segunda-feira, 22 de junho de 2009

Conferência Ethos 2009: a motivação foi maior que a crise

Participantes da 11ª edição da Conferência do Instituto Ethos discutiram os paradigmas da nova 'economia verde'

Tendo como tema “Rumo a uma nova economia global: A transformação das pessoas, das empresas e da sociedade”, a Conferência Internacional 2009, do Instituto Ethos, chegou ao final com a participação total de 1.357 pessoas, oriundas de várias partes do Brasil e do exterior. A organização contabilizou 759 inscritos, 115 jornalistas credenciados, 71 palestrantes e 47 convidados, que estiveram envolvidos durante quatro dias em seis painéis, seis mesas-redondas, cinco oficinas, três plenárias e duas atividades culturais. O evento foi realizado entre 15 e 18 de junho no Hotel Transamérica, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo.


Muito satisfeito, apesar do evidente cansaço, o presidente do Ethos, Ricardo Young definiu a 11ª edição da conferência como surpreendente: “Em um ano de crise, com cortes de investimentos, ficamos em dúvida se haveria mobilização entre as empresas. Elas não só fizeram isso, com a decisão de enviar seus representantes, mas como também elevaram sobremaneira seu grau de comprometimento com os temas debatidos”.

Em comparação a 2008, os conteúdos de cada sessão foram concebidos no sentido de discutir e mostrar como devem funcionar na prática os novos paradigmas que vão nortear a ‘economia verde’, inclusiva e responsável, em substituição ao velho modelo. Ricardo Young avaliou que “a crise acelerou a urgência do desenvolvimento sustentável. As pessoas entendem que o futuro é hoje e querem respostas. Elas estão cada vez menos tolerantes com as divagações”. Realizadas após as plenárias e mesas-redondas, as rodas de diálogo foram oportunidades de aprofundamento das discussões que registraram um elevado índice de adesão entre os conferencistas.

Para o presidente do Ethos, “a qualidade das contribuições dos conferencistas a partir dos debates foram muito boas. Mesmo as críticas serão consideradas porque foram muito bem fundamentadas.”

O consultor de empresas Fábio Rocha elegeu a de 2009 como a conferência do Ethos que mais aproveitou. “Foi uma das melhores edições porque conseguiu equilibrar bem o espaço para uma reflexão profunda com a discussão de questões aplicadas à gestão. A conferência não só discutiu a nova economia, mas promoveu oficinas para sabermos como lidar com esta nova realidade. E terminou com ‘chave de ouro’, ao discutir a estratégia sobre o que fazer nos próximos anos”. O vice-presidente do Ethos, Paulo Itacarambi, sintetizou a missão dos próximos anos: “O desafio agora é trabalharmos em cima de tudo isso que construímos até aqui”. (Envolverde)

Mônica Paula e Silvia Marcuzzo

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Os "empregos verdes" e as relações de trabalho em uma sociedade "aspirante" a sustentável

Mensagem enviada por Leonard Almeida
Estudante de jornalismo
São Paulo - SP

No debate de ideias sobre as alternativas para um mundo sustentável, as grandes empresas tem uma importância fundamental. E um dos papéis que lhes cabe sociedade foi tema na mesa redonda 2 de discussão: RELAÇÃO CAPITAL–TRABALHO, A CRISE COMO OPORTUNIDADE PARA AVANÇOS E INOVAÇÕES NA AGENDA DO TRABALHO DECENTE. Um dos pontos tocados foi a necessidade de se manter a população empregada para o combate à crise econômica no Brasil.

Os palestrantes foram Artur Henrique da Silva Santos, presidente nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Sandrine Lage, fundadora da Sperantia, empresa portuguesa que realiza pesquisas de opinião em RSE (Responsabilidade Social Empresarial), e Janine Berg especialista em emprego da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Ficou clara a importância da criação de "empregos verdes", para um desenvolvimento sustentável conjunto entre cidadão e empresa, e a conscientização sobre a sustentabilidade no ambiente interno dessas organizações.



Representantes de instituições e órgãos de vários setores da sociedade estavam presentes na platéia. Moneide Arai, da Cavo Serviços de Saneamento, empresa de gestão ambiental do Grupo Camargo Corrêa, explica como eles trabalham esse processo de mudança. "Tentamos ensinar a complexidade do problema em toda sua estrutura, desde o faxineiro aos presidentes, através de ações, palestras, oficinas, sempre explicando o conceito do "Tripé da Sustentabilidade".

Sobre os projetos desenvolvidos e a geração de empregos verdes na Camargo Corrêa, Arai admite que ainda não existem objetivos concretos a respeito, mas um monitoramento das ações da empresa está sendo feito. "Ainda não temos metas específicas, mas estamos evoluindo aos poucos. Estamos mapeando todos os setores da empresa, identificando e informando os excessos e o que pode ser mudado, usando cerca de 25 indicadores de consumo, como o GRI Ethos", afirma Arai. Segundo ela, foi criada até uma diretoria de Sustentabilidade, o que explicita a preocupação da empresa com o tema.

Para Darci Bertholdo, funcionário da área de Políticas Sociais do Ministério do Planejamento, o Brasil "não tem experiência na área", mas devem ser construídas maneiras de se fazer sustentável sem abalar sua economia. Para ele, "o trabalhador também terá que se adequar".

Em relação à crise, com o problema das demissões em massa e as demandas sindicalistas por melhoria nas condições do trabalho, Arthur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT, apontou as dificuldades para que empresas, sindicatos e Estado negociem reformas nas leis trabalhistas.

Bertholdo afirma que a posição do governo deve ser a de mediador nesse debate, mas também lutar pelos direitos do trabalhador. "O Estado deve ser o mediador, mas também deve assegurar condições e direitos mínimos aos trabalhadores. Com a crise, percebe-se que o Estado é ainda relevante para manter o pacto antes estabelecido".

Berg relatou que a OIT estima que 3 milhões de pessoas ficarão desempregadas nos próximos meses na América Latina. Segundo ela, os empregos verdes podem ajudar a evitar esse problema, e ao mesmo tempo acelerar o desenvolvimento sustentável do país e a responsabilidade social da população.

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Ato Público contra a MP 458

Mensagem enviada por: Ana Lúcia Berndt
Empresa: SOMA Agência de Comunicação Sustentável
17/06/2009 - São Paulo - SP

Dia 18 de junho, quinta-feira, às 14h30, será realizado um Ato Público contra a MP 458 no Hotel Transamérica, em São Paulo, durante a Conferência Internacional do Instituto Ethos.

Empresários, ambientalistas e representantes da sociedade civil em geral se reunirão com o objetivo de marcar o posicionamento contra as tentativas de desmontar a legislação ambiental brasileira e em favor da Amazônia.

Participe! Este é o momento de mostrar ao presidente Lula o posicionamento da sociedade com relação às questões ambientais da Amazônia.

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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Conferência Internacional Ethos 2009

Começa hoje a 11ª Conferência do Instituto Ethos.

Participe!

Saiba mais pelo site: www.ethos.org.br/ci2009


Estamos te esperando!

Abraços,
Equipe Ethos e UniEthos

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quinta-feira, 11 de junho de 2009

E por que isto é tão importante?

Mensagem enviada por Maria Zulmira de Souza
Planetária Soluções Sustentáveis
São Paulo

O Congresso Internacional está chegando. E um dos temas que prometem
esquentar o público neste ano é comunicação e sustentabilidade. Ele
estará presente em diversas rodas do evento, como na Oficina de
Comunicação e Marketing Socialmente Responsáveis, dia 16.

E por que isto é tão importante?

Longe de, na prática, ser incorporada às ações individuais e
corporativas, o que vemos é o mal uso da dita cuja, com raras exceções. E
pensar que é condição vital na construção do mundo que queremos. Ou não
é?

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Entre o lucro e a sustentabilidade

Texto comentado por Ricardo Young na Rádio CBN.

De acordo com pesquisa realizada pela Grant Thornton International, os empresários brasileiros estão divididos entre o lucro e a sustentabilidade.

O estudo ouviu 7.200 empresas privadas de capital fechado em 36 países (Privately held business – PHS) em 36 países e os resultados mostram que 43% dos brasileiros estão dispostos a diminuir rentabilidade nos negócios para preservar o ambiente. Esta porcentagem põe o Brasil em 6º. Lugar entre os países pesquisados. Em nosso país, foram ouvidos 150 empresas, sendo 100 em SP, 25 no RJ e 25 na Bahia.

A pergunta feita foi: A sua empresa adotaria práticas de preservação ambiental se elas tivessem impacto negativo no lucro?


A Tailândia foi o país com maior percentual de SIM entre os executivos entrevistados: 99%.

Antes do Brasil ainda vêm Argentina, com 80%; México, com 60%, Japão, com 50%; EUA, com 46%; e Índia, com 44%.

Em termos continentais, a Ásia oriental (sem a China e os países árabes) concentra o maior número de empresários dispostos a defender o ambiente (61%). A América Latina vem em seguida, com 56%.

Na média, sem levar em conta a nacionalidade dos executivos entrevistados, 51% deles afirmam que adotariam práticas ambientalmente corretas em detrimento dos lucros. 36% disseram que preferem se importar com os negócios e 13% não souberam responder.

Em outra pergunta da pesquisa, na qual os entrevistados deveriam considerar se a comunidade empresarial do país se preocupa com o meio ambiente, foi feita uma ponderação entre SIM e NÃO. A média mundial de SIM foi de 30% . No Brasil, 34% dos entrevistados acreditam que a comunidade empresarial se preocupa com o meio ambiente. A média mais alta foi obtida nos países nórdicos, com 61% de respostas afirmativas (sim, o empresariado se preocupa com o meio ambiente). A média mais baixa ficou com a América Latina, 14%. A Argentina foi o país onde a percepção positiva sobre a preocupação ambiental do empresariado teve o percentual mais baixo da pesquisa Menos 34%. E é justamente neste país onde os empresários estão mais dispostos a abrir mão do lucro para melhorar as práticas ambientais.

A pesquisa mostra que, mesmo longe do ideal, o empresariado começa a evoluir na abordagem das questões ambientais. As pressões dos consumidores e a consciência de que os recursos naturais estão mesmo se tornando escassos podem ser apontados para esta mudança de consciência.

Tomara que esteja perto o dia em que todo o empresário, independente do tamanho de seu negócio, perceba que práticas socioambientais trazem vantagens para a sociedade, para a empresa e para a marca. E que, em tempos de turbulência, acabam sendo uma boa garantia para a sobrevivência do próprio negócio.

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Relatório do Greenpeace responsabiliza pecuária e o governo pelo desmatamento da Amazônia

Texto de Benjamin S. Gonçalves
Editor de publicações do Instituto Ethos
São Paulo, 5 de junho de 2009

De acordo com o estudo, marcas de produtos conhecidos, redes de supermercados e frigoríficos estão contribuindo involuntariamente para o agravamento do problema na região, com a colaboração do governo.

Após colher informações durante três anos, a organização não-governamental Greenpeace lançou nesta segunda-feira o relatório Farra do Boi na Amazônia. O levantamento conclui que a indústria pecuária nacional é a maior responsável pelo desmatamento da Amazônia. Invasão de terras protegidas e trabalho escravo também foram observados pelo relatório em fazendas que fornecem gado para o mundo todo.



Nos três anos de investigação, o Greenpeace rastreou o fornecimento de carne, couro e outros produtos bovinos para o mercado global por fazendas da região, estabelecendo pela primeira vez uma relação entre os danos da pecuária sobre a Floresta Amazônica e marcas famosas em todo o mundo, como Adidas/Reebok, Carrefour, Clarks, Gucci, Honda, Ikea, Kraft, Louis Vuitton, Nike, Prada, Tesco, Timberland e Wal-Mart.

O relatório acrescenta que o governo federal, responsável pela preservação da Amazônia, é um dos principais colaboradores para a destruição da floresta, ao conceder financiamentos a empresas do setor por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “No momento em que a empresa financiada pelo governo investe na região e monta uma unidade com capacidade para abater milhares de animais por dia, está sinalizando para os produtores que eles podem desmatar e ampliar a produção, porque os animais serão comprados”, comenta André Muggiati, coordenador da campanha de pecuária do Greenpeace.

De acordo com Muggiati, entre os frigoríficos implicados no desmatamento da Amazônia estão o Bertin, o JBS e o Marfrig, que receberam a maior parte dos US$ 2,65 bilhões investidos pelo BNDES em troca de ações para o governo federal, entre 2007 e 2009, em cinco grandes empresas, responsáveis por 50% das exportações de carne e couro brasileiros.

O levantamento informa ainda que a expansão da pecuária brasileira se concentra na Amazônia, onde 80% das áreas desmatadas são dedicadas à atividade. Observe-se que o país é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa em todo o mundo, sobretudo pela destruição da floresta.

Logo após a divulgação do relatório, os frigoríficos Bertin e JBS lançaram notas oficiais rebatendo as informações e afirmando que adotam critérios sustentáveis para a compra de matéria-prima. Ambos disseram que antes de contratar os produtores consultam a lista de propriedades embargadas pelo Ibama e a "lista suja" do Ministério do Trabalho. O Bertin informou que já excluiu pelo menos 165 fornecedores que estavam em uma das duas listas. O JBS, por sua vez, citou sua adesão ao Pacto Empresarial da Pecuária estabelecido em 2008 pela iniciativa Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia.Vale esclarecer que esse pacto estabelece compromissos que deverão ser acompanhados de ações concretas a serem relatadas pelos signatários. Até o momento o Comitê de Acompanhamento dos Pactos do Conexões Sustentáveis ainda não recebeu o relato de ações do JBS.

Já o Wal-Mart foi mais além e publicou seu posicionamento Repúdio à Pecuária Bovina Irregular na Amazônia, no qual informa que, em resposta aos fatos apresentados pelo relatório do Greenpeace, “já está em contato com seus fornecedores para obter explicações em relação às denúncias e, desta forma, tomar atitudes no curto prazo que sejam efetivas e sustentáveis”.

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

5 de junho - DIA DO MEIO AMBIENTE

Texto de Benjamin S. Gonçalves
Editor de publicações do Instituto Ethos
São Paulo, 5 de junho de 2009

“MP da Grilagem” não pode virar lei

A aprovação da MP 458 pelo Senado, sob forma de projeto de lei, deixa indignados os defensores da Amazônia e da legalidade no país.

A Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária de terras da União na Amazônia Legal e acaba de ser aprovada pelo Senado, tem sido chamada de “MP da Grilagem” pelos defensores da Amazônia e da legalidade no país. O texto aprovado permitirá a legalização de 67,4 milhões de hectares de terras públicas na região, as quais poderão ser vendidas ou doadas sem licitação, até o limite de 1.500 hectares.



Também as empresas que ocuparam terras públicas até 2004 poderão legalizar essas ações, passando a ter direito sobre as propriedades. Os imóveis poderão ser revendidos após a concessão dos títulos – os médios e grandes depois de três anos e os pequenos após dez anos.

A senadora Marina Silva, uma das principais opositoras da MP, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vete pelo menos três artigos que, se mantidos, trarão prejuízos à floresta. “Um dos artigos amplia extraordinariamente as possibilidades de legalização de terras griladas”, diz a senadora. “O maior problema da MP 458 são as brechas que ela abre para anistiar os que cometeram crime de apropriação de grandes extensões de terras públicas, que agora vão se beneficiar de políticas pensadas originalmente para atender apenas a posseiros de boa-fé”, completa.

Outro propósito dos vetos solicitados pela senadora é impedir que aqueles que colocaram laranjas para cuidar de terras griladas possam agora regularizá-las. Além disso, é preciso limitar a regularização de terras por pessoas jurídicas que sejam proprietárias de outras propriedades rurais.

Também o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pedirá ao presidente que vete pontos da MP. Sua expectativa é de que o presidente Lula se reúna com os ministros responsáveis pela regularização de terras na Amazônia para discutir os vetos. Minc deve reunir-se com o ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, e com parlamentares para discutir os pontos que não podem ser aceitos pelo governo.

Nesta quinta-feira, 4/6, Minc se juntou a artistas do Movimento Amazônia para Sempre, que entregaram ao presidente da República um documento com mais de 1 milhão de assinaturas pedindo o fim do desmatamento. “Somos o único país que detém uma floresta tropical do tamanho da nossa. Então, a responsabilidade é nossa de continuar protegendo”, argumentou o ator Vitor Fasano, um dos líderes do movimento.

A atriz Christiane Torloni, também presente ao encontro, referiu-se diretamente à MP 458, dizendo que ela não pode virar lei: “Não podemos dar terras a quem não é legal. Não se pode dar terras a grileiros e laranjas”.

Para Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, a MP 458 tornou-se uma alforria para os que pilharam terras públicas na Amazônia. “Esperamos que o presidente Lula tenha a lucidez e a clareza de vetar os pontos que a sociedade civil organizada e lideranças – em especial, a senadora Marina Silva, em carta aberta – apontam como extremamente prejudiciais para o futuro da Amazônia e do país.”


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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Timão na rota da sustentabilidade

Texto comentado por Paulo Itacarambi, na Rádio CBN
27/05/2009 - São Paulo



Na última segunda-feira, dia 25 de maio, a diretoria do Sport Club Corinthians Paulista reuniu-se em grande estilo para um evento inusitado no mundo do futebol: o lançamento do Relatório de Sustentabilidade 2008 do clube. Trata-se de uma publicação única no segmento esportivo mundial, elaborada com base nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), organização internacional com sede em Amsterdã, Holanda, que tem como objetivo desenvolver e disseminar diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade, adotados voluntariamente pelas principais empresas do mundo.

Com a elaboração deste relatório, o Timão dá o primeiro passo na estrada da sustentabilidade.

Dividido em 12 capítulos, o relatório abrange temas como gestão, governança, torcida, desempenho econômico, investimentos e ativos, futebol de base, ações de marketing e públicos estratégicos, além de trazer as demonstrações financeiras do exercício de 2008.
O conteúdo completo pode ser acessado pelo site www.corinthians.com.br.


Os jornalistas esportivos não deram destaque ao evento. E a iniciativa merece apoio e reconhecimento, pois engajar diretoria e partes interessadas para pensar uma organização sob o prisma da sustentabilidade é difícil numa empresa, imagine num time de futebol e no contexto esportivo brasileiro.

O lançamento desse relatório representa um momento histórico para o futebol brasileiro, porque mostra o caminho que, se adotado por todos os clubes, dará uma robusta contribuição ao principal desafio do movimento da sustentabilidade no Brasil, que é a construção da cultura da sustentabilidade.

O presidente Andrés Sanchez destaca um dos objetivos da sua gestão, na mensagem que abre o relatório: fazer o Timão ser reconhecido como o clube com a administração mais ética e profissional do futebol brasileiro. Para atingir esse alvo, o Corinthians precisa de todos os times e de todas as torcidas, porque, parafraseando Vinícius de Moraes, não há ética sozinha.

Assim, esse objetivo de gestão põe vários desafios ao Corinthians. Um deles é contribuir para a construção de uma “cultura de sustentabilidade” a partir do esporte. No âmbito doméstico, ampliar o diálogo com as partes interessadas e aprofundar as práticas de boa governança são duas tarefas titânicas. No âmbito externo, a diretoria poderia incentivar que outros times e mesmo as entidades que dirigem o futebol brasileiro adotassem práticas como ouvidoria e código de ética, bem como franquear instalações do clube para escolas públicas e realizar campanhas de cidadania.

Estamos num momento em que o Timão poderia atuar em cooperação com os demais clubes numa mobilização nacional em prol da vitória brasileira em duas Copas: a de 2014, no campo, e a de 2015, que é a dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). É que em 2015 a ONU vai reunir os países em assembléia geral para um balanço do que foi feito em relação aos oito ODM, lembram-se?

- Acabar com a fome e a miséria
- Educação básica de qualidade para todos
- Igualdade entre sexos e valorização da mulher
- Reduzir a mortalidade infantil
- Melhorar a saúde das gestantes
- Combater a aids, a malária e outras doenças
- Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente
- Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento

Que tal se o Corinthians e sua imensa Fiel entrassem na “briga” para o Brasil atingir os ODM até 2015? Uma das maneiras é incentivar as cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo a realizar as obras pensando nas demandas desses objetivos socioambientais. Se o Timão entrar em campo e os outros times também, fica mais fácil. E poderemos ter o orgulho de sermos campeões dentro e fora dos gramados.




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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Direto de Copenhague, Ricardo Young comenta a Cúpula Empresarial de Mudanças Climáticas

Texto enviado por Ricardo Young
Presidente do Instituto Ethos
Copenhague, 25 de maio de 2009


Pelo menos 700 CEOs de todo mundo estão reunidos em Copenhague, capital da Dinamarca, na Cúpula Empresarial de Mudanças Climáticas, para debaterem o papel das empresas na redução das emissões de carbono. O encontro é uma tentativa de unir a agenda da crise financeira com a da crise climática para levar à mesma Copenhague, no final do ano, uma agenda do mundo corporativo para a reunião COP 15 (Conferência Mundial sobre Clima das Nações Unidas).

O objetivo é que ela possa contribuir para aproximar governos em divergências ainda importantes para que a COP 15 em Copenhagen surja como a Conferência que fundamentará as bases de um novo ciclo de desenvolvimento pautado pela baixa emissão de carbono. Foi neste encontro e com este espírito que Al Gore iniciou a sua fala, logo após a abertura do Secretário Geral da ONU, Ban-Ki Moon.

Gore pontuou a tripla crise - a climática, a econômica e a de segurança energética - como resultantes de uma mesma causa: a profunda dependência que a humanidade tem de energia fóssil ( não disse, mas deveria, daquela parte da humanidade que tem acesso a ela...). Disse que o grande imperativo é sair da dependência de energias fósseis para as infinitas fontes de energia limpa e renovável do Sol, dos ventos e da energia geotérmica. Falou dos muitos exemplos nesta mesma direção como a da Dinamarca que já tem 25% de sua energia em base éolica ou mesmo das recentes medidas do Presidente Obama que estabeleceu metas de redução de emissões para a indústria automobilística e o cancelamento literal da construção de plantas termoelétricas movidas a carvão. Disse ainda que é indispensável que se crie valor para a mitigação de CO2, pois um gás invisível e inodoro dificilmente será reduzido sem compensação econômica. Gore também pontuou a crescente coragem e determinação do governo Obama de transformar os Estados Unidos independente de energia fóssil até 2020. Comparou a recente fala de Obama quando das metas de redução das emissões a de Kennedy no início da década de 60 sobre colocar o homem na Lua até o final da década. Reiterou a necessidade de ousar e sonhar para que o desafio da energia sustentável toque o imaginário das pessoas, sem o qual, não haverá o esforço necessário.

A fala de Gore foi enfática e determinada. Também aproveitou para reiterar um dos principais temas defendidos pelos EUA para Dezembro, ou seja, mecanismos de mercado como parte da nova regulação de serviços ambientais. Mas o mercado que ele se refere, seria um novo mercado, eivado de valores éticos e humanos. Como? Finalizou dizendo que esta geração será julgada pelas próximas e se elas nos acusarem de não termos tomado as ações que nosso tempo nos convoca, teremos falhado lamentavelmente.

Neste aspecto tanto Ban Ki-moon como Al Gore deram o tom: Copenhagen terá que ser o marco zero de uma nova economia e visão de desenvolvimento. Estabelecerá as bases para as regras de mercado e de regulação governamental e multilateral para os próximos 20 anos e isso tem que ser feito este ano sob pena da coesão política conseguida até aqui fragilizar-se e tornar tudo muito mais complicado. De fato, as mudanças climáticas não tem esperado em sua perigosa escalada.

Apesar do bom início, as lideranças empresariais presentes não pareciam estar a altura do debate. Limitaram-se a expressar concordância com o imperativo da economia verde mas não conseguiam dizer qual era a agenda do mundo dos negócios. Qualidade sofrível o debate dos CEOs. Considerando-os parte da poderosa elite mundial que será determinante para a mudança, é preocupante.

Por: Ricardo Young

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