarta-feira, proposto pela CUT. Não é o mercado que vai acertar “por si” as demandas sociais. Os governos, em todas as instâncias, precisam estabelecer contrapartidas para ajudas com dinheiro público, de preferência já apontando para um novo modo de produzir e consumir.

Esta crise, como alguns analistas já perceberam, não põe em cheque apenas o capitalismo, mas o nosso modo de vida, a nossa civilização. Até o momento, a crise tem se mostrado refratária a todas as medidas adotadas pelos governos dos países centrais. Não parece ter a força de furacão de 1929, mas vai aos poucos “comendo” o tecido social e os valores que ainda sustentam as relações sociais. Ou nos percebemos disso ou, como dizia um certo polêmico revolucionário, é a barbárie.

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