quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Excesso de iluminação das cidades agrava poluição do ar, diz estudo

Uma pesquisa divulgada na última semana pela Administração Oceanográfica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) mostra que a poluição luminosa das grandes cidades pode aumentar os níveis de poluentes na atmosfera. As informações são da BBC Brasil.

O estudo foi apresentado durante a reunião da União Geofísica Americana, em São Francisco, e mostrou que a claridade que é lançada para o céu interfere em reações químicas que ocorrem durante a noite e ajudam a limpar o ar da fumaça dos carros e fábricas.

Essas substâncias poluentes jogadas na atmosfera formam uma mistura de moléculas que a natureza tenta eliminar. Para isso, ela utiliza o óxido de nitrogênio, que quebra esses elementos químicos.

Caso não sejam destruídas, essas substâncias formam poluição e ozônio, que transformam o ar da cidade em algo irritante para as vias respiratórias.

O problema, segundo os estudiosos, é que essa “limpeza” acontece durante a noite, já que o óxido de nitrogênio é destruído pela luz do Sol.

A nova pesquisa aponta que a energia de luzes que ficam acesas durante toda a noite nos grandes centros urbanos está eliminando a substância da atmosfera.
Apesar de serem até 10 mil vezes mais fracas do que o Sol, as luzes artificiais podem causar sérios danos à atmosfera, afirmam os pesquisadores.

“Nossos primeiros resultados indicam que as luzes podem desacelerar a limpeza noturna em até 7% e elas também podem aumentar em até 5% os (elementos) químicos iniciais para poluição por ozônio no dia seguinte”, afirmou Harald Stark, do NOAA, à BBC.

Ele informou ainda que serão necessários novos estudos para quantificar os índices de ozônio que poderão estar no ar no dia seguinte. “Este trabalho será importante, pois muitas cidades estão perto de seus limites regulatórios em termos de níveis de ozônio. Então, até mesmo uma mudança pequena pode ser importante”, afirmou o cientista.

Soluções
Para limitar os impactos do efeito, Stark recomenda a substituição das lâmpadas utilizadas na iluminação pública das grandes cidades. A maioria utilizar lâmpadas de vapor de sódio ou halógenas.

A tecnologia mais indicada são luzes vermelhas, que afetam menos o óxido de nitrogênio. O problema, segundo Stark, é que poucas autoridades aceitariam utilizar esse modelos de lâmpadas na iluminação das cidades.

Uma alternativa mais simples e viável seria adequar a iluminação pública para mantê-la voltada para o chão. A prática é indicada por ativistas, que defendem que assim é possível evitar que o brilho das lâmpadas apague a luz das estrelas.

“Este efeito é mais grave no alto, no ar, do que diretamente no chão. Então, se você conseguir manter a luz apontada para baixo e não a quer refletida nos céus, para partes mais altas da atmosfera, então você certamente terá um efeito muito menor”, disse Stark.

Perigos da poluição luminosa
Essa não é a primeira vez que a poluição causada pelo excesso de luz é apontada como vilã do meio ambiente. Outros estudos já revelaram que o fenômeno pode trazer diversos problemas para a saúde dos seres humanos e ainda causar um desequilíbrio da flora a fauna local.

Estudos apontam que a exposição à luz durante a noite pode aumentar o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o de mama, além de prejudicar a qualidade do sono das pessoas, levando ao estresse, insônia e outros transtornos. Motoristas podem ter sua capacidade visual reduzida por alterações bruscas de ambientes claros para escuros e vice-versa.

O excesso de iluminação noturna também pode afetar a reprodução, migração e comunicação de espécies, como aves e répteis diurnos, que caçam somente durante a noite. A iluminação artificial nas praias também pode ocasionar a desorientação de filhotes de tartarugas marinhas ao saírem dos ninhos.

Até as plantas sofrem com o fenômeno. Pesquisas mostram que algumas espécies não florescem se a duração da noite é mais curta do que o período normal, enquanto outras florescem prematuramente.

Fonte: EcoD, via Mercado Ético

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O que o consumidor pensa sobre Responsabilidade Social Empresarial?

Foi lançada ontem em São Paulo a pesquisa nacional “Responsabilidade Social das Empresas: percepção do consumidor brasileiro”, um levantamento nacional que traz dados sobre valores e comportamentos do consumidor frente ao Consumo Consciente, além de percepções e expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial. Esta pesquisa foi realizada por iniciativa dos institutos Akatu e Ethos, com patrocínio de Bradesco, Faber Castell, Santander e Walmart e executada pela GfK.

A pesquisa ouviu 1.100 pessoas no Brasil e apresenta números comentados sobre comportamento e expectativas do consumidor. Desde 2003, o Akatu tem monitorado a evolução do comportamento dos consumidores, dividindo-os em quatro categorias de acordo com o maior ou menor grau de consciência em seu consumo. As quatro categorias são: indiferentes, iniciantes, engajados e conscientes. A distribuição por categoria é feita a partir da análise de 13 comportamentos de consumo que também são divididos em quatro segmentos: economia, planejamento, compras sustentáveis e reciclagem.

Entre outras conclusões, o novo estudo aponta que:

Quanto à segmentação dos consumidores pelo grau de adesão ao consumo consciente:

- O percentual de consumidores conscientes manteve-se estável em 5% do total. No entanto, com o crescimento populacional dos últimos 4 anos, a manutenção da porcentagem significou um acréscimo de 500 mil novos “consumidores conscientes” no mercado.

- O percentual dos consumidores “indiferentes”, que adotam até 4 comportamentos conscientes, aumentou entre 2006 (ano da última pesquisa) e 2010, indo de 25% para 37%.

- Somando os percentuais dos “engajados” e dos “conscientes”, temos que 3 em cada 10 consumidores já adotam mais de 8 comportamentos de consumo consciente.

Quanto à adesão aos comportamentos de consumo consciente:

- Os comportamentos ligados à Economia ainda são aqueles com mais altas porcentagens de adesão, passando dos 60%, em média. No entanto, a pesquisa registrou queda na adesão a eles, entre 2006 e 2010. Por exemplo: em 2006, 77% dos consumidores afirmavam que evitavam deixar luz acesa em ambientes desocupados; em 2010, 69% disseram praticar este comportamento.

- Os comportamentos ligados à Planejamento conseguem adesão de 40% dos consumidores, em média. Todavia, diminuiu a adesão a alguns comportamentos, entre as duas pesquisas. “Planejar compra de alimentos”, por exemplo, caiu de 55% para 48% entre 2006 e 2010.

- Os comportamentos de Reciclagem e Compras Sustentáveis que, em tese, exigem nível maior de reflexão e, portanto, mudança de hábitos, estão na faixa dos 30% de adesão. No entanto, são os grupos que mantiveram a estabilidade nos dois períodos.

- Não diferenças significativas de comportamento entre homens e mulheres nem entre regiões do país.

- Há diferenças de comportamento entre classes sociais, idade e escolaridade. Os consumidores menos conscientes tendem a ser mais jovens, com menos escolaridade e das classes C e D. Os mais conscientes, por sua vez, têm mais de 45 anos, instrução universitária e pertencem às classes A e B.

- Outro dado interessante: 70% dos que buscam informação sobre responsabilidade social têm acesso à internet.

Pelas informações acima, temos um perfil de consumo no Brasil que é o seguinte: o consumidor “médio” é ainda “indiferente” ao consumo consciente, de classe C e jovem. Quais as expectativas que ele tem em relação ao papel das empresas?

Este consumidor tem altas expectativas sobre o papel no Estado como regulador das atitudes das empresas:

- Nove em cada dez consumidores acreditam que as empresas devem desenvolver ações além do que está estabelecido na legislação.

- 63% acham que o governo deveria obrigar as empresas a tornar a sociedade um lugar melhor para todos.

- 62% pensam que os cidadãos deveriam pressionar os políticos pela criação de leis que obriguem as empresas a fornecer instruções claras sobre uso e descarte dos produtos.

Mas, este consumidor também acredita na força da sua mobilização

- 62% pensam ser importante que cada consumidor pressione as empresas para evitar danos ao meio ambiente.

Entre os pontos importantes para que o consumidor considere a empresa como sendo socialmente responsável estão:

- Relações do Trabalho (com 80% de respostas), destacando-se políticas de valorização da diversidade e promoção da equidade, como por exemplo, contratação e capacitação de mulheres, negros, pessoas com deficiência; dar igualdade de oportunidades; acabar com as diferenças de salários e benefícios, não utilizar trabalho infantil ou análogo à escravidão, etc).

- Relações com o consumidor ( 69% das respostas), com destaque para a proteção e saúde doconsumidor ou cliente.

Também são consideradas importantes pelo consumidor as práticas anti-corrupção e a manutenção de programas de alfabetização.

Quase metade não acredita nas informações prestadas pelas empresas. Por quê?

A verdade é que o consumidor sente falta de referências e indicadores confiáveis que “comprovem” para o consumo ( não para órgãos fiscalizadores ou auditores) o comportamento socialmente responsável das empresas. Por enquanto, este consumidor não consegue separar o que é mera declaração ou “marketing” verde de comportamento socialmente responsável de fato, internalizado na gestão e no planejamento estratégico do negócio.

Como a empresa pode então tornar-se mais confiável aos olho do consumidor?

Uma das maneiras é estabelecer compromissos claros, com metas, objetivos e prazos bem definidos, e prestação de contas periódicas. Isto vai exigir da gestão um pensamento de longo prazo e de vanguarda, com investimento em práticas que produzam resultados que sejam percebidos e avaliados positivamente pela sociedade. Ao agir assim, a empresa estará sendo protagonista na construção construir o mercado e a economia do futuro, contribuindo para também elevar o patamar do mercado.

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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Seguir ou liderar?

A julgar pelo boom de sites que prometem conectar quem quer mudar o estado de coisas com organizações e projetos equipados para fazê-lo, o mundo vai parecer um lugar bem diferente – mais justo e menos desigual – em pouco tempo. Será?



Foto de "MailChimp" via Flickr
A estréia do site Jumo no início de dezembro atraiu tantos internautas que sobrecarregou seus servidores. Criado por Chris Hughes, um dos fundadores do Facebook, o novo site se propõe a ajudar as pessoas a encontrar e avaliar organizações sem fins lucrativos ou entidades de caridade. A partir das informações disponíveis, o usuário escolhe quais organizações quer “seguir”, passa a receber artigos jornalísticos, mensagens do Twitter ou vídeos do YouTube sobre elas, e pode apoiá-las doando dinheiro, tempo ou suas habilidades.

A figura de Hughes por trás a nova empreitada acrescentou ao frisson da estréia. Além de ajudar a fundar a rede social mais usada do mundo, ele coordenou a campanha online que elegeu Barack Obama em 2008. Mas, apesar da popularidade logo de cara, Jumo está longe de ser uma novidade: há vários sites que prometem conectar o cidadão comum com causas e organizações que precisam de apoio.

O Sparked se auto-intitula uma “rede de microvoluntariado”, explicando que se trata de “voluntariado para pessoas ocupadas”. Por meio do site, profissionais oferecem seus préstimos de graça para, online, ajudar organizações sem fins lucrativos e de caridade com serviços de design, marketing, estratégia, relações com a mídia, entre outros. As organizações apresentam desafios e os voluntários as ajudam a superá-los de acordo com sua especialidade.

Com a premissa de que não é preciso ser Bill Gates para praticar filantropia, o Citizen Effect conecta cidadãos com comunidades que precisam de apoio para seus projetos. “Procuramos pessoas que não querem apenas dar $50, mas querem juntar seus amigos, família e rede social para levantar $ 1.000 ou $ 5.000 ou $ 10.000 e ter um impacto real e significativo nas vidas de uma comunidade em necessidade”, diz o site.

No site Idealist.org, o usuário pode procurar oportunidades de voluntariado, buscar apoiadores para uma ideia ou projeto filantrópico, procurar emprego no terceiro setor ou recrutar pessoas para trabalhar. O site afirma possuir mais de um milhão de usuários.

Para quem já faz sua parte, o site myImpact.org oferece a possibilidade de registrar todas as suas boas ações para inspirar outras pessoas. A ideia é promover o espírito competitivo para ver quem pode fazer mais, além de reforçar para voluntários e doadores a ideia de que pequenas ações, somadas, fazem a diferença.

No Brasil, alguns sites como filantropia.org, voluntários.com.br e Voluntários em Ação conectam quem quer contribuir com organizações e projetos que precisam de ajuda.

No caso do Jumo, se a intenção é juntar as boas ações com o compartilhamento peculiar a às redes sociais – tornando-se a rede social com objetivos sociais –, o desafio será fazer os usuários irem além de apertar o botão “curtir”.

Fonte: Página 22

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Luta anti-corrupção mostra avanços no Dia Internacional de Combate à Corrupção

Em 9 de dezembro comemorou-se o Dia Internacional de Combate à Corrupção. A data foi estabelecida em 2003 porque foi nesse dia que governos de diversos países assinaram, na cidade de Mérida, no México, a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, assumindo o compromisso de fortalecer a cooperação internacional para ampliar a prevenção e o combate à corrupção no mundo.

Como parte das comemorações, foi lançado no Brasil o Cadastro Nacional de Empresas Comprometidas com a Ética e a Integridade – Cadastro Empresa Pró-Ética –, uma iniciativa da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Instituto Ethos que avalia e divulga as empresas voluntariamente engajadas na construção de um ambiente de integridade e confiança nas relações comerciais, inclusive naquelas que envolvem o setor público.

Esse cadastro dará visibilidade às empresas que têm compromissos e práticas de integridade e ações de prevenção da corrupção. Ao aderir ao ele, a organização assume o compromisso público e voluntário, perante o governo e a sociedade, de adotar medidas para prevenir e combater a corrupção dentro de sua instituição, em favor da ética nos negócios.

A adesão ao cadastro não traz vantagens financeiras, como desconto de impostos. A empresa que resolver aderir, no entanto, estará marcando uma posição decidida contra a corrupção e a favor da integridade e da transparência nas relações com o mercado, com a sociedade e com o setor público.

O cadastramento é gratuito e feito on-line pelo site www.cgu.gov.br/empresaproetica/, por meio do preenchimento do formulário de adesão e das respostas a um questionário qualitativo, que vai avaliar o estágio atual da empresa em relação a alguns temas importantes para a ética e para a integridade nos negócios. As empresas precisam responder perguntas sobre temas como Medidas de Ética e Conduta (por exemplo: “A alta direção está comprometida com a ética e a integridade e se envolve em ações da empresa relacionadas ao tema?) ou Controle Interno (“A empresa possui um sistema que identifica a origem das receitas?”), entre outros.

Trata-se de uma iniciativa importante porque, graças a esse cadastro, será possível dar visibilidade e valorizar as empresas que se destacam pela conduta ética. Até agora, no âmbito do governo, só havia “cadastros negativos”, de empresas devedoras ou que fraudaram a lei. Esta mudança de atitude da CGU vai contribuir para que a sociedade preste atenção naquelas companhias que se sobressaem positivamente.

Ainda no dia 9, em Brasília, foi celebrado um acordo de cooperação entre a CGU, o Instituto Ethos e o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) que envolve os profissionais e seus órgãos de classe no combate à corrupção e promoção da ética e da transparência.

Neste acordo, as três entidades se comprometem a realizar pesquisas e estudos sobre o fenômeno da corrupção em obras públicas, bem como instrumentos e técnicas que contribuam para a prevenção e o combate de práticas ilegais ou anti-éticas no âmbito das licitações, contratações e execuções de obras públicas. O acordo também prevê: o desenvolvimento de ações integradas que estimulem ainda mais a postura ética do profissional de engenharia e arquitetura; a capacitação, mobilização e engajamento das empresas atuantes no segmento de engenharia e arquitetura na adoção de medidas de ética e integridade corporativas, entre outros compromissos.

Esta iniciativa é pioneira no Brasil e pode influenciar mudanças não só no comportamento das empresas que participam de licitações e realizam obras públicas como também na própria legislação, já que são engenheiros e arquitetos que conhecem e executam os projetos.

A importância deste acordo CGU-Confea-Ethos foi corroborada neste mesmo evento, quando a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apresentou o sumário do relatório sobre corrupção no Brasil. O documento atesta os avanços havidos na política brasileira de combate à corrupção e desvio de recursos, mas fez um alerta sobre a fragilidade dos contratos públicos, um dos pontos onde o acordo CGU-Confea-Ethos pretende atuar.

A OCDE também chamou a atenção para os riscos de irregularidades nas obras da Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

O texto deste sumário foi produzido a pedido da própria CGU. Além dos comentários já mencionados, a OCDE também critica a carta branca dada pelo Congresso, na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2011, para que obras relacionadas a eventos esportivos descumpram a Lei de Licitações. O relatório de 83 páginas afirma que é preciso ficar vigilante às "operações de risco", ligadas à Copa e às Olimpíadas.

Justamente para enfrentar estes desafios, no dia 10 de dezembro, para buscar maior transparência e integridade nas obras de infraestrutura da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o Instituto Ethos lançou o projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, com apoio da Siemens Integrity Initiative.

Esta iniciativa do Grupo Siemens é mundial e resulta de acordo com o Banco Mundial, que visa combater a corrupção por meio de ações coletivas, educação e treinamento. No Brasil, o projeto patrocinado é o “Jogos Limpos”.

Por meio de ações coletivas, monitoramento e controle social, o projeto Jogos Limpos almeja aumentar o nível de transparência e de controle social dos gastos públicos, bem como o nível de integridade nas relações entre os governos e o setor privado.

O engajamento de empresas, organizações da sociedade civil e órgãos de governo nas ações será feito por meio da promoção de quatro acordos de integridade em setores estratégicos, cujas demandas por obras e serviços serão ampliadas em função dos dois grandes eventos: construção civil, saúde, transporte e energia.

A iniciativa abrangerá as doze cidades-sede da Copa, incluindo o Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas de 2016.

O projeto visa também a elaboração de indicadores de transparência, que servirão para orientar cidadãos e ONGs a respeito da conduta ética das empresas e do setor público em relação à legislação, bem como de informações sobre obras e equipamentos e dados sobre os compromissos dos acordos setoriais.

O projeto Jogos Limpos ainda prevê: ação específica voltada para as eleições municipais de 2012; desenvolvimento de ferramentas específicas, como uma página na internet, a publicação Jogo Limpo x Jogo Sujo, o guia Como Ler Contratos, um canal de denúncias e indicadores de transparência.

Ainda estão previstas, entre outras atividades, a realização de seminários nacionais e regionais sobre integridade e transparência e a mobilização em prol da aprovação dos projetos de lei “Acesso à Informação”, “Responsabilização de Pessoas Jurídicas por Atos de Corrupção” e ”Regulamentação do Lobby.

Entre as organizações já envolvidas estão as empresas e entidades signatárias do Pacto pela Integridade e Combate a Corrupção, as organizações da Rede Brasileira de Cidades Sustentáveis, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e os vários sindicatos ligados a ele.

O projeto Jogos Limpos contará também com o apoio do Pacto Global das Nações Unidas.

Enfim, se ainda há um longo caminho a percorrer até controlarmos a corrupção e o desvio de recursos, as atuais iniciativas mostram que a sociedade, os governos e as empresas estão no rumo certo e não pensam em parar até atingir o objetivo.

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A COP 16 chega ao fim.

A 16ª. Conferência das Partes sobre Mudanças do Clima da ONU (COP 16) chega ao fim sem um acordo entre países para a redução de emissões. Mesmo assim, é possível fazermos um balanço positivo desta conferência. É que ficou claro, neste encontro, que os governos querem de fato chegar a um acordo. Mas o processo de diálogo e entendimento é longo. Nesse sentido, Cancún apresentou avanços em relação a Copenhague. Afinal, 194 países sentaram-se à mesa para tentar chegar a um consenso e isso representa um progresso, já que muitos governos não se comunicam fora da conferência do clima.

A COP 16 pode ser considerada um estágio muito importante de um processo global de diálogo e busca de consenso que deve culminar na Rio + 20, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Ela vai se realizar no Rio de Janeiro, em 2012, 20 anos depois da Conferência de 1992, e terá como missão renovar o compromisso dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do planeta.

De certo modo, as atenções mundiais já estão voltadas para 2012 e dá para sentir aqui em Cancún que cresce a expectativa de que “acordo mesmo”, só em 2012.

Quanto às empresas e ONGs, elas estavam do outro lado da cidade, na Cancún Messe, o pavilhão que abrigou as empresas e a sociedade civil organizada. Lá, também houve muitas discussões, mas neste caso elas avançaram para propostas concretas, sobre como tratar a água, por exemplo, ou como mudar a forma de consumo.

Um dos temas mais discutidos – e que constitui uma das preocupações centrais da sustentabilidade – foi a questão dos limites do planeta – como cuidar da água, da biodiversidade, das riquezas naturais, enfim, como fazer emergir uma nova ecnomia, verde e inclusiva, que encaminhe a refundação da nossa civilização em novas bases.

A contribuição brasileira

O Brasil sobressaiu-se por apresentar proposta concreta de redução de emissões. O decreto que regulamenta a Política Nacional de Mudanças do Clima, assinado ontem pelo presidente Lula, foi anunciado em Cancún pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, como um grande feito, graças às metas ousadas que propõe, como reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020.

Por outro lado, vale ainda lembrar que as empresas brasileiras também são destaque, por apresentarem ao mundo a única iniciativa concreta de compromissos voluntários de redução de carbono, influenciando governos e políticas públicas e abrindo diálogo com todos os setores da sociedade. Estou me referindo ao Fórum Clima – Ação Empresarial sobre Mudanças Climáticas.

Mas, o Brasil promete ser o país para onde devem convergir esperanças e propostas sobre desenvolvimento sustentável, não só pela Rio + 20, como também um evento que vai marcar a união global pela sustentabilidade, num espaço em que todas as tendências da sociedade poderão se manifestar e propor ações concretas para uma sociedade mais justa e inclusiva, além de sustentável.

Por Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos, de Cancún, México

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Instituto Ethos lança projeto Jogos Limpos para a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016

Nos próximos cinco anos, empresas, setor público e sociedade vão ser chamados a participar de ações e compromissos em favor da transparência e da integridade nas relações de mercado e com governos. O investimento previsto é de US$ 3 milhões e conta com apoio da Siemens Integrity Initiative.

São Paulo, dezembro de 2010 – Para buscar maior transparência e integridade nas obras de infraestrutura da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o Instituto Ethos lançou, no último dia 10 de dezembro, o projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, com apoio da Siemens Integrity Initiative, um projeto mundial do Grupo Siemens, resultante de acordo com o Banco Mundial, que visa combater a corrupção por meio de ações coletivas, educação e treinamento.

Por meio de ações coletivas, monitoramento e controle social, o projeto Jogos Limpos almeja aumentar o nível de transparência e de controle social dos gastos públicos, bem como o nível de integridade nas relações entre os governos e o setor privado.
O engajamento de empresas, organizações da sociedade civil e órgãos de governo nas ações será feito por meio da promoção de quatro acordos de integridade em setores estratégicos, cujas demandas por obras e serviços serão ampliadas em função dos dois grandes eventos: Construção Civil, Saúde, Transporte e Energia.

A iniciativa abrangerá as doze cidades-sede da Copa, incluindo o Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas de 2016. O projeto visa também a elaboração de indicadores de transparência, que servirão para orientar cidadãos e ONGs a respeito da conduta ética das empresas e do setor público em relação à legislação, bem como de informações sobre obras e equipamentos e dados sobre os compromissos dos acordos setoriais.

Prefeitos – O projeto Jogos Limpos ainda prevê ação específica voltada para as eleições municipais de 2012, articulando, nas cidades-sedes da Copa, compromissos de todos os candidatos com a prestação de contas, a transparência e o controle social sobre os orçamentos e os gastos dos municípios.

Para promover o exercício do controle social dos cidadãos e das ONGs sobre os gastos públicos e a conduta das empresas, o projeto Jogos Limpos vai desenvolver ferramentas como: uma página na internet; a publicação Jogo Limpo x Jogo Sujo; o guia Como Ler Contratos; um canal de denúncias; e indicadores de transparência.

Ainda estão previstas, entre outras atividades, a realização de seminários nacionais e regionais sobre integridade e transparência e a mobilização em prol da aprovação dos projetos de lei “Acesso à Informação” e “Responsabilização de Pessoas Jurídicas por Atos de Corrupção” e um terceiro, sobre a regulamentação do lobby.

O projeto Jogos Limpos, Dentro e Fora dos Estádios terá duração de cinco anos.

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Código Florestal: redes sociais contra votação do projeto

A tentativa de votação do substitutivo do Código Florestal (Projeto de Lei 1876/99), que ocorreu no dia 07, na Câmara, como noticiamos (Leia Código Florestal pode ser votado), deu início a uma grande mobilização nas redes sociais, organizada por importantes movimentos ambientais como o Greenpeace do Brasil, o ISA – Instituto Socioambiental e a WWF- Brasil. O intuito é suspender o pedido de regime de urgência para a pauta.

O efeito multiplicador dessa mobilização é grande e já contagia gestores da área ambiental e políticos e o tema promete esquentar os ânimos nos próximos dias. A Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em Cancún, onde participa da COP16, também afirmou estar surpresa e preocupada com a possibilidade da votação.

Entre as mensagens postadas no Twitter e no Facebook, há solicitações para que os internautas encaminhem e-mails para o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT/RS). As mensagens também dão conta de que os movimentos estão alertas a manobras de ruralistas, que são a favor do texto do novo Código e que também será divulgada a lista dos deputados que, em 2010, foram a favor da votação.

Em agosto deste ano, uma comissão especial da Casa havia dado parecer favorável ao projeto. Já no dia 1º de dezembro, o deputado Sandro Mabel (PR-GO) pediu regime de urgência e colocou como argumento ‘a finalização favorável do relatório do parecer do deputado Aldo Rebelo e a relevância social da matéria’.

Para acompanhar a tramitação do PL nº 1876/99, é só acessar o site da Câmara.

Fonte: Planeta Sustentável

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dilemas e reflexões sobre a COP 16

Jorge Abrahão, direto de Cancún

Esta COP 16 está sendo um aprendizado para mim, em vários temas, não apenas sobre clima. O fluxo de informações é constante.

Uma das peculiaridades desta conferência é o choque, às vezes criativo, às vezes explosivo, entre as diferentes maneiras de abordar a realidade que os setores sociais aqui presentes têm. Vivemos os dilemas deste choque. Estes diferentes modos de pensar poderiam estar integrados, pois assim, avançaríamos mais rapidamente. Mas, a verdade é que nem mesmo o local escolhido pela ONU para a realização da COP 16 favorece a integração.

Cancún é uma extensa praia ocupada por enormes hotéis e resorts de luxo, muito afastados uns dos outros e todos bem longe do centro da cidade, onde mora a população local. É também um paraíso de consumo, e quando falamos de mudanças climáticas, precisamos pensar em mudanças de hábitos. .

A configuração geográfica da cidade parece que aprofundou as diferenças entre os diversos setores que deveriam dialogar. O Moon Palace, hotel oficial da COP 16, fica a 8 km de distância do Cancún Messe, onde as ONGs montaram sua exposição e as empresas apresentam seus projetos. Além disso, há encontros espalhados pelos hotéis da cidade. As pessoas circulam pelos diversos locais, mas não há atividades conjuntas – mesmo protestos, como em Copenhague – que ressaltem o que governos, empresas e ongs têm em comum.

Em Cancún, a distância geográfica é uma metáfora para a distância lógica entre as partes. Se quisermos sair daqui com alguns avanços em relação a Copenhague, temos realmente um longo caminho a percorrer, com os pés e com as cabeças.

Observo que os governos baseiam-se no princípio da soberania nacional para tomar decisões. Este princípio, construído ainda nos tempos de guerra fria, é francamente reativo e calcado no individualismo, na defesa e na desconfiança. Os governos estão pensando o SEU problema sem a generosidade de pensar o todo. No entanto, se os humanos dividiram a Terra em países, não temos como dividir a atmosfera que é de todos e está sendo poluída.

Empresas e ONGs respodem a este desafio global porque elas atuam globalmente; e, embora ainda não de forma integrada, têm feito pressão e provocado os governos a irem mais à frente do que poderíamos supor.

A própria ONU tem se utilizado da capacidade de pressão de ONGs e empresas para convencer governos a avançar nas negociações de alguns acordos.

É necessária a integração entre todas as partes e isto representa um desafio para empresas e ONGs que não estão habituadas a pensar e agir em grupo, de maneira coordenada.

Nesse sentido, a iniciativa brasileira do Fórum Clima torna-se cada vez mais importante e necessária. Como já comentei aqui, o Fórum Clima foi constituído por empresas que, em 2009, pouco antes da COP 15, assumiram voluntariamente metas de redução de carbono, anunciando publicamente este compromisso, por meio da Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças do Clima. Na mesma carta, os signatários incentivaram a que o governo brasileiro também adotasse metas de redução de emissões, dando exemplo a outros governos. Isto de fato ocorreu: o governo brasileiro anunciou metas de redução de carbono entre 36 e 38%, até 2020 e, em dezembro de 2009, sancionou a Política Nacional de Mudanças do Clima.

As empresas signatárias da Carta Aberta constituíram, então, o Fórum Clima, para monitorar suas próprias ações e contribuir com as políticas nacional e regionais do país.

Pelo que tenho verificado em Cancún, este é o único caso concreto de ação integrada sobre mudanças do clima, em que sociedade e empresas pressionam, o governo acata a pressão e o tema avança.

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sustentabilidade e os modos à mesa

Para o sociólogo Claude Fischler, do Centro Edgard Morin da École de Hautes Etudes en Sciences Sociales, de Paris, não é por acaso que, durante milênios, comemos em grupo, seja como iguais ou como parte de uma hierarquia.

Esses encontros cumprem uma série de funções sociais, como a definição de quem pode ou não participar da refeição, a parte que cabe a cada comensal, a posição à mesa, a ordem em que cada um é servido. Essas funções estão presentes tanto em refeições mais elaboradas e rituais, como a cerimônia do chá japonesa, ou numa roda de amigos beliscando petiscos num boteco. As refeições também definem a passagem do tempo (as coisas acontecem antes ou depois do jantar) e o posicionamento de um indivíduo na sociedade (o uso dos talheres indica o grau de educação e o extrato social de origem).

Foto de Chris Makarsky via Flickr
Em contraste, quem come sozinho geralmente é visto como alguém solitário e incapaz de se relacionar. Para Fischler, que é assessor do Ministério Francês da Agricultura, é como se ele tivesse negada a sua condição humana. Quem come em restaurantes de fast food, na frente do computador ou com a orelha grudada ao celular não presta atenção ao que põe no prato. Também não está sujeito à pressão social que impõe uma boa dieta e modos à mesa. Tem mais chances de comer inadequadamente e, em decorrência, está mais propenso à obesidade e ao diabetes.

Fischler declarou recentemente, numa conferência, que o ato de comer sem reflexão ou rituais tira do alimento o seu sentido. “Somos o que comemos – o que somos se não sabemos o que comemos?”, pergunta o pesquisador. Não é de surpreender que um sociólogo francês, nascido na pátria do Slow Food, pense nesses termos. Mas suas idéias fazem eco em outras paragens.

A norte-americana Laurie David, produtora do filme “Uma Verdade Inconveniente”, que ganhou o Oscar em 2007, e uma militante conhecida pela luta anti-aquecimento global, tem levantado essas mesmas questões. Ela acaba de lançar “The Family Dinner: Great Ways to Connect With Your Kids, One Meal at a Time” (O Jantar de Família: Grandes Soluções para se Conectar com seus Filhos a cada Refeição), um livro que discute, justamente, a sustentabilidade da comensalidade.

Assim como Claude Fischler, ela insiste no papel civilizatório das refeições. Ela lembra, por exemplo, que à mesa melhoramos o nosso vocabulário e desenvolvemos a nossa capacidade de debater. “Tudo no nosso modo de vida atual dificulta a interação com o outro”, disse Laurie, recentemente, ao website Grist. “Por isso é essencial recriar o ritual de colocar a mesa. É assim que aprendemos a ouvir e a conversar. E, quem sabe, talvez você use esse espaço para discutir questões internacionais e para aprender a ter consciência social”.

Você está cansado de saber que uma dieta local, orgânica e vegetariana é mais sustentável para o planeta. Mas o que dizer dos seus hábitos à mesa? Será que o almoço improvisado em frente à televisão é pior do que a macarronada familiar de domingo de um ponto de vista socioambiental? Muita gente acha que sim.
Fonte: Página 22

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

As mudanças do clima, os governos, as empresas e a sociedade

Mais uma Conferência das Partes sobre Mudanças do Clima está em andamento. Esta é a 16ª. e realiza-se em Cancún, no México. Estou participando pela primeira vez, como presidente do Instituto Ethos, cargo que assumi em 8 de novembro último. Cheguei no sábado, dia 4, e após fazer minha inscrição, fui dar um giro pelos locais dos eventos. Estive primeiro na Cancún Messe, um grande parque de exposições onde centenas de ONGs do mundo inteiro literalmente montam suas tendas e mostram suas ações e suas lutas. Em seguida, fui ao Moon Palace, o majestoso hotel onde está ocorrendo a COP 16 propriamente, ou seja, as plenárias com representantes de governos. Cheguei no exato momento da concorrida entrevista do embaixador Luiz Figueiredo, chefe da delegação brasileira. Ele reafirmou o compromisso do país em reduzir suas emissões, independente de metas internacionais. Mesmo assim, não conseguiu desfazer a impressão geral da imprensa de que a COP 16 não produzirá nenhum acordo de envergadura.

Ontem, junto com outros representantes do Ethos, participei do encontro de grandes empresas, chamado Encontro dos Negócios na COP 16. Companhias internacionais, inclusive brasileiras, se reuniram para mostrar ações em avanços em vários temas cruciais para as mudanças do clima, como logística, inovação e racionalização no uso de recursos naturais.

Com apenas este dia, pude tirar algumas conclusões: os governos não vão mesmo conseguir fechar um acordo mais amplo sobre o enfrentamento às mudanças climáticas. O álibi tem sido a crise econômica. A verdade é que os representantes de governos não conseguem pensar para além de suas fronteiras e no longo prazo. A visão continua imediatista e de curto prazo. Ainda não “caiu a ficha” de que os problemas do aquecimento global não vão respeitar a geografia. Sem esta consciência não haverá acordo possível.

Por outro lado, verifiquei a criatividade e o engajamento das iniciativas das ONGs, que mobilizam milhões de pessoas no mundo inteiro em favor da mudança no modelo de nossa civilização. Constatei também a pujança dos projetos empresariais que, embora busquem velocidade na aplicação das soluções encontradas, visam o longo prazo. Todavia, percebi que tanto ONGs quanto empresas apresentam o mesmo problema: suas ações ainda são individuais, não convergem para um mesmo ponto coletivo: a necessidade de mudar o padrão de produzir e consumir e de construir uma nova sociedade.

Este cenário, ao contrário do que possa parecer, não me faz pessimista em relação às perspectivas de avanço de uma economia focada no enfrentamento das conseqüências das mudanças do clima, chamada genericamente de “economia de baixo carbono”, mas que o Ethos prefere dar nome mais abrangente: “economia verde, inclusiva e responsável.

Sou otimista porque, em primeiro lugar, em que pese o imediatismo dos governos, sociedade civil e empresas avançam a passos largos em mobilização e inovação. Em segundo lugar, porque o Brasil cada vez mais se firma como o palco das ações mais importantes e decisivas para a tomada de decisões sobre o aquecimento global.

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