quinta-feira, 2 de junho de 2011

C40 São Paulo Summit: grandes cidades discutem mudanças climáticas em São Paulo

Evento reúne em São Paulo 16 prefeitos e 47 representantes de metrópoles do mundo inteiro para encontrar soluções criativas contra as mudanças climáticas

O que é
Começou, dia 31 de maio, em São Paulo, o C40 São Paulo Summit, a quarta reunião mundial de prefeitos das 40 maiores cidades do mundo para discutir sustentabilidade. A Rede C40 de Grandes Cidades (C-40 Large Cities Climate Leadership Group) é uma organização que reúne, a cada dois anos, as maiores cidades do mundo para a discussão do papel dos governos locais no combate às mudanças climáticas. Atualmente são 40 cidades participantes e 19 afiliadas, distribuídas nos seis continentes e conta, desde 2006, com o apoio da Fundação Bill Clinton, dirigida pelo ex-presidente norte-americano. A parceria garante, entre outras coisas, o desenvolvimento e a efetivação de projetos para o consumo de energia sustentável nas metrópoles.

Por que São Paulo
Segundo a Secretaria de Relações Internacionais de São Paulo, que está organizando o evento, o município foi eleito para ser sede desta edição do evento por conta das ações que está realizando com foco no combate às mudanças climáticas. Dentre essas ações, estão
 a Política Municipal de Mudanças Climáticas, a implantação da inspeção veicular e a criação do programa de substituição de combustíveis fósseis por renováveis na frota de ônibus municipais.

As reuniões anteriores foram realizadas em Londres, Nova York e Seul, respectivamente.

Para a conferência de São Paulo, também estão presentes, entre outras, as seguintes metrópoles: Filadélfia, Nova Orleans, Portland, São Francisco Seattle, Rio de Janeiro, Curitiba, Amsterdã, Atenas, Barcelona, Basiléia, Berlim, Copenhague, Heidelberg, Londres, Madri, Moscou, Roterdã , Varsóvia, Seul. Hong Kong, Jacarta, Buenos Aires e Bogotá.

O evento
Quem abriu os debates ontem foi Michael Bloomberg, prefeito de Nova York e titular do comitê principal do C40 que é integrado pelos prefeitos de São Paulo, Nova Delhi, Berlim, Johanesburgo, Londres, Los Angeles, Toronto e Tóquio, bem como Nova York.

A programação do encontro prevê ainda mais 4 plenárias e 16 sessões sobre temas como construção sustentável, transporte público com baixa emissão de gases causadores do efeito estufa, taxação de impostos verdes, pedágios urbanos, drenagem urbana e adaptação.

Bloomberg e o prefeito Gilberto Kassab plantaram árvores no parque do Ibirapuera, ontem pela manhã, antes de se dirigirem ao Sheraton Hotel, na zona sul, onde se realiza o evento. Esse plantio de árvores ocorreu na mesma semana em que se divulgou que, nos quatro primeiros meses de 2011, São Paulo perdeu doze mil árvores, que deram lugar a prédios, conjuntos habitacionais e obras de infraestrutura. Mas essas edificações poderiam ser construídas preservando-se e até ampliando o verde, se houvesse vontade política das construtoras e do próprio poder público. Os números, aliás, fazem parte de um relatório elaborado pela Comissão do Verde e do Meio Ambiente da Câmara Municipal.

Experiências sustentáveis no C40
Serão apresentados mais de cem projetos já adotados pelas cidades presentes ao C40 Sâo Paulo Summit, durante as sessões temáticas. Entre eles, vale destacar:

A cicloruta, de Bogotá, na Colômbia, uma rede de mais de 300 km de ciclovias, um dos sistemas para uso de bicicleta como transporte mais abrangentes do mundo. A rede conecta o centro de Bogotá com as áreas residenciais mais populosas; eixos secundários circundam as principais avenidas e vias de maior trânsito, ligando as áreas residenciais aos parques e atrações turísticas da cidade; uma terceira malha complementar acompanha as margens dos rios e vai até o centro da cidade. Assim, Bogotá pode ser percorrida de bicicleta em todas as direções.

A cicloruta ajudou a diminuir as emissões de carbono dos carros em 36 mil toneladas / ano. Trouxe também outros benefícios para a cidade, como a redução das mortes por acidente de trânsito, e o aumento gradativo do número de ciclistas em asa pessoas de maior poder aquisitivo. Isto porque a bicicleta, na cicloruta, anda a 17 km/h. Um carro, nas congestionadas ruas de Bogotá, não passa de 13 km/h.

O sistema de fornecimento de energia térmica em Copenhague, que captura o calor residual das usinas de incineração de lixo e das usinas combinadas de produção de energia e calor (CHP), normalmente liberado no mar, e canaliza-o de volta para as tubulações residenciais. Com isso, 97% do aquecimento doméstico é feito dessa maneira.

O Fundo Atmosférico de Toronto (TAF), no Canadá, que financia iniciativas na cidade que visem combater as mudanças climáticas, melhorarando a qualidade do ar e reduzindo as emissões de carbono. O Fundo existe para financiar projetos difíceis de receberem investimento em três áreas: energias renováveis, eficiência e conservação de energia e redução do teor de combustíveis fósseis nas fontes de energia. A dotação original do fundo, de pouco mais de 23 milhões de dólares, veio de uma taxa cobrada no financiamento para modernização da iluminação das ruas de Toronto. O TAF também aceita parceiros do sistema financeiro.

Conclusão
Enfim, ainda são os primeiros dias de debates e muitos projetos ainda serão apresentados. Mesmo assim, é possível dizer que este é um dos eventos mais importantes sobre sustentabilidade que já ocorreram. Não obteve o destaque merecido, nem por isso, deixa de ser fundamental para o avanço de soluções que nos ajudem a combater as mudanças climáticas.

Bill Clinton, que também esteve na abertura, destacou um ponto essencial em seu discurso: o papel das cidades para o desenvolvimento sustentável. O ex-presidente norte-americano lembrou que os governos federais falam, mas os governos municipais fazem e não precisam esperar pelos acordos internacionais para agir. O que os governantes federais não conseguem superar no âmbito das negociações nos organismos multilaterais, os prefeitos o fazem no âmbito da colaboração internacional. Por isso, adotam soluções inovadoras e fazem avançar o desenvolvimento sustentável antes mesmo dos tratados globais.

Por isso, este C40 precisa ser acompanhado com atenção e carinho; o futuro pode estar nas soluções e propostas ali apresentadas. Tanto isso é verdade que o Banco Mundial celebrou um convênio com o C40 de financiamento de projetos sustentáveis para cidades. São oportunidades de negócios e de empregos que se abrem. Precisamos saber aproveitar.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

A responsabilidade social das empresas de alimentos com a propaganda de seus produtos

De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta segunda-feira (30/5), uma pesquisa encomendada pela ONG Instituto Alana mostra que quase 80% dos pais considera a propaganda de alimentos prejudicial a seus filhos. O levantamento foi realizado pelo Instituto Datafolha, que entrevistou 596 pessoas em todo o país.

Os resultados mostram também que, na opinião dos pais entrevistados, a propaganda de alimentos, principalmente de fast food e doces, dificulta os esforços para ensinar aos filhos uma alimentação saudável (76%). E que as crianças são levadas a amolar os pais para que comprem os produtos anunciados (78%).

Para a pesquisa, alimentos não saudáveis são aqueles ricos em sódio, gordura ou açúcar. O Instituto Alana concluiu, pelos resultados verificados, que os pais estão pedindo ajuda para enfrentar o que a ONG chamou de “bombardeio” de propaganda de alimentos pobres em nutrientes.

Eis uma discussão que a sociedade brasileira ainda precisa fazer com seriedade: qual o papel da propaganda nos nossos hábitos e valores?

O Brasil vive uma epidemia de obesidade, inclusive infantil. De acordo com o IBGE, quase metade da população brasileira com mais de 20 anos está com excesso de peso. Entre as crianças, a situação não é melhor. Uma em cada três das que têm entre 5 e 9 anos de idade apresenta sobrepeso e 15% delas já são obesas.

O problema atinge qualquer faixa de renda, gênero e raça. E a principal causa apontada é a alimentação rica em calorias e pobre em nutrientes, cujo cardápio contém a maioria dos produtos anunciados em todos os meios de comunicação do país: bolachas, biscoitos, balas, refrigerantes, fast food etc.

Desde 2006, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute a regulamentação da publicidade de alimentos não saudáveis. No ano passado, a agência publicou uma resolução determinando alertas sobre possíveis riscos à saúde nesse tipo de propaganda. Uma liminar na Justiça em favor da Associação Brasileira de Alimentos (Abia) suspendeu a regra. A Abia considera que regulamentar publicidade de alimentos é coisa do passado. A indústria está trabalhando em alimentos mais saudáveis. E aponta 2020 como o ano em que será possível atingir-se um grau adequado de “saudabilidade” dos alimentos.

Mesmo assim, em agosto de 2009, as 24 maiores empresas de alimentos do país firmaram um compromisso público de limitar a publicidade dirigida às crianças. Segundo o Instituto Alana, até o fim do ano passado, 12 das 24 empresas envolvidas no acordo haviam detalhado o compromisso e, destas, apenas oito especificaram os critérios nutricionais que serviriam de base para determinar um alimento saudável.

Então, como ficam as crianças? E os cidadãos em geral?

É questão central da responsabilidade social das empresas refletir sobre o que está divulgando para a sociedade por meio da sua propaganda. A propaganda cria desejos que, às vezes, leva uma pessoa – principalmente uma criança – a consumir o que não precisa e, no limite, até em detrimento do que precisa.

No caso da propaganda de alimentos, enquanto estes não apresentarem o grau de “saudabilidade” necessário para uma alimentação equilibrada, eles de fato estarão promovendo uma vida não saudável, com sérias conseqüências para os consumidores e a para a sociedade. A obesidade é o exemplo mais visível e alarmante desse processo.

A propaganda também cria valores na sociedade. Se a empresa divulga sem critério ou aviso determinado produto que sabidamente faz mal à saúde, que tipo de valor vai disseminar? Se, ao contrário, fosse instrumento para promover a equidade de gênero, por exemplo?

As empresas de alimentos já poderiam ter dado um passo enorme na gestão responsável se tivessem cumprido o compromisso que elas mesmas assumiram de limitar a publicidade de alimentos não saudáveis para crianças. Ao não cumprirem, prestaram um desserviço à sociedade e ao movimento de responsabilidade social, porque desvalorizaram um dos instrumentos mais importantes que o mercado tem – a autorregulação – e desqualificaram a participação da sociedade no processo.

A propaganda é fundamental para a nova sociedade que precisamos construir, desde que também se baseie nos critérios de sustentabilidade que vão direcionar os negócios: justiça social, equilíbrio ambiental e crescimento econômico.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Conferência Interamericana de RSE em Assunção, no Paraguai

O Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin) do Banco Interamericano de Investimentos realizou, em Assunção, no Paraguai, a 8ª. Conferência Interamericana de Responsabilidade Social Empresarial, entre os dias 24 e 26 de maio, que reuniu aproximadamente mil participantes, entre especialistas, líderes de empresas e de governos, bem como representantes da sociedade civil e das universidades.

Ao longo desses oito anos, o CSRAméricas tornou-se o principal evento difusor de temas relacionados a práticas empresariais responsáveis na América Latina e no Caribe. Seu principal objetivo é colaborar para um desenvolvimento equitativo e sustentável da região, por meio da atuação de um setor privado social e ambientalmente responsável.

Em 2011
A programação dessa conferência 2011 foi organizada em torno de três eixos estratégicos:

Soluções empresariais para desafios sociais;
Soluções responsáveis para desafios empresariais; e
Iniciativas empresariais para enfrentar as mudanças climáticas

Dentro desses eixos, os participantes tiveram oportunidade de discutir:

- estratégias inovadoras para fortalecer a competitividade das empresas de forma responsável;

- a inclusão econômica e social por meio das cadeias de valor das empresas; e

- novas iniciativas relacionadas à questão do clima.

Tais temas fazem parte da agenda do Fumin e do BID para promover o setor privado como ator-chave no desenvolvimento da América Latina e do Caribe.

Programação
Houve três sessões plenárias, com os seguintes temas: “Marcas para o Desenvolvimento”; “Sustentabilidade: um Novo Modelo para os Bancos” e “Uma Abordagem de Mercado para a Mudança Climática”.

Houve também vários painéis simultâneos ao longo da conferência, nos quais discutidos, entre outros assuntos:

a inclusão econômica e social por meio da reciclagem;

as estratégias de redução de carbono;

a inserção de jovens no mercado de trabalho; e

a inclusão de pequenos produtores e empreendedores individuais na cadeia de valor de empresas maiores

As três plenárias discutiram grandes temas que, depois, foram abordados de maneira mais específica nas sessões paralelas.

Eis um resumo do que foi discutido nelas:

Como grandes marcas podem colaborar com a inclusão social
A sessão plenária “Marcas para o Desenvolvimento” foi um destaques do evento. Moderada por Julie Katzman, vice-presidente executiva do BID, a plenária analisou como as empresas podem aproveitar o poder de suas marcas para auxiliar pequenos produtores usualmente excluídos dos grandes mercados a melhorar sua renda e sua qualidade de vida. Entre os exemplos apresentados, destacaram-se aqueles que buscam contribuir para a reconstrução do Haiti. A grife Diesel Canadá, por exemplo, desenvolveu uma empresa para montar roupas de qualidade no Haiti, com peças e componentes da matriz, reinvestindo 60% dos ganhos na comunidade e no país. A Coca-Cola da Costa Rica e o Fumin têm um projeto chamado Haiti Hope que visa lançar um suco de manga em vários países, criando oportunidade para cerca de 25 mil produtores da fruta no Haiti. Outro exemplo apresentado foi o do Brandaid Project, empresa de marketing do Canadá que combina marketing com design de produtos e desenvolvimento de marcas para ajudar negócios artesanais ao redor do planeta a prosperar e incrementar seu faturamento.

Os exemplos trazidos à conferência buscaram mostrar que é possível estabelecer um compromisso empresarial que interrompa o ciclo de pobreza ao investir no futuro dos empregados e dos fornecedores.

Mudanças Climáticas
Esta plenária trouxe exemplos de como empresas de grande ou pequeno porte estão considerando os riscos relacionados às mudanças climáticas em suas estratégias de negócio. Companhias de diferentes setores informaram como têm desenvolvido e implementado estratégias de redução de carbono para melhorar sua produtividade e baixar custos.

No mesmo bloco, o Carbon Disclosure Project coordenou um painel em que empresas de várias partes do continente apresentaram suas experiências sobre levantamento, auditoria e relatório de emissões de gases do efeito estufa, destacando a importância de programas de mitigação desses gases para negócios responsáveis.

Entre os casos apresentados nessa plenária, estavam o da PepsiCo, que vai lançar uma garrafa pet 100% degradável em 2012; o do Walmart México e América Central, para reduzir 20% de suas emissões de carbono. Uma das ações para atingir esse objetivo é encontrar fornecedores de alimentos que utilizem práticas da agricultura orgânica, tais como menor consumo de pesticidas e uso racional da água.

Sustentabilidade: um novo modelo para os bancos
Os bancos desempenham papel fundamental na disseminação de boas práticas de sustentabilidade e de governabilidade para a América Latina. São agentes de mudança e constroem canais eficientes de acesso ao capital. Os bancos operam em todos os segmentos econômicos, inclusive naqueles de alto impacto social e ambiental, podendo estimular ou retrair o desenvolvimento deles com políticas de crédito e de investimento. Sendo assim, qual deve ser o modelo de banco para uma sociedade sustentável?

Esta plenária teve a participação do Ethos que comentou o Protocolo Verde, tanto dos bancos públicos quanto dos privados, um exemplo de como é possível aliar sustentabilidade e ganhos financeiros.

Conclusão
Para o Fumin e o BID, essa 8ª. Conferência atingiu seus objetivos, porque, nos três dias de atividades, as discussões permitiram que os participantes pudessem ampliar e aprofundar seus conhecimentos sobre a contribuição que podem dar em favor do meio ambiente e da sociedade, gerando riqueza, bem-estar, emprego de qualidade e um entorno mais estável e propício para os negócios.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Poluição em São Paulo: uma abordagem sobre saúde e sustentabilidade

O programa Cidades e Soluções, da Globo News, realizou uma série de dois programas para refletir a poluição em ambientes urbanos. Será que questões como saúde e poluição são levadas em conta nos projetos urbanísticos e de transporte público da cidade de São Paulo?

O programa Cidades e Soluções, apresentando por André Trigueiro na Globo News, é muito interessante para as pessoas interessadas em compreender melhor as questões que envolvem sustentabilidade no seu sentido mais geral. Aqui, quero dizer como paradigma para entender as atividades humanas como inseridas em ambientes que possuem certas dinâmicas econômicas e sociais que devem ser compreendidas, refletidas e alteradas com o objetivo final de propor diagnósticos mais interessantes e saudáveis de qualidade de vida.

Os últimos programas falaram da poluição em ambientes urbanos (especificamente em São Paulo) e dos efeitos adversos na saúde, como problemas respiratórios, arritmia cardíaca, principalmente causados por materiais particulados em suspensão e da emissão de poluentes importantes, como o monóxido de carbono. Veja os dois episódios da série aqui.

O programa teve sucesso em introduzir melhor a questão da saúde como fundamental para discutir sustentabilidade nas cidades brasileiras. Isto porque, de forma contundente, ilustra os efeitos adversos da poluição e da falta de planejamento. Problema de poluição, principalmente nas cidades do Brasil, não é causado pela urbanização excessiva e sim pela falta de planejamento. Urbanização também inclui áreas verdes que, além das funções principais de oferecer um espaço de encontro para a população e para atividades culturais, também serve como campo de drenagem de água de chuva. Urbanização também inclui a utilização inteligente do espaço, para que as pessoas desloquem-se com inteligência pela malha urbana e evitem o ir-e-vir desnecessário. E, claro, transporte inteligente, público e barato!

São Paulo sofreu um inchaço durante o século XX cujas pendências ainda são evidentes nos dias de hoje. Um cidade como essa com poucas linhas de metrô e transporte público rodoviário e ineficiente, causa poluição, acumula poluição e mata as pessoas sim. Os efeitos são causados em médio e longo prazo, mas causam doenças de natureza respiratória, como foi abordado pelo grupo de pesquisadores do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, liderado pelo Professor Paulo Saldiva, que utilizou o apresentador André Trigueiro como cobaia para as medições.

Os estudos destes pesquisadores e publicações como do Instituto Saúde e Sustentabilidade evidenciam as necessidades e contextualizam os problemas nas situações presentes e ainda convencem com seus prognósticos terríveis, caso a cidade insista no caminho errado de agora. Meu modo de pensar é que autoridades governamentais e empresários, no Brasil, devem internalizar com mais seriedade quesitos de saúde e bem estar nos projetos urbanísticos e de desenvolvimento. Uma solução eficiente, no transporte público, é aquela que beneficia os usuários (acesso a centros culturais, às regiões centrais e periféricas, etc.) reduz a poluição no ambiente e tenha manutenção eficiente. É isso que o cidadão espera. Muitas são as dificuldades, é evidente. Mas a necessidade de infra-estrutura deveria passar por cima de lobbys de empresas automobilísticas e de interesses particulares (os "diferenciados" de Higienópolis), com sanções governamentais sérias e comprometidas com o bem público. Saúde também é um bem público.

Quando é que São Paulo inovará sua gestão urbana e integrará seus diversos gabinetes e sub-prefeituras para criar um projeto urbano, de transporte e qualidade de vida? Precisamos aprender a integrar esforços e respeitar o espaço público.

Fonte: Revista Sustentabilidade

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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Prática contradiz discurso e limita liderança do Brasil na futura economia verde

O mais recente relatório do IPCC novamente destaca o papel de liderança do Brasil num cenário de economia verde. A aprovação do Código Florestal, no entanto, aponta na direção contrária.

Hoje temos boas e más notícias para comentar.

As boas notícias vêm do mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), apresentado durante a plenária do organismo realizada entre 11 e 13 de maio de 2011, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Ele foi elaborado com a colaboração de 120 cientistas de todo o mundo, inclusive quatro brasileiros: Marcos Freitas, Roberto Schaeffer, Segen Estefen e Suzana Kahn Ribeiro, todos do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O foco foi o papel das energias renováveis para a emergência da economia verde. O IPCC estudou vários cenários e concluiu que:
- Em 2050, a participação de fontes renováveis na matriz mundial precisa ser superior a 50% para conter o aquecimento global, estabilizando as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 450 ppm (partes por milhão), para as temperaturas não subirem acima de 2 graus centígrados;
- Hoje, as fontes renováveis são responsáveis por 13% da oferta de energia primária no mundo. Precisamos de, pelo menos, mais 35% vindos de fontes renováveis, o que é bastante possível de se atingir;
- Ao custo de investimento de 1% do PIB mundial, as fontes renováveis podem suprir 77% do consumo mundial de energia até 2050;
- Dos 300 GW acrescentados ao parque gerador de eletricidade entre 2008 e 2009, nada menos de 140 GW vieram de fontes renováveis;
- A energia elétrica tenderá a ocupar espaço protagonista na matriz energética e os combustíveis líquidos tenderão a ser cada vez mais biocombustíveis. O futuro também será de crescente participação de energias eólica e solar, as quais terão as maiores taxas de crescimento nas próximas décadas.

Dentro desse cenário otimista, o Brasil desponta como liderança na futura economia verde, pois:
- Ainda tem enorme potencial hidrelétrico;
- Pode avançar ainda mais em tecnologias para aproveitamento de biomassa; e
- Também pode se destacar em aproveitamento dos oceanos, sem falar nas energias eólica e solar.

Ou seja, em todas as fontes renováveis listadas pelo IPCC, o Brasil aparece com papel proeminente no futuro.

No entanto, parece que o país não quer essa liderança. Ou melhor, não consegue transformar em prática o discurso que o faz projetar-se como nação privilegiada num cenário que valoriza cada vez mais o capital natural como o maior patrimônio financeiro do futuro. Esta é a notícia ruim.

O que tem jogado contra essa projetada liderança brasileira é o processo interno de decisão política. Ele funciona numa lógica que não leva em consideração esse futuro mais sustentável e justonem está a serviço dos interesses da população. Sua visão é imediatista, brindando interesses particulares, e não os do conjunto da sociedade.

Um exemplo desse processo é a discussão e a aprovação do Código Florestal. O que contou mesmo para a definição do voto parlamentar foi o que podemos chamar de “jogo de poder” no Legislativo. Pouco se considerou a floresta, essa sim o bem mais valioso que o Brasil possui atualmente, comprovado mais uma vez pelo recente relatório do IPCC.

A floresta é imprescindível porque:
- Garante a preservação das fontes de água. Sem água, perdemos parte do potencial energético e agrícola. A preservação das fontes de água também é imprescindível para o modo de vida urbano – e o Brasil tem mais de 80% da população vivendo em cidades;
- Garante a biodiversidade, que se transforma em conhecimento e em fonte de renda não só para as populações locais, mas como base para grandes negócios, como a indústria cosmética e farmacêutica;
- Garante a própria atividade econômica, pois mais de 50% dela dependem de recursos das florestas;
- Cria condições para a riqueza do solo, mantendo a composição química adequada para as atividades agrícolas e impedindo a erosão e a desertificação.

Antes mesmo da aprovação do Código Florestal, o desmate na Amazônia já havia aumentado, pela expectativa de impunidade e de liberação de áreas antes consideradas intocáveis.

O mundo espera que o Brasil assuma papel protagonista na transição para uma nova economia e a Rio+20 poderá ser o palco para a consolidação dessa liderança. Mas o discurso que pôs o Brasil nessa vanguarda precisa vir acompanhado de práticas que comprovem a intenção de agir no sentido da sustentabilidade. Não é o que temos visto nem o que ficou demonstrado pela aprovação desse Código Florestal na Câmara Federal.

Tomara que o Senado e a própria Presidência da República possam consertar o estrago, recolocando o país nos trilhos de um desenvolvimento mais justo e ambientalmente equilibrado.

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terça-feira, 24 de maio de 2011

O consumo e as boas causas

(Tema de "Ethos na CBN" no dia 18/05/2011)

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou o fim do uso de sacolas plásticas pelo comércio no município. Outras cidades, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Jundiaí, já fizeram o mesmo. Trata-se de medida que se espalha pelas cidades brasileiras e demonstra fato já observado na pesquisa Sustentabilidade Aqui e Agora, realizada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Walmart no ano passado. Naquele levantamento, 69% dos entrevistados afirmaram que carregariam suas compras em sacos ou sacolas de outro material, se as plásticas deixassem de existir. Fariam isso em favor da preservação do meio ambiente.

A tendência de adotar novas atitudes em prol de uma causa também foi detectada por um estudo da Edelman, uma das maiores agências de relações públicas do mundo. No final do ano passado, ela divulgou uma pesquisa mundial sobre tendências de consumo chamada Good Purposes (Bons Propósitos), em que fica demonstrado que o consumidor global compraria produtos de marcas aliadas a causas.

O estudo entrevistou 7.259 pessoas, em 13 países, e apresenta alguns resultados interessantes. Os países pesquisados foram Alemanha, Brasil, Canadá, China, Emirados Árabes, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Itália, Japão, México e Reino Unido.

Alguns dos resultados:
- 86% dos entrevistados em todos os países acreditam que as empresas devem dedicar igual peso e relevância aos interesses da sociedade e a seus próprios interesses de negócio;
- 8 em cada 10 consumidores no Brasil e no México comprariam produtos de empresas que apóiam boas causas, em comparação com pouco mais de metade (54%) dos consumidores das maiores economias ocidentais;
- Quase dois terços dos respondentes globais (64%) acreditam que já não é possível que as empresas se limitem a fazer doações. É necessário que elas integrem boas causas no dia a dia do seu negócio;
- 62% dos entrevistados nos 13 países estão dispostos a trocar de marca em razão da boa causa que esta apóie.
- Na análise comparativa desde 2007, ano em que essa pesquisa foi feita pela primeira vez, inverteu-se o nível de confiança dos consumidores em relação a atitudes concretas das companhias sobre causas de interesse coletivo. Enquanto a crença em que as marcas realizam algo neste sentido saltou de 46% para 64% entre 2007 e 2010, a visão de que a maioria nada pratica caiu de 51% para 32% no mesmo período.

No recorte sobre os resultados brasileiros, chama a atenção o ganho de autoconfiança do consumidor em relação à sua capacidade de ser agente de transformação. Subiu de 1%, em 2009, para 11%, em 2010, a crença na capacidade de influenciar a empresa e a sociedade por meio da defesa de uma causa. Mas, ainda assim, a porcentagem é baixa. De qualquer modo, para os especialistas da Edelman, o Brasil “puxa” a tendência mundial na qual o consumidor é, hoje, um consumidor-cidadão, para quem, antes de adquirir o produto, é preciso refletir sobre o que a marca entrega à sociedade.

Nesse sentido:
- 80% recomendariam a compra de uma marca vinculada a alguma causa relevante;
- 81% declaram confiar mais em marcas que são ética e socialmente responsáveis; e
- 84% acreditam que consumidor e marca, juntos, podem fazer mais por uma causa do que se atuassem de modo separado.

No que tange ao meio ambiente, 79% dos brasileiros acreditam que ajudam a preservá-lo. A média global é de 71%. China e México têm porcentagens mais altas que as brasileiras.

É interessante cruzar esses dados sobre o Brasil com os da pesquisa Responsabilidade Social das Empresas: Percepção do Consumidor Brasileiro, resultado de uma parceria entre o Instituto Ethos, o Instituto Akatu e o Ibope. Entre as práticas de RSE das empresas, 80% dos consumidores valorizam as práticas relativas às relações do trabalho, principalmente aquelas que promovam a diversidade e a equidade de gênero e raça, bem como a igualdade de oportunidades e de salários.

Isso faz sentido. Dados do IBGE relativos ao Censo 2010 mostram que pouco mais de 50% da população são constituídos por mulheres; e também pouco mais de 50% dos brasileiros e das brasileiras se consideram negros.

No entanto, a pesquisa Ethos-Akatu revela que a promoção da diversidade e a equidade de gênero e raça e a igualdade de oportunidades e de salários são prioritárias para apenas 44% das empresas ouvidas no levantamento.

A edição de 2010 da pesquisa Ethos-Ibope Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil mostra que o funcionário “médio” dessas corporações ainda é homem e branco. Negros, mulheres e deficientes têm pouca participação nos quadros funcionais, notadamente naqueles de mais alta hierarquia.

Se a porcentagem dos consumidores que se vêem como agentes de transformação subir para mais de 11% e tomar a atitude de punir as empresas que não promovam equidade de gênero e raça em seus quadros, teremos uma revolução no mercado de trabalho, não?

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Será que vamos ter de pintar nossos telhados de branco? E em 180 dias?

Pintar de branco os telhados das edificações dos centros urbanos está sendo apontado como forma de diminuir a temperatura nas ilhas de calor.

A solução carece de mais embasamento científico e ainda não foi adotada em nenhum país ou cidade de forma generalizada. No entanto, tramita na Câmara Municipal de São Paulo um projeto de lei que, se aprovado, não só vai obrigar todo paulistano a pintar seu telhado de branco como a fazer isso em 180 dias a contar da data de publicação da lei.

Trata-se do Projeto de Lei 01-0615/2009, que propõe integrar ao conteúdo do Código de Obras e Edificações (Lei n.º 11.228/1992) as seguintes determinações:
- Todos os telhados e coberturas das edificações deverão ser da cor branca;
- As edificações terão 180 dias para se adaptar (ou seja, pintar o telhado de branco), a contar da data de publicação da lei;
- As despesas com a adaptação correrão por conta dos proprietários, sem incentivo do poder público.

Esta solução vale o custo e o aborrecimento que vai causar aos cidadãos desta cidade? O telhado branco de fato resolve o problema das ilhas de calor? Para o Conselho Brasileiro da Construção Sustentável (CBCS), não.

Solução inócua
Em seu documento Posicionamento sobre Tetos Frios, o CBCS não recomenda nenhuma política pública que torne obrigatória a solução proposta pelo PL 01-0615/2009, de pintar de branco todos os telhados da cidade de São Paulo, seja nas edificações novas, seja nas já existentes. O conselho acredita que não se deve privilegiar uma cor ou uma alternativa técnica em detrimento de outras.

A entidade recomenda o uso de toda e qualquer solução que possa reduzir a carga térmica e combater as ilhas de calor, tais como: telhados frios, tetos verdes, isolamento térmico de telhado, arborização urbana, pavimentos frios etc. E que o uso de qualquer técnica seja promovido no mercado brasileiro por seus reais benefícios.

O CBCS avalia também que a adoção de qualquer alternativa precisa ser feita a partir de pesquisas sistemáticas capazes de gerar normalização que proteja a sociedade de soluções inadequadas, seja pelo baixo desempenho, pela curta durabilidade ou pelo elevado impacto ambiental, entre outros aspectos.

Organização criada em 2007 para articular lideranças empresariais, pesquisadores, consultores, profissionais atuantes e formadores de opinião e induzir o setor da construção a utilizar práticas mais sustentáveis, o CBCS se debruçou sobre o referido PL, estudou o assunto e pesquisou alternativas para chegar a essa conclusão.

Vale ressaltar que é louvável a preocupação com a questão climática na capital paulista, notadamente com o fenômeno das “ilhas de calor”, locais que apresentam temperaturas mais altas na cidade, em razão da grande concentração de asfalto e concreto. A diferença de temperatura entre o centro da capital e as áreas periféricas chega a ser de 10 graus Celsius, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que realizou mapeamento térmico da cidade com apoio do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP).

Esse fenômeno aumenta o desconforto térmico das pessoas, pois, mesmo à noite, a temperatura não baixa. Com isso, sobem também os custos de climatização de residências e edifícios comerciais, aumentando ainda mais o consumo de energia.

É preciso enfrentar essa situação, mas obrigar a adotar uma única alternativa – no caso, pintar o telhado de branco – não resolve e o CBCS enumera as seguintes razões:
- Descaracterização de conjuntos históricos;
- Ofuscamento e desconforto visual para ocupantes de edifícios vizinhos, aviões e helicópteros;
- Rápida perda da capacidade reflexiva da superfície pintada com tintas convencionais, pelas características do clima brasileiro. No verão, há muito calor e muita chuva; a tinta acaba sendo levada pelas águas e a pintura precisa ser refeita constantemente, causando impactos ambientais que reduzem os benefícios, bem como a colonização por fungos e outros microorganismos com pigmentos escuros.
- Falta de referenciais, no Brasil, a respeito do desempenho e da durabilidade dos produtos nas várias condições climáticas do país. As certificadoras internacionais exigem três anos de envelhecimento natural no clima da região em que o produto será utilizado.
- Alto risco nas operações de limpeza e manutenção dos telhados, que precisam ser periódicas. Ao contrário de outros países, no Brasil a quase totalidade dos telhados é inclinada, sem acesso adequado e com telhas de cerâmica ou fibrocimento, que podem quebrar sob o peso de uma pessoa caminhando.

Diante disso, o CBCS propõe as seguintes alternativas:
- O uso de materiais “frios”, capazes de refletir parte significativa da radiação sobre os telhados, fachadas e pavimentos em climas quentes, é uma alternativa para melhorar o conforto térmico nas edificações e diminuir o consumo de energia. Telhas de alumínio ou galvanizadas, películas com barreiras de radiação, isolantes térmicos e dispositivos de sombreamento reduzem o calor nas edificações, embora não tragam benefícios urbanos.
- O “telhado verde”, ou seja, o uso de vegetação em telhados, fachadas e ruas, reduz o calor e traz ganhos para a cidade. Produz sombra e evaporação, tornando o ar mais úmido, retém água da chuva, contribuindo para diminuir as enchentes, e aumenta a biodiversidade.
- O estabelecimento de políticas públicas que promovam a arborização urbana trariam enormes benefícios no curto e no longo prazo.

Enfrentar as conseqüências do aquecimento global exige proatividade. Mas esta de maneira alguma deve ser confundida com precipitação ou pressa. Qualquer nova tecnologia ou solução precisa estar calcada em estudos e pesquisas exaustivos. Caso contrário, em vez de resolver, trará mais prejuízos ambientais, sociais e econômicos.

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Última semana da consulta pública sobre a versão intermediária dos Indicadores Ethos - 3ª. Geração

As empresas e demais interessados terão até o dia 30 de maio de 2011 para participar da construção da nova versão da ferramenta, por meio da pesquisa virtual, que se iniciou em 28 de abril de 2011.

A necessidade de um novo processo de revisão, a partir da versão 2007 dos Indicadores Ethos, deu-se com a evolução das discussões em torno da gestão da responsabilidade social empresarial e o sólido aumento do comprometimento das empresas com o tema. A proposta é alinhar a ferramenta com a Plataforma por uma Economia Inclusiva, Verde e Responsável, iniciativa do Instituto Ethos, em parceria com a Alcoa, a CPFL, a Natura, a Suzano, a Vale, o Walmart e a Roland Berger, cujo propósito é estimular as empresas e o Brasil a promover a transição para essa nova economia.

O processo de revisão para a terceira geração dos Indicadores Ethos contempla duas etapas. A Versão Intermediária, que será lançada em agosto de 2011, tem como objetivo apresentar uma proposta de convergência entre os Indicadores Ethos, as Diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) e a ISO 26000 – Norma Internacional de Responsabilidade Social. O lançamento da Versão Final está previsto para outubro de 2012, com envolvimento de diversas partes interessadas na construção da terceira geração.

Para acessar o PDF da Versão Intermediária dos Indicadores Ethos – 3ª. Geração, clique aqui.

Para saber mais sobre o processo de revisão, clique aqui.

Para participar da consulta pública (virtual), clique aqui.

O processo de revisão dos Indicadores Ethos – 3ª Geração conta com o patrocínio da Shell e o apoio da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Encontro anual do Pacto Global, braço empresarial da ONU

Terminou nesta sexta-feira (20/5), em Copenhague, na Dinamarca, a Semana do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), em que se realizaram o 9º. Fórum Anual das Redes Locais e também o Encontro Anual do Pacto Global.

O 9º. Fórum Anual de Redes Locais é um encontro mundial que visa a troca de experiências entre as redes locais do Pacto Global a a avaliação do engajamento dos grupos e dos avanços em sustentabilidade nas empresas. Este ano, no entanto, esse fórum teve três objetivos: fazer uma avaliação das redes em 2010, preparar o grande Encontro das Redes Locais a ser realizado no Rio de Janeiro, em 2012, e organizar o posicionamento do Pacto Global para a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

Para entender a importância desse evento e, mais do que isso, da iniciativa da ONU em mobilizar empresas, vamos destacar alguns fatos e contextos.

O que é o Pacto Global (Global Compact). Trata-se de uma iniciativa desenvolvida pela ONU com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção voluntária, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Tais valores estão refletidos em dez princípios que foram adaptados a partir de tratados internacionais assinados pelos países-membros da ONU, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, as convenções sobre trabalho decente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os protocolos ambientais do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e, mais recentemente, os pactos anticorrupção.

A adesão das empresas a esses princípios representa o compromisso voluntário delas com a sustentabilidade e a agenda da ONU.

Como funciona. O Pacto Global pede ações das empresas relacionadas a direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção e dá dois anos de prazo antes de elas informarem, por meio de uma comunicação de progresso (COP), a aplicação e a evolução dessas ações nesses temas.

A partir da avaliação dessas comunicações, o Pacto Global classifica as empresas, quanto à adesão a seus princípios, em quatro estágios (programa de diferenciação): Iniciantes, Ativas, Avançadas e Blueprints (Exemplares).

Quantidade x qualidade. De 2001 a 2010, 8.000 empresas de 135 países tornaram-se signatárias do Pacto Global da ONU. Em 2010, esse número baixou para 6.000, porque o Pacto Global realizou uma avaliação mais rígida e retirou a adesão daquelas empresas que não apresentaram relatório de progresso. Fez isso para dar mais credibilidade ao processo de mobilização e engajamento que ele promove e também para garantir crescimento com qualidade. Em 2010, também ficou decidido que o prazo para apresentação da primeira COP será de um ano, e não mais de dois.

2011. A Semana do Pacto Global, em Copenhague, reuniu 500 representantes de empresas e entidades de mais de 100 países para avaliar o estágio e o envolvimento das empresas com a gestão sustentável.

Constatou-se que as ações cresceram em número e qualidade, mas ainda há um grande desafio a vencer: as empresas efetivamente comprometidas com a sustentabilidade ainda são poucas –aproximadamente 5% das existentes no mundo.

Para ampliar o número de empresas de fato mobilizadas em favor da sustentabilidade, há pelos menos dois grandes desafios que o Pacto Global precisa enfrentar.

O primeiro é provar que as empresas já mobilizadas praticam a gestão sustentável por exemplos concretos. Por isso, aumenta a importância das comunicações de progresso. Mas não só isso. Algumas ações precisam ter incentivo especial para serem adotadas em nível global. Uma delas é a integração do balanço financeiro com o balanço socioambiental. Outra ação sugerida é intensificar a demanda aos organismos financeiros internacionais de usar critérios socioambientais baseados nos princípios do Pacto Global para definir seus investimentos. No campo dos direitos humanos, é preciso ampliar a diversidade nos quadros funcionais das empresas.

O segundo grande desafio do Pacto Global é passar do discurso à prática. No Brasil estamos avançando na plataforma por uma economia que pretende integrar os temas sociais, ambientais e éticos e os diferentes atores – empresas, trabalhadores, sociedade civil e governos –, visando a construção de uma agenda que conduza a uma nova economia.

Nesse sentido, a Rio+20 foi considerada fundamental para a consolidação dessa agenda.

Rio+20. A Semana do Pacto Global em Copenhague terminou com uma série de debates sobre a Rio+20, que vai se realizar no Rio de Janeiro, em junho do ano que vem.

As empresas do Pacto Global entenderam que elas devem impulsionar os governos dos respectivos países a virem com planos mais concretos para essa conferência. O que seriam esses planos? Não apenas sugestões vagas para acordos, mas ações que possam ser adotadas globalmente de forma a contribuir para a transição para uma nova economia. Ações em setores econômicos estratégicos, em mudança de comportamento e em educação e cultura. A proposta é que a Rio+20 apresente, ao final, uma agenda para a humanidade orientar-se na construção de outra civilização.

A expectativa pela liderança brasileira é altíssima. Os participantes aqui em Copenhague afirmam que não sentem em nenhum outro país (entenda-se por país a soma de governo, sociedade civil, empresas e trabalhadores) a disposição para de fato agir na direção do desenvolvimento sustentável e entendem que o Brasil pode ser a liderança desse movimento.

Por isso, em junho de 2012, antes da Rio+20, o Pacto Global vai realizar seu fórum anual no Rio de Janeiro e o Instituto Ethos será parceiro dessa iniciativa.

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Redes sociais, transparência e a responsabilidade social de cada um de nós

César Viana*, especial para o SESI

Há um fenômeno que chama a atenção pela quantidade de gente e de marcas envolvidas. As redes sociais on-line surgiram no início do século e transformaram-se em espaços públicos de convivência. Já são consideradas assim por alguns autores: como as praças ou as ruas, parte da esfera pública. Tudo isso tem a ver com as características dos novos meios, que são capazes de assimilar e redistribuir qualquer coisa em formato digital. Começam a se esfumar muitos tipos de fronteiras e a transbordar novos métodos e conexões.

As pessoas se identificam com alguns serviços da web social e passam a expandir suas identidades em ambientes on-line. A expressão pessoal é característica básica dos humanos. Fossem nos desenhos das cavernas, nos milênios de cultura oral ou nos diários das adolescentes, que ajudam a explicar o cotidiano do século XIX. Ainda há muito que se registrar.


Ultimamente, uma imensa fonte de etnografia, antropologia, sociologia ou de história se armazena em relatos voluntários feitos em diversos recantos da internet. Há múltiplos tipos de expressões e de análise de manifestações culturais.

A quem pertence o conteúdo publicado nas redes sociais e como preservar esse patrimônio imaterial espontâneo? Quanto geram de renda esses novos fluxos e recursos de comunicação? Como organizar tanta informação e produzir conhecimento? E, principalmente, como participar dessas novas indústrias de mídia e de suas interconexões – a chamada transmídia?

Está cada vez mais simples manipular imagem e som. O audiovisual se capta ou se reproduz a partir de aparelhos portáteis ou inclusive táteis. Transmitir algum evento ao vivo para qualquer parte do mundo é “praticamente grátis”. Algo impensável há poucos anos. Basta um celular ou qualquer aparelho que acesse internet e já somos potenciais agentes de mídia. Mas como isso se reverte em benefícios para as pessoas, empresas ou outras instituições?

Jornalismo cidadão
Apesar de que apenas 25% da população mundial tem acesso à internet, há maior facilidade de mobilização e de encontro de afinidades e de interesses. As rebeliões e mudanças no mundo árabe ou os relatos dos moradores durante a retomada do Morro do Alemão ilustram essa realidade.

A partir da união de saberes, o jornalismo reformula-se devido à capacidade de interação e cooperação com o público. Aliás, a comunicação de massa nunca foi tão apropriada pelas massas. Como o jornalismo de dados aplica-se a este mundo midiático? Quais as bases para moldar os parâmetros e as políticas editoriais que representam as comunidades e suas diversidades?

Com igual intensidade e vigor colaborativo, os consumidores também possuem variadas chances de contato com a rede de clientes de uma determinada marca, empresa ou instituição. Antes de decidir uma compra, sempre há comentários abertos para qualquer um se certificar se a compra vale a pena ou não. Daí, a corrida por assimilar novos tipos de relacionamento com o cliente.

Nos últimos anos, pesquisei as redes sociais como reforço para a comunicação comunitária, cidadã, alternativa, popular, social… Há vários nomes. O resultado é uma tese doutoral defendida na Universidade Autônoma de Barcelona. Com a ajuda de Anabel Rami, profissional de pesquisa de mercado pela UOC, elaboramos um questionário para saber detalhes de usos e tendências. Ao anunciar em redes sociais o link para a pesquisa, houve certa mobilização nas redes sociais.

Quem respondia, também convidava os amigos e assim chegaram a 779 pessoas de 31 países em duas semanas. Desse total é possível observar – com uma margem de erro de 6% a 8% – as opiniões do Brasil, México e Espanha, os países que mais participaram. Um indício claro de cultura de participação e de colaboração.

Pesquisa de opinião
Entre os entrevistados: 97% acessam a internet várias vezes ao dia. Desses, 85% também verificam várias vezes ao dia as redes sociais que participam. Este número é mais alto no México: 92%, na Espanha vai a 89%, e no Brasil é de 81%.

Quando perguntados se antes de aderir leem as políticas de privacidade, 46% dos brasileiros afirmam que não. Na Espanha, este número é de 24%, e no México 37%. A privacidade – termo que existe há poucas décadas em português – não era tema do estudo.

Todo mundo tem algo a dizer em público e este é o principal foco do estudo. Por exemplo, os alunos de uma escola resolvem publicar um jornalzinho onde mostram as medalhas que os alunos ganharam no futebol. Num programa de rádio por podcast, talvez a mãe de um desses alunos passe a receita de um dos salgadinhos que vende na cantina. Isso pode ser veiculado no entorno da escola ou para o mundo inteiro. Depende da decisão dos alunos, pais e pedagogos.

Cartões de visita
É comum que as pessoas se apresentem espontaneamente por meio da web social. Os mexicanos são os que mais adicionam desconhecidos às suas redes: 69%. No Brasil, este índice é de 66% e, na Espanha, ainda cai em dez pontos: 56%. Mesmo assim continuam sendo altas as margens de aceitação de convites de estranhos.

Como exemplo, imaginemos uma feira de negócios onde as pessoas trocam cartões de visita. As redes sociais funcionam mais ou menos assim. Facilitam diversos tipos de conexões e relacionamentos. Mas como as pessoas consideram os seus contatos em redes sociais?

Um total de 59% diz que são amigos e familiares. Outros 58% acham que os “seguidores e seguidos” são fontes de informação para saber do que acontece. Um dado interessante aparece nesta pergunta, que contabiliza as três opções mostradas: 46% assimilam os contatos como sendo “meu público e se interessam pelo que comento ou publico”.

Apesar da febre dos Smartphones, no Brasil ainda se usa pouco o celular para acessar a internet. Apenas 34% afirmam usar este tipo de serviço nos celulares. Os mexicanos são os que mais usam o telefone para se conectar à rede: 64%, enquanto que na Espanha são 56% com acesso via telefone móvel. Do total de entrevistados, 8% já usam funções de realidade aumentada em seus aparelhos. Os dados da ONU indicam que os celulares são parte do caminho mais rápido e mais aceito pelas pessoas.

Os resultados completos e as análises teóricas da tese são de livre acesso para consulta em e-book (veja como no fim deste artigo). Demonstram os detalhes da manipulação voluntária de meios de comunicação
e da formação de audiências segmentadas. O sentimento de nação, por exemplo, reforçou-se quando os primeiros jornais foram lançados. O público-leitor identificava-se e assim se configuravam conjuntos de opiniões.

O que há de diferente agora é a capacidade de convivência em tempo real entre as pessoas. São fãs, bloggers, gamers, “prosumidores”, gente comum que se interliga naturalmente umas às outras. A massa mostra sua cara, enfatiza intenções e compartilha habilidades e saberes.

Os dados e teorias analisadas também indicam o potencial para que se estabeleçam agências cidadãs de comunicação entre os usuários desses sistemas informáticos. Desde que se considerem as identidades, as características socioculturais e sejam niveladas as oportunidades de acesso e de uso dos novos meios, também haverá espaço para a inovação nas indústrias de comunicação.

Ensino de mídia
O ensino de mídia favorece esse intuito. A capacitação para o uso de mídia e para os novos meios precisa estar ao alcance de todos. A Áustria é um exemplo nesse sentido. Desde 1973, os alunos da rede pública de ensino aprendem sobre comunicação social. Hoje, 100% das escolas públicas recebem material didático para ensino de mídia. É o único país com este índice. As crianças aprendem sobre edição de imagem, texto e vídeo e participam de programas de rádio em rede nacional.

No Brasil, há exemplos de recuperação de tradições e saberes com vídeos feitos por cineastas indígenas. Contam mitos e histórias pessoais, além de fazer mobilização e jornalismo entre as comunidades e o mundo. Os representantes das pequenas e médias empresas juntam forças para participar do pujante comércio eletrônico brasileiro. Também há fundos especializados no desenvolvimento de projetos tecnológicos inovadores e apoio à conexão de saberes.

A Espanha, apesar de não haver política pública específica de ensino de mídia regularizada, possui um exemplo interessante. A Fundação Bip Bip começou reunindo voluntários para ensinar informática a pessoas em risco de exclusão social. Hoje, a fundação desenvolve projetos que pretendem mudar o jeito como as empresas investem em publicidade e em responsabilidade social.

Existem outros modelos de união popular organizada como agência de informação baseadas em plataformas on-line, como Ushahidi, Topobiografies, IndyMedia ou OhMyNews, entre tantos outros tipos e aplicações – principalmente com o uso de mapas. Somos os responsáveis por criar os moldes da internet; também está em nossas mãos a administração das cidades inteligentes.

Módulos
A partir das bases teóricas e das análises dos dados da pesquisa de opinião, a sugestão é criar modelos de agências cidadãs de comunicação que se complementem e se reconheçam em módulos. Sempre há que se considerar os parâmetros de cada comunidade. Simultaneamente, formam-se conselhos comunitários especializados para definir as características editoriais, sejam elas de texto, áudio, audiovisual e/ou animação. Os vizinhos de cada bairro ou comunidade escolhem as maneiras de se ganhar visibilidade ou de se fazerem representados.

A elaboração de uma agência cidadã de comunicação demandaria espaços e serviços informáticos específicos para, por exemplo, emular o planeta e fazer funcionar todas as funções necessárias. É preciso definir, testar e usar serviços de transmissão e reprodução instantâneas. As características editoriais e informáticas serão decididas melhor em colaboração coletiva. As experiências bem-sucedidas dos projetos coletivos do BarCamp em vários países servem de norte.

Diversidade cultural
Quando alguém “viajar” pela Terra a partir de mapas livres, também vai conhecer as pessoas que se apresentam como membros desses esforços cidadãos de comunicação. Imagine navegar pelo Brasil e ir aos bairros de qualquer cidade e conhecer os moradores para saber das histórias pessoais, dos costumes, da culinária e de tantas outras coisas que se aprendem uns dos outros! Temos a liberdade de conversar uns com os outros como um princípio, ainda que seja só para perguntar onde fica uma rua ou que horas são.

Talvez algum dia as escolas possam marcar aulas conjuntas entre crianças de Minas Gerais e as do Xingu por videoconferência. Existem os meios e os recursos, falta determinar as formas cidadãs que melhor representam as comunidades e a diversidade cultural. Há memória computacional suficiente para registrar e divulgar milhões de horas de vídeo, áudio, texto ou qualquer outra forma de expressão. Uma época de ouro para a visibilidade, a promoção, a organização de manifestações e narrativas populares.

A web semântica e a internet das coisas começam a engatinhar e dentro de pouco tempo usaremos computadores como usamos as mãos, as roupas ou nossos sentidos. Há soluções fáceis e eficientes para ajudar as pessoas a expressar seus pontos de vista ou a ter acesso aos recursos para se obter maior participação democrática e direito à informação. Depende de cada um de nós.

***

A informação completa com as referências teóricas e a pesquisa de opinião com as características de uso e tendências das redes sociais no Brasil, México e Espanha estão disponíveis em e-book em: http://issuu.com/cesarviana/docs/uab_socialmedia.
* César Viana é jornalista formado pela UFJF, mestre e doutor em comunicação audiovisual e publicidade pela Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha.

Fonte:
Mercado Ético

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